Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

quinta-feira, abril 26, 2007

por terras minhas

Venho eu da Alemanha para Portugal para passar frio? Confesso que estou baralhada, mas pronto, se é pra isso, venha daí o SOBRETUDO para se ir tomar um café ali à esquina.
Pois é, amigos, Barcelona é a cidade da loucura total. Foram 4 dias muito bem passados, com boa comida, companhia, óptimo tempo, arte da que eu gosto (embora o Museu Picasso nao me tenha impressionado muito) e da qual sinto que posso opinar, cheirinho a mar, sangria, muitas palmeiras, gofres (comi meio e sem chocolate, nao sei explicar porque, mas choro de arrependimento), compras e faltaram as tapas. Ou às tantas nao, eu é que nem dei por elas. É como o catalao, ai isso é uma língua? Tambem me passou ao lado.
E como nao tinha graca nenhuma, depois de 4 dias em Barcelona, voltar pra Alemanha e ir trabalhar os dois últimos dias do mes, achei melhor vir por Portugal (até fica em caminho), ver a familia, causando-lhes arritmias quando me viram entrar casa adentro, lanchar nos cafés, tirar a barriga de miséria, abastecer-me de fármacos para as minhas crises de hipondríase e enfim, dormir na MINHA casa. Porque continua a ser aqui a minha casa.

Para quem ve a Grey's Anatomy, hoje passa na Fox life um dos melhores episódios da segunda temporada. Às 21h.

Entretanto, até segunda-feira vou recarregando baterias aqui por Trás-os-Montes, onde, como dizia uma amiga ontem, estao as melhores linguicas.

sexta-feira, abril 20, 2007

os espargos podem ser fálicos

Vejo o Bola a dirigir-se a mim com tres sacos de espargos que carrega nas suas grandes maos, a apoiá-los no peito. Quem conhece ao pormenor os contornos do espargo, vai perceber porque é que uma imagem destas pode ter o seu que de erótico. Mas como estamos no local de trabalho, nao ha espaco para libertinagens, pelo que lhe pergunto onde quer que eu os ponha. Se ele fosse portugues, até lhe contava a piada do ponha, ponha, ponha... daquele programa do Jorge Gabriel.
- Aaahh... tens aí espaco na tua secretária, a minha está cheia de papéis.
- Bola, esta secretária praticamente já nem é minha, está tudo arrumado, ves aqui algum sinal meu, pra alem do meu corpo na cadeira? Vai por os espargos no carro, eu hoje vim de carro.
Digo eu, com um sorriso, de orelha a orelha.
Ele quase deixa cair os espargos ao chao, mas controla-se e pergunta calmamente Onde estacionaste? Depois de lhe dizer que estacionei duas ruas abaixo, ele ficou com um ar menos apreensivo, mas eu apostava bom dinheiro como ele foi lá fora procurar por sinais que proibem o estacionamento.
Diz que o tempo em Barcelona tá piroso. Pelo menos, com mau tempo já se faz melhor a mala. Ontem recebi em casa um vestido (foto) que encomendei duma revista, desses que se usam agora, muito modernos, por cima das calcas. O padrao é num paisley vermelho e eu quando olho pra ele de perto, gosto imenso porque é bonito, um tanto quanto hippie. Expliquei isto ao Bola, com o vestido à frente do corpo enquanto me via ao espelho, e ele rematou da maneira mais feliz:
- Eu percebo-te. O padrao é giro, tens razao. Mas quando o tens vestido, pareces uma velha. Ou entao uma empregada doméstica, daqueles que usam vestido pra limpar a casa.
Lá está, quando eles acham que ajudam, opinam demais e na direccao errada. Nesta fase em que eu ainda nao sei se gosto do vestido, ele devia arrastar-me para o lado ESTE-VESTIDO-É-FANTÁSTICO e nao desanimar-me. É que nao estamos na loja, onde eu ainda me possa decidir que nao.

O vestido da imagem é mesmo o meu.

Flossenbürg

Há uns dias, fui conhecer o ex-campo de concentracao aqui perto, em Flossenbürg. Estar num local destes perturba-me imenso. Como é que um sítio que foi palco do maior horror da história da Humanidade, é agora um Jardim que se pretende sereno, verde, cheio de flores? Tudo bem, é Primavera, mas o cenário nao pode revelar qualquer sinal de beleza, ainda que toda a gente saiba tudo o que se passou ali há umas décadas atrás. Acho que preferia que fosse um campo árido e nao tao aparentemente fértil.
Quando tinha 16 anos, na escola secundária ganhámos uma viagem a Estrasburgo à sede do Parlamento Europeu. Como ficámos uma semana em viagem, uma das visitas de estudo incluída no programa foi uma visita a um ex-campo de concentracao que agora, de cujo nome me voltei a recordar depois de fazer uma pesquisa na internet: Struthof.


Struthof

Ainda nao fui a Dachau. A Auschwitz muito menos.
Nestes dois campos que ja visitei, mantem-se o tratamento, as mesmas rotinas, a mesma brutalidade. A repeticao. Sistemático. Por todas as seccoes por onde se vai passando, lá está a explicacao comum a todos: a zona dos chuveiros, de onde a água saía gelada no Inverno ou a ferver. Todas as marcas pessoais dos presos eram eliminadas, cabelo cortado, roupa e objectos pessoais destruídos. A zona onde eles tinham de estar todas as madrugadas a ouvir os discursos do nacional socialismo, horas a fio, subnutridos. O registo de que muitos nem em pé se aguentavam, morriam ali mesmo. As camaratas, sem higiene, caldos de bactérias, propagacao de doencas. E depois o crematório. A entrada no cimo do monte, onde os corpos eram atirados, chegando cá abaixo apenas as cinzas.
Depois cada campo deve ter, imagino eu, a sua nota pessoal. Em Flossenbürg, os presos trabalhavam na pedra. Tinham de cortar (?), arrastar enormes blocos de granito.

