Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

quinta-feira, agosto 30, 2007

atendimento ao cliente é amigo

E a luz regressa. Com a Tvcabo, claro. Claro que enquanto esperei que me atendessem a chamada, tive de tempo de fazer xixi, lavar as maos, carregar a maquina da roupa, por o leite no micro-ondas, atirar pra la os cereais, comecar a come-los e brindar a pessoa que me atendeu com um som CRUNCH. Um beijinho para a Snowgaze, que me deu a dica. Fatalista que só eu, achava que cartao desactivado é algo irreversível. Mas os senhores da tvcabo sao uns porreiros e activaram logo o cartao antigo enquanto eu estava ainda ao telefone. Vai daí, como que num passe de mágica, aparece a cara daquele espantalho que dá pelo nome de Rita Ferro Rodrigues e eu tive de explicar a senhora da tvcabo que se era pra aparecer a parvinha da Rita, era preferivel continuar com o cartao bloqueado. Mas contive-me a tempo.
Porque é que a Rita que era uma sonsa, agora num programa que dá à tarde, tem a mania que conhece todos como se fossem ali os vizinhos da esquina, e revela tiques de tipa parva? Nao me recordo de nenhum evento televisivo que justifique a transformacao de sonsa para chata. E um evento televisivo que agarre nas Chiquitias e as envie para Peniche, para a antiga Prisao de Sao Baptista? Isso é que era.
Agora com a Tv já posso passar a tarde a engomar os 56kilos de roupa que deixei a acumular.
É preciso dar as boas-vindas ao Outono, que ele tá já aí.

quarta-feira, agosto 29, 2007

o rato do momento


Mesmo muito giro. Perguntem ao Lauro António.

a vida sem smartcard

Hoje tive de me mentalizar que há vida para alem da Tvcabo. Chego a casa. Pouso os sacos com as coisas importantes para comprar hoje:
- t-shirts brancas para o Bola
- filtros de café
, faco tres tostas com queijo, despejo umas bolinhas de cereais nesquick, daqueles que parecem cocó de um animal pequeno qualquer, e vou aos saltinhos para a sala sentindo aquilo que os alemaes chamam de Vorfreude. A alegria anteripor à algria. Ajeito as minhas almofadas preferidas no sofá, ponho o telemovel e o telefone em cima da mesa e está tudo a postos para umas duas horas de processo vegetativo. Em que como, sou embalada pela tv (o que está a passar, é quase irrelevante), depois como outra vez, volto a adormecer. Como veem, sou uma miuda de gostos simples, que fica feliz com tao pouco. Tostas, almofadas, ronha. Mal eu sabia.
A minha mao agarra no telecomando e é aí que a minha cara congela e a minha mao comeca a tremelicar. O SEU CARTAO FOI BLOQUEADO, PARA MAIS INFORMACOES CONTACTAR BLA BLA BLA. Nao há muitas coisas que me facam largar a comida e sair de casa disparada. Mas ainda há algumas.

