Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

segunda-feira, junho 09, 2008

estes italianos que embrulhem

Ora bem, como todos os alemaes, eu hoje estou a rejubilar de alegria com a tareia que os holandesas deram aos italianos. A euforia é tanta que nem tenho sono, há pouco estive a dancar na varanda com o ipod a tocar aos berros o mercy da Duffy, acho que os meus vizinhos já conhecem a coreografia. Depois de dancarmos agarradinhos o I'm begging you for mercy, larguei o meu parceiro (= a Vileda) e voltei para a tábua de engomar, pois com esta caloraca, isto só dá para engomar depois de o sol se por. Antes disso, é arrastar-me pela casa em t-shirt e cuecas, perguntando ao bola dez vezes se ele nao acha que está muito calor, se nao me quer fazer mais um smoothie.
Depois de já muito se ter dito e escrito acerca da prestacao da equipa portuguesa no sábado contra a Turquia, também eu insisto em tecer algumas consideracoes. Ora, o Simao é um gajo esforcado. Até lá no trabalho, as minhas colegas me disseram que esse 'Simau' tinha bastante graca e um cabelo que elas gostariam de pentear com os dedos. Uma ex-colega minha e amiga, tem há vários anos uma paixao pelo Nuno Gomes e diz que lhe parece que os anos nao passam por ele. E que pena, ele já nao dar aquele beijinho na mao depois de marcar um golo. É porque nao tem marcado golos, expliquei-lhe eu. Agora, em relacao ao Cristiano Ronaldo, esse espécimen sobre o qual milhoes de olhos se fixam sempre que a Bola lhe vai parar às pernas, eu queria fazer uma pergunta. Porque é que ele quando o jogo, melhor dizendo, a finta nao lhe corre de feicao, ele diz merda e depois faz cara de sex doll, nao sei se estao a ver, assim com a boquinha semi-aberta, com um ar explícito que traduz se é pra isto, nao brinco mais...? Além disso, o manager dele ainda nao concluiu que para um gajo a quem sao oferecidos 73 milhoes de euros para mudar de clube, já se exige um penteado decente e nao aquele cabelinho piroso a enrolar no pescoco? É que é chato uma pessoa ter de pensar que antes do jogo, alguma fan lhe lambeu a cabeca assim daquela forma. Já para nao falar que prejudica um bocado o turismo na ilha na Madeira, essa ilha tao bonita e tao bem falada aqui nas Salsichas.
Como bom pássaro Avelar que sou, deixem-me transmitir para os lados daí o que se diz por cá. Os alemaes adoraram a performance dos portugueses. Incluem Portugal nos Favoritos, com F grande! O Bola foi ontem comprar um kebab e perguntou se nao tinham com uma bandeirinha de Portugal. Ganda Bola. Arriscar-se a levar uma tareia das grandes, mas com um grande orgulho do seu, meu, nosso Portugal. Alem disso, sinto que o Bola está a ficar um gajo com piada. Afinal, este casamento pode chegar à velhice, contrariamente ao que se diz por aí. Acho que nao será boa ideia assistirmos ao jogo juntos, caso a Alemanha e Portugal se confrontem, mas pra já somos todos amigos, differences forgotten, let's not mention the war.
Outra coisa da qual nao me posso esquecer. Se por acaso estiverem tristes e a precisar de rir um bocado, pecam a um amigo alemao que tente pronunciar o nome do Eusébio. É engracado, mas se calhar eu nao conto, porque sou uma pessoa de sorriso fácil. À menor palermice e já me estou a rir, como se tivesse acabado de engolir um palhaco.
Alguém viu o Maniche?

quinta-feira, junho 05, 2008

Long live the cock!

Hoje foi um dia bom, se compararmos com o de ontem. Os meus colegas ficaram radiantes quando lhes atirei com um chourico para cima da mesa, que eu cá sou fina quando toca a souvenirs. Para a próxima levam um galo de Barcelos, até porque desde há poucos anos a esta parte que o galo renasceu, ou é de mim? Será que só eu me dei conta do Barcelos cock reloaded? Desse galo que de repente deixou de ser a peca de louca das cozinhas das aldeias para passar a estar em t-shirts, boxers e pijamas (?) e numa vasta gama de artigos que saem para fora dessas mesmas cozinhas. Falta-me o paliteiro. Long live the cock! Alguém me consegue arranjar o fato de galo para o próximo Carnaval?

Bom, este segundo dia da ressaca regresso-pós-traumático foi mais leve. Comi um pacote de bolachas coríntias enquanto trabalhava durante a tarde e digo-vos que sim, a comida afoga mágoas. Os meus amigos de hoje foram o naco de queijo que a minha Mae me pos na mala, a alheira de Mirandela e metade dum palmier com creme de ovos que escapou às maos do Bola, pois creme de ovos é algo que tem de se aprender a apreciar e no tema ovos moles, o Bola falha como notas de mil escudos. (claro que ainda existem)

Estou a lavar na máquina a minha bandeira de Portugal que tem estado no fundo do cesto da roupa para lavar desde 2006. Do outro lado da rua moram turcos. Nao sei bem que fazer. Tenho medo de por a bandeira antes do jogo, porque temo pelos ovos podres que me poderao atirar no final do jogo se a Turqui ganhar. Mesmo assim, pedi hoje aos meus alunos para me escreverem num papelinho os prognósticos para os jogos todos deste fim de semana.
Já falamos de tristeza, comida e futebol, agora chegou a parte da música. Partilho com voces um vídeo duma miúda que está a dar que falar aqui nas Salsichas. Muito se tem escrito sobre ela, especialmente que tem um ar muito decente, uma óptima voz e para minha surpresa, pouco sex appeal. Depois de verem o vídeo pela segunda vez, especialmente o primeiro minuto, com certeza vao discordar. Eu sempre que oico a música, da-me para ir a correr atrás do Bola para lhe saltar para o colo com o mesmo yeah yeah yeah...

quarta-feira, junho 04, 2008

jet lag sentimental

Depois da festa, vem a ressaca, que é como quem diz, depois de quase duas semanas de férias, estou de volta ao trabalho, assim a frio, chegando a casa às tantas da noite, tendo que ir logo trabalhar no dia seguinte. Foi um dia um bocado pesado. Quando soube que ia ter formacao de manha, confesso que temi pela minha saude mental. E enquanto ouvia falar o gajo monocórdico que dava o tema de hoje (qual foi?), apercebi-me uma vez mais que estar em situacoes destas a morrer de sono, chega a ser doloroso. O corpo perde misericordia, relembra-me que dormi 5 horas (se tanto) e que como ainda ontem estava em Portugal, talvez nao tivesse sido má ideia passar o dia de hoje em casa. Chegassem os meus dias de férias para luxos desses! Mas sempre é pior do que correr o risco de chamar as minhas colegas de Pai ou Mae. Hoje estou, portanto, em camara lenta. O tempo esta chuvoso mas quente, de tal forma húmido que acredito ser possível o meu corpo colar-se à cadeira.
Em Portugal bebi 10 galoes em sete dias. Continuo a achar uma grande cara de pau quando me fazem um galao - 3 vezes - com café velho, só com a borra, e só tive coragem de me queixar ontem, no aeroporto, por este me ter custado dois euros e vinte. Uma coisa é a TAP cobrar-me 65€ por 5 kilos de bagagem que eu levava a mais, isso sim é uma forma digna de a empresa comecar a poupar uns trocos - tentei em momentos de fúria, pensar que esta cobranca à descarada é com intuito de salvar empregos - , agora os cafes pouparem nos galoes fazendo-os intragáveis, isso já é mais gritante e inquietante.
Mas como nao me sinto em condicao psicológica boa q.b. para estar a escrever alguma coisa com piada, acho que vou dormir. Só para nao pensar que vim novamente para longe, onde tenho o Bola, mas onde me continua a faltar uma mao cheia de outras pessoas que ele nao pode nunca substituir.
Sobre os palhacos que foram em peregrinacao atras do autocarro da seleccao portuguesa, expressar-me-ei assim que os animos voltarem ao de cima. Acima de tudo, interessa-me saber o que disseram lá no emprego.

