Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

segunda-feira, dezembro 13, 2010

os meus Velhos, os Velhos de todos nós

Hoje, a meio do trabalho, assim vinda do nada, ela apareceu de novo. Apanha-me sempre desprevenida, vinda do nada, quando eu menos espero. Nao sei de que forma nem porque o meu inconsciente me prega estas partidas, mas acontece-me com alguma frequência, estar numa reuniao, em frente ao computador ou estar a almocar na cantina. A minha cabeca, em poucos segundos, viaja numa cápsula do tempo e que me transporta para fases da minha vida - normalmente da minha infancia - em que eu era verdadeiramente feliz e nao sabia. Não é que hoje não o seja, porque sou, mas tenho responsabilidades, não vivo sem consequências. Sou mesmo muito feliz e até me acho uma pessoa abencoada, que vive numa grande bola de sabão. Deito-me, muito frequentemente, grata pela felicidade que me enche os dias. Mas tenho saudades das pessoas velhas que existiam enquanto eu crescia e que me fazem tanta falta agora que sou uma adulta. Penso nos problemas que os meus velhos tinham e que eu enquanto os tive em meu redor, nunca pude verdadeiramente compreender. Por ser uma criança. Há dias assim, em que estou mais sensível, e enquanto estou encostada preguicosamente na minha cadeira no trabalho e observo, no relógio do pc, a passagem do minuto das 16:41- em que a luz do dia se transforma em escuro - e, assim saído do nada, consigo vislumbrar tão vivamente o sorriso incrível do meu Avô. E os meus olhos enchem-se-me de lágrimas. Por isso, volto-me a sentar direita, comento com a minha colega Já reparaste que hoje anoiteceu ainda mais cedo do que ontem, e depois de ela assentir, continuo a trabalhar. Tenho saudades dos meus velhos. Do cheiro da casa deles, acima de tudo, do sorriso terno. Quando a saudade me apanha desprevenida e me coloca a cara deles no reflexo da janela, eles estao sempre a sorrir. Que Deus nunca permita que eu me esqueca destas imagens. A vida sem amor nao vale nada. E precisamos dele em todas as formas.

6 comentários:

maria zubrowka disse...

A minhoca está de volta, ena que fixe :)

Anónimo disse...

Quis comentar, alonguei-me, "perdi-me" e desisti de o fazer aqui... Mas temos aqui matéria para reflexão. Há demasiados pontos de identidade pelo que o texto seria longo e melancólico. E além disso o dia de hoje e a hora não são adequados a introspecção, pelo que me reservo para mais tarde, talvez para uma conversa em família a dois :) Bjs

Lioness disse...

Muito, muito bonito. Acho que nunca comentei mas sou leitora assídua, e acho graça ao facto de estar na Alemanha, eu fiz um ano de intercâmbio em Karlsruhe. Minhoca às vezes sofre no país das salsichas mesmo!

tina disse...

Minhoca de volta! iupi!

Sei bem do que falas... a minha avózinha de 91 anos, segunda mãe, que partilhou comigo os meus melhores 35 anos, partiu em Outubro e deixou-me um balde sem fundo de lágrimas que se
esvazia pelos meus olhos...

Os avós não deviam morrer nunca.

Anónimo disse...

Tinha tantas saudades tuas :-)

Anónimo disse...

minhoca, não voltas?