Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

terça-feira, fevereiro 27, 2007

pequeno-almoco dos bávaros

Uma colega minha, mais uma de quem eu gosto tanto a ponto de quando ela fala, na minha cabeca eu imaginar-me a empurar a dela para dentro de uma sanita, fazendo-a sufocar (e mais nao digo), andava há várias semanas a melgar o pessoal do meu piso para alinharmos num pequeno-almoco bávaro. E perguntam voces O que é um pequeno-almoco bávaro?
Ora, comecemos por pequeno-almoco, segundo a Wikipedia é o desdejum (palavra muito onomatopeica), a primeira refeicao do dia, precedendo o almoco ou ceia e é consumido pela manha. Bávaro é à moda dos bávaros, contendo, portanto os seus ingredientes favoritos, que noutra perspectiva, tratando-se dos ingleses seriam ovos, feijoes e molho de tomate. (argh)
O pequeno-almoco bávaro é constituído por cerveja com
fermento (Weissbier), salsicha branca, mostarda doce e brezen com sal.
Hmmmm, mnham dirao uns, um nojo-espera-que-vou-ali-vomitar-e-já-volto, dirao outros.
Hoje foi o tao esperado dia. Ela conseguiu melgar toda a gente, a ponto de as pessoas dizerem que sim nao por estarem já a salivar de tanta vontade do pequeno-almoco bávaro, mas porque ja nao a podiam ouvir mais.
Bom, a salsicha branca nao é tao má como eu pensava. Foi a minha primeira salsicha branca e costuma-se dizer que a nossa primeira salsicha (branca) a gente nao esquece. Ah..ah! eu e as minhas piadas de homens das obras...de homens das obras e de quem passeia entre eles (olá Patsy). Entao, concluí que devia passar a apostar mais nos pequenos-almocos reforcados, pois hoje o dia ja nao me pareceu tao cinzento. Nao há nada como a alegria da barriga cheia. Para entao, ja fazer sentido eu me queixar. Com a barriga cheia, portanto. :)
(Foto da Wikipedia)
A breze só marchou com um copo de água goela abaixo, mas o que é facto é que esta manha me senti permanentemente acordada. Nao sou capaz de comer isto todos os dias, mas lá que é (cof cof) delicioso (belheeek), ai isso é...

átomos de energia má

Depois de um mes à espera que me respondessem da Clickair, a confirmar o meu voo para Barcelona (onde, pelo andar da carruagem me vou afogar no álcool todos os dias, olééé!), eis que chega o dito email com a confirmacao. Se pensarmos que escrevi quase 10 mails a pedir que me enviassem de novo a confirmacao, pois a primeira foi parar ao meu junk mail, e acabar por receber mesmo uma resposta um mes depois, nao está muito mal.
Há alturas em que entramos numa onda de azar, que é preciso ter cuidado. Desde há uns tempos para cá, tornei-me numa pessoa muito mais mística. Se no espaco de um dia, eu sentir energia negativa a perseguir-me, comeco a ficar com medo de sair de casa. E qualquer coisa que nao corre de acordo com as minhas expectativas, é karma, é azar, é desgraca. O horóscopo tem-me mentido. Logo agora que me decidi a dar-lhe a primeira oportunidade. Queria tanto acreditar no que lia. O próprio horóscopo preve sempre quatro esferas que compoem a nossa vida, normalmente sao elas amor, trabalho, saúde e dinheiro. Ora, recentemente, a minha barra do trabalho tem-se apresentado maravilhosa. E o que é facto é que nao há meio de avancar. Há coisa de uns dias desisti de pensar fervorosamente em trabalho e comecei a pensar nas minhas pequenas metas pessoais. Ontem, enquanto esperava pelos resultados do exame de código, pensava Epá... mas se ando tao farta do meu empego e nao consigo arranjar mais nada, isto pode representar nas leis do Cosmos que vou passar no exame, para contrabalancar esta insatisfacao...
Pronto, posto isto, desde ontem que ando constantemente a olhar para o alto porque acredito mesmo que em coisa de dias me caia um piano em cima. Nao sei explicar, it's just a feeling. and whaaaaat a feeeeling.... please believe meeee.... (familiar?)

Razao tem o Murphy, se achamos que mais nada de mal nos pode acontecer, nao temos mesmo imaginacao suficiente. E eu tenho uma imaginacao muito, mas mesmo muito fecunda.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

chumbou no código, é burra

Pois é, a semana nao comecou nada bem.
Exame de código chumbado por:
a) perante o sinal de 'perigo avioes', ter assinalado resposta à pergunta O QUE CONCLUIR DO SINAL 'pode-se contar com desvio de entrada ou saída para aerodromo'.
b) por nao ter assinalado que é proibido estacionar em cima de bueiros.
c) por ter assinalado que quando o catalisador faz mais barulho do que o normal e deita fumo preto, se deve trocar o filtro.