segunda-feira, junho 02, 2008







Roderick

Há alguns indicadores que nos vão dando a entender, a partir de uma certa idade, que estamos mesmo mais velhos. Por exemplo, preferir locais isolados, no meio do nada, onde o som do sino das vacas é verdadeira música. Outro exemplo, é assistir ao concerto do Rod Stewart em directo na televisao e ATÉ GOSTAR, aliás, mais preocupante, é que eu dei comigo a achar o Rod sexy, por ele se saber abanar os quadris.
Alguém que me dê já dois pares de estalos! Eu depois de ver a figura que a Amy Winehouse fez, tenho estado a apreciar os outros concertos e acho tudo muito boas interpretações. Outro sinal de estar claramente mais velha é preferir ver o concerto do conforto de casa, sem os empurrões, os ataques de agorafobia, em pantufas, óculos e enquanto faço as sobrancelhas. É que dá muito mais jeito. Para quê ir para o meio da confusão cheirar os sovacos alheios, levar cotoveladas e ter de me esforçar muito para comprar uma sandes?
Queria só sugerir aqui, para quem me lê, que acho que o Rod Stewart já podia perfeitamente ter sido convidado para fazer publicidade a produtos para o cabelo, com esta idade e ter spiky hair, porque é que isto nao ocorreu a ninguém?!

quinta-feira, maio 29, 2008

que tristeza

Ontem estive em Viseu, mas eu devia era ter lá ficado para hoje ir de bandeirinha na mão acenar ao Cristiano. Confesso que esta pré-euforia, com nova saga de bandeiras e quinas por todo o lado, já me começa a irritar um pouco. Não dá para voltarmos aos Pai-natais a subir pelas janelas? É que nem era má ideia de todo, já que a Imperial já está a fabricar as fantasias para o próximo Natal. Esta informação vem de fonte segura, da minha Mãe que foi ontem visitar a fábrica, um destino incluído na minha lista 100-coisas-para-fazer-antes-de-morrer. Se não for essa, pode ser a fábrica da Olá.
O Bola é tão amoroso e gosta tanto de me dar provas de amor nos momentos certos, que hoje me ligou às seis e meia da manhã.
- Bom diiiiiiiiia! Hoje vou mais cedo trabalhar porque tenho que fazer isto e aquilo e bla bla bla... (nao posso ser precisa quanto a coisas ditas a horas escandalosas, i.e. antes das oito da manhã)
- Bola... tu tens noção que aqui são seis e meia, ainda nem isso...? Tu .... ACORDASTE-ME!!! Mas nem a 2800 km de distância me deixas dormir?!?!
Bom, relembrei-lhe que o nosso casamento pode depender de acidentes de percurso desta gravidade. Espero que ele não volte a repetir a proeza. É que depois já não consegui dormir em condições, porque depois os meus intestinos acordaram também a relembrar-me da quantidade também escandalosa de ovos moles que comi ontem. Mas é tão boooooooooom... o colesterol é algo inventado por pessoas, cujo hobby é destruir o prazer de comer. E pessoas dessas estão espalhadas por todo o lado. São resmas delas. São essas e aquelas que repetem dez vezes ao dia a máxima do momento isto está muito mau. Esta frase está a um triz de ser classificada oficialmente como parte da gíria portuguesa. Esta frase ameaça tornar-se mais populucha do que termos como 'fixe' e 'bué', que foram palavras com muito sucesso na última década, sob o ponto de vista da evolução semântica do português. Vocês vejam lá isso. É que isto está mesmo mau. (o tempo, diz-se)

ao engano

Os dias com o Bola na montanha foram bem passados. Tínhamos a nossa cabana no meio do prado, com uma vista fantástica para os Alpes e um ar maravilhosamente fresco. Todas as manhãs, tomávamos o pequeno-almoço na varanda, com o sol a banhar-nos os braços e o som dos passarinhos e dos sinos das vacas ruminando mesmo à nossa frente. O Bola fazia o café, ía ao pão e esperava-me sentado cá fora, a ler o jornal. Andámos muito a pé, passeámos pela zona do Tirol e no sábado fomos fazer uma caminhada que se transformou em escalada. Eu nao tinha lido convenientemente o livro que o Bola tinha comprado. Eram caminhadas NA MONTANHA. E eu escolhi a mais curta e uma da categoria FÁCIL. Quando o passeio começou, eu não queria acreditar que o Bola estava mesmo à espera que eu andasse TRÊS HORAS a subir uma montanha, ou seja, a PIQUE. Mas como eu tenho de o acompanhar nas coisas que ele gosta, para poder por exemplo, garantir a sua companhia para o cinema sempre que hajam comédias românticas e especialmente agora que o inimigo mora ao lado (a vizinha) e é um inimigo que certamente sobe montanhas, corre na lama e no fim ainda faz 346 abdominais (só com um braço), ... eu tinha uma mão cheia de motivos para subir os 600 metros que tínhamos acima de nós sem me queixar.



Mas não foi fácil. Várias vezes, achei que o meu coração me ía saltar pela boca fora. Outras vezes achei que eram apenas arritmias. Outras vezes, era a lama nas zonas mais irrgulares, a desafiar a densidade dos meus ténis. Outras vezes, sentia as minhas pernas a tremer, pedindo-me misericórdia. Mas ignorei-as. No meu delírio, eu apenas via a minha vizinha, fardada, a subir a montanha de bicicleta com o Bola enquanto conversavam alegremente montanha acima. Quando há motivações destas, eu não subo só as montanhas, sinto-me capaz de as mover!




O Zwieselgipfel foi o nosso destino. A segunda foto é da vista à medida que subíamos.

quarta-feira, maio 28, 2008

vim aqui e já volto

Ando por terras lusitanas. Vim assim de repente, sem avisar, como expliquei às minhas colegas no dia em que comprei o meu bilhete no site da TAP, para que os meus pais não tivessem tempo de ir a correr fechar as persianas ou deixar o telefone tocar, com medo de eu montar a minha tenda e tão depressa não me ir embora. Vontade não me falta.
Contrariamente às minhas expectativas, o tempo não está como era suposto. Toda a roupa que tenho na mala vai lavadinha e engomada como está, de volta à minha gaveta, na minha casa, pois está-me a querer parecer que enquanto aqui estou só me vou servir do pijama e do casaco de malha polar. Parece Outono. E lá nas salsichas brilha o sol. E depois é uma chatice porque este tempo só é bom para ir pros centros comerciais. E depois o problema é a minha carteira, ou melhor dizendo, a minha consciencia de Minhoca pouco esbanjadora.
Sabe bem estar de volta. A comida sabe bem, o ar cheira diferente, cheira a casa. As pessoas andam com coisas bonitas, bem arranjadas. Falam porém, alto e em sítios em que se espera algum nível de customer service, falam umas com as outras sobre assuntos menos próprios. Com todas as coisas que me incomodam neste país, é aqui que me reencontro, que parece que posso ser eu novamente. Gosto de ouvir as conversas por detrás do meu ombro, no café, no comboio, no sapateiro. Gosto de constatar nas revistas cor-de-rosa que no meio social lisboeta já há mais umas dezenas de actrizes e relações públicas. Na minha ausência, tenho a certeza que a profissão relações públicas, se foi aproximando cada vez mais do seu signficado directo. Ter relações, que são públicas, portanto. Basicamente, jovem, também TU podes ser uma relações públicas! Basta chamares-te Quica ou Tita. Ou Micá. Ou Bibá. Hoje li pela primeira vez o Diário de Notícias e encontrei tantas incongruências que concluí que o mau jornalismo está em cada esquina. São pequenas coisas novas.
Tá tudo maluco com o preço dos combustíveis. Fala-se na pobreza. Na Alemanha também. Só ainda não vi filas para atestar o depósito. Mas nada me vai deprimir nestas férias. Dêm-me um galão e meia torrada e sou uma Minhoca feliz.

