Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

domingo, novembro 30, 2008

por cima do meu cadáver

Hoje de manha, o Bola cortava a sua pera aos quadradinhos para a sua taca de muesli, enquanto eu, porque tinha sonhado que já era natal, fritava duas rabanadas para o meu dia comecar em cheio. Estávamos os dois tao bem, silenciosos, cada um a preparar a sua comida. O silencio nao precisava de ser quebrado.
B. - Sabes, cada vez mais cresce em mim a ideia de ter uma playstation!
M. - Bolinha... acho fantástico que crescam coisas em ti. Mas que sejam as acertadas. Eu nao vou querer uma playstation NUNCA.

Bola nao disse mais nada. Entretanto, foi para a internet fazer umas pesquisas, para depois me comunicar que daqui a duas semanas vamos fazer ski. Ele sabe que eu nao sei fazer ski. E frases como entao fazes snowboard, nao sao propriamente encorajadoras. Mas nao quero ser a eterna desmacha-prazeres. Logo agora que ele arranjou emprego e anda tao feliz.

sábado, novembro 29, 2008

diálogos no tema prendas

- Bola, pensa bem, antes de ofereceres uma gravata ao teu Pai este Natal, mais uma vez. O teu Pai vai-se reformar já no ano que vem.
- Mas mesmo depois de reformado, eu acredito que ele continue a usar gravata...
- Sim, mas um pouco de criatividade nao te fazia mal nenhum. Por essa lógica, eu tambem podia oferecer lactacyd às minhas irmas de prenda...
- E nao vais?
- VOU!!

mais perto do urinol

Os meus alunos de ingles deste semestre estavam com a mania que eram espertinhos. As primeiras aulas foram faceis e até eu própria reconheco, pois eu nao via qualquer dificuldade da parte deles. Ontem fiz o habitual jogo dos papelinhos, que consiste em cada um retirar um papelinho, no qual está uma palavra que eles teem de descrever em ingles, sem usar determinados termos, também indicados no papel. Ontem foi só vocabulário relacionado com comida e cozinha e claro que se espalharam ao comprido, o que foi maravilhoso, pois é o meu jogo favorito, que me ocupou mais de metade da aula. Ai nao sabem como se diz talheres?? Mas assim, nao sei o que é que estao a fazer neste nível...
Antes da aula, ainda tive o prazer de encontrar um dos meus alunos a caminho do urinol, pois como na escola onde eu dou aulas nao há WC para meninas, tenho sempre de tomar de assalto os WCs masculinos, saindo sempre sorrateiramente para nao ser apanhada. Ontem, como se ja nao bastasse, o autoclismo nao ter funcionado e ter deixado clandestinamente a minha urina para o próximo, ainda me chapei com um dos meus alunos, um desses que cora quando lhe pergunto quais sao os seus hobbies, que ficou um pouco surpreso por ali me ver. A cara dele é a mesma que eu fazia naquela parte da rua sésamo, em que aparece um jogo difícil, no qual se deve eliminar o que ali nao pertence, uma banana, uma pera, uma laranja e um prego. O prego está pra fruta, como eu para o urinol.

domingo, novembro 23, 2008

french

Hoje a manha soube-me maravilhosamente a Natal. Fui tomar o pequeno-almoco fora de casa, já que há 176 cafezinhos ainda na lista de espera, no meu breakfast round que pretendo fazer aos domingos. O Bola pediu uma french toast e eu aproveitei para lhe explicar que essa french toast sao as rabanadas que se comem em Portugal por altura do Natal. E aproveitei para lhe dizer que se ele já tinha comido ovos mexidos, talvez nao fosse má ideia passar metade da toast para mim, por causa do colesterol e tal.
De tarde, decidi que este ano é que ia ser, tambem eu iria embarcar na onda de fazer biscoitos de Natal. Se moro cá, em certas coisas, tenho de me deixar aculturar. Qualquer dia, até vou para Portugal no Verao de sandália e meia, porque nao?
Depois da primeira fornada e de a massa amanteigada se ter colado ao rolo da massa que nem lapas, eu concluo que realmente biscoitos de Natal é bom, mas come-los e nao faze-los. O Bola ainda quis dar o seu contributo e apareceu na cozinha para me mostrar como se formam os Vanillekipferl, que na altura me fez lembrar o pénis dum recém-nascido. Corri-o para fora da cozinha, pois ele estava a estragar a minha boa vibracao, que normalmente obtenho atraves da preparacao de coisas doces que envolvam forno.
Decidimos ver o DVD dum documentário maravilhoso que fui ver há uns meses ao cinema, que por alguma razao muito estranha, nao foi editado em Portugal. LOVE EARTH. Narrado pelo Sean Connery.