Tá dito e assinado. Eu sou burra. As outras 27 perguntas certas nao me valeram de rigorosamente nada. Chuif.

domingo, fevereiro 25, 2007

o relogio biologico manda

Pois ja estou melhorzinha e com o nariz enfiado nos exames do código, pois em alemao é muito divertido. Nao que eu precise de continuar a rever testes, mas a brincadeira pode-me custar uns trinta contos.
Os últimos dias teem sido passados a ter pena de mim mesma e a concluir que nao preciso de penar e esperar até ganhar bolor, que me escolham para o outro emprego. Estou de novo muito zen e naquela de o que tem de ser tem muita forca, se nao foi é porque nao estava escrito ou mesmo a minha favorita, gandas cabr$%&§ que me andaram a iludir, filhos da.... nao me merecem. Menina Minhoca, só lhe vamos poder dizer em Marco se temos vaga pra si, sabe a menina apareceu assim do nada, nao estávamos à espera. Gostámos muito, pois gostámos, mas temos de criar vaga para si. Ai é? Entao ide todos... (ate me esqueceu como se diz)...
Quem espera desespera, e eu desesperei. Abram alas, toca a marchar para outras paragens. Se tudo correr bem, quando estes se lembrarem de mim, ja lhes posso fazer o manguito e desejar-lhes coisas que comecem por f.
Ou entao, como disse ontem o Bola e muito bem: se nao encontras um emprego que te encha a alma, meu Amor, entao pensamos mais cedo na alegria de uma baby minhoca.
E ele nao estava a gozar.
É isso amigos, ou um mega emprego ou um mega baby.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

tinha tanto ranho, tanto ranho, que podia ser uma lesma

Ontem adormeci abracada a uma caixa de lencos de papel, com um em cada mao e com metades de lenco em cada narina. Há dois dias, estávamos num restaurante italiano nos arredores aqui da metrópole e digo eu, orgulhosa, este ano ainda nao fiquei doente. Era terem saído dois pares de estalos. Mas na verdade, ainda nao estou. Doente só mesmo por nao me darem o emprego dos meus sonhos. Mas adiante, que a vida nao gira sempre em funcao do mesmo. E neste blog quer-se (?) variedade.
Pois é, o Bola ja tem a carta de conducao. Já temos carro. Ele nao gosta da minha concentracao na conducao dele. Nao se sente suficientemente à vontade para nao parar nos stops. Nem para cumprir os limites de velocidade.
Já nao precisamos de ir às compras de bicicleta, vindo eu feita almocreve com a minha cesta cheia de garrafas de cerveja e pronta a espalhar-me na neve com qualquer travagem mais brusca. O Bola nao tem nervos para ser amigo e me deixar treinar a conducao. Prefere que eu gaste a minha semanada a encher o bucho da escola de conducao, para o meu instructor continuar a fazer férias em destinos exóticos, tres vezes por ano. Tá bem. Como ele se prontifica a pagar as contas todas do mes, eu nao me chateio muito. E conduzo com o meu velhinho, que me costuma esperar à porta do trabalho às oito da matina de terca-feira.

Entao, voltando às minhas maleitas, pois é em funcao disso que o mundo se comporta. Estou com os olhos pequeninos, pequeninos. Quando menos espero, pronto...já mais um bocado de água que fugiu nariz fora, sem me dar tempo de agarrar num lenco de papel. Isto deve corresponder aquilo que normalmente se define por ranhosa. Eu hoje sou ranhosa. Foi tentador ficar em casa com o edredon enfiado até ao nariz, mas sempre me convenco que ficar na cama com uma constipacao, nao ajuda. Sinto-me sempre pior. Portanto, decidi vir trabalhar e assoar-me alto, tossir sem por a mao à frente e comentar alto a cor do meu ranho. Aaahhh... assim pro verde, ainda estou na fase inicial.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

ranho à borla

Diz que hoje é feriado. Diz que. Porque eu vim trabalhar e com um trecolho, a garganta arranhada e o nariz cheio de ranho. Atencao que vim trabalhar por opcao, pois quando neste país de salsichas de todas as formas e tamanhos, se esta doente, assim como eu estou hoje, DEVE-SE OPTAR POR NAO VIR. É tao facil. Qualquer medico que nos veja com cara de assobio e olhos pequeninos, se oferece logo para nos trancar em casa de baixa, a sete chaves, durante uns dez dias. O contágio, meu Deus. É por estas e por outras que eu me convenci que as pessoas simplesmente nao percebem a diferenca entre uma constipacao e uma gripe. Sendo que constipacao é um estado infeliz e gripe uma doenca. Sendo que constipacao nao deixa os musculos doridos e uma gripe sim. Sendo que uma constipacao nao é contagiosa, se nao andarmos a espirrar para a cara dos amigos e colegas. Sendo que tanto uma como a outra nos tornam um pouco mais viscosos. E muito mais haveria para dizer, especialmente se eu estivesse com a enciclopedia da saúde aberta nas páginas 78-79, 139 e 221. Mas como nao estou, nao vale a pena despejar aqui coisas difíceis. Em vez disso, vou antes lamentar-me para mim mesma por ter vindo trabalhar quando hoje é semi-feriado ou por exemplo, dedicar-me a mudar mesmo de emprego de forma eficiente. Desde que descobri que um homem do lixo ganha mais do que eu, que ando a testar a minha capacidade de mexer em coisas nojentas.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Goodman's

Quando estive em Moscovo por altura do Ano Novo, os meus sogros levaram-nos a jantar a uma Steak House, onde comi a melhor carne da minha vida. Acho que isto sao daquelas dicas preciosas em blogs ou por aí fora, pela internet...
Foi a única vez que me recordo de ter ido jantar a um restaurante onde tudo tivesse sido excelente, desde o pao, passando pela manteira, pelos molhos, acompanhamentos e a carne, meu Deus... quem resiste aquela carne, nao é deste mundo. Quase nao precisamos de mascar. Quando ainda estamos inebriados com o que acabámos de deglutir, aparece o carrinho das sobremesas e eu só pensava estar num daqueles sonhos com sobremesas, tao característicos de mim. Foi aí também que comi a melhor cheesecake e o melhor bolo de chocolate que me recordo.