quarta-feira, maio 21, 2008

a última do pacote


Ontem enquanto fazia o meu clássico bolo de laranja - muito banal em Portugal, mas aqui uma iguaria quase de calibre conventual - pensava em qual teria sido a alegria da pessoa que descobriu o fermento, quando de repente se apercebeu que a reaccao química era fazer a massa crescer. Até eu, quando olho do lado de fora do forno e vou vendo o tamanho do bolo em erupcao quase, sinto uma alegria inexplicável, imagino a do gajo que descobriu o baking powder ... e acho que no que toca a ver coisas aumentar de volume e sentir alegria, é melhor ficarmos por aqui.
Tou de maleta feita para quatro dias na montanha. Levo várias coisas acabadas em ... de sobrevivencia. Livros de sobrevivencia, bolachas de sobrevivencia, cobertor de sobrevivencia e acho que se tivesse um daqueles canivetes com bom aspecto, o metia enfiado na meia, esta por sua vez no meu pé e o meu pé enfiado numa bota digna de caminhadas na montanha. Já me sinto feliz por ao fim de dia ter à minha espera uma cama que nao se encontra numa tenda de campismo, mas sim num confortável apartamento kitsch. Com bibelots, como eu gosto. O importante mesmo é encontrar o meu caminho de volta para a casinha kitsch. Levo um saquinho com migalhas que pretendo ir distribuindo ao longo do meu percurso. Sei que o Bola tem intencoes de me levar, mas sobre trazer-me de volta nao foi falado nada.
Malta, estou de volta na segunda-feira e prometo ter muito para contar. Assim tipo um peixe pescado por mim e assado na fogueira ACENDIDA POR MIM.
Até lá, partilho com voces mais uma tirada desta variante tao bela que é o portugues do Brasil, pois estas coisas devem ser partilhadas, especialmente agora que tivemos de nos render ao acordo ortográfico.
Frase para nos referimos a uma pessoa convencida: Esse cara tá se achando a ultima bolacha do pacote.
Eu ainda disse à minha colega que isso nao faz muito sentido, pois a última ninguem se atreve a comer, por delicadeza. Ela disse que no Brasil isso nao existe, que toda a gente quer devorar a última bolacha, seja qual for o pacote. Pronto. Sao culturas!
Mas se me permitem um desabafo, já estou um pouco moída - eu, pessoa fina - de ter de ouvir putakipariu a cada dez minutos durante o expediente. Eu nao gosto de palavroes. Encolho-me toda como se alguem tivesse feito o giz chiar no quadro de xisto. Elas reagem com um deixa di frescura minina!

domingo, maio 18, 2008

Perigo iminente

Ouvir os gritos das andorinhas deixa-me incrivelmente feliz. Lembro-me de andar na escola e acordar com os gritos das andorinhas quando o Verao ainda estava a comecar. Lembro-me de quando era mais pequena, o meu Pai me levar a mim e aos meus irmaos para a varanda do quarto com o pacote de algodao e nos mostrar como podiamos pegar num bocado, abri-lo para que levitasse no ar morno, e depois esperar até que uma andorinha o apanhasse. Acho que é por essa razao que gosto tanto de ouvir as andorinhas, aliado ao facto de aqui nunca me ter apercebido que elas tambem chegam.
Bom, mas apesar de hoje estar um dia deprimente e chuvoso (as andorinhas lá se safam pelo meio da chuva, ou entao apercebem-se agora que se enganaram no destino e que tambem precisam de GPS), nao vou passar a tarde no tema saudades, pois esta semana o tema é os quatro dias para a montanha e tenho de me preparar fisica e psicologicamente.
Ontem tivemos churrasco cá em casa. A vizinha de baixo veio e trouxe os pais, e vieram mais 4 amigos nossos. Foi animado, se excluirmos as vezes em que a Mae dela fez observacoes muito semelhantes a esta:
(para o Bola)
- Ai gostas assim tanto de alho...! Que engracado, a minha filha também. Minhoca, tu ve la, porque onde há cheiro a alho, a minha filha vai atrás.
Durante o resto da noite, ouvi mais tres vezes comentários parecidos, aos quais sorri amarelamente, variando a parte do alho. Spare ribs foi outra. Só faltou mesmo caminhadas. Mas como ela usa farda e corre dez quilómetros por dia, nao lhe deve ser dificil subir a montanha e desce-la num dia. Alem de boa preparacao, ela tem um cabedal que no caso de isto chegar a confronto físico, garante que eu vou ficar passada assim género envelope. Durante a tarde ainda fomos buscar um grande naco de pao à padaria, pois ela faz hoje anos e a Mae dela pediu ao Bola se lhe podíamos fazer esse favor, pois a sua princesa desde tenra idade que nao pede bolo de anos, mas sim um grande naco de pao. Vai daí, à meia-noite cantámos os parabéns e comemos todos uma fatia de pao barrado com queijo creme.
Ultimamente, sinto que me tornei numa minhoca bem mais amorosa para com o Bola. Mas mais amorosa me vou tornar para com a minha nova vizinha. Mas eu juro que simpatizo com ela. Mas se o Bola voltar a grunhir de prazer depois de provar a sobremesa dela e nem sequer tocar na minha, aí agarro na vizinha e vamos lá fora resolver isto as duas.

sexta-feira, maio 16, 2008

abaixo de nós, voltou a haver movimento

Ter vizinhos é bom. Especialmente quando sao daqueles com piada, simpáticos, com quem se pode passar um bom bocado. E levar um cao emprestado. Ter vizinhAs tambem é bom. Mas deixa de ter tanta graca quando o nosso companheiro - sim, aquele a quem damos o nosso amor - lhes acha piada. A minha nova vizinha é de facto muito simpática. Dois dias depois de nos ter conhecido e entrado de pé descalco pela nossa casa adentro para ver a cor das paredes e a nossa varanda, colocou-nos na porta da casa um saquinho com guloseimas americanas. Desde bolachas daquelas tipo subway, passando pelos famosos reeses e toda uma gama de coisas à base de manteiga de amendoim, que encaixam perfeitamente nesta minha tentativa de dieta número 134. Além de a vizinha americana ter os doces de que o Bola gosta, ela possui algo com que eu nao posso competir. Ela usa farda, ela é militar. E isso, sabemos nós, faz parte da fantasia de qualquer representante do sexo oposto, embora muitos morrerao sem nunca o ter admitido. Quando eu já tinha razao suficiente para fanzir a sobrancelha sempre que o Bola me falava na nossa vizinha, eis que hoje, quando ela aqui veio jantar com os pais dela, descobri que alem destes dois factores existentes e de grande peso - farda e guloseimas - existe um outro que juntanto aos anteriores a torna num potencial perigo, especialmente se o Bola achar que eu sou frequentemente chata. Ela apareceu com um decote tao fundo, que a certa altura eu quase que lancava as maos para o prato dela, nao fossem a sua prateleira cair em cima da comida. Eu gosto da minha vizinha, quanto ao Bola, vou ter de arranjar motivos para ele deixar de gostar tanto.