Chego aos correios, deixando o carro estacionado de forma escandalosa e, ainda a arfar e com a faca ruborizada de fúria, tentando nao saltar para o lado de dentro do balcao, digo, tentando manter as minhas emocoes controladas (muito dificil,mas o Bola anda-me a ensinar):
- Eu estou com um problema gravissimo!! Estou à espera de uma carta há uma semana, que contém um cartao muito importante. Sábado de manha, estava eu na ronha a sonhar com as pastelarias portuguesas, quando oico o carteiro tocar à campainha. Nem abri os olhos, pois sei que voces costumam deixar um talao para eu vir levantar a carta. Ora, eu nao tenho talao, mas sei que VOCES TEEM AÍ UMA CARTA PRA MIM, e é bom que a vá buscar, caso contrário parto isto tudo e vou pra comunicacao social. (palavra magica na Alemanha: Bild Zeitung - o jornal com maior tirada e menos conteúdo)
O funcionário dos correios, expedito que só ele, disse que ia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance, o que eu achei pouco, mas sempre ouvi dizer que somos mais felizes se nos contentarmos com pouco. Depois de me perguntar tres vezes como eu me chamo (Minhoca nao é fácil de se pronunicar em alemao, ali aquele 'nh' deixa os alemaes sempre a pensar em caipirinha,que leem caipirinia, mas nem assim), lá foi procurar um envelope que nao chegou a aparecer.
Vim para casa num berreiro semelhante ao do Ben Stiller quando largou a casa da Mary (do Doidos por Mary, esse classico), depois de ter dito que ela devia era ficar com o Woogie e nao com ele. Só que no caso do Ben, a Mary voltou pra ele eacabou o berreiro. No meu caso, nao há sinal de carta. Sempre que olho para a Tv, os meus olhos inundam-se. Nao há sinal de smartcard da Tvcabo e eu sinto-me vazia. A Tv é a minha amiga quando mais ninguem quer falar comigo, o que realmente acontece muito frequentemente. É em frente à Tv que eu coso buracos nas meias do Bola, engomo a roupa, falo ao telefone, corto e limo as unhas. Todos os momentos mais importantes da minha vida foram passados (?) em frente à Tv. Tanto silencio fez-me ir dormir, tao grande que era a tristeza. Alguém que me abane e diga que isto é um pesadelo.
Ou alguém que me diga que ler é quase a mesma coisa. Mas eu ainda sei ler? Os livros sao fixes... nao?

getting through the day

I love my blog. Juro. Tenho tido uns dias em que só me aguento com uma taca de chá de 0,5l com um saquinho de Lipton yellow label verso americana, ou seja, um sacao para uma família inteira, pois a cafeína é tanta que até a vejo a boiar. Ando a trabalhar sempre a olhar para o relógio. A culpa nao é minha. Preciso mesmo de férias.
O meu trabalho nao é realmente uma seca, uma seca é todo o trabalho de escritório. Verificar por exemplo cem posicoes de um documento de exportacao, se todos os países de origem foram incluidos. Eu tive medo de bater com a cabeca no teclado, ainda tentei colocar o monitor um pouco mais elevado, no caso de por alguma razao inexplicável, me fizesse desparecer o sono, mas nao. Levantei-me de hora a hora, fui esticar as pernas, comi porcarias. Foi um dia de seca. Nunca mais é sábado.
Entretanto, olhem esta
pérola, que tem feito furor no youtube. Tentando nao ir por aí, deixem-me dizer que os americanos sao um povo especial. Mas neste blog nao se generaliza. Alem disso, mapas nao sao coisas divertidas.

quarta-feira, agosto 22, 2007

nao estou morena, mas sinto-me

hoje é importante - diz ele

- Nao vas, fica aqui, que hoje é importante.