Se forem a Moscovo e quiserem uma experiencia unica no mundo das Steakhouses, nao percam aqui. Vale mesmo a pena. Faco publicidade à descarada, porque é integralmente merecida!
Os precos sao escandalosos, mas é daquelas experiencias obrigatórias para verdadeiros meat lovers.

festa da espuma

Camaradas,
nao ha nada melhor para aliviar a tensao do que saltar para dentro duma banheira cheia de espuma. Aaahhh, tao bom. Enchi a banheira com agua a 43 graus e despejei la um daqueles frascos de gel de banho da body shop, que vao sendo guardados para ocasioes que demoram a chegar. Aquilo fez tanta espuma que eu parecia uma crianca aos saltinhos, histérica, agarrada ao Patrick (pato amarelo) e ja pronta para a brincadeira. Infelizmente, as banheiras caseiras nunca sao como nos filmes, pelo que isso de termos espaco é um mito. Quanto mais para o parceiro! Toda esticada, confesso que eu nao caibo lá como gostaria, os meus esbeltos 174 centímetros de corpo tiveram de se adaptar às parcas medidas da banheira, mas foi muito bom. Deixei-me estar ali a ouvir o som das moléculas de espuma a desfazer-se, sem mais nada que me atrapalhasse o pensamento.

O Bola ficou a trabalhar até tarde (eu sei, é o que eles todos dizem) e eu fiquei a recarregar baterias enfiada na banheira até a água arrefecer. Ele nao fez falta, quando uma pessoa quer mesmo uma hora de paz, tem de ser a solo. Especialmente quando estamos com um ataque de flatulencia, daqueles que nenhum menino poderia algum dia imaginar numa menina.
Mas que os há, há... e eu sempre adorei fazer fazer borbulhas na água!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Barcelona

Malta viajante, ajudem aí, quem conhece um hotel jeitoso em Barcelona, assim tipo ate vinte euros por noite? Ok, pronto, 30. Pronto, pode ser mais. Mas alguém que conheca um hotel maneirinho, com servico de massagens nos quartos?


Vou em Abril com tres miúdas passar 4 dias a Barcelona, só progesterona, numa viagem cujo mote é menino nao entra, e a busca na net nao se tem revelado grande coisa.
Isto de menino nao é entra refere-se a outsiders que se queiram colar a uma viagem, onde a temática será vernizes, tampoes, sentimentos, ovulacao, lipglosses, base, soutiens com ou sem aros e nao ponho de fora a hipotese de se falar do orgao sexual masculino. Se é feio, se é bonito. Se com rugas, se fora de moda. Como diz o ditado, em Roma se romano, em Barcelona se parvo, ou seja, há que provar de tudo, seja comida, cultura ou vizinhos de quarto no hotel. Nada disso. Acabei de dar duas estaladas a mim mesma, relembrando-me de que depois de ter dito no altar ao Bola que o ia respeitar, amar e isso tudo, anulei a hipótese de participar activamente nestas loucuras que tanto nos ensinam.
Vou com a missao de ser aquela que bebe menos vinho, aquela que fala mais baixo, de forma ponderada e que aplica frases sensatas no meio das conversas como meninas, nao vamos falar de sexo fora do contexto do matrimónio. Vou ser o elemento representante da maturidade, aquela que vela por um ambiente salutar nas conversas mais proibidas.
Mas o que é facto é que continuamos sem hotel. Quem me indicar um bom hotel, recebe um postal na caixa do correio, daqueles de papel, que dá pra tocar e por na porta do frigorífico. Prometido.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

e porque é dia de amor...

aqui fica uma musica fixe com um filme tambem fixe, alias, uma das cenas mais romanticas. :)
isto se tirarmos aquela em que ele a vai visitar à noite e lhe diz o que quer atraves de cartazes. Batam palmas à sopeira em mim. Vá lá. Só hoje.

foi a chicla

Enquanto me deprimo com o facto de nao me darem o emprego dos meus sonhos (aqui que ninguem nos ouve: era bom demais pra ser verdade), nem me darem um chuto definitivo no traseiro, vou escondendo la em casa as laminas, as tesouras, mesmo as de pontas redondas e tudo aquilo que normalmente é utilizado como crime em disputas domésticas ou em casos como este, de tristeza extrema. Ao meu lado tenho o Patrick, o pato amarelo que chia, que comprei para o efeito, bem como uma bacia grande com agua para onde tenciono saltar amanha às 10,45, quando fizer exatamente duas semanas que fui à entrevista. Diz-se que as más notícias chegam depressa, mas tanta espera só pode ser mau sinal. Alem de que me pus a pensar e lembrei-me dum momento na entrevista que pode ter signficado o fim ainda antes do início. Reparei que tinha entrado na sala pra ser entrevistada com a chicla nas bochechas, assim esparrachada na bochecha direita, como eu costumo fazer. Enfim, voces sabem. O homem ia falando e eu, perturbada, sem saber como fingir que nao tinha chicla, sem dar, contudo, a impressao que estava com um abcesso. Nao ha nada mais triste do que criar no nosso interlocutor a imagem de que PUS se encontra algures na nossa boca. Se eu entrevistasse alguem com um abcesso, acho que isso era razao para desistir logo.
No meu caso, fui ainda mais longe. Como me ofereceram um café, tive mesmo de a tirar. Esperei 6 minutos, pois o meu ex-possivel-futuro chefe olhava varias vezes para a janela, mas calculei mal o momento e ele afinal, nao fixou os olhos naqueles ramos lá de fora, mas olhou para mim depressa demais, apanhando-me com a chicla colada ao dedo indicador. O olhar de nojo foi perturbador. E o homem pos-me uma cruz em cima. Foi isso. Estas duas semanas de espera é o castigo.