sábado, novembro 22, 2008

(sem título)

Ontem o final da tarde foi todo decidido por mim, razao pela qual foi maravilhoso. Primeiro, porque o Bola se calou e nao implicou com nenhuma das minhas sugestoes. Fomos dar um passeio pelo centro da cidade, enquanto os floquinhos de neve caíam sobre as nossas cabecas. Sentámo-nos num café escolhido por mim, ou melhor dizendo, uma casa de chá, porque aqui cafés no sentido de café, nao há. Bebemos um chocolate quente, daqueles com natas por cima e comemos biscoitos de Natal. Depois fomos ver montras e comprar desentupidor para a banheira (esta é a parte que eu nao sugeri, é óbvio que nao combina com o meu plano de uma tarde maravilhosa). Rematámos com a passagem pelo clube de vídeo, onde alugámos um DVD e depois fomos comer uma pizza. Com a crise, na empresa, ninguem pode fazer horas extraordinárias (sao por lei, pagas), ou seja, toda a gente tem de se por a andar depois de sete horas de servico cumprido. Há desvantagens, mas sair cedo às sextas é uma notória vantagem.

Hoje acordei com demasiada luz a entrar pela casa adentro, facto esse explicado pela quantidade enorme de neve lá fora. O sol brilha na neve e a luz reflecte-se pela casa adentro como se a Nossa Senhora de Fátima tivesse acabado de pousar na azinheira lá fora. Eu detesto neve. Estava tao bom até ontem... comeca o pesadelo dos espalhancos no passeio.

o dilema dos presentes

Acho que já tenho um stock de chocolates tao grande cá em casa, para levar para Portugal no Natal, que comeco a desconfiar que posso ficar presa no aeroporto por suspeita de tráfico. Assim sendo, decidi comprar uns pacotes de gomas para disfarcar. Assim os contents da minha mala rondarao os 70% de chocolate misturado com gomas. eheheheh
Aproveito este post para dizer ao meu irmao, que este ano ele está autorizado a ser ele a dar a prenda preta à nossa Avó. Todos os anos, eu e os meus irmaos trocamos em média cerca de 7 emails e 4 sms em torno da questao o que oferecer à nossa Avó, a quem nao podemos oferecer nada com outras cores, devido ao luto. Portanto, o espectro de possíveis prendas é extremamente limitado. O problema é que o meu irmao antecipa-se e pimba, quando damos por ele, já tem uma manta, pantufas, avental ou meias pretas. E como nao é bonito oferecer tudo com a mesma cor, eu e as minhas irmas ficamos um bocado perdidas. Este ano, eu ja tenho algo que nao é preto, Irmao. E as manas podem-se colar a mim. Pronto, podes sair em busca da prenda da Avó, sem telefonar, mandar mails ou sms. Isto é uma amostra do quao querido eu consigo ser.