Palavras proferidas pelo Bola enquanto assiste - em estado de tensao pura - ao jogo 'amigável' entre a Alemanha e a Inglaterra. Amigável tem de ter aspas, porque nao existe tal coisa entre alemaes e ingleses, quando se trata de futebol. E sempre que falo em futebol, lembro-me do meu vizinho de baixo, que costuma dizer com o seu ingles americano mastigado football..., you europeans don't know, the name is soccer... (ler 'sáááker') A este comentário/pergunta retórica niguém costuma dar continuidade. É o que fazemos com ele. Gostamos muito dele, se nao pesasse mais do que nós os dois juntos e nao fosse mais velho do que nós, até o adoptávamos. Mas há uma lista de americanices parvas que ele faz, perante as quais só podemos oferecer o nosso silencio. Ou mostrar-lhe a porta da rua.
A Inglaterra marcou o primeiro golo, ouvi na rádio, pois quando estou na cozinha ou no banho, o rádio faz-me companhia. Passados uns minutos, oico um berro prolongado como dos guerreiros nos filmes, quando estao a atacar o inimigo e decido ir à varanda, já com um saco plástico com água, para atirar ao palhaco que estava aos gritos. Pois, nao era lá de fora. Era o Bola. Também palhaco neste caso, mas que nao aceita palhacadas em que eu lhe atiro com uma bomba de água - versao saco plástico. Nestes momentos, retiro-me de fininho, pois se há momento em que o Bola fica falador e exaltado é quando ve a Bola. Qualquer comentário meu pode gerar dramas. E hoje depois do jogo, de certeza que vai haver telefonema para o melhor amigo, para falarem e discutirem as injusticas deste mundo melodramático que é o futebol. A Ex Spice Posh que o diga, o ar dela de coitada mostra mesmo como sofre com a vida da bola que o marido leva.
Passando agora para um tom mais sério, o Bola quando está a ver futebol, de repente, desata aos berros e eu se estiver a menos de dez metros, dou mesmo um assalto. Fico eu numa pilha, quando o resultado nem me interessa. Portanto, prefiro retirar-me e dedicar-me a tarefas mais produtivas, tais como recolher papel espalhado pela casa, cujo destino é o papelao-contentor.
And God save the queen...

sábado, agosto 18, 2007

quarta-feira, agosto 15, 2007

feriado passa-se assim

Pois é, eu e o Bola vamos ver Feist no dia 6 de Outubro a Munique. Cravámos o irmao dele, para nos deixar dormir no quarto dele e desandar, pois o bilhete do concerto custa menos do que um quarto em Munique. Sendo que prometemos leva-lo ao concerto.
Esta tarde, entre comprar os bilhetes, fiz muitas mais coisas úteis, nao à Humanidade, mas a mim mesma. Fiz as sobrancelhas, apesar de o Bola me ter informado que na cabeleireira as podia ter arranjadas por 5 euros. Eu fi-lo prometer que nao contava a ninguem que ja fez as sobrancelhas na cabeleireira. Nao queria nada que andassem a duvidar da masculinidade dele! Tenho de esconder os meus sapatos e cremes. Nao excluo completamente a hipótese de os homens terem uma fase depois dos trinta, em que sentem curiosidade pelo fantástico mundo das mulheres, que inclui batons, saltos e todo o tipo de acessórios. Lembro-me de há uns anos, o meu pai colocar as bandoletes da minha mae e continuar sentado à mesa como se nao fosse nada com ele. Mas nunca perguntei à minha mae se alguma vez ela deu por falta da roupa interior dela. A idade faz coisas incríveis às pessoas, nunca se sabe, nao é?
E um dia destes passo na cabeleireira para lhe dar umas estaladas. Homem é suposto ter pelos! Sugestoes como e se fizéssemos as sobrancelhas? parecem uns arbustos... dispensam-se! Qualquer dia aparece cá em casa todo depilado. Argh. Já sei o nome dela. Nicole. Será que tem carro?
O filme do Hugh Grant era daqueles mesmo de domingo à tarde, ou melhor, feriado à tarde. Tem lá umas partes em que o Hugh agita os quadris, que foi quando tive de ir beber água pois vieram-me os calores. Nao há homem mais sedutor em camisa branca do que o Hugh. E depois com aquele sotaque maravilhoso, que parece que tem uma batata quente na boca. Adorável. Eu e a Drew Barrymore temos em comum que eu também afogo as plantas e também falo sozinha. Nesta parte, agarrei-me à almofada e derreti-me e fingi ser eu a Drew.
Depois do filme acabar, pus o POP Goes my heart e fiz a coreografia aqui na sala. Acho que me saí bem. Os meus vizinhos bateram palmas.
Entretanto, o Bola tem ligado quase de hora a hora com uma pergunta diferente. Agora estou na estacao, agora vou fazer uma caminhada, agora vou comer um gelado, que estás a fazer?, que filmes é que trouxeste?, meteste gasolina no carro?, já jantaste? e de todas as vezes, eu respondo a cantar I said I wasn't loose my head but then Pop goes my heart... la la la la... desde que a minha sogra me disse: se te apetece cantar, canta, eu li que muitas pessoas encontram na música uma libertacao para as suas frustracoes, agora ando numa fase muito musical. O Bola é que me corta esta veia artística sempre que pode. Especialmente quando preciso de um segundo artista, que ele faca, por exemplo, uma segunda voz e aí ele como sempre, recusa-se a participar e a brincadeira perde a piada. Mas pronto, tento pensar no episódio Karaoke 2001. O Bola foi-me cantar uma música num irish pub depois de eu lhe pedir muito. Ele ainda nao tinha dito que sim, mas eu ja tinha ido explicar ao tipo lá à frente que o meu namorado me queria cantar uma cancao, pois eu ia-me embora no dia seguinte e estava ainda o Bola entretido com shots no balcao quando ouviu chamar pelo nome dele. Pessoal, foi muito mau. Desafinar tanto parecia impossível. Eu nao conseguia parar de rir. Foi a última vez que estivemos os dois a menos de 50m duma maquina de karaoke. No nosso casamento, era suposto haver e acredito que isso lhe tenha tirado o sono. O Bola é daqueles que se cantar na rua, pode mesmo ir preso.
Acho que vou jantar.