É, portanto, legítimo dizer que com chiclas se mandam bons empregos pela pia abaixo. Vou ali chorar mais um bocado e volto já. Desde que comecei a ver a novela que me tornei ainda mais dramática.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Racionalidade masculina/mais do mesmo

- Achas que a intensidade e o número de vezes em que pensas se vais ficar com o trabalho ou nao, influencia a decisao de quem te entrevistou?

by Bola
Responder que sim, era pedir um entao cala-te, portanto, hoje, para ser diferente, optei por contrapor uma pergunta.

- Achas que o facto de eu ter aproveitado, à saída da entrevista, para fazer cocó na sala mesmo ao lado, antes de me ir embora, pode nao me favorecer muito?

Fiquei sem resposta.

terapia

Descobri que uma forma de aliviar o stress na minha pessoa é cozinhando. É algo que me dá um certo prazer e me abstrai de assuntos propícios a uma certa tensao. Portanto, vai daí, no sábado comprei um livro de culinaria, só de bolos, e entreti-me a procurar qualquer coisa, cuja maioria dos ingredientes eu tivesse em casa. Namorar livros é das coisas que eu mais gosto, porque o tempo que passo a desfolhar o livro e a ler sobre culinária é consideravelmente superior ao tempo que passo com a mao na massa. Na loja, agarrei em dez livros diferentes e fui-me sentar num sofá e acho que uma hora depois já tinha o eleito na mao. Tem de ser um livro realista. Ou seja, que explique direito e que nao me fale de ingredientes cujo nome eu nunca ouvi falar. Portanto, decidi-me por um Russischer Zupfkuchen, que é um bolo que a mae do Bola fazia quando lá iamos a casa. É um bolo de chorar por mais. A base é feita de manteiga, farinha e cacau. Em cima leva um recheio de ovos, pudim de baunilha e 500gramas de um iogurte que se come por cá, Quark, pastoso, perto do queijo de barrar. Por cima leva o resto da massa da base.
Comer metade dum bolo destes deve dar pra celulite suficiente para eu nao ter coragem de me por em fato-de-banho no Verao (ja nao falo em bikini), mas comer traz felicidade, nao é?

mais uma ficha, mais uma semana

Estou a trabalhar aqui ha tres anos. Há colegas com quem nunca falei, perceba-se com quem nao fiz um esforco para comunicar, por nunca me terem parecido pessoas com quem valesse a pena. (algum militante da moral que ponha aí nos comentários que feio que é nao dar às pessoas uma oportunidade, quem ve caras nao ve coracoes etc etc, eu adoro comentários vindos de militantes da moral, afinal eles sao como os cogumelos, andam sempre por aí) Hoje, um gajo que eu vou chamar aqui no post de bola de pelo, dirige-se a mim ainda mal eu me tinha sentado:
- Minhoca, vi-te nos semáforos, fiz-te sinais, pois queria-te dar boleia mas tu nao viste. Eras tu, nao eras?
Lá lhe expliquei com o meu pobre vocabulário das-nove-da-manha-de-segunda-feira, que nao era preciso, que estes 6 minutos e 24 segundos a pé todos os dias, eram a minha fonte de energia matinal e que eu mesmo quando tivesse carro, nunca o traria para trabalhar. O bola de pelo continuou a dizer mas eu tinha-te trazido... até que depois de ele dizer isto tres vezes e eu repetir que gosto de vir a pé, ele calou-se e nao falámos mais. Talvez daqui a tres anos ele me volte a falar. O pensamento de ainda aqui estar em 2010, deixa-me com pele de galinha, ou, como dizem os alemaes, pele de ganso. Isso nao vai acontecer. Nao pode. Nem que pra isso eu tenha de arranjar o meu stand de cachorros-quentes e trabalhar como mulher-salsicha, tipo aquele tipo que eu vi em Berlim uma vez, a vender salsichas com um fato-mascote de salsicha. Confesso que me hipnotizou.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

catch my disease

Musica de fim-de-semana para todos! Daquela que poe a malta feliz...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

morreu de ansiedade, tadinha, tao nova, nao merecia

- Queres ir ao mercado antes das nove?
(puff)

E assim se desperta uma pessoa, ainda que ja desperta, em certa medida. Sempre gostei de sonhar acordada, de estar deitada na cama sozinha, enquanto com luz ou sem ela, sonhava com qualquer coisa que me perturbasse ou entusiasmasse num dado momento. Sao aqueles momentos só para mim. Claro que estes momentos mais mágicos sao quando eu nao sou interrompida e ali fico a divagar, até que o sono depois me embale outra vez.
Quando o Bola me pergunta às cinco da manha se eu quero ir ao mercado, nao é a imagem do mercado que consigo vislumbrar nesse momento, mas sim eu a atirar-lhe com a suposta fruta à cabeca. Já lhe pedi tantas vezes para nao me falar durante a noite, para nao me despertar, que fico furiosa quando ele o faz. Especialmente em momentos de tensao, como actualmente, em que terei de encher a banheira de água e atirar-me la para dentro (sem bóia nem bracadeiras, para nao ter pé) caso nao me deem o emprego que eu quero. Já ando farta de olhar para o telemóvel. Agora meti-o no meio das maminhas. Aí de certeza que há rede.
Desde sexta-feira que ja recebi duas chamadas nao identificadas, que nao atendi por nao ter ouvido. Já atirei uma moeda de 50 centimos ao ar tres vezes, sendo que se calhasse cara, eu ficava com o emprego. Funciona.
Porque é que ninguem me telefona? E se eu chorar?