terça-feira, novembro 18, 2008

Eu quero é amendoim

Tenho em casa uma caixa de paçoca que está a chegar ao fim. Eu no início, nao gostava, confesso. Os meus colegas traziam do Brasil, punham lá no escritório em sítios estratégicos e eu nem olhava para lá, porque nao achava nada de especial, afinal, amendoim e acúcar...enfim! Mas houve um dia em que o meu corpo pedia desesperadamente por aúcar, deviam ser umas tres da tarde que é a hora a que me dá a fraqueza, e comi tres ou quatro paçoquinhas seguidas para acalmar o desespero. E foi nesse dia que o meu corpo, assim que como que em sinal de gratidao, passou a pedir pacoca. Há fases em que há bastante, pois há muita gente a vir do Brasil, mas agora é uma dessas fases em que ninguem mais trouxe e eu comeco a ficar preocupada.
Tao preocupada que ja nao vou pedir mais livros de quadrinhos nem havaianas. Eu quero é amendoim.

Minhoca de castigo

Tercas-feiras é um dia pesado, man... a partir das quatro da tarde, comeco a olhar para o relogio, a tentar coordenar o trabalho que comeco e posso nao acabar, que me pode deixar pendurada e impedida de sair rumo à escola onde dou ingles. Hoje cheguei mesmo em cima da hora, o que é algo que os meus alunos nao devem compreender, pois por cá os alunos teem a mania de se sentar na sala de aula meia hora antes de a aula comecar. Hoje o tema da aula foram estereótipos, infelizmente o tempo nao foi suficiente para abordarmos melhor os estereótipos dos alemaes, coisa pela qual mal posso esperar na próxima semana. Será que eles sabem das meias brancas e das sandalias? E do mau gosto na moda? Só de imaginar as caras deles de tacho quando eu perguntar se eles sabem se sao conhecidos pelo mau gosto na roupa, sou inundada de uma ansiedade enorme!!
Entretanto cheguei a casa e encontrei o Bola enterrado no sofá a ver um documentário sobre o Pólo Norte. Ah pois, e depois ainda há quem pense que a minha vida é fácil. Saio da casa às oito e chego às oito, nao era justo e maravilhoso eu me poder enrolar na minha manta e ficar a ver toda a trash tv que me apetecesse? Mas hoje isso nao vai acontecer, nao só por causa do Pólo Norte, mas também porque o Bola ainda está chateado comigo por causa de hoje de manha. Eu estava a escovar os dentes na casa-de-banho e ele tinha acabado de tomar banho e estava ainda dentro da banheira, com a cortina fechada, a fazer algo muito tipicamente homem que é sacudir a água do corpo antes de agarrar na toalha. Eu, sempe pronta para a brincadeira apesar das horas matutinas, ao ver o corpo dele a mexer-se movimentando freneticamente a cortina, aproximei-me devagar da cortina, com as maos abertas e de repente, agarro-o por fora da cortina sem ele estar a contar e ele desata aos gritos. Gritos de menina, diriam uns. Quase que escorregou e ficou paralítico, realmente, eu nao penso nas minhas brincadeiras, que malandra que sou. A forma histérica como ele se assustou nao me permitia parar de rir, com a boca toda cheia da espuma da pasta dos dentes. Depois de lhe dizer que dá Deus nozes a quem nao tem dentes, ou seja, dá-me Deus a um gajo que nao aprecia o meu humor, despediu-se de mim de forma azeda, a dizer que nao sabia onde estava a graca. Eu sabia. Estava comigo. Só e apenas. E como o Bola tem memória de elefante, hoje quando me viu entrar em casa, disse-me um frio olá e fez aquele ar que traduzindo significa tentaste assassinar-me na banheira, agora nao ves televisao. Olhem que a minha vida nao é fácil. Já agora alguem que diga ao Bola por favor para nao ocupar a casa de banho de manha, quando eu tenho de sair para ir trabalhar e ele fica refastelado no computador. Alguem, please?

segunda-feira, novembro 17, 2008

daniel craig ou jamie oliver?