O Verao por cá

Nao sei em que botoes é que controlar os estores automáticos, pelo que tenho o sol a bater no meu monitor e com isso, nem sequer me apercebo onde foi parar o cursor. Enfim, nao interessa. Desde quando é que os génios precisam de reler o que escrevem? Eu precisava.
Depois de uma semana de oito dias consecutivos com sol, ceu azul e as temperaturas a rondar os trinta graus, chegou a altura da habitual punicao. Nao sei se nas diversas consideracoes que tenho feito sobre o tempo no País das Salsichas, já me referi a esta questao, que nao deixa de ser interessante. Nunca passa uma semana banhada de sol no País das Salsichas sem que imediatamente após oito dias, no máximo, chova torrencialmente. E o dia em que chove torrencialmente é hoje, parece. Fica abafado, comeco a sentir a pele a colar-se à roupa e a transpirar por todos os poros, que desde que descobri que a minha tiróide é lenta, uso como desculpa para todo o meu muito ou pouco suor.
Ontem passei a noite no meu quartinho do cemitério e agora que se sente a Primavera por todo o lado, é ainda mais agradável ficar por lá, pois o ar cheira a flores e acordo com as galinhas, um pouco contrariada, mas elas nao se calam mesmo. Quando fui buscar a chave à tia Ingrid, reparei pela primeira vez que ela deve ser mesmo surda. Eu estou ali em frente dela e ela fala comigo aos gritos, como se eu estivesse duas ruas abaixo. Ainda olhei em meu redor, nao fosse ela estar a falar com outra pessoa qualquer, mas nao, era mesmo comigo. Portanto, calculo que todos os vizinhos tenham ouvido aquela parte do 'esqueca lá o euro que falta, que eu ofereco'.
Aproximam-se uns dias animados, para os quais era bom que o tempo ajudasse. Eu e o Bola temos uns dias a sós planeados agora para a semana que vem. Dia 22 de Maio é feriado e decidimos fazer ponte e ir 4 dias para a montanha, melhor dizendo Starnberg, que é uma zona maravilhosa, a sul de Munique, com um lago fantástico. Ah, e as montanhas. Ele está muito entusiasmado, especialmente desde que comprou um livro com a descricao de todos os caminhos que podemos fazer a pé em torno das montanhas. O nosso entusiasmo é, pois claro, indirectamente proporcional. Se sao dias de férias, porque é que eu os iria querer passar de língua de fora, a transpirar que nem um porco, a incomodar músculos que há muito que deixei de ter?! Nos meus sonhos, idealizei estes dias acordando de manha por volta das dez, tomando o pequeno-almoco na varanda do nosso quarto, com uma vista suprema. Depois via-me esticada numa toalha de pic-nic no meio do prado, a ler e a apanhar sol. Ao meu lado, o Bola preparava o nosso pic-nic, barrando fatias de pao com manteiga. Num destes sonhos, ele espremia sumo dumas laranjas, com o espremedor manual que tinha levado para o efeito, mas pronto, nao precisamos chegar a tanto. Num dos dias faríamos um passeio de barco pelo lago e noutro iríamos ver o gado a pastar. Será que era pedir muito? Para que as caminhadas? Eu até gosto de andar a pé, mas a direito, nao , a ideia de subir uma montanha nao me apraz. Por isso, procura-se menina simpática e com interesse pelo desporto para me substituir em todas estas ideias que o Bola tem, nas quais o meu corpo se recusa a acompanhá-lo. Com interesse pelo desporto, mas assim pro gorda e feia, se possível.

segunda-feira, maio 12, 2008

Nao tenho pedal pra eles.

Ora mais um fim-de-semana com a família do Bola, que é aliás também a minha. O avo do Bola festejou os seus 85 anos e foi uma grande festa. Aqui no País das Salsichas - sim, com letra maiúscula - é comum, quando se festejam idades redondas e se mora na mesma aldeia onde se nasceu e se é conhecido por todos, toda a gente ir a casa da pessoa dar os parabéns. E assim foi, foram os amigos dele, o padre, o coro e a banda. Eu entretive-me a maior parte do tempo a fazer sandes em tempo record e a observar quantos litros os velhotes amigos do avo conseguiam mandar abaixo num espaco de dez minutos, sem se perderem na conversa que estavam a ter. Claro que sempre pronta, caso fosse preciso, a agarrar num velhinho e prestar primeiros-socorros, pois quando a média dos convidados passa dos oitenta anos há que tomar precaucoes, a gente nunca sabe. No dia seguinte, quando estávamos em família a plantar uma árvore no jardim, até me saiu uma piada fantástica da qual nem todos se riram (timidez) que foi mais ou menos uma referencia às fotos que alguém estaria a tirar com alguns de nós de pá e enxada na mao. Mais tarde, quando ja ninguem se lembrasse do que estaríamos a fazer na foto, se podia sugerir que estávamos a enterrar alguns dos convidados que nao sobreviveram. O humor negro nem sempre é mal motivado.
A alegria de ontem foi quando depois de mais um dia sem fazer nenhum, chegados a casa, o Pai e Avo do Bola encontram no meio das prendas de aniversário uma garrafa de Schnapps de cereja de 1990. Posso jurar que o Bola até ficou com os olhos em água de tanta emocao. Ninguem conseguiu explicar de onde a garrafa tinha vindo, mas menos misterioso seria explicar para onde a garrafa foi.
Pela primeira vez, admiti perante os alemaes todos la em casa que nao tenho o estofo deles para a bebida, que eles bebem até cair pro lado, sendo que nunca caem e eu sou uma menina do coro, que até tusso ao segundo gole de cerveja. Nao tenho pedal pra eles. Desisto.

quarta-feira, maio 07, 2008

saia mais um chorizo por favor

ePorque há mais umas músicas de Verao do que outras, aqui fica mais uma. Esta combina melhor se tiverem um carro velhinho, onde o botao do ar condicionado é a alavanca de abrir a janela. A minha prima mandou-me um chourico pela minha tia simplesmente M A R A V I L H O S O !!! Estive a cortá-lo aos bocados para a congelar e o cheiro entranhou-se-me nas maos que isto nem levando sai, e ainda bem, porque é um cheiro divinal. Se houvesse esta fragrancia Chourico em frasco, confesso que comprava um vaporizador.
Bom, adiante para outros temas. Estive a ver na televisao imagens e entrevistas deprimentes com alguns estudantes da Queima das Fitas no Porto. Deixem-me que vos diga, a Queima das Fitas é em Coimbra e ponto final. No Porto, é uma imitacao barata, nao tem tradicao. A própria cidade do Porto é grande demais para ter um ambiente próprio de Queima das Fitas. O mais engracado foi que desta vez ver na televisao nao me deixou triste. Já nao me disse nada. É uma fase mesmo que ficou para trás. A Queima só tem mesmo graca quando ainda se é estudante. Quando ainda se está à espera do desemprego, portanto.

cinco minutos de fama

A tentacao para postar durante o trabalho tem sido muita, mas nao posso ceder. É a desvantagem de trabalhar no departamento da América Latina.
O fim-de-semana foi sempre em movimento, pois em 48 horas era preciso mostrar às nossas visitas todos os locais bonitos em Bayern, contando com aquele em que eu moro. Os dias foram bonitos, mas só hoje é que as temperaturas atingiram aquilo que eu considero ser mesmo quente, ali à volta dos 25 graus. Cheguei a casa há coisa de meia hora, e só depois de estar como vim ao mundo na banheira, de bóia e patinho amarelo, é que me apercebo que a água havia sido cortada. Estou portanto privada de água, do Bola e de comida. Irei sobreviver? Tambem nos privaram do aquecimento desde sábado, mas algo me diz que foi automaticamente, pois este país é frio, mas nao se espera que em Maio os radiadores estejam ligados. Até pelo aquecimento global e tal.
Até ao fim-de-semana em que mudamos de casa, temos - eu e o Bola - os fins de semana todos ocupados, algo que me deixa um pouco inquieta, pois saber que nao tenho um sábado e um domingo para nao fazer nenhum ao longo de várias semanas, é algo perturbador. Amanha vamos para casa do avo dele, que vai festejar 85 anos. E como nunca estive em nenhuma festa - no verdadeiro sentido da palavra - em que o menino dos anos celebrasse tao madura idade, estou expectante. Acima de tudo, porque as média das idades dos convidados ronda exactamente a idade que ele vai fazer. Algo me diz que vai ser um fim-de-semana recheado de histórias da Segunda Guerra Mundial. E de Pai-Natais.