Em Struthof, lembro-me de ficar perplexa quando depois de ver tantas coisas já tao horríveis, nos mostram a fornalha, onde as pessoas eram queimadas vivas. Uma cruelidade tao vil, que me faz desesperadamente querer acreditar que aquelas pessoas eram feitas de outra massa que nao a mesma que a minha,.
Temos em nós esta atraccao pelo horror, pelo mórbido. que ao mesmo tempo, nos perturba. Mas queremos ver mais, saber porque. Eu continuo a querer ir a Dachau. Sei que vou estar o tempo todo a engolir em seco, mas quero ir.
Espero é que desta vez, nao me saia uma tirada infeliz, daquelas (admito) em que nem penso e quando dou por mim, nao teve graca nenhuma. Depois de sair do campo, disse ao Bola - que maus que voces foram.
Nao teve graca. Eu ia detestar crescer com o estigma de que os meus antepassados foram responsáveis por algo além de horrível. Prefiro entao a nossa economia pobre, a corrupcao empresarial, o sistema do ensino superior que funciona na base do comércio.


Só me deu pra isto porque li que o Hitler nasceu a 20 de Abril...

quinta-feira, abril 19, 2007

tao mas tao verdade

Meu reino por um canudo, pela Helena.

Constatações

Quando temos uma aparelhagem nova que nao uso por nao ter muitos (? nenhum?) cds, é triste. Mas mais triste ainda, digamos que é aquilo vulgarmente designado em vários contextos e situacoes por bater no fundo do poco, é adormecer (ou tentar, em todo o caso) ao som do cd que veio grátis com a embalagem de Persil Especial dia dos namorados. Era esse ou o cd que veio numa revista feminina com músicas da Primavera.
Eu nao tenho cds. Descobri há pouco tempo. E isso chateia-me. Até agora achava que as vozes na minha cabeca eram musica suficiente, mas temos sempre os chamados ventos de mudanca. Nos entretantos, oico musica clássica, que nesta idade é algo que já sei apreciar.
Hoje enviei um mail comum a todos os colegas a comunicar que me vou embora, que nao é ainda o meu último dia, mas que lhes quero dar tempo para se atirarem aos meus bracos e implorar-me que nao vá. No mail informava que podiam comecar já, que se dirigissem a mim, fazendo-se acompanhar dum tubo de ensaio com pelo menos 100ml de lágrimas. As reaccoes foram engracadas. Afinal, os alemaes teem humor, la muito escondido mas teem. Diferente do nosso, diferente do britanico, enfim, muito característico.
Entretanto, descobri que a contabilidade ja encerrou o meu processo, pelo que teoricamente ainda tenho uns dias pra trabalhar, mas na prática, nem preciso de cá por os pés. Há alturas em que nao me apetecia ter moral. E há alturas em que gostava que alguem me levasse pela mao e me ensinasse como se faz a mala. Nao sei fazer a mala. Vou no sábado 5 dias pra Barcelona. AJUDEM-ME A FAZER A MALA! (ligeiro panico)

quarta-feira, abril 18, 2007

nao tem títtulo, por ser muito grande

...mas título completo do post seria série-dava-lhe-porrada-só-por-ele-aparecer.
Sou só eu que nao suporto o José Pedro Vasconcelos e aquela cara de betalhao daqueles dignos de se colar numa caderneta?
Uma nota de vinte euros a quem lhe enfiar duas chapadas!
Actor?
Nao.
Palhaco.

viciada nisto

Confesso que ainda nao consegui deixar de ouvir o PoP! Goes my Heart. Passei a noite ontem a cantar o Pop e a dancar a coreografia lá em casa, até o Bola dizer que a musica era mesmo má. Acho que ele até disse pirosa. O que eu nao compreendo! É fantástica e faz-me desatar a dancar quando a oico. Nao consigo parar. Pop! Pop! Eu sou uma miúda dos eighties. Pronto, nao há nada a fazer. E vim parar a um país onde a moda é toda orientada em torno dos eighties. Já aconteceu ir na rua e arriscar baixinho para uma jovem que passava ao meu lado: Cindy Lauper??? Mas nunca tive uma reaccao positiva. Nem encontrei a Cindy, mas as true colors eram true, ah isso eram.
A ideia ontem era ir grelhar uns bifes pra casa duma colega nossa. Isto era a ideia. Nasceu ideia e ficou ideia. É raro eu fazer planos para a pequena parte do dia após o expediente. Claro que nao fomos. Especialmente após um dia em que saio daqui a correr, para nao chegar atrasada à escola e com o tempo cronometrado para o numero de fotocópias que ainda preciso de tirar antes da aula. Ontem, de salto alto. Descobri que tenho um calo na planta do pé direito. O que dificulta a minha vida, pois eu sou um autentico Forrest Gump mas em gaja.
Os meus alunos nao reagiram com lágrimas, como eu esperava, quando lhes disse que na proxima semana nao vou estar cá. E como dia 1 de Maio é feriado, só nos voltamos a ver dentro de tres semanas. Ontem aterrou-me na aula uma jóia que nao gosta do curso onde está, por ser muito difícil. Perguntou-me se podia experimentar a minha aula. Claro que sim, mas nao era má ideia se da próxima vez nao me aparecesse lá com um bafo a cerveja, impossível de passar despercebido aos narizes dos mais distraídos. Sem a janela aberta, era possível que todos nós apanhassamos uma bezana à conta do bafo dele. Agora que penso nisso, nao tinha sido mau de todo.
Já aprendi a dancar aquela parte do pop em que me abano pra esquerda e pra direita enquanto estalo os dedos. Como eu ja disse, sou uma miúda dos eighties. Shall we dance? ;)

terça-feira, abril 17, 2007

os eighties foram muito bons

Hoje nao postei nada porque estive o dia todo a ensair esta coreografia. É a música do momento. POP.
E sim, é o Hugh Grant.
Entre os vários momentos fantásticos do videoclip, temos a parte em que ele recupera o pulso na cama do hospital.