Fui ver o novo James Bond, pois nao ha temperaturas lá fora que me impecam de sair de casa para ver e ouvir o Daniel Craig num ecran tao grande como a atraccao que tenho por ele. Confesso que estava à espera de mais. Gostei bem mais do Casino Royale, apesar de o Quantum of Solace ser um bom filme de accao, assim mesmo à gajo, praticamente sem romance. A bondgirl Eva Green teve muito mais pedigree do que a Olga, sinceramente... esta Olga além de um bronze falso, acha que tem de ter o ar de durona que na realidade pertence ao gajo, e nao a ela. Nao gostei.
Para quem quer um bom filme de accao e uma visao do sixpack do Daniel, vale a pena ir ao cinema e pagar os, quanto é que é mesmo por aí.... sete euros e meio? Ah, e o sotaque maravilhosamente british, que lhe vale logo metade do charme.
Para quem nao queira abrir os cordoes à bolsa e sofra de claustrofobia, entao sentem-se no conforto do vosso lar e assistam ao programa do Jamie Oliver. Eu cada vez que o programa comeca, nao consigo tirar os olhos do ecran, nem o sorriso da cara. E parece que nao sou só eu. Neste caso, nada tem a ver com sixpack ou atraccao fatal, mas sim o grande talento que ele tem, só a capacidade de chamar nabos e couves de beautiful é simplesmente contagiante. Depois de assistir ao programa dele, dá-me vontade de ir para a cozinha abracar os legumes e chamá-los marvellous. Pessoas como o Jamie sao felizes, pois nota-se que conseguiram encontrar o rumo para o qual estavam destinados e neste caso, ele encontrou-o na cozinha.

domingo, novembro 16, 2008

brunch girl

Finalmente, depois de tanto tempo a pedir ao Bola que viesse brunchar comigo, eis que ele aceitou, por isso entenda-se, eu reservei uma mesa num café daqueles fofinhos, onde só vao estudantes, avisei uns amigos para aparecerem e ele disse que sim, tá bem, vinha comigo.
Eu sou uma absoluta brunch girl, a ideia de me sentar a um sábado ou domingo de manha a tomar um pequeno-almoco fora de casa é algo que me cativa, com ou sem companhia. Porque se nao houver companhia viva que me acompanhe enquanto barro o meu croissant com doce de mroango, pelo menos o jornal nunca me falha.
E há lá forma melhor de comecar o dia do que com um pequeno-almoco feito por algum que nao nós mesmos e com boa companhia? Quero lé saber do jantar ou do almoco. A minha onda sao pequenos-almocos e lanches. Entao, se for em Portugal é que me perco e quando dou por mim estou sentada numa mesa com uma fatia de bolo de bolacha, um traco de bola, uma torrada e um bolo de arroz, tudo só para mim e com dentadas intercaladas de tudo um pouco. E ai de quem ouse tocar na minha comida.

quinta-feira, novembro 13, 2008

dias que passam devagar

Ter um marido sem emprego deve ser semelhante a ter um filho adolescente. Haverá manuais para o meu caso? Estas mudancas repentinas de humor sao algo a que eu me pretendia sujeitar eventualmente, mas daqui a bastantes anos. E sempre ciente, que no caso de o meu filho adolescente se tornar insuportável, dá-lo para adopcao ou mandá-lo para um colégio interno na Suíca. Ora, o Bola nao simpatiza muito com a Suíca é sempre uma opcao. E sempre achei que essas crises, vindo do sangue do meu sangue, nao seriam tao dificeis de suportar. O Bola tem momentos de euforia em que encontra anuncios que diz nos quais encaixa maravilhosamente. Quando lhe telefonam, ainda mais eufórico fica e tenho de ser eu a puxá-lo à terra e a lembrar-lhe que um telefonema nao é nada, uma entrevista já é melhor, mas certos empregos sao demasiada areia para a camioneta dele, pois pedem vários anos de experiencia na área em que ele tem trabalhado e na qual se tem candidatado.
Entretanto, a título informativo, um litro de gasolina custa aqui 1,23 € e um litro de gasóleo 1,26 €. O mundo anda ao contrário.