há uma parola dentro de todas nós, que nunca morre

Sempre que fico uns dias sozinha em casa, as coisas nunca correm como eu quero. A ideia era aterrar no sofa todos os dias depois do trabalho. Na segunda-feira, nao correu muito mal. Comi a minha sopa, sentada no chao, enquanto ouvia as notícias. Lavei roupa, passei, falei ao telefone. E até fiz cocó com a porta da casa de banho aberta. Maior sinal de que estou sozinha nao há. Ainda resolvi alguns emails da conta do trabalho. Fui para a cama com a minha foca e dormi de bracos e pernas esticadas, aproveitando a amplitude da cama no total. E há quem diga que enterrei a minha cabeca na almofada do Bola para cheirar e suspirar, coisas de gaja, nao se riam. Voces fazem todas o mesmo!

Ontem cravaram-me para mais uma daquelas secas, às quais nao dá para dizer que nao. Tive de ir a um jantar com um dos brasileiros que está cá na Alemanha (trabalho), fazer uma vez mais de intérprete. Já nao posso mais com traducoes. Estou num ponto tal de saturacao que se hoje nao fosse feriado para eu poder descomprimir, acho que pedia a algum amigo próximo (?) para me bater com uma cadeira, para eu, em funcao da grave lesao, nao poder traduzir mais até ao fim da semana. Tenho de estar concentradíssima, volta e meia noto que voltei a sonhar nao sei com o que e nao ouvi bem o que foi dito. Vejo cinco caras focadas na minha à espera da trraducao e como nao faco a mínima, opto por improvisar e entao sai-me qualquer coisas como agora fazemos uma pausa para fumar e quem quiser, pode ir beber uma cerveja, podem ir pedir no bar, para voces sao de borla. Por isso é que o pessoal gosta tanto de mim, que algo me diz que vou ter de fazer este triste papel de intérprete mais vezes. Voce é uma gracinha, sabia? Tá gozando de novo, né? Vou contar para voce piada de portugues, quer ouvir? Voce nao tá falando sério? Teem sido as frases lindas que vou ouvindo várias vezes ao longo da semana. Quando chega a hora do almoco - o momento alto do dia - até o menu tenho de traduzir e num grupo de doze pessoas, sou a unica que consegue fazer a passagem portugues-alemao-ingles, pelo que tenho toda a gente a chamar pelo meu nome. Durante a tarde, fico tao moída que falo portugues com o formador e nem dou conta. Só quando ele se ri. Bom, mas lá fui ao jantar, com o cabelo lisinho, muito esticado e escadeado perfeitinho. Quando cheguei a casa da tal colega com quem só falei uma vez e ela me disse que o meu cabelo estava muito giro, eu disse-lhe que nao tinha ido ao cabeleireiro, que tinha parado na estrada e assim DO NADA, saiu um elefante que me lambeu toda. ELA NAO SE RIU. Optei por acreditar que nao percebeu.
Bom, depois do jantar vim para casa, parando no video-clube, onde tinha reservado uma cópia dum