segunda-feira, abril 16, 2007

Spargelzeit /\tempo de espargos/\

Nem sempre faco uma pausa digna de pausa para almocar. Costumo comer por aqui. Mas hoje o medo da roupa ao sol a descolorar fez-me ir a casa.. Nao tinha grande comida, mas ainda deu pra uma sandes. O termómetro da joalharia ao lado de minha casa indicava 28 graus, vai daí estiquei-me ao sol na varanda a corrigir fichas enquanto me ia lambuzando com o fundinho duma caixa de Häagen Dazs Vanilla Caramel Brownie, o meu preferido. Mas quais fichas... com um sol daqueles a bater-me na tromba, confesso que olhei pras fichas e me senti com tonturas. Além disso, a aula é só amanha. Hoje ainda me posso esparramar no sofá a vegetar, a fingir que nao é nada comigo.
Entretanto, trouxe uma garrafa de água e uma maca comigo, pois aqui impera a ideia de que eu me preocupo com a alimentacao. Nao é agora que me vou embora que vou estragar tudo.
Para o jantar saem espargos e só vos digo,

que pena que os espargos nao me passaram pela frente antes de ter vindo para as salsichas. Espargos sao óptimos, muito saudáveis e embrulhados em fiambre com umas batatinhas sao uma delícia. E pobres em calorias.
Em Portugal nao há espargos, pois nao?
Diz que se dao bem com o frio. Deve ser por isso.

aprendi a fazer dumplings

Depois de dois dias a acordar às nove, sendo fds, eis-me aqui, nao muito arrebentada porque ontem compensei com um momento de post-mortum, assim que os meus sogros deram à sola.
Foi um fds muito bom. Fartámo-nos de passear por dois bosques encantados nos arredores de Weiden, num dos quais encontrámos uma cobra venenosa de um metro a passar mesmo ao nosso lado. Foi bonito ver o Bola a parar no meio da estrada e a proteger-me do bicho mau. Estes sao daqueles momentos, em que vemos se o nosso macho tem o instinto de nos proteger de todos os perigos. Saem vinte pontos para o Bola e uma salva de palmas.
Sábado quando cheguei a casa das compras, já estava a minha sogra enfiada na cozinha, com as panelas todas a fumegar.
- Se eu soubesse que voces precisavam de panelas, ja vos tinha comprado umas, tem havido promocoes tao boas. Porque é que nao disseste nada?
Porque eu tambem nao sabia, naturalmente. A minha sogra cozinha que é uma maravilha, aliás nao fosse ela mae. A minha Mae tambem tem os seus passes mágicos na cozinha. Feijoada...hmmmm... Os pais da minha sogra há muitos anos tiveram um restaurante e ela aprendeu imensa coisa. Tento aprender com ela pequenos truques, de coisas que só se cozinham para estes lados. Como por exemplo, Kartoffelklöße/Knödel ou em ingles dumplings, que sao umas bolas de batata que eu nao suportava, mas que agora gosto imenso.


Foi um fim-de-semana bem passado, mas melhor ainda vai ser o próximo, por terras catalas.
Algum dos meninos e das meninas que conhece Barcelona se sente com vontade de me recomendar algo imperdível? Para além do que vem nos guias? Entao, digam la faxafor.

sexta-feira, abril 13, 2007

la siesta

Sobrevivi ao maior ataque de soneira dos últimos anos. Um horror. Já me estava a ver a causar alto estrilho quando desse com a tromba no teclado e os meus colegas a tentarem ajudar-me, ou seja, a tirarem-me as teclas dos olhos e das narinas (diz que sao grandes).
Eu acho que os meus ataques de sono estao estritamente ligados com o facto de eu saber que nao vou poder dormir quando sair do trabalho. Os meu sogros nao devem tardar aí e nao me posso fechar no quarto com o soninho de fim de tarde de sexta-feira, que é dos momentos mais preciosos da semana. Chego a casa, estico-me na cama, de onde já só me levanto lá pras nove da noite, pra entao, desperta, ver televisao, engomar, arrumar a cozinha, etc. Nao ha sonos trocados, porque o dia é sábado. Ora, com visitas, o cenário ja nao vai ser o mesmo. E hoje dava jeito dormir, mas nada que nao se resolva com um bom par de estalos. Com o mesmo par de estalos é como vou acordar amanha de manha quando o Bola me comecar a tentar desperar porque temos de ir ao mercado. Temos de ir ao pao. Nao me vais deixar ir sozinho e bla bla bla bla...
Em vez de amaldicoarmos os espanhóis, devíamos aprender com eles. Eu voto na sesta, quem mais?

a dor no coração

Ontem depois do trabalho, o Bola deixou-me conduzir até ao supermercado. No regresso, foi uma disputa porque o Bola quer introduzir a regra um leva o outro traz, que também podia bem ser um leva e o outro dá e esta frase exige um disclaimer para qualquer conotacao sexual. Metemos as compras na mala do carro e depois desatámos os dois a empurrar o outro à porta do lado do condutor. Pensei em chorar, mas em vez de termos cem pessoas a olhar, passaríamos a ter muitas mais e polícia envolvida, pois pelo meio do choro eu ia certamente gritar impropérios. Ele, como tem mais forca do que eu, ganhou. Aí simulei uma dor no coracao, que é uma dor fictícia que me ajuda em momentos destes, pois nao me posso exaltar nem ser contrariada. Correndo risco de enfarte.
Chegados a casa, aquecemos o gulash que a Mae dele nos tinha mandado e depois do nosso passeio da digestao com 18 graus às dez da noite (ai aí chove?que pena...), fui arrumar e limpar a casa. Hoje chegam os pais dele e ficam até domingo. Nao pode haver um unico canto com pó. Como a minha sogra vai dormir no nosso quarto, há que esconder todos os meus segredos. E por bem à vista todas as prendas que ela me tem dado.
Digam-me... sou só eu ou nós, noras, fazemos todas o mesmo?
Ainda me falta libertar o frigorífico de comida mal-cheirosa e limpar duas janelas. E prometo nao me queixar de este fds nao poder dormir até ao meio-dia. Prometo.