mesinha de cabeceira

Pois é, entao diz que vou ter um novo curso de Ingles. Desta feita, às quintas-feiras, o que confesso alegrar-me mais, pois como sou daquelas que faz sempre tudo à última da hora, saber que depois do fds, ainda ha tres dias para preparar a aula, é algo que me dá um certo alento. Espero ter um grupo de alunos mais divertidos e nao tao ai-que-estou-tao-bem-sentado-no-meu-rabo-e-de-bracos-cruzados, como no grupo passado. Fiz um esforco para os motivar, mas nao foi fácil.
Entretanto, no sábado comprei imensos livros e passei o resto do fim-de-semana contente por saber que ja tenho com que me entreter durante dois meses. Gosto sempre de ter um livro em portugues, um em ingles e outro em alemao. Tenho outro em espanhol, que me vai ensinar a conjugar os verbos todos todos todos no Pretérito Perfeito. No que toca à temática, sao todos diferentes. Um ensina-me a escrever cartas comerciais, outro é um livro novo,
que estou a ler em portugues. Gosto de saber que quando me vou deitar, posso ler um bocadinho de cada um. Até posso agarrar no livro de cozinha. O importante é manter as minhas tres línguas de eleicao sempre vivas, que é como quem diz menos mortas. Vivo é o contrário de morto, nao é? Já dizia aquela senhora distinta e muito bela da sociedade portuguesa, que ninguem sabe muito bem o que faz e porque.

Nao falo portugues todos os dias. Já houve fases em que me senti enferrujada. Há uns anos, achava-me uma pessoa relativamente eloquente. Era capaz de dizer a mesma coisa, de cinco formas diferentes, sem repetir a mesma palavra. E tambem trabalhava no circo, como mulher barbuda. E fazia strip num bar. Estas duas últimas era so pra vos acordar. Mas era eloquente, acreditava que era convincente. Acreditava que o meu futuro seria no mundo do Direito. Afinal, ja estou a falar de há muitos anos atras. Há muitos anos atrás, eu nao escrevia contraCto.

Tanta palha para vos dizer que ja tenho Tvcabo, que ontem papei tudo o que passou na TV portuguesa entre as seis e a uma da manha, Yuppiiiiii! Afinal, a Floribela é um palhaco. Roupa vinda directamente do circo.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

motivacao

Comprei um livro self-help, em alemao. Que me manda calar e aproveitar a vida. Confesso que se a capa em alemao fosse esta, acho que nunca o teria comprado. Além de que na versao de capa dura, me custou uma quantia que normalmente nao dou por livros aqui na Alemanha.
Mas era uma capa verde-alface e ao abrir o livro em cinco págias aleatorias, gostei do que li.

É diferente daquilo que costumo ler. Gosto do estilo conferencia, como se estivesse sentada numa sala virada pro fulano, que se dirige a mim e mais uns quantos. Até agora nao me revelou nenhuma pocao magica, mas sim aquelas verdades que todos sabemos mas nas quais nao pensamos muito. Empresto, quando acabar. ;)

é desta?

E quando queremos muito uma coisa que nos cagamos todos de medo perante a possibilidade de nao a chegarmos a ter, quando já chegámos tao perto?
É assim que me sinto quando tenho o telefone quase enfiado dentro da roupa, nao vá receber uma chamada da empresa para onde quero entrar, e nao ouvir. Será que o sinto vibrar no bolso das calcas? Será que tenho rede aqui? E bateria? Quando vou à casa de banho, ponho-o lá direitinho no chao, a olhar para mim. Pode-se dizer que muitas das chamadas mais importantes que ja recebi, me apanharam com as calcas na mao. Especialmente as chamadas do Bola quando estava longe e me ligava nas horas mais convenientes. E os meus rins sao preguicosos, ou seja, o tempo que eu passo na casa-de-banho nao é muito. Também ja houve fases em que a tristeza era tanta que só mesmo uma SMS me podia salvar, tempos esses, já quase esquecidos, pois desde que vim para as salsichas morar, que o telemóvel assumiu um papel mais acessório na minha vida. E disso tenho muito orgulho. Febres de telemoveis, só mesmo quando vou a Portugal. E aí, tenho prazer de na rua, nos correios, nos transportes, partilhar alegremente das conversas de todos aqueles que acreditam sim, que o ar é de todos. Um dia destes ponho aqui o top 3 das conversas que já ouvi ao telemóvel e que me dizeram delirar.
O que eu queria mesmo dizer é que hoje senti o meu coracao parar. Ou será que foi acelerado com arritimias? Pronto, com arritmias. Há tanto tempo que sonho com a tvcabo, com a minha chance de poder finalmente ver a Floribela, que hoje, quando estava tao perto de ser possível, senti o meu coracao a bater com uma forca que lhe desconhecia. Aqui está uma pessoa que vibra com as coisas importantes que a vida tem para oferecer.
Quando tudo parecia indicar que sim, funciona, é possível, menina Minhoca, olhe ali Hispasat 30 graus, direitinho, diz o bacano, é quando me apercebo que nao, ainda nao é pra já. Floribela, vais ter de esperar. E eu tambem. O smartcard tá armado em parvo, nao me descodifica os canais. Já ando cansada de sonhar enquanto durmo, que aquela porcaria funciona e acordar de noite pra ligar a powerbox, porque no sonho era assim, eu acordava de noite para a ligar e funcionava. Assim tipo plim. No meu sonho, em vez da Floribela, eu via a Candy Candy e as Fábulas da Floresta Verde.
Chuif.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Paixao, paixao.. la la la nao vais fugir de mim...