É com muita pena que vou ter de recusar a oportunidade de aparecer n'As tardes da Júlia, na Tvi. Uma simpática jornalista deixou um comentário num post meu de 2007, no qual eu dizia que detestava o meu trabalho - temática do programa da próxima semana, no dia 12, para ser mais precisa. Vai daí, deixou-me um comentárioa modos que a aliciar-me para ir ao programa contar a minha história, esta triste história que uns de voces saberao melhor que outros. Portanto, como eu sou amiga e este blog tambem foi pensado para divulgar, aprender e partilhar, se alguem quiser cinco minutos de fama ao lado da Julia Pinheiro e tiver a certeza que consegue suportar a voz dela, procurem um post meu de Marco de 2007 com o título 'reciclando'. O contacto está aí. No dia 12 prometo seguir atentamente. Mandem um beijinho que eu apanho.

quinta-feira, maio 01, 2008

a velocidade dos dias

Ter visitas empurra-me para algo que normalmente vou adiando e adiando e nao faco. Até porque chove. Limpar janelas. Detesto. Vou repetir às minhas visitas dez vezes ao dia que só limpei as janelas (sete no total, sendo que tres sao de dois metros e meio de altura) por causa deles. Nao se faz.
Hoje a minha irma mais nova faz dezoito anos. Algo que me faz sentir um pouco velha, nao deixando de rir um bocado com a lembranca do dia em que o meu Pai me disse a mim e aos meus irmaos que iamos todos ter um bebé. Nós os tres estávamos a jogar ao monopólio infantil - que era bem fixe - , era um daqueles jogos que uma crianca dos dias de hoje nao sabe o que é, pois tinha tabuleiro, pinos e dados. O meu Pai tinha acabado de chegar com a minha Mae e assim, sem qualquer preparacao, diz-nos que a minha Mae estava grávida, com a mesma naturalidade com que se comenta que o carteiro acabou de tocar à campaínha. Afinal as histórias da cegonha teem que objectivo? Na inocencia dos meus nove anos, desato numa choradeira e a minha primeira questao foi se a minha mae iria sobreviver à operacao. O resultado da operacao tem hoje em dia músculo em sítios nos quais eu só tenho tecido flácido, já mora fora de casa há vários meses e joga voleibol no estrangeiro, a representar Portugal.
Murtinha, como tu cresceste! Que saudades tenho das vezes que te fechas(vas?) na casa de banho para chorar baba e ranho por o mundo nao funcionar como tu gostarias. Que os teus 18 sejam tao felizes como os meus foram.

segunda-feira, abril 28, 2008

preservando os ecossistemas

Cheguei há pouco do parque da cidade, onde fui, propositadamente de balde na mao salvar 12 peixes. Como hoje esteve um dia de Verao, eu e o Bola jantámos numa esplanada e viemos para casa pelo parque da cidade. Qual nao foi o meu horror, quando vejo num cantinho do riacho do jardim alguns peixes que tinham ficado presos numa zona onde chegava pouca água, coitadinhos, a lutar para poderem respirar. Enterravam-se na areia, mas eram demasiados peixes para tao pouca água. A caminho de casa, o meu lado Madre Teresa nao me deixava em paz, mesmo com o Bola a tentar convencer-me que eu só queria adiar o fim deles, que iam morrer de qualquer maneira. Ainda assistimos a alguns deles a revolverem-se para se enterrarem na pouca água que ainda havia. Cheguei a casa, agarrei em dois baldes e disse ao Bola, com a minha mao esquerda no peito e cara de quem vai comecar a chorar a qualquer momento Sabes, podias vir comigo mesmo sem acreditares os vamos salvar, mas só assim para um dia mais tarde podermos contar a história do episódio em que eu salvei 12 peixes.
Como isto nao surtiu efeito e nem um musculo da cara dele se moveu, tive de tentar algo de que nao me orgulho muito, enfim, um golpe baixo.
- Bola... sabes...um destes podia ser o Nemo...e o Nemo sofreu tanto, lembras-te?
Há histórias que magoam uma pessoa, mas pronto, há momentos em que tem de ser. O Bola veio comigo. Desceu a margem do riacho com confianca como se fosse mergulhar nele, encheu o balde com água do lado do riacho onde ainda havia alguma e depois despejou-o com tanta forca em cima dos peixes, de modo que acho que eles devem ter morrido do impacto, ou simplesmente desapareceram. PORQUE SER SALVO ASSIM NINGUEM QUER! Se o Bola é a favor da entanásia? Ah pois deve ser!

sábado, abril 26, 2008

o biscoito perfeito

Alguém conhece os cookies americanos SOFT BAKED? Sao uns biscoitos redondos, que tambem se vendem muito em Inglaterra, que teem mesmo o nome american cookies. Em Portugal, há à venda no Subway, aquele franchise de sandes. Eu ando já há algum tempo a inventar para a receita me sair parecida, ou seja, pouco tempo no forno e muita manteiga. Se alguem me quiser ajudar com uma receita, as sugestoes sao bem vindas!
Para os amigos que moram no UK, nao percam a próxima oportunidade de comprar um pacote de cinco biscoitos frescos no Sainsbury's ou no Tesco. É uma libra muito bem gasta.

o dia da Minhoca

Sim, a semana foi cansativa, em alguns dias adormeci com a cabeca no regaco do Bola ainda antes das nove da noite. Ele comecava a contar como tinha corrido o dia dele, mas como nao mudava de timbre de voz muito frequentemente, eu adormecia ali mesmo. E é óbvio que estava mesmo cansada, caso contrário, dormitar com hálito a cerveja a ser expirado para perto das minhas narinas, é algo que noutras circunstencias, me impede de dormir. Ou entao, durmo, mas tenho sonhos maus.
Se chateei muito o Bola esta semana? Nao, nem por isso. Ando a tentar introduzir nas nossas vidas O DIA DA MINHOCA, que foi algo que vi num filme, é um dia em que ele faz tudo o que eu quiser. Uma vez por mes. Nao acho que seja pedir muito. Ele quer que esse dia seja às quartas (durmo no quartinho com vista para o cemitério), eu insisto que tem de ser um sábado ou domingo. No entanto, esse assunto ficou em banho-maria, pois hoje o Bola está com tensao pré-menstrual. Fomos às compras em carros separados, porque o outro carro precisa de ser levado a passear de vez em quando. Quando estávamos parados nos semáfaros, eu aproximei-me com o meu carro e dei-lhe um beijinho muito leve na traseira dele. Ele ficou chocadíssmo, pois acha que com 'acidentes' destes nao se brinca. Acho que ele teve medo que o meu toque soft pudesse fazer disparar o air-bag, coisa que até nao era assim tao má, pois ando mortinha por ver como funciona o air-bag ao vivo, sem ser nos filmes. Tem é que ser com mais forca. Quando se tem seguro contra todos os riscos, há que aproveitar, né?
O resto do fim-de-semana vai ser passado em harmonia com a natureza, pois malta, estao vinte graus. Os alemaes vao comecar a despir-se por tudo quanto é lado, nos jardins, parques de estacionamento, lagos, etc. Tenham medo, eu tenho.