ainda a hipocondríase

Em momentos de lucidez como hoje, consigo reconhecer sem qualquer reserva, que sou mesmo hipocondríaca, que sofro com isso, mas que acima de tudo, sou do mais ridículo que um hipocondríaco pode ser. Mas agora, como comecei a ficar com medo de mim mesma, entrei numa fase também ridícula, mas que me poe temporariamente a salvo. Cada vez que oico/leio/vejo alguma coisa sobre cancros, nao oico, mudo de canal, nao leio, vou-me embora. Deixei de consultar enciclopédias da saúde. Acumulei informacao demais ao longo dos últimos anos, tornei-me numa base de dados ambulante. Se ouvir dois, tres sintomas, o meu cérebro debita logo as possíveis doencas, que na minha ignorancia, podem corresponder ao diagnóstico. Mas penso ser este o caminho da felicidade. Porque deixar de ser hipo nao consigo. Agora passei a nao querer saber (tanto).

manguito

Conheco mulheres que ficam décadas sem por os pés no(a) ginecologista. Eu primo pelo masoquismo, nao deixo escapar a consulta anual e ainda la vou mais umas vezes pelo meio. A médica deve la ter um lindo relatório no computador da minha história clínica. Anamnese, nao é mesmo? Hipocondríaca. Cancro-compulsiva. Delírios. Inventa doencas. Le na internet e fantasia sobre a próxima maleita. Conclusao: hipocondríaca. (causa agravada pelo facto de ter emigrado, sentimento de culpa que leva à auto-flagelacao). Portanto, quando ela faz uma busca pelo meu nome, nao tenho a menos dúvida de que aparece em letras enormes e vermelhas a piscar Hipocondríaca, cuidado!
Só isso justifica o olhar atento da médica, que me examina com os seus enormes olhos azuis cada vez que eu lhe digo o que acho que pode ser desta vez.
Mas para já, tenho um útero sao, pronto para ser fecundado daqui a dois anos. Vou mandar um mail ao Bola a dizer-lhe para congelamos uns embrioes para o que der e vier. Por exemplo, prá semana vou pra Barcelona, posso nunca mais voltar...
E para todos os chatos que me estao constantemente a sugerir que como mulher casada (uma nova nocao de mulher) que sou, nao me devo soltar assim das amarras do matrimónio e ir curtir uns dias sem o meu esposo, deixem-me que vos diga: quero lá saber. Ele nao se importa. Eu acho saudável. Isso de sermos um só, é só nos poemas, nos dias mais romanticos e em Hollywood. De resto, somos dois indivíduos com direito ao seu espaco. E diferentes. Num ano com 365 dias, porque nao passarmos uns dias (poucos) separados? Onde está o crime? E eu nao sou assim tao moderna, mas dá-me vontade de cavar um buraco no chao e enfiar la a minha cabeca (para gritar) cada vez que me sugerem que nao é bonito, ir de debandada para Espanha sem o meu marido.

O amor duma emigrante mede-se de várias maneiras, mas nao desta.

quinta-feira, abril 12, 2007

amanha

tudo o que nos correr mal tem uma justificacao comum.

tomatão com pernas

O Bola hoje veio trabalhar com a cara a assemelhar-se a um semáforo da cor de quando nao se pode avancar. Vá, entao.. nao vos posso dizer tudo. Este blog tem o objectivo de vos obrigar a pensar. A cor comeca por um v.
Bom, claro que eu quando o vi, antes de me desatar a rir e de o chamar ganda pimentao ou chili gigante (acho que optei por chili gigante), fiz o que toda a boa esposa faz, que é procurar na sua carteira mágica algo que o Bola pudesse espalhar na sua cara em chama, nao fosse ele entrar em contacto com gás (o meu, por exemplo) e fazer o prédio todo explodir. Tadinho, adormeceu ao sol no jardim do avo, e hoje nem olhou bem pró espelho antes de sair da aldeia do avo as sete da manha rumo a casa. Claro que quando comecei a perguntar às pessoas aqui se alguém tinha visto um pimento gigante, ele nao achou muita piada e disse coisas feias que incluíam o verbo desautorizar e infantil.Mas o sol brilha, os pássaros cantam e mesmo que ele me de um sermao quando chegarmos a casa e diga coisas feias, eu vou recebe-lo com um abraco. Porque sim. Porque ando a treinar a benevolencia e abnegacao. E porque depois de tres dias em cativeiro, preciso dum amigo com quem conversar, pronto. E diz-se que uma árvore é um amigo, mas já tentei e nao me senti compreendida.

entao?

Vamos continuar a ter de melgar com as notícias (pra variar, do que nao é notícia) da licenciatura dúbia do primeiro-ministro ou já podemos passar para o atrevimento dos Gato Fedorento, com o fantástico Outdoor a promover a Imigracao?
É que esse tema ia divertir mais a malta. Além disso, só vejo filmes repetidos quando o filme é mesmo bom.

quarta-feira, abril 11, 2007

porque nao é a vida como no barco do amor...?

Por causa dum anuncio da televisao do sapo adsl, estou com a musica do Barco do Amor na cabeca desde hoje cedo. Looove....exciting and new...come aboard we're expecting you la la la la... Mas deixem-me que diga que a fulana que faz o anuncio tem uma voz que me causa arrepios, detesto a voz dela e o sotaque de tia. E faz muitos mais spots, pois já a oico na comercial há tempo suficiente para revirar os olhos quando oico the voice. Se há pessoa que fixa vozes sou eu. É mais um dos meus vários talentos. Quando era miúda, ficava baralhada por conhecer sempre as vozes dos desenhos-animados de outro programa qualquer. Entao, o António Macedo, a voz off do programa do Herman a fazer de avo da Heidei? Dizia eu, baralhada. Nao pode! E a Ana Zanatti nos programas sobre animais? Pois...