Nós, povos latinos, precisamos de paixao para sobreviver. Precisamos de algo que nos faca ferver o sangue, que nos acelere o ritmo do coracao, que nos faca falar alto e atirar com os punhos para o tampo da mesa. Tempo de antena. Discussao. Há uns anos, era a Tieta do Agreste (e aquela irma dela que guardava uma pila numa caixa de cartao debaixo da cama?) e as criancinhas a verem aquilo em horário em nobre. Ou seria o filme Império dos Sentidos, cujo acesso todos os pais deviam, a todo o gosto, barrar aos seus filhos nao fossem ficar uns perbertidos quando chegassem ao liceu. Uma ou duas vezes por ano. Ai o meu Emanuel a ver aquela que anda ali sem cuecas e de cócoras a limpar o pó. Ai este filme, porque é que poem estas coisas com os miúdos ainda a fazerem os deveres... era tudo tao melhor antes da televisao, ó se era.
Recentemente tivemos a Gripe das aves, antes disso o escandalo da casa Pia, ai o Carlos Cruz, aquele senhor respeitável, parece que ainda o estou a ver no 123 diga la outra vez ao lado da bota Botilda; no Verao temos os fogos e tal. Há uns meses foi o Dino dos Morangos com Acucar (marca registada) que se enfaixou contra uma arvore. Há uns anos foi a ponte de Entre-os-rios que caiu. Há outros tantos anos foi o caso Pedro Caldeira, aquele guloso. Há outros foi o caso Camarate (sempre actual). Há muitos séculos foi o rei D. Sebastiao que desapareceu por esse nevoeiro fora e nunca mais se viu. Na altura, nao havia Tvi pra cobrir o acontecimento, o que é pena, pois isto com um inquérito de rua resolvia-se depressa.
Há acontecimentos que no contexto de um povo latino como nós, sao verdadeiras minas. Ou fontes inesgotáveis de opinioes, temas, ideias, sugestoes, you name it.
Agora é o Aborto. Podia ser e vai ser (brevemente) outra coisa qualquer. Vamos esperar. Porque nao outra vaga de corridas às farmacias a comprar Tamiflu? (ou vacina da gripe) Ainda ha uns dias em Inglaterra se registou um surto de que tanto se fala agora. Nao queremos mudar? Em vez de aborto, voltamos à Gripe das Aves, tipo Será que Portugal está preparado? Haverá vacinas para todos?
Tudo isto para dizer que no fundo, todos queremos opinar, todos queremos levar o assunto à exaustao para um dia depois do referendo, ja ninguem falar mais nele. No fundo, pensamos todos da mesma maneira. Durante os restantes dias do ano, usamos a palavra aborto, mas como adjectivo. E nao este fenómeno. Nao conseguimos por o que pensamos na resposta à pergunta feita, pergunta essa que é tudo menos transparente, e tentamos procurar a nossa tendencia que na maioria dos casos, vai claramente dar em nim. O que nós gostamos mesmo é da paixao, do calor da discussao. Do tentar convencer o outro, porque nós, povos latinos, temos uma mini ally mcbeal em todos nós, quem diz ally mcbeal diz um daqueles advogados dos filmes americanos tipo law & order, que faz sempre um brilharete quando deixa os jurados de boca aberta.
Esta necessidade de ter permanentemente um assunto que nos ponha em brasa, é típica de nós, povos latinos. Em caso da nao existencia dum tema controverso (muito difícil, quanto mais nao seja por uma senhora de 60 anos que descobriu um pepino de tres metros na sua horta e todos vamos dar a nossa opiniao), viramo-nos para o futebol ou prás novelas. No UK até ha uns dias atrás, andava tudo doido com o Big Brother, é Racismo é Racismo, chamem o Parlamento! mas lá está, temática salva pela Gripe das Aves! Uma salva de palmas para as Aves.

Seleccione por favor com cruzinha, o tema que mais faz vibrar o seu coracao:
a. Aborto
b. A novela Paginas da vida/tematica das freiras
c. Gripe das Aves
d. os incendios no Verao
e. a costa portuguesa pode desaparecer em 124 anos

Obrigada! Porque a sua opiniao conta!
Eu adoro, adoro, adoro opinar e adoro ler os contra-ataques daqueles que defendem ideologias diferentes. É viciante. E acima de tudo, um fenómeno natural. Adoro ser latina!

recomendo vivamente

Muito bem escrito.