sábado, abril 19, 2008

Procura-se camionista amigo

Às amigas no País das Salsichas! Preciso de um servico de transporte por camiao de Portugal para a Alemanha, que nao seja escandalosamente caro. Decidi que ao preco a que o petróleo está, isso de eu ir a Portugal de carro e trazer as prendas de casamento nunca vai acontecer. Portanto, como trazer copos na mala nao é uma experiencia que se considere de sucesso, eu preciso de um daqueles camionistas com um poster de miúdas nuas pendurado no seu camiao, que por uns euros, me traga as minhas coisas e umas garrafas de Sumol. E um bacalhau. E um presunto. E um tinto. E pastéis de Belém para um ano. Nao precisa de ser até Bayern, eu vou quase a todo o lado dentro do perímetro germanico, desde que nao seja Hamburgo. Ou Flensburg.
Hoje almocei salmao na cantina. Estava delicioso, mas deixou-me na roupa um cheiro menos delicioso que eu senti entranhar-se em mim duma forma, que nao havia ar puro que ajudasse. Quando regressei ao meu lugar, pus toda a roupa possível a apanhar ar, pois realmente piropos como minina, voce ta fedendo a pexi, nao é algo propriamnte agradável de se ouvir depois de um belo repasto. Há pouco, agarrei de volta na minha echarpe e quando enterrei o meu nariz nela, qual nao foi o meu espanto quando o fedor a peixe se havia transformado num delicioso cheiro a mar. Foi o melhor momento do meu dia, quando agarrei na echarpe e fui ali para uma salinha inalar o mar na minha roupa e com os olhos fechados, sonhar que estava na praia. Lembrei-me das noites na praia quando nem é preciso uma pessoa sair de casa para sentir o ar carregado de sal.
Os meus pensamentos de saudades de um país que nao é este, só se foram mesmo, quando as minhas colegas decidiram partilhar um pouco da História do Brasil comigo, a propósito do feriado da próxima segunda-feira, do mártir Tiradentes. Tudo culpa nossa, dizem elas. Que lhes roubámos o ouro e nem o soubemos a aplicar. Nem a Wikipedia me valeu desta vez.

terça-feira, abril 15, 2008

Porque vamos matar o acento circunflexo

Custa-me que o acordo (redigido por apenas dois países) ortográfico seja assinado e que Portugal nao saiba, uma vez mais, defender os seus interesses, o seu património, no fim de contas, a sua Língua. Para que a uniformizacao? As línguas sao o espelho de um país, duma cultura. O alemao falado na Suíca é diferente do falado na Alemanha ou na Áustria. É isso que dá legitimidade à própria língua, com características individuais de cada nacao. O Brasil é um país tropical, noutro continente, com um clima e uma demografia muito diferente da nossa. Porque é que a Língua devia ser uniforme quando os países nao o sao entre si? E o portugues creoulo, falado em alguns países africanos, porque é que havia de ser igual ao falado em Portugal na Europa, quando a cultura, história e identidade sao outras? Porque? PORQUE? Para facilitar o que? Nao haverá assuntos mais relevantes a precisar de solucao do que este? E sendo este relevante, nao seria a Gramática uma questao mais urgente do que a ortografia?A diferenca entre o portugues de Portugal e o do Brasil é abismal. A Língua Portuguesa é uma Língua nossa, levada outrora além-mar. A Língua de Camoes, a original, que tem carácter e o charme dos p's atrás dos t's que eu nunca vou deixar de escrever. Húmido é com 'h' que se escreve. Os brasileiros falam portugues, com a sua variante de sotaque, que ninguem lhes tira. É outra característica que lhes confere um certo charme. Mas submeter todo um idioma de séculos à sua variante sul-americana (em grande peso no 'acordo) está-me a querer parecer que é mais um sinal desta falta de amor-próprio que o meu triste país tem. Amor-próprio este, que só dá uns suspiros em campeonatos de futebol.

O professor Carlos Reis dava aulas de Introducao aos Estudos Literários na Universidade onde eu estudei e lembro-me vagamente dele. Só nao me recordo se na altura já era assim tao arrogante. Talvez só exibicionista. Estratégia de afirmacao internacional da Língua Portuguesa? Ou de Portugal e Brasil? E Timor, e os países africanos também se afirmarao? Se há 7 países que seguem a grafia portuguesa, porque é que vamos todos seguir a grafia do Brasil?
A Lídia Jorge acha que com o acordo, os africanos deixam de importar vocábulos ingleses. Sem comentários.

Eu sei que é só a escrita a ser modificada, mas mesmo assim, acho isto um fracasso.
Quando é que foi que a diversidade passou a ser algo a riscar? Quando é que os portugueses decidiram abrir mao da sua História? E numa democracia como aquela em que vivemos, porque nao se vota?

Entao, agora é só ficarmos assistindo à chegada do gerúndio em forca, passando pelo registro de nomes lindos, por ex. Vanderley, Teresina, Katya ou Túlio (do Tulicreme?). Já está tudo planejado.

hormonal

Ontem foi um dia para esquecer. Até o filme que tinha ido buscar para ver em DVD, ficou aquém das expectativas. Atonement. Depois de observar com mais atencao o corpo magrérrimo da Keira Knightley (tem lá uma parte em que ela faz de miss t-shirt molhada e dá para ver melhor), concluo que sim, gostava de ser magra, mas nao daquela maneira. Ali nao há uma única curva, para além da do queixo. E nao sei se ela pensa nisso, mas eu no caso dela, tinha medo de sair à rua, comecava a desenvolver uma fobia às cascas de banana no chao, pois uma queda nos paralelos assim tipo os da calcada portuguesa, podia significar uma tragédia a nível ortopédico. Eu também nao sou assim gorda, gorda, gorda... nao é. Bom, há certas partes do meu corpo com as quais nao estou propriamente contente. Vejamos, se o meu corpo fossem os contornos de Portugal (sou uma pessoa muito gráfica, preciso de imagens para explicar o básico do mais básico) , posso afirmar por exemplo, que nao gosto muito ali dos lados de Castelo Branco, Serta, Leiria e por aí fora. A zona ali do Douro, Vila Real e Amarante, lá está: tem fases. Quando era mais nova, andava de costas curvadas para que ninguem reparasse no meu Douro. Depois com o passar do tempo, acabei por gostar mais e agora estou numa fase em que já nem sei se goste. Enfim. Deixemos as analogias, porque realmente, segundo o Bola diz frequentemente, elas até nao sao tao boas como isso. (as analogias, atencao... o Bola é um cavalheiro)
Hoje trabalhei o dia todo com o cachecol e casaco vestidos. As janelas do escritório sao hiper mega modernas, pelo que fecham com botaozinho automatico centralizado. Ora, o esquema centralizado parece que pifou, e as janelas basculantes estao ha dois dias abertas. É que nao dá pra fechar assim como quem bate com a porta, tem de ser um processo automatizado, gerado por um computador. Porque há pessoas que gostam de gastar dinheiro sem razao, por acharem a Unicef pouco cool.
A meio da tarde, contemplei vir-me embora mais cedo, pois hoje nao estava a ser divertido. E eu sei o erro que posso estar a incorrer ao relacionar a palavra divertido no contexto de trabalho, mas acreditem que eu tenho uma nocao especial do que é divertido e do que nao é. Por exemplo, divertido é mandar o Bola ao multibanco levantar dinheiro com o meu cartao e dar-lhe o pin errado. Ou colocar pacotes de Fraldas Tena (um clássico) no carrinho das compras, sem ele dar conta. Ou ligar-lhe quando sei que ele está a trabalhar a perguntar e o que temos vestido hoje por baixo dessas calcas, meu marotao? (do lado de lá só costuma vir silencio. Pena, né?)
Reparei agora que hoje nao estou muito divertida. Estou hormonal. Deixem-me, pronto. Oh.