filme que só posso ver sozinha (Music and Lyrics) e quando a tipa do video clube me disse que sim, que tinha lá um para mim, desatei aos gritinhos, histérica, (acho que saltei e gritei yes! cinco vezes) por poder ir para casa com o hugh debaixo do braco e com um snickers na carteira. Pois nao foi assim. Fui dormir com dor de dentes. Corajosa, sem tomar analgésicos. Estou a ali a fazer umas pipocas para ir ser parola um bocado, ver o hugh e cantar com ele o way back into love.

Até já. Bom feriado!

Volta, Gerard

Dear Bola,
Espero que nao tenhas ficado triste por eu nao ter ido ter à aldeia para onde foste no domingo. Tens-me ligado sete vezes por dia, é óbvio que precisas de mim. Ou serei eu? Achava que ia ficar contente por chegar a casa na terca à noite, atirar os sapatos para o chao da sala, comer na sala a fazer quase tudo na sala, só me movimentando no sentido cozinha-sala-cozinha-quarto. Babando-me em gelado enquanto assistia aos simpsons e ao House.
Isto, sozinha, porque tu nao aprovas este meu comportamento bolorento e sem maneiras. Mas nao. 110 metros quadrados é muito espaco só para mim. E tu sabes, que eu nao gosto de regressar a uma casa escura sozinha, sem luz. E eu até podia escrever agora que se acendesse a luz, continuava escuro, pois a luz que realmente me enche de alegria é a tua, e essa só regressa hoje à noite, mas isso seria uma frase demasiado cheesy para alguém como eu. Em vez de pensar tanto se há luz ou nao, acompanho a Avril aos gritos na MTV....
I always needed time on my own
I never thought I'd need you there when I cry
And the days feel like years when I'm alone
And the bed where you lie
is made up on your side

Desculpa ter-te chamado Gerard Depardieu no outro dia. Nao estava a gozar com a tua penca. Eu gosto dela. Para andar de escorrega. Nao. Ves? Quando eu dou por mim, já saiu outra destas pérolas. Nao tenho mao em mim. Espero que nao tenhas descoberto só agora, ao fim de um ano de casamento. De qualquer forma, quando fizermos praia e nao tivermos guarda-sol, vou adorar ter-te ao meu lado. Consoante a direccao do sol, claro. Mas o que eu te queria mesmo confessar com este post do meu blog que nao les, é que eu sempre achei o Dépardieu sexy, apesar de nao gostar muito de franceses. Pronto. Era isso. Volta, please. Preciso da tua chave para ir ao lixo.
p.s. Comprei os bilhetes para os Feist em Outubro.

segunda-feira, agosto 13, 2007

e que tal algo novo?