pouco vegetariana

Esta manha tinha combinado comigo mesma ir a casa almocar. Olhei pro pudim de leite condensado bem comportadinho na prateleira do frigo, e para um bocado de massa com legumes la a um canto, e nem precisei de pensar mais no caso. Meia hora antes de me preparar para sair do trabalho, deparo-me com uma quase tempestade de neve, portanto há que agarrar em todos os folhetos de entrega de comida antes que a fome de cabo deste fragil (?) corpo. Antes de marcar o numero do quiosque de comida chinesa, confirmo, como aconselha o bom-senso, os trocos na carteira. Quais trocos? Nao ha trocos. Fui roubada. Pelo marido. Aproximo-me da secretária do Bola, coisa que envolve dez tímidos passos e pergunto-lhe se apesar de todas as barras de chocolate, do meu pacote de bounties e das chávenas de café que já bebeu, se mesmo assim, ainda quer almocar. Para encomendarmos juntos. Bola sem precisar de emitir qualquer palavra, saca de forma quase magica, dum pacote de bolachas da sua mochila e nem é preciso eu insistir, pois entre as 314 razoes que explicam por que razao bolachas como almoco nao é saudável, nao há uma unica que o convenca.
Ligo para um quiosque de tudo-e-mais-alguma-coisa aqui perto:

- Olhe, queria uma pizza pra ir buscar daqui a 15min, pode ser?
- Claro. Qual é a pizza?
- É a Vegetariana, mas com fiambre por favor.
- (risos secos e abafados) Hmm... com fiambre... tá bem.
- Mas tá-se a rir porque? Quando o menu das pizzas tem 4 tipos de pizza e só a vegetariana é que tem ingredientes de jeito, que opcao me resta? Pedir uma pizza de molho de tomate? Talvez com oregaos extra?
- Tem razao, sim senhora. Em 15 minutos, ta pronta.

Ai a brincadeira... Estes palhacos, pá... que cena! Eu bem sei o contra-senso que está implícito quando se pede uma pizza vegetariana com fiambre, mas é tudo uma questao de opcoes limitadas. Ah, e eu ja contei que sou criativa?

domingo, fevereiro 04, 2007

afinal há

Tava difícil, mas encontrei. E como a minha Mae nao exige direitos de copyright, aqui fica o melhor pudim de leite condensado:
1 lata de leite condensado
2 medidas da mesma lata, mas de leite
3 ovos inteiros + 2 gemas
e acucar q.b. para caramelizar a forma.

A primeira coisa a fazer é fazer caramelo com o acucar, cerca de 5 colheres de sopa. Caramelizar a forma e depois de pronta, atirar pra la a mistela de leite, leite condensado e gemas. Levar a cozer em banho-maria durante meia hora.
É facil e de chorar por mais. Até agora, eu chorava por nao encontrar o leite condensado, mas o problema estava na procura.
Devo andar muito carente, pois passei o fds a meter acucar pra veia. Ainda nao ataquei o pudim por o meu corpo ainda estar em euforia pela maravilhosa Apfelstrudel que comi de tarde com molho de baunilha quente. Só lá faltou uma bola de gelado. Pra que pensar nas calorias, pra que? Sejam mas é felizes!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

diz que veem de Paris

Tenho andado a hesitar há algum tempo, mas vou mesmo deixar aqui a minha opiniao. O blog é meu, a opiniao é minha. E desculpem os comentários bloqueados, mas nao quero fazer do blog prós e contras. Já li e ouvi o necessário e este é o resultado, directamente da minha consciencia.
Eu nao posso votar por ser emigrante. Fixe.

Mas se votasse, votaria nao. Nao concordo com a despenalizacao. Se acho que uma mulher deva ir presa por cometer um aborto? Nao. Nao acho. Mas se por causa disso, acho que se deva alterar uma lei? Nao. Tambem nao. O que eu sei é que a Vida é um milagre e nao se decide em funcao de situacoes como fui passar ali uma noite com o Sven porque ele é musculado e todo bronzeado, ou porque fui sair à noite e depois duns copos, aquele tipo me parecia mesmo o Smith do sexo e a cidade... e ooops.... Nao. Hoje em dia a informacao, já chega a toda a gente. Sem a procurarmos. Quase que nos persegue. Quando damos por nós, temos uma chuva de preservativos e pílulas a cair-nos na cabeca. Quantas vezes na faculdade em campanhas me enfiavam preservativos na mao (contra a minha vontade! Devia ser a minha cara). A pílula em Portugal é de borla, para quem se registar no Planeamento Familiar, no centro de saúde. Mesmo para quem tenha ido para a oficina do Sven jogar bridge (como eu nunca fui mas sonhei), tem ainda a opcao de até 72horas depois, dar conta que fez umas asneira e para isso há a pílula do dia seguinte. Nao disponivel sem receita aqui na Alemanha, mas em Portugal sim. Que mais querem? Convencer-me que muitas das gravidezes indesejadas nao sao produto de quero-la-saber, brinquemos ao poe-e-tira? Nao vale a pena. Violacoes, miúdas de 12 anos grávidas e até mesmo no caso duma malformacao (grave, que ponha em causa a capacidade de viver de forma digna ou ponha em risco a saúde da mae), pronto.. nao vamos ser fascistas (M.!). De facto, há casos e casos. Legítimos e desculpa-esfarrapada. Em muitos casos, o aborto pode ser mesmo a unica solucao. Mas isso nao me faz querer generalizar. Porque ao faze-lo, aborta livremente uma mulher após uma one night stand e aborta uma mulher com um feto com problemas graves, que pode nem completar a gestacao. Se faz diferenca? Eu acho que sim.
Generalizar que até aos dois meses e meio, toda a mulher decide se aquela vida que tem dentro de si deve ser abolida, acho mal. Acho inconsequente. Generalizar uma lei dessas, como se fossemos todos um Deus que decide em relacao à Vida. Tu nasces, tu nao. Tenho um nível sócio-economico baixo. Nao é razao. Mal conheco o Pai. Também nao. Com dois meses e meio, ja se veem as maozinhas, ja se ve o femur, ja se ve um bebé. E uma mulher sofre, claro que sofre, mas só porque emocionalmente já esta tao fragil, devo dar-lhe o direito de decidir anular uma vida? Nao.
Às vezes, parece que estamos a falar de algo que acontece sem sabermos. Ja ninguem acredita que os bebés veem de Paris trazidos por uma cegonha. Se ter relacoes sexuais sem precaucoes gera uma gravidez, entao ou nao se tem ou tem mas tomando medidas. Se há uma medida? Há várias alternativas, deixa qualquer um sem desculpa. Neste tema, a palavra de ordem é pevenir e nao remediar.
Eu nunca condenaria uma mulher que o tivesse feito. Conheco e nao condeno. Mas nao contribuiria com o meu voto para alterar uma lei que vai de certeza gerar desresponsabilizacao. Quem normalmente se choca ao ouvir isto, sao as pessoas de consciencia, que nao conseguem imaginar isto. Da mesma forma que nao coneguem imaginar porque ha mulheres que largam um recem-nascido no lixo. Mas há. E com leis 'generosas' vamos estar a aceitar que o milagre da vida, passe a ser decisao de toda a gente. Nem toda a gente é razoável, nem toda a gente vai praticar o aborto em necessidade extrema. Afinal, nao é crime.
A pílula do dia seguinte é para acidentes, nao é? Pode nem ter havido fecundacao. Dizem as estatísticas que na maioria dos casos, nao há.