segunda-feira, abril 14, 2008

Disco fever

Ele há dias para tudo. E estava escrito que hoje era dia para eu comecar mal a semana ou, se preferirem outra versao, para mostrar o rabo na auto-estrada. Saio de manha airosa de casa às oito horas e logo me dou conta que os astros nao estavam a meu favor, quando um camiao do lixo me tentava agoirar a partida, ao movimentar-se a 15 km/h. Meto por um atalho, apesar de ter de entrar na auto-estrada um pouco mais atrás do que o habitual, mas nao importa, na auto-estrada nao vou a 15 km/h, nem que eu quisesse muito. E meter-me por atalhos é uma filosofia de vida, no meu caso.
Feitos os primeiros 15 km, eis que me vejo parada num transito infernal, onde os carros só avancam 50 metros de meia em meia hora. Após a primeira meia hora, comeco a ver o sexo oposto - e quao oposto - a urinar à beira da estrada e cruzo instintivamente as pernas, tentando abstrair-me do copo de água, do meu café e do copinho de actimel bebidos há uma hora atrás. Li todas as revistas e panfletos de supermercado que encontrei no carro, li inclusivamente trechos do manual do carro - sim, aquele que ninguem, com a sua sanidade mental, le - e ainda olhei para a minha agenda como se fosse uma daquelas imagens que se movimentam e ficam distorcidas (isto tem um nome do qual nao me lembro..qualquer coisa acabada em 'grama') numa de planear as minhas férias. Caneta, nem ve-la, portanto toca de agarrar todos os taloes de compras e gasolina que guardo numa divisória da minha carteira - onde o espaco é infinito. Assim para por tudo em ordem. Observei os camionistas da República Checa que se juntavam a cada cinco minutos para fumar mais um cigarro. Mascar uma chicla, juntar mais 4 e fingir que sao aquelas supergorilas que nos deixavam as bochecas inchadas. Fazer grandes bolas para os camionistas da República checa, que nem devem sonhar que já abri o fecho das calcas por nao aguentar mais a pressao. Procurar um espelhinho. Ficar triste perante o facto de ter perdido a minha pinca. E o transito, nada. No espaco duma hora, se andei cem metros já foi muito. A minha bexiga comeca a sugerir-me que nao vai dar e que eu devia ser uma pessoa mais misericordiosa para com ela. Se nao o sou para o estomago e pancreas, iss já é um assunto à parte. Penso na cor das minhas cuecas. Baril, sao mesmo aquelas vermelhas, que na frente teem a prateado DISCO FEVER. Mas, amigas, tentem entender e nao reprovem já, isto foi uma promocao da Women's Secret e eu tinha de escolher tres e só havia duas giras. E deixem que vos diga que as cuecas da Disco Fever sao maravilhosas, nao encolhem, teem muito stretch que quase que dá pra fazer uma fisga com elas. Claro que há dias em que eu saio de casa e me pergunto 'do i feel lucky today?', que é mais coisa menos coisa, a pergunta que me faz pensar se no caso de acidente, eu nao morro primeiro de vergonha pelas cuecas provocarem um ataque de riso aos paramedicos, do que pela causa do acidente propriamente dito. Hoje nao foi um desses dias.
Ao fim de duas horas especada no transito e depois de examinar todas as escapadelas possíveis num raio de 50 metros, Minhoca Peewee veste a sua parka, que devia ter sido mais gabardine, mas uma pessoa nunca pensa nestas coisas, e salta a berma da auto-estrada, artilhada com um pacote de lencinhos de papel no bolso. Ora, só depois de Minhoca já estar na pose de frango a assar e a regar toda a erva que tentava sobreviver, é que se apercebe que mais abaixo passavam carros numa outra via , que curiosamente (!) comecaram a abrandar. (A medo, já fui procurar no youtube) Devo dizer que a adrenalina era muita, voltei a desejar ter nascido gajo por uns meros tres minutos. E voltei a sentir-me crianca, por fazer xixi contra o vento. Que saudades! E que bem que soube.
O que nao sabe muito bem é chegar ao trabalho à uma e meia da tarde, com uma sensacao que muito se assemelha ao jetlag.

domingo, abril 13, 2008

O casamento é uma coisa maravilhosa. (nao digo viver junto, porque sou daquelas que acha que nunca é a mesma coisa) Partilhar quatro paredes com uma pessoa, que é um indivíduo diferente de nós (quase sempre), a quem um dia nos decidimos unir para a vida toda, é um desafio presente no dia a dia. O desafio este fim-de-semana foi eu, pessoa que gosta de dormir até mais tarde, insistir em nao arredar pé da cama antes das dez horas. E reparei que a minha insistencia na preguica, provocou no Bola síndromas pavlovianos, nao na sua essencia - o Bola nao salivou - mas o efeito sistemático de ele, durante o meu egoísta sono, desatar a fazer coisas pela casa fora, que normalmente nunca faria. Nao a esta hora. Oico o aspirador, a loica que ele arruma da máquina e sinto a brisa ainda muito fresca a passar-me pelos ombros. O Bola activo assim, abrindo janelas, levando o lixo até lá baixo a um domingo de manha, é algo que eu considero preocupante, mas que pretendo usar a meu favor. E em casos isolados, ele já teve o mesmo comportamento anteriormente.
O casamento é algo maravilhoso. Há coisas fantásticas, nao há?

quinta-feira, abril 10, 2008

tragedias que se abatem sobre comuns mortais

Hoje estou em dia nao. Ando há vários dias a espumar de raiva com um assunto que me conseguiu tirar do sério. Agora que a minha relacao com a Tv cabo atingiu um nível de suavidade autentica, depois de esta me oferecer a anuidade dos canais de cinema, o nosso futuro senhorio informa-me que eu nao posso levar o prato do satélite para a casa nova. Chuif. A desgraca abateu-se sobre mim. Com que direito me dizem que eu nao posso manter os lacos com a terra-mae? Só me apetece barricar-me, até que abram uma excepcao ao meu caso, por eu ser uma pessoa especial.
O senhorio nao tem nada contra. O condomínio é que é feito por uma empresa, na qual existe aparentemente uma legislacao. Nessa legislacao, deve estar escrito o tipo de grafitti que se pode fazer nas paredes e deve incluir tambem uma lista negra dos miúdos que nao podem andar de baloico na praceta. Os alemaes sao bons em muitas coisas. Tecnologia, pontualidade, amigo do seu amigo e a fazer regras. Ah, e cumpri-las. Ou pensam que aquela história de um alemao às tres da manha no meio duma tempestade de neve, numa estrada com uma largura de 3 metros, parado no sinal em vermelho (onde nao se veem carros ate 300 metros), é invencao minha?