Estou-me a preparar para uma aventura daquelas, que pode acabar mal. Vou colocar os meus sedosos cabelos nas maos e na tesoura dum cabeleireiro alemao. Como infelizmente, nao conheco nenhum daqueles cabeleireiros machos fantásticos, assim tipo amigos do Claudio Ramos, que fosse meu amigo e me falasse de coscuvelhices enquanto me cortava o cabelo, tenho mesmo de arriscar e dirigir-me ao estabelecimento que mais confianca me inspirar.
Hoje passei no cabeleireiro que transformou o Bola nao no Vincent da Bela e do Monstro, mas num menino do coro de Santo Amaro de Oeiras, e depois dos catálogos pirosérrimos que estive a desfolhar, por momentos, pensei em desistir. Ou me tornar prostituta profissional à porta dos casinos da Republica Checa. (Nunca fui, nunca vi, nao sei nada, juro. Mas quando há o risco de ficarmos com um ar parecido, há que encarar todas as possibilidades) Os catálogos só tinham penteados ridículos, com umas tipas foleiras até mais nao, com a cara furada de piercings e cores luminosas demais. Nao tenho nada contra pessoas com piercings, mas gosto cada um tem o seu e eu nao gosto. Acho feio. Especialmente na cara. Se é pra isso, entao que agarrem antes num agrafador, é mais barato. Mais estilo tem um cicatriz, assim tipo o Harry Potter, aquele que todos vimos na versao pottinho, mas que se transformou num Pottao. Para as pessoas mais sensíveis (tipo eu), deixem-me que vos avise que neste último filme, o Harry beija uma miúda. Comecei a chorar quando vi isto. É o mesmo que pensarmos no Pinóquio a fazer a barba. Quer dizer, sao personagens com que crescemos e essas personagens, em princípio, NAO crescem. Vejamos os Simpsons. Por acaso, o Bart tem moustache? A Maggie perdeu a chucha? A Lisa ficou com a voz mais grossa?? NAO. Acho que já perceberam onde quero chegar.
Mas adiante, amanha vou cortar o cabelo, pois como disse o palhaco que me atendeu, tenho de dar um jeito. Está simples demais. Antes simples do que com uma cabeca a assemelhar-se a um semáforo, mas pronto, vamos ver o que é que o cabeleireiro tem para me oferecer. Tenho sempre a opcao de enfiar um saco plástico na cabeca. Ou saltar da ponte. Ou ir à guilhotina. Ou...Ou...

domingo, agosto 12, 2007

um ano

Companheiros desta vida de blogs, ausentei-me por uma semana, tive cá os meus pais e a minha irma mais nova, que me vieram visitar às salsichas. Foi uma semana muito gira, só foi pena ter de ir trabalhar, tendo que estar concentradíssima para traduzir todas as explicacoes, perguntas, etc, etc dos clientes brasileiros, que estao a ter formacao lá no trabalho. A única vantagem é mesmo ir almocar ao restaurante e nao ter de pagar. Porque de resto, ter de traduzir a ementa também é algo que nao me apraz assim muito. Passo o dia a papaguear de alemao para portugues e de portugues para alemao, que ao final do dia, ja nem o meu nome sei. Se nao tivesse uma t-shirt que diz Minhoca, nao sei onde estaria a esta hora.