sábado, novembro 08, 2008

De telhas percebo eu

Entretanto, depois do choque inicial na semana passada, o Bola acordou para a vida e o seu passatempo número um, depois de me levar ao trabalho diariamente, é enviar candidaturas e currículos, que ele selecciona todas as manhas depois do pequeno-almoco. Manda umas porque quer mesmo e outras por querer fazer festinhas ao ego. Numa dessas festinhas ao ego, ligaram-lhe para o telemóvel a perguntar se ele nao queria ir trabalhar para perto de Frankfurt... ele, a testar a sorte, atirou para o ar um número muito grande do que teria de ganhar num ano para aceitar. Nao lhe disseram logo que nao. Ficaram de falar de novo na segunda-feira.
Bola, tu queres ir para Frankfurt?!
- Nao, mas se me pagarem o que eu lhes disse, valeria a pena investir um ano para poupar algum e ganhar mais experiencia, depois disso eu posso quase concorrer para qualquer lado com muito boas chances...
- Mas Bola.. Frankfurt? Ficas mais perto dos teus irmaos, mas longe de mim?
- Nao te preocupes, agora já tens a Tvcabo, nem te vais dar conta que eu nao estou em casa!

Pois. Apesar de ser uma piada e quase poder ser um diálogo para nova publicidade da Tvcabo, é verdade que ir para um pouco mais longe quando as condicoes sao muito boas, por um ano nao é assim tao mal pensado.
E sim, amigos, a Tvcabo reina de novo no nosso lar. Ontem veio cá a casa um marmelo italiano montar a antena e, quando eu cheguei a casa, disse-me no seu alemao horroroso que já estava tudo pronto, só faltava o cartao dar sinal. Depois passei-lhe para a mao duzentos e cinquenta euros, e antes de largar as notas na mao dele, disse que caso isto amanha ainda nao funcionasse, me ia ter à porta da loja dele, armada. Armada em chata, queria eu dizer. A Tvcabo já funciona, as novelas daTvi sao horrorosas e aqueles diálogos dao-me sono, o que nao é assim tao mau. Nao consegui ouvir nada sem me perguntar a mim mesma há tres meses isto eram assim tao mau, já? O Carlos Pereira continua com aqueles tiques quando fala e a Rita Pereira é muito emocional, mas tudo o que dizem é tao piroso e previsível que sinceramente, dá vontade de nao querer ser mais esta jovem romantica que sou, que adormece com novelas.
Quando perguntei ao Bola como se sentiu por ter estado pela primeira vez sozinho com outro homem no telhado, ele nao se riu, arqueou as sobrancelhas. Nunca mais deixo o Bola sozinho no telhado com outro homem. Primeiro, porque quem deveria ter tido essa experiencia era eu e segundo, porque ele nao se movimenta no telhado com a astúcia com que o Humpty Dumpty se psseia pelo seu muro. Já de telhas, percebo eu.

nunca se é velho demais para o gibi

Será que eu algum dia vou conhecer o Maurício de Sousa? Gostava tanto!
Os meus colegas do Brasil, com quem eu contacto quase todos os dias enviaram-me um 'gibi' da turma da Monica, depois de eu ter pedido umas dez vezes. Foi uma alegria poder voltar a ler novas histórias de quadrinhos com o Chico Bento, a Magali e o Cascao.
O problema é, querido diário, eu leio uma história de cada vez que me sento na sanita por mais de dois minutos. E o gibi tem 15 historinhas de uma página. Já só restam tres.
:(

quarta-feira, novembro 05, 2008

Oba! Oba!