Fui-me informar na net e descobri alguns veredictos publicados de turcos e outros que tais, que se indignaram contra tal legislacao e levaram o caso para tribunal, acabando por ganhar o mesmo e, com isso, o direito à parabólica. Parece que existe uma lei, ou melhor, um direito à informacao, que estará a ser violado perante tal proibicao. Um estrangeiro tem no país das salsichas, o direito de montar uma antena parabólica no telhado do prédio em que vive, desde que seja claro que atraves do cabo nao receba pelo menos dois canais na língua materna. Foi isto que consegui encontrar na net, mas infelizmente sem documento oficial.
Escrevi um email muito sentimental à empresa que gere o condomínio, explicando que sem os telejornais da Tvi e dos morangos com acucar (isso ainda passa?) eu nao sobrevivo. Que dou aulas de portugues e preciso da televisao para manter a língua viva em mim. Que acordo com suores nocturnos e pesadelos de que me esqueci de como se fala portugues. Invoquei que as minhoquinhas que ainda nao existem mas existirao, terao que ser educadas pela mae com a língua e cultura em causa e que sem a televisao, esse processo nao pode ser assegurado. Depois terminei de uma forma um pouco brusca mas cheia de sentimento, em que escrevi, mais coisa menos coisa, que sou conhecedora dos meus direitos e que se se metem no meu caminho, hmmm.... escrevi coisas que acho que em portugues se traduz com palavras com alguns p's, tipo 'pariu'.
A ver vamos se ganho esta guerra. Estou no bom caminho, nao estou?
Agora só preciso de mandar uma adenda, na qual acrescento que desde que trabalho com brasileiros, que o risco de eu perder o contacto com o portugues original é muito maior. E que depois vao ter de ser os meus amigos (quais amigos?) e família a mandar-me umas chapadas, quando eu disser coisas tipo 'qui barato', 'qui legau', 'voce viajou na maionese' ou 'isso é o ó do borogodó'. Para que conste.

domingo, abril 06, 2008

ideias brilhantes que se devem partilhar

Ontem eu e o Bola preparámos um agradável jantar para 10 pessoas. Eu como nestas ocasioes, tenho tendencia a, após as onze de noite, ficar com um misto de sono-panico-de-as-pessoas-nao-irem-
embora-na-próxima-hora, comprei uma latinha de red bull para me salvar a noite, que escondi estrategicamente no armário dos temperos. Mas nao foi preciso. Uns colegas do Bola trouxeram uma inovacao, que foi alias entretenimento para a noite toda. Vários copinhos de shot, cerca de 100 para ser mais precisa, com gelatina e vodca. Verde, vermelho, amarelo... que diversao que foi. Nao me lembro de metade da noite, mas tenho a sensacao de me ter divertido. Espero que os outros tambem. E que nao tenham ficado enojados por me ver a fazer acrobacias com a língua, para chegar ao fundo do copinho de shot e sugar o bocado de gelatina. Nem sempre foi fácil. Numa das vezes, engasguei-me, mas o Bola como é um querido e acima de tudo delicado, deu-me uma palmada nas costas que só por sorte é que os meus pulmoes nao foram passar ao centro da mesa.
Mas é uma ideia boa para festas de aniversário de criancas, por exemplo. Nós, os miúdos, adoramos gelatina!

quinta-feira, abril 03, 2008

na pradaria


You can always persuade rational people to do anything as long as you have the logic ready.

Sao frases bonitas e verdadeiras como esta, que eu aprendo com os meus audio books, que me acompanham da casa para o trabalho e vice-versa. Agora comprei uns quantos em ingles daquele da BBC, porque é simplesmente maravilhoso de ouvir. A melhor coisa do Reino Unido é mesmo a língua. Tambem gosto do tea-cosy e das casas pequeninas mas aconchegantes, com dois andares. Gosto dos cookies do Sainsbury's e de Notting Hill. E do Regent's Park. E de Yorkshire Pudding. E do John Cleese. Das velhotas que chamam toda a gente de darling e dear. Eu devia era ter ido para Londres.
Adiante. O último fim-de-semana foi passado numa casinha na pradaria. A minha sogra reservou dois pequenos apartamentos dentro duma casa, no sul de Munique, com uma vista fantástica para um prado e montanhas sem as quais eu até podia passar, mas o Bola nao. Ele tem o mesmo amor pelas montanhas que eu nutro pelo mar.
Fartei-me de andar a pé, respirar ar puro (estrume conta como ar puro?) e só nao bebi leite directamente da teta de uma vaca, porque as vacas cheiram um bocado mal e dao uma estalada com o rabo a quem se aproxima. Ah, e nao dá para respeitar um animal que faz cócó em andamento. A vaca é um animal do qual só gosto mesmo no meu prato. Medium, please.
O horror foi mesmo quando chegámos a casa depois de andar 10 km a pé e o Bola se deu conta que o seu ipod ja nao estava mais no bolso dele. Eu confesso que estava cansada, pois tinha passado meia hora a apanhar folhinhas de alho-porro para fazer a minha própria sopa, mas perante uma perda de 200€ e mais de 1700 faixas de música, segundo o Bola, irrecuperáveis, levantei-me e fui com ele caminhar os mesmos 10 km em busca do acessório que mais alegria lhe dá depois do aspirador.
E, amigos, nao é que num outro prado perto das ovelhas, o ipod estava mesmo lá no chao, a 20 milimetros de uma poca de lama?
- entao, Bolinha, sentes-te mais aliviado? (a reaccao dele quando se deu conta da perda foi algo impossível de descrever. Um misto de crianca de 5 anos com o comportamento daquela professora que apareceu nas noticias em Portugal na semana passada - disponível no youtube)
- Nem por isso. É que já estava a mentalizar-me que o tinha perdido mesmo, por isso agora o alívio nunca pode ser tao grande.

Me love germans. Really. (ler com ingles da BBC)

terça-feira, março 25, 2008

cotonete gigante

As mini-férias da Páscoa foram boas se nao contarmos com o facto de a minha cunhada, que decidimos levar connosco para a animar e a ajudar a enfrentar a maior crise de adolescente de todos os tempos, se tivesse aventurado a abrir a boca para mais do que comer, lavar os dentes ou bocejar. Mas pronto, ser adolescente nao é fácil e a verdade é que me pergunto várias vezes se, já que se fala tanto na idade do armário, se o ideal nao era mesmo fechar todos os adolescentes num armário até que acordassem para a vida e tenham ultrapassado com distincao aquela fase do chorar-e-passados-cinco-minutos-já-estarem-a-rir-histericamente. Quem andar com vontade de mandar uma chapada a todos os adolescentes, que levante o braco...? Ora, aí está, assim é que eu gosto, maozinhas no ar.

Bom, tenho uma confissao musical a fazer. Depois de várias semanas a cantar esta música aos berros no carro, descobri que afinal nao estava a lidar com a Celine Dion, como eu pensava, mas sim mais uma dessas revelacoes que duram meia dúzia de meses e nao fazem muito mais do que produzir uns videos banais, onde nao se ve mais do que muita pele e olhinhos de Bambi. Desculpa Celine. Antes de chamarem a filha de Leona, estes pais deviam-na ter mandado logo para uma casa de acolhimento. Se alguma Leónia quiser deixar aí o seu testemunho na caixa dos comentários, eu prometo nao apagar. A Leona é gira, pronto. E eu mandava as gajas giras pro mesmo armário dos adolescentes. E as magras. E com cabelos bonitos. E aquelas com mais piada do que eu. Tipo a Maria Vieira.
O dia hoje nao me correu muito bem. Aliás, como podia? A comecar o dia numa consulta da ginecologista em que ela me faz um exame com um cotonete gigante (até com medo de adormecer hoje, juro) e insiste em me apresentar o interior do meu baixo-ventre, tao meu, exposto ali assim, a preto e branco e em movimento, como se houvesse alguma coisa a mexer aqui dentro. A Gina hoje nao se calava, estava tao contente como se tivesse sido beijada por um coelho da Páscoa gigante durante estes dias, e falava tanto, que eu comecei a rezar baixinho, ali na posicao de parturiente, enquanto os cabelos sedosos e loiros dela me tocavam ao de leve na barriga da perna. Bom, à hora do jantar entusiasmei-me tanto a contar todos os detalhes do meu check-up ao Bola que ele deixou dois hamburgueres no prato e decidiu ir ler. Se calhar, era o que eu devia ir fazer. Tentando abstrair-me daquele cotonete gigante. Ou de todos os posters horrorosos do consultório dela, com as palavras cancro, cólon e útero se podem ler mais de vinte vezes. Depois nao admira que eu, coitadinha, me sujeite a estes dramas.

primeira da série 'cadáver encontrado'

(Minhoca starring as Dead Body Found)
Hoje no monte, amanha na calcada, um dia destes