Hoje eu e o Bola festejamos um ano de casamento. Há um ano, a esta hora, andava eu na pista a dar um pezinho de danca, ja sem os sapatos, que tinham um daqueles saltos assassinos. Ontem fomos levar os meus pais e mana ao aeroporto e depois ficámos por Munique para celebrar o nosso primeiro aniversario. Fomos a um restaurante tailandes, onde temos ido sempre, com uma comida maravilhosa, mas umas empregadas parvalhonas que bem tentam sorrir e disfarcar, mas de simpaticas nao teem nada. Quando uma me veio por mais arroz no prato, pedi pra me por menos e fez uma cara de prisao de ventre que só me apeteceu enfiar-lhe um par de estalos. Quando o Bola lhes deu uma gorjeta choruda, senti a minha digestao parar. Juro. Sou contra gorgetas de dez por cento em jantares acima dos 80 euros. Quero lá saber do normal. Para mim, parte do servico ja vai incluido no preco da comida. Especialmente quando o preco por prato ronda o escandaloso e as porcoes sao pequenas.
Hoje acordámos tarde, tomámos um pequeno-almoco farto com direito a ovos, numa esplanada e fomos ver o Harry Potter ao cinema. Chegámos perto das dez da noite a casa, com a sensacao de uma semana muito bem passada. Pena que a próxima comeca já amanha e com a repeticao do meu ingrato papel de intérprete. Amanha espero nao ter de me ir enfiar nas máquinas com os brasileiros, pois na quinta-feira, fomos mesmo lá para dentro e eu claustrofóbica que só eu sei, já nao traduzia coisa com coisa, pois queria era sair dali para fora. Quarta-feira é feriado e dá para desligar um bocado e passar um dia em portugues, sozinha, pois o Bola vai bazar. Ao fim de um ano de casamento, bazar comeca a ser preciso, parece... coitado, nao é facil viver comigo. Especialmente quando eu passo tres horas a implorar-lhe que vista a sua parka nova, mas sem nada por baixo. Mas eu queria tanto! Para tirar fotos e enviar para a Maxmen...
O Bola está muito feliz por termos aguentado este primeiro ano, ele próprio diz nao saber como já me aguenta há tanto tempo. Aliás, quando lhe pergunto se ele nao acha que este primeiro ano foi maravilhoso, ele fica sem palavras. Ficou muito emocional desde que cortou o cabelo.
p.s. dispenso as piadas sobre as minhas meias de noiva. A minha Mae assume que se enganou na compra. Eu, por outro lado, nao pensei nas meias até ao momento em que ela, no próprio dia, me disse UMA NOIVA TEM DE LEVAR MEIAS, e vai daí, ela comprou meias para uma minhoca bronzeada, o que nao era o meu caso. Daí os meus pés teint special.

terça-feira, agosto 07, 2007

Bola muito acima do Paulo Pires

O Bola virou giro. Andávamos há uns dias a falar de que ele já estava com idade para cortar os seus sedosos cabelos loiros. Os crazy twenties já lá vao e se ele quer mesmo encontrar um emprego novo, a verdade é que tem mesmo de ter um ar mais sério. Quando mais nao seja pelas fotografias tipo-passe. Mas eu ainda achava que isto era uma ideia que precisava de tempo para fermentar. Hoje mandou-me uma mensagem a dizer que já tinha marcado a vez num cabeleireiro para senhoras e que se eu quisesse, lhe podia ir agarrar na mao enquanto alguma Dalila estupida cortava as melenas ao meu Sansao.
Como estou a fazer de intérprete esta semana (mas este tema merece um post especial), acabei por sair mais tarde e quando cheguei ao cabeleireiro, depois de verificar que ele era o único macho, descubro-o com uma ordinária por detrás dele, toda inclinada para cima dele, A FAZER-LHE AS SOBRANCELHAS. Até me esqueci de o gozar com as sobrancelhas, quando o vi de cabelo curto. (diz que foi uma ideia da cabeleireira) Giro, mas menino do coro.
Entrei com o meu sorriso árctico e disse bem alto, ENTAO QUEM É ESSE MARICAS AÍ NO CANTO, AMIGO DA PINCA e depois de a miúda retirar metade do seu corpo de cima dele e ele poder associar a minha boca parva à minha cara, ele passa-me para a mao o rabo de cavalo, que lhe cortaram, ainda com o elástico atado. Agarrei naquele bocado de cabelo e confesso que me custou olhar para os cabelos dele, tao lindos, ali amarrados na minha mao. E cheirei-os. E fiquei com alguns cabelos nas narinas, mas pronto, já era de prever. Entretanto, as pessoas que passavam por mim olhavam-me com pena. E como eu adoro fazer de vítima, comecei a solucar. Depois, agarrei num champo Redken e disse ao Bola para pagar, para me animar. Passado um bocado recuperei e quando ele saiu, com o seu look de modelo e no início dos vinte verdes ano, meti-lhe a mao no braco e lá fomos pela rua fora. Tipo mae e filho. Já pus um anuncio nos classificados. Vendo cabelo de boa qualidade, que cheira sempre bem, loiro escuro com algumas nuances claras naturais. Quando foram cortados, tinham sido lavados com pantene com reflexos para cabelos loiros. Chuif.