Confesso que gostei muito do discurso do Obama e que senti qualquer coisa inexplicável, mas boa. Ele é uma mistura de Lincoln com Martin Luter King e com mais um nao sei que de Kennedy.
É o típico gajo a pedir para ser alvejado, pá!

segunda-feira, novembro 03, 2008

pela minha família, vá lá

Pois. Assim vai ser a minha vida nos próximos meses. A tentar animar um Bola deprimido, com cara de enterro e a olhar para a janela, pensativo. Tenho de prestar atencao para o caso de ele deixar de fazer a barba ou passar as manhas na cama. Por essa razao é que hoje nao me importei que ele me fosse levar ao trabalho, mesmo tendo ficado quinze minutos plantada à espera dele e ter quase desatado aos gritos por ele ir taaaaaaoooo devagar e parar nos semáforos todos. Eu já conheco os semáforos todos, ONZE, que me desafiam a viagem todos os dias de manha. E já sei como os fintar, sei que entre tres seguidos, nao preciso de parar nunca nos tres. Isto quando sou eu a conduzir. A ouvir os hits do Lionel Richie na rádio às oito e meia da manha.
Mas a verdade é que até eu perdi a fome e hoje nem fiz cocó. Quando nao faco cocó, é porque estou tao triste que o meu intestino diz que assim nao pode ser. Também nao bebi café o dia inteiro. Estava tao fora de mim que até comi strudel de couve-de-bruxelas, portanto posso nao ter feito cocó hoje, mas com couve-de-bruxelas, quando fizer, vai ser pela semana toda.
- Bola, podias ter escorregado à porta de casa e caído duma forma que te deixasse paralítico, ou podias ter uma doenca tao grave em que nem quatro semanas de vida te davam, ou podias ficar de rastos por eu te dizer que ja nao gostava de ti e que ia fugir com o Sven da oficina das biciletas...ou com a Janine da padaria. (qual preferias?) Bola, há tantas coisas bem mais horríveis do que perder um emprego de que nao se gosta!
Tento pensar em coisas assim horríveis, mas ele já nao está a achar muita piada. Diz que precisa de tempo para se habituar à ideia.
- Bola, no meio dessa melancolia vai mandando algumas candidaturas. Pela minha Mae e pelos meus irmaos, vá lá...eles imploram!
- A tua Mae, os teus irmaos...?
- Sim, Bola, é que agora que foste despedido eles vao ter de fechar o meu Pai à chave na casa-de-banho, pois ele já tem mais uma razao para passar o dia em torno dos males do mundo, do capitalismo, da crise, e qualquer dia compra uma casa de colmo em Cuba e tenta arrastar toda a gente para perto do Fidel.
Tudo vale para o fazer rir. Ele merece.
Quanto mais nao seja por todas as outras vezes em que tambem se esforca para me fazer chorar.

domingo, novembro 02, 2008

Temos de falar

É uma daquelas frases. Sexta-feira, tinha dois mails na minha caixa de correio do Bola e duas chamadas nao atendidas. Como até hoje, a única vez que em que ele disse temos de falar, foi quando ele me disse que tínhamos de nos livrar dos gatinhos que eu havia recolhido numa quinta e levado para casa, eu vi logo que o assunto se anunciava sério.
- Fui despedido - diz-me quando lhe ligo de imediato.
Depois do porque, como, quando, quem, lá me acalmei. No início, tambem algo me parecia nao estar a encaixar bem. A empresa onde ele está nao estava com dificuldades financeiras, estao contentes com o trabalho dele, etc. Se há alguem com vontade se de despedir é ele próprio, mas nao convidarem-no a sair. Nao fazia muito sentido. Mas, há coisas que realmente podem mudar com uma rapidez enorme e depois do murro no estomago, é preciso algum tempo para digerir.
- Bola, nao fiques triste. Estás longe de casa, já nao gostas do teu trabalho há imenso tempo e ainda te dao uma indemnizacao para saíres. Nao é assim tao mau, vais ver... além disso, ficas com tempo para pensares na tua vida, leres, ires ao ginasio e ao cinema e fazer o que todos os desempregados neste país em determinada altura do desemprego fazem: encostar-se à sombra da bananeira que é o estado alemao.
De modo que o meu fim-de-semana tem sido a procurar anuncios de emprego às escondidas e a tentar provar por A+B que há males que veem por bem e ser despedido nesta altura pode nao ser razao para rejubilar de alegria, mas há mudancas que comecam mal mas acabam bem.