Se uma mulher que faz um aborto ja vai sofrer para o resto da vida? Sim. Acredito e convence-me. Mas nao deve ter o direito de anular uma vida que EM MUITOS CASOS (nao em todos) GEROU SEM SE RESPONSABILIZAR. E entao como é? Eu avanco para um acto sexual IMPENSADO e depois aborto porque tenho pouco dinheiro ou porque estou a meio do curso? E vamos feitas ovelhas todos votar que sim porque queremos ser modernos como os outros países da Europa? Entao comecemos por ser modernos naquilo que é realmente importante!
Infelizmente ao votar nao, vou estar a votar para que as mulheres que praticarem abortos continuem a ser penalizadas. Mas entre que sejam penalizadas e entre a tornar isso numa prática comum, a minha consciencia manda-me para as penalizar. Porque quando se gera a vida, gera-se um milagre. Nao é pratica, nao da jeito, a relacao nao era estável. TOMASSEM MEDIDAS. OU TOMEM DOIS DIAS DEPOIS. Normalmente ainda vao a tempo.
E para terminar, uma história de conhecidos, pois toda a gente conta a história de alguem, nao é? O meu chefe tem uma namorada ha quase um ano. Estao numa boa fase e ela andou a fazer um tratamento hormonal até ha pouco tempo atrás, no qual a informaram que se agora quisesse engravidar, era impossivel. Eles devem ter acreditado demais no que o medico disse, e ha coisa de dois meses, ela descobriu que estava gravida. Eles tinham planos de vida que nada teem a ver com uma gravidez. Ela nao abortou, mas se quisesse podia. A lei permite. A relacao deles é estável, mas relativamente recente. Se ela decidisse abortar por nao ser o melhor para ela neste momento, era só a mim que ia parecer egoísta??

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

L'oreal: porque eu mereco!

- Bolaaaa, fui comprar roupa interior, gostas? É pra minha entrevista amanha!

(Silencio. ele nao gosta de renda)

- Bola, vou indo pra cama, ainda quero tomar banho e depilar-me, para amanha, entao: a minha entrevista!!!

(Silencio. ele nao gosta é das minhas piadas)

Ele é querido. Passou as últimas quatro semanas a aturar a minha paranóia com a entrevista de hoje e mesmo assim nao teve nenhum ataque de fúria ou desatou a espumar pela boca. O meu obrigada a ti, Bola que, entre outras coisas, esta manha, às seis horas me disseste ainda de olhos fechados e com a tua voz fofa ensonada:

- vai correr bem, tu vais ficar com o emprego porque mereces. Nao tenho dúvidas e tu tambem nao devias ter.

Deve ter sido isso que me acalmou. Cheguei à entrevista em puro estado zen, sorridente, de bem com a vida e sem atrofiar com coisas relevantíssimas como as tres coisas em que sou boa e as outras tres em que nao sou tao boa. Aliás, essa pergunta nem foi colocada. Pelo menos, no seu todo. Quando o entrevistador (meu futuro chefe) comeca a dizer entao, menina Minhoca diga lá tres cois... vai daí eu desaperto o meu sobretudo e ajeito a minha estilosa e decotada camisa própria de entrevistas e ele, baralhado, ...hmmmm, tres coisas que recebeu pelo Natal!

Tanta palermice para dizer que a entrevista correu bem. O trabalho vai ser agradável, mas vai ser mesmo isso, trabalho e nao emprego. Se eles me aceitarem, só comeco em Abril, portanto até lá ainda posso postar que nem uma maluca, sendo que a partir dessa altura tenho de atinar. E aí, amigos, postar só de casa. A vida principesca de quem nada faz tem os dias contados. Eu vou voltar aos óculos e ao mesmo tempo que pareco intelectual, desejo tambem se-lo. Quero aprender, crescer, ser esperta... e esse dia chega quando eu puser os meus pezinhos novamente naquela fantástica multinacional. Porque como diz o Bola, eu mereco.