quarta-feira, agosto 01, 2007

cumplicidade masculina

Entao, diz que a popularidade do Bola desceu drasticamente nestas últimas duas semanas, em virtude da expulsao dos gatos da casa. A popularidade do Bola desceu tanto, tanto que ficou nomeado esta semana para ser expulso. Se quiser que Bola saia da casa, ligue 0676767, se quiser que saia a Minhoca por ser intriguista e falar pelos cotovelos, marca o 0454545.
O assunto do Rambo / Conan ainda nao foi assim esquecido. De vez em quando, digo com uma voz trémula
- Bola, que achas que o Rambo e o Conan estao a fazer agora? Ao frio, la naquela quinta imensa. Será que já morreram?
Aí o Bola faz a sua cara prisao de ventre em estado avancado e eu mudo logo de tema. Expedita que só eu.
Tenho um bolo no forno e as duas máquinas a lavar, a da roupa e a da loica. Sinto-me quase uma mae. Entre as tantas coisas preciosas da minha infancia, estao os sábados ou domingos à tarde, em que a minha mae ligava as máquinas e o cheiro a bolo espalhava-se pela casa. Quando as máquinas de lavar estao ligadas e cheira a bolo, é porque há uma mae por perto. E a minha vale milhoes. Bom, mas eu ainda nao sou mae. Pelo menos oficialmente, porque às vezes olho para o Bola e pergunto-me se entre marido e filho nao existe uma sabida simbiose.
Simplesmente gosto de fazer bolos e a máquina da roupa, por uma questao de amor às cores dos meus trapos, sou sempre eu a programar, ligar, etc. A menos que queira lencois e t-shirts assim com tons cruzados. O Bola é mestre na arte de tingir.
Depois do jantar, estava eu a bater a massa com toda a energia que me restou de hoje, a cansar o meu braco direito, quando me lembrei de pedir ao Nate (meu vizinho, com um ganda capado, deve pesar uns 150kg) para bater a massa, assim tipo com forca. Para eu nao ir buscar a batedeira, pois precisava dela para as claras. Ele lá bateu assim muito à menina, para nao fazer dói-dói na massa, até que o Bola, que como já aqui contei, anda a levantar pesos e até já tem maminhas, tira-lhe o tacho e diz que lhe vai ensinar como é que um homem a sério bate a massa. Mas eles nao estavam no gozo, estavam numa demonstracao de machos a sério. Digno de BBC Wild life. Sendo que eu nao estava a prémio. Estavam tao concentrados que nem notaram o quanto eu me esforcava para abafar o riso no pano da cozinha. Afastei-me para seguir o espectáculo da plateia e meti umas pipocas no micro-ondas. A massa ficou bem batida, disso nao temos dúvidas.
Mas os homens sao tao parvinhos... depois passaram mais de uma hora na varanda a falar excitadamente de desportos radicais, a gesticular com uma mao, a agarrar a garrafa da cerveja com a outra. Entretanto, arrotavam (eu só ouvi por cima...) e eu sentia neles aquela coisa que chamam de cumplicidade masculina. Algo me diz que se o Bola nao tivesse este vizinho com quem pode ser homem A SÉRIO de vez em quando, andava com as minhas roupas e usava a minha maquiagem (e falava comigo sobre nuances e sentimentos). Um contava que skydiving é isto e aquilo, o outro dizia que ele tinha era de experimentar subir a uma montanha. Até que eu decidi interromper só para estragar, com a minha voz de menina caprichosa:
- Bolinha, meu anjo, vem lá aqui dar-me um beijinho que tou com tantas saudadeeeees tuuuuuaaaaaas, anda cá meu marotao! Bola ainda olhou para trás dele, nao fosse eu estar a falar com o meu amigo imaginário, mas depois lá veio a trote com o rabinho entre as pernas.
E assim se acabou a cumplicidade masculina de hoje.
Amanha parece que há mais.
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