Desde segunda-feira que estou sozinha em casa e se houvesse testemunhas, era óbvio e claro para todos que estou mesmo só. Porque ontem cozinhei massa com salmao fumado e camaroes, algo que nunca faria com o Bola la em casa. Ele nao gosta de salmao. Tive a TV ligada sempre na tvcabo, sem alternar com os canais alemaes. Jantei na mesinha da sala em frente à televisao. Fiz cocó duas vezes com a porta aberta e com uma revista no colo. Deixei a sala numa bagunca antes de me ir deitar, pois fui pra cama bebeda de sono, só me lembrando de sacudir os papeis de doces de cima de mim. Estive grande parte da noite ao telefone enquanto engomava e, antes que perguntem, sim, dói-me o pescoco. Devo ter deslocado vários tendoes. Pronto, e pra acabar o post da mesma forma que comecei... arrumei a cozinha a cantar a música do barco do amor, bem alto.

Todos temos o direito a ser pirosos quando estamos sozinhos, tá bem?

olha-me esta

Entao, mas como é mesmo? Depois de tres anos aqui a dar no duro e agora vou-me embora e nao me deixam levar o MEU computador? Que por acaso, é um dos mais rápidos aqui num raio de 20 metros... entao, mas as teclas onde eu toquei diariamente a mil à hora, a hard drive com toda a minha vida lá dentro. Deve ser uma piada.
Mas é óbvio que vou levar o computador comigo. É MEU!

voyeurismo

No Domingo de páscoa, consegui arrastar o Bola comigo para a missa. Fiquei tao feliz quando o vi de gravata posta, a tomar o pequeno-almoco à minha espera.
As igrejas protestantes nao sao tao bonitas como as nossas. Sao ainda mais frias. Sem grandes ornamentos e pelo menos desta vez, cantou-se mais e falou-se mais da Bíblia do que de situacoes do quotidiano. O que me fez pensar que a igreja católica poderá ser um niquinho mais temporal. Pela primeira vez, reparei num quadro na parede, com os os salmos e as leituras assinaladas, para as pessoas poderem seguir nos livros disponíveis nas bancadas. Eficiencia alema até na missa!
No final, fomos como a atraccao da missa, porque todas as pessoas eram muito, mas muito mais velhas do que nós. Pareciamos dois desenhos-animados num filme a preto e branco.
De tarde fomos em mais uma sessao de sheep spotting, o nosso hobby comum. Eu conduzo nas estradas com aroma a fertilizante e o Bola procura as ovelhas. Quando encontramos um rebanho suficientemente grande, com mais de 200, paramos e ficamos ali perto, a observar e a ve-las comer. Se a Peta sabe desta nossa pequena perversao, ainda vamos ter chatices. Numa destas vezes, levámos uma manta e ficámos esticados a ler ao sol, acabando por depois adormecer. Quando demos por nós, as ovelhas já estavam tao proximas que tivemos de rapidamente agarrar na tralha e mudar de spot. Elas sao queridas, mas só ao longe.

a perseguicao ao coelho da Pascoa

queimando os ultimos cartuchos

Nao há nada melhor do que este limbo que é ter-me despedido e saber que daqui a duas semanas ja nao trabalho aqui. O limbo é mesmo a melhor parte, porque é claro que vai haver tambem espinhos no novo emprego, mas como ainda nao os conheco, sou dominada pela alegria de dar de frosques daqui misturada com a excitacao da nova fase, a comecar em Maio.
Por isso, é que tento nao me irritar com pequenas coisas, como por exemplo, ver o meu chefe a brincar às empresas, que é o que ele tem feito desde que ocupa tal posicao. Hoje vim mais cedo, porque preciso de sair mais cedo. Queria despachar umas coisas agora, mas nao consigo. A dois metros de mim, está uma chata, que fala com o colega num tom impossível, num tom que sobe no final de cada frase ou palavra. Nos meus sonhos, agarro naquela tranca dela que mais parece a da Timoschenko, (sendo que a Timoschenko tem um ar nobre) e grito-lhe bem perto do nariz dela para ela sentir o meu hálito do café: ÉS CHATA PÁ!
Será que posso fazer isso? Posso? Posso? Ou é má onda? Agora tenho de ser boazinha, né? E sair deixando um rasto de saudade, nao é?

Pronto, vou trabalhar. Ou fazer avioezinhos de papel.

Conhecem a série britanica The Office? Eu sou da opiniao que retrata lindamente os estereótipos classicos de qualquer empresa. Tres ou quatro identifiquei logo aqui há algum tempo. Eu sou um deles.

terça-feira, abril 10, 2007

baby blues

Estes dias de Páscoa serviram tambem para por à prova os meus ja desde sempre existentes instintos maternais. Frases como ainda tens tempo, que bem que te fica, daqui a dez minutos temos a tua linda camisa com bolsado, foram frases bonitas, ouvidas durante o domingo de Páscoa.
O priminho de 6 semanas do Bola é a coisa mais fofa que vi nos ultimos tempos. Já me tinha esquecido da melhor coisa dos bebés, que nao é o bolsado, os sorrisos nao controlados nem a mudanca das fraldas, nada mais nada menos que o cheirinho a bebé. Quem é mae (eu nao sou nem fui, mas tive uma irma de quem tomei conta) sabe do que estou a falar. Aquele cheirinho que é impossível de reproduzir por qualquer indústria, é das melhores coisas deste mundo. Especialmente se for acompanhado daqueles sonzinhos que os bebés fazem quando se mexem, que é um grunhido que eu nunca me canso de ouvir.
Uma duvida me assola, a mim, minhoca de mamilos pequenos, ou chamemos-lhe antes normais: um dia que eu seja mae e amamente, vou ficar com mamilos maiores que os meus olhos? É que se é pra isso, desisto já do milagre da vida e armo-me em Angelina Jolie.

o maravilhoso ar do campo

Aaah, os dias de Páscoa, tao bem passados. Sexta-feira vim trabalhar e ia morrendo de tédio, mas menos mal. Paguei algumas contas, li blogs até os meus olhos pedirem pra eu parar, fiz as sobrancelhas e arranjei as unhas. Nao foi, portanto, um dia totalmente inútil. Ah, e atendi uma chamada. Ao fim da tarde, apanhei o comboio para a terra do Avo do Bola, que fica em Franken, que é como quem diz no centro da Alemanha. O Bola foi-me buscar à estacao e depois de eu pedinchar aos saltinhos pra ele me deixar levar o carro, foi mais um nada divertido filme, com o Bola colado ao assento da frente, mas aos gritos, correndo o risco de ter em enfarte cada vez que eu me aproximava dum cruzamento, passadeira ou semáforo laranja.
- Tu conduzes bem, mas eu sinto que tenho que te orientar nesta fase inicial.
Um amor de homem. Que me orienta.
Nos restantes dias, nao me orientou grande coisa, pois como já estávamos no campo, nao foi preciso muito para me levar para uma daquelas estradas de pastagens, onde só passa um tractor uma vez por semana. Em estradas dessas, o perigo está excluído pela falta de transito e pelo cheiro a bosta de vaca, que é tao intenso que deixa o Bola enjoado e com as órbitas fora do sítio.
Mas tirando estes extractos da vida a dois, comigo ao volante e o Bola ao lado (tentei ir várias vezes sem ele, mas ele apanhou-me sempre a jeito), foi uma Páscoa muito doce.

sexta-feira, abril 06, 2007

O mestre

Para os fans de John Cleese, que ainda nao conhecem.
Foi-me enviada por email, deliciem-se.

John Cleese's Letter to America
To the citizens of the United States of America

In light of your failure to elect a competent President of the USA and thus to govern yourselves, we hereby give notice of the revocation of your independence, effective immediately. Her Sovereign Majesty, Queen Elizabeth II, will resume monarchical duties over all states, commonwealths and other territories (except Kansas , which she does not fancy), as from Monday next. Your new prime minister, Tony Blair, will appoint a governor for America without the need for further elections. Congress and the Senate will be disbanded. A questionnaire may be circulated next year to determine whether any of you noticed. To aid in the transition to a British Crown Dependency, the following rules are introduced with immediate effect:
1. You should look up "revocation" in the Oxford English Dictionary. Then look up "aluminium," and check the pronunciation guide. You will be amazed at just how wrongly you have been pronouncing it.
2. The letter 'U' will be reinstated in words such as 'colour', 'favour' and 'neighbour.' Likewise, you will learn to spell 'doughnut' without skipping half the letters, and the suffix "ize" will be replaced by the suffix "ise."
3. You will learn that the suffix 'burgh' is pronounced 'burra'; you may elect to respell Pittsburgh as 'Pittsberg' if you find you simply can't cope with correct pronunciation.
4. Generally, you will be expected to raise your vocabulary to acceptable levels (look up "vocabulary"). Using the same twenty-seven words interspersed with filler noises such as "like" and "you know" is unacceptable and inefficient form of communication.
5.There is no such thing as " US English." We will let Microsoft know on your behalf. The Microsoft spell-checker will be adjusted to take account of the reinstated letter 'u' and the elimination of "-ize."
6. You will relearn your original national anthem, "God Save The Queen", but only after fully carrying out Task #1 (see above).
7. July 4th will no longer be celebrated as a holiday. November 2nd will be a new national holiday, but to be celebrated only in England . It will be called "Come-Uppance Day."
8. You will learn to resolve personal issues without using guns, lawyers or therapists. The fact that you need so many lawyers and therapists shows that you're not adult enough to be independent. Guns should only be handled by adults. If you're not adult enough to sort things out without suing someone or speaking to a therapist then you're not grown up enough to handle a gun.
9. Therefore, you will no longer be allowed to own or carry anything more dangerous than a vegetable peeler. A permit will be required if you wish to carry a vegetable peeler in public.
10. All American cars are hereby banned. They are crap and this is for your own good. When we show you German cars, you will understand what we mean.
11. All intersections will be replaced with roundabouts, and you will start driving on the left with immediate effect. At the same time, you will go metric immediately and without the benefit of conversion tables. Both roundabouts and metrication will help you understand the British sense of humour.
12. The Former USA will adopt UK prices on petrol (which you have been calling "gasoline") - roughly $6/US gallon. Get used to it.
13. You will learn to make real chips. Those things you call French fries are not real chips, and those things you insist on calling potato chips are properly called "crisps." Real chips are thick cut, fried in animal fat, and dressed not with mayonnaise but with vinegar.
14. Waiters and waitresses will be trained to be more aggressive with customers.
15. The cold tasteless stuff you insist on calling beer is not actually beer at all. Henceforth, only proper British Bitter will be referred to as "beer," and European brews of known and accepted provenance will be referred to as "Lager." American brands will be referred to as "Near-Frozen Gnat's Urine," so that all can be sold without risk of further confusion.
16. Hollywood will be required occasionally to cast English actors as good guys. Hollywood will also be required to cast English actors to play English characters. Watching Andie MacDowell attempt English dialogue in "Four Weddings and a Funeral" was an experience akin to having one's ears removed with a cheese grater.
17. You will cease playing American "football." There is only one kind of proper football; you call it "soccer". Those of you brave enough will, in time, will be allowed to play rugby (which has some similarities to American "football", but does not involve stopping for a rest every twenty seconds or wearing full kevlar body armour like a bunch of nancies).
18. Further, you will stop playing baseball. It is not reasonable to host an event called the "World Series" for a game which is not played outside of America . Since only 2.1% of you are aware that there is a world beyond your borders, your error is understandable.
19. You must tell us who killed JFK. It's been driving us mad.
20. An internal revenue agent ( i.e. tax collector) from Her Majesty's Government will be with you shortly to ensure the acquisition of all monies due backdated to 1776.
Thank you for your co-operation.
John Cleese

frische Luft

Ora bem, nove e meia da manha de sexta-feira santa e eu aqui no escritório sozinha. Abri as janelas todas, sem excepcao. Está tudo escancarado, para combater este cheiro a mofo. Durante a semana, nunca da pra abrir as janelas todas. Porque faz corrente de ar, porque tenho frio, porque alguem pode saltar e se suicidar, porque entra muita claridade... as desculpas sao maravilhosas. Quando eu penso nas 20 alminhas a respirar aqui dentro, a comer muitas vezes na secretária, deixando o aroma a comida infiltrar-se por tres dias no mínimo, com as janelas fechadas, pergunto-me se serei a unica que defende a importancia do ar fresco, do conceito de arejar.
Em casa, eu e o Bola tivemos de chegar a um consenso. O último a sair de casa deixa as janelas abertas, gekippt, como se diz em alemao, que quer dizer inclinadas. Abre num angulo agudo.Como temos uma varanda enorme, com cerca de 30metros, virada para Sul, temos o sol a bater na parte de frente da casa o dia todo. A parte da frente da casa tem janelas e portas para a varanda, portanto, cozinha, sala de jantar, de estar e o quarto do computador. Mais perfeito, só se fosse no campo. Com jardim, em vez de varanda.
Acho que a Primavera chegou, finalmente.

quinta-feira, abril 05, 2007

era giro, nao era?

Antigamente, as raparigas eram prometidas.
A nao sei quantas gosta do nao sei quantos, mas já está prometida ao Valdemar.

Devia ser engracado vivermos num mundo assim. Em que as raparigas choram e choram nas suas copas quando descobrem que estao prometidas e que os pais ja as negociaram. Isto tem tanto de hilariante como de trágico. Às vezes penso que se pudesse regressar a um passado qualquer, regressava a um passado onde o meu Pai me prometesse. Assim, a um feio e burro.
Eu e a minha veia dramática...
Sao cinco e meia da tarde e estou a fazer horas extraodinárias. Claro que em vésperas de feriado, especialmente colados ao fim-de-semana, ja nao se ve vivalma por aqui, foi tudo a correr pro supermercado abastecer-se de comida para aqueles dias em que está tudo fechado e, ou se vai ao restaurante ou compra-se com antecedencia.
E se eu me fosse embora?

a ver se nao comem

Deram-me um coelho de chocolate com um ar psicopata, que pus ao lado do meu livro de cartas comerciais em Espanhol. Sempre que olho para o coelho, com os seus dentoes, a segurar um cartaozinho que diz Feliz Páscoa, pergunto-me se as criancas acharao um coelho destes fofo. Eu nao acho. Mas eu sou suspeita, porque o unico coelho por quem sou apaixonada é o da Alice no país das maravilhas. Nao fosse o chocolate ser kinder, acho que ja o tinha atirado para os meus colegas que trabalham a 20 metros de mim. É normal atirarmos doces uns aos outros. É assim que mostramos o carinho que sentimos uns pelos outros.
Amanha é feriado, mas decidi vir trabalhar. Por opcao. Ah pois. Por ser feriado, as horas contam-me a dobrar e recebo um dinheirinho extra. Como no fim do mes, tenho de ter as contas feitas com a empresa, preciso de garantir que saio com as horas todas do meu contrato. Caso nao saia, descontam-me do ordenado e nao me dá muito jeito porque me vou meter nos copos em Barcelona até nao poder mais. Prefiro vir trabalhar enquanto tenho tempo.
Amanha vou ter com o Bola e familia à terra do Avo. Ficarei la até segunda-feira, sendo que terca ja estou de volta sozinha, pois o Bola fica mais uns dias com os pais.
Para alem de umas ultimas coisas que preciso de comprar para nao irmos de maos a abanar, preciso ainda de levantar as fotografias que mandei fazer (ainda do nosso casamento), comprar duas prendas de anos, comprar café, ir ao correio e engomar roupa para usar estes 4 dias. Como é Páscoa, tenho de ir bonita e feminina.
Lembro-me sempre de quando era pequena de por vestido no domingo de Páscoa. A minha mae ia-nos dar a roupa ao quarto de manha e acordar para recebermos a visita Pascal. Depois, preparava um tabuleiro com vinho do Porto, amendoas, pao-de-ló para a visita Pascal, que muito provavelmente nao ia ser tocado, só por nós. Mas apesar disso, todos os anos ela prepara esse tabuleiro com o mesmo amor. Da próxima vez que eu passar a Páscoa lá em casa, quando notar que se vao embora sem tocar no tabuleiro, agarro nos acólitos pela gola da fatiota e digo alto lá e pára o baile! A minha Mae, ha pelo menos 27 anos, que prepara este tabuleiro. Nao é tarde nem é cedo para agarrarem num punhado de amendoas, que sao de tipo frances e comerem do 27º pao-de-ló que a minha mae comprou pra voces. E se beberem um cálice de vinho do Porto nao é por aí que fazem o resto da ronda c'os copos. Vá, toca a comer.

Viste, Mae? ;)

quarta-feira, abril 04, 2007

tudo com os corninhos ao sol

Os meus pais estao na Malasia, noutro mundo, noutro fuso horário. No calor, portanto. O meu irmao está no Algarve, NA PRAIA. A minha irma está a trabalhar, mas com um chefe que até entradas pro ginásio mais fino de Lisboa patrocina. E que nao tem horário de trabalho.
Se eu nao tivesse um emprego novo, acho que agarrava no pato amarelo e me afogava na banheira dentro duma bacia.
É que por acaso está sol. Por acaso, adorava dormir uma sesta esticada na relva.
Mas nao. Tenho explicacao às cinco e meia. Estou sem ideias.
Feliz Páscoa para todos!

com mta cebola e ketchup

Agora que me vou embora é que descobri os hamburgueres deliciosos que o tunísio da roulotte duas ruas abaixo faz. Nao é justo. Sao mesmo bons. Com muita cebola cortada às rodelas fininhas, como eu gosto. E com tres rodelas de tomate. Gosto dele. Quando la vou, sento-me nas mesinhas improvisadas dentro da roulotte, à espera que ele faca o meu hamburger enquanto me vai contando uma história da sua vida antes de vir pra Alemanha. Antes era uma salada, agora sao hamburgueres.
- Podes ir trabalhar, que eu levo-te la o hamburguer.
- Deixa estar, Abdul, hoje tenho tempo.

Gosto de ali ficar 8 minutos a desfolhar o jornal, enquanto ele vai falando.
- Tens a certeza que nao queres batatas-fritas?
Normalmente nao. Mas quando ele insiste, às vezes, peco uma porcao infantil. Eu sou assim, fácil. Quando insistem, pronto. Ó Minhoca, queres um gelado? Nao. A sério, olha que nao sei que nao sei que mais (o motivo é irrelevante). Pronto, tá bem.
Escrevo tanta palha para dizer que um dia gostava de ter a minha própria roulotte. É um daqueles sonhos de crianca. Ainda me lembro de nas férias, irmos pela estrada fora e os meus pais explicarem-me que naquele carro as pessoas teem uma cozinha, cama e casa-de-banho. E podem ir pra todo o lado.
Há sonhos que, passada a era infantil, nos abandonam. Tipo tomar de assalto o rancho do Michael Jackson em Santa Bárbara, LA. Este nao. E as dúvidas também ficam, especialmente aquelas que nao nos foram tiradas na era infantil. Concretamente, em relacao à roulotte ter casa-de-banho, a pergunta é E o cócó, para onde vai?
Mas pra já, ficava contente com um Volkswagen Golf dos novos, se nao for pedir muito. A cor nao é importante. Até pode ser amarelo.
E continuo interessada na hipotese de nadar nua numa piscina de água ou outra bebida gaseificada.

B de? Bola! C de? Celulite!

- Bola, sabes o que é isto?
Ele olha, com uma expressao que revela um misto de nojo e medo. Que por acaso é interessante, tentem lá imaginar o misto de medo e nojo. Agora juntem-lhe curiosidade. É um olhar interessante.
Como ele nao adivinhou o que eu tinha no copo de plástico, cheirou. Instinto animal, tudo bem, sem grande espaco pra crítica. A malta toca, depois cheira, depois prova.
- É café. Borra da máquina. Que devia ir pro lixo, mas que tu puseste num copinho. diz ele com ar de gozo.
- Bom, a partir de hoje vai haver sempre um copinho com café na banheira e se fazes favor, nao mexes. É pra eu misturar com o gel de banho e me esfoliar. Para combater a celulite.
Claro que ele fez aquela cara que os homens fazem quando nao percebem, acham ridículo, mas sabem que nao podem dizer nada. A ponto de um comentário provocar uma tempestade, e pra tempestade já bastou a de ontem.
Depois a título de bónus, expliquei-lhe que acho que a indústria dos cosméticos se aproveita desta fraqueza das mulheres, para ter lucros vergonhosos com cremes, esfoliantes, peelings, pads e outras porcarias que tais, que custam normalmente muito dinheiro, nao passando de cremes banalíssimos, LA ESTÁ: com extracto de cafeína ou doutra mezinha qualquer. Portanto, antes de eu perder a cabeca de vez e conseguir largar 30€ por 100ml dum gel milagroso, tento um método doméstico e económico. Mal nao deve fazer.
Como o Bola estava ainda inebriado com o jogo de futebol, cheio de emocoes, (o FC Bayern marcou no último segundo contra o Milao, fazendo o empate 2-2) nao tive grande oportunidade de debater com ele este assunto, o da minha celulite. Portanto, pra proxima, ligo para a linha da Corporación Dermoestética, em busca duma amiga que me ofereca uma promocao.

segunda-feira, abril 02, 2007

Claro que vejo

Muito me tenho rido a ver a Bela e Mestre. Mas claro que vejo. Nao ha muitos programas que me facam rir. Há entretenimento, mas provocar riso mesmo nao é todos os dias. Portanto, vejo a Bela e o Mestre. Aprendo dicas de maquiagem. Aprendo cultura. Aprendo como se socializa. É uma arte que nem todos dominam. Porque que as pessoas dizem que o programa é uma vergonha, eu nao sei. Eu cá, gosto. Gosto quando elas nao se sentem apoiadas pelos companheiros inteligentes. Gosto de quando eles se sentem deixados para trás por elas. E gosto de quando dizem as verdades, quando um se senta na cadeira do meio. Tu és um bocado parvo, porque no recreio comes o meu pao. Coisas assim.
Normalmente adormeco antes de chegar a hora do programa, o que me deixa um bocado lixada. Lixada deixa-me tambem saber que se o casting tivesse sido um bocadinho mais apurado, o programa faria rir muito, mas muito mais.
E já agora o pensamento de hoje é: Celine Dion é fixe. E Lionel richie também.
Será que a sorte é um conceito inventado ou será que há mesmo uma forma em que se consubstancia? Podia ter cheiro ou cor, tipo irmos na rua... olha vai ali a passar uma brisa de sorte, bora lá apanhá-la.
Definitivamente, é um conceito relativo. Sorte, destino... eu gosto de lhe chamar sorte.
Isto para dizer que a acreditar nestes ventos de mudanca, eu e o Bola jogámos no totoloto neste sábado, como se tornou hábito desde ha umas semanas pra cá. Volta e meia é a Mae dele, que lá de Moscovo nos telefona a dizer que teve um pressentimento de que a chave dela vai sair. E lá vamos nós registar a chave da sogra. Já lhe disse que era bom clarificarmos as percentagens, nao va um dia destes a mae dele ter sorte e nós depois temos de andar à paulada a reclamar os nossos 50% dos dividendos.
Bom, nós este sábado tivemos um quatro. Como o Bola gosta de frisar, nao foi com a minha chave, mas com a dele. Sim, eu tive uma semana de sorte, mas ele também nao ficou atrás, alto lá... eu por acaso, tinha dois numeros na minha que completavam os dele para o grande prémio, mas isso é, naturalmente, irrelevante.

Egoísta como todos os homens, disse que os quase cem euros que ganhou (cálculo...) servem para cobrir as calcas e a camisa que comprou no sábado, ao que eu respondi que somos casados, portanto nada de egoísmos. O que é meu, é dele. Humpf. E eu quero um bronze powder para as minhas macas do rosto.


A minha mae há uns dez anos teve um quatro e querida e generosa como só ela é, (há muito poucas pessoas generosas como a minha Mae, acreditem) dividiu comigo e com os meus irmaos, nao ficando nada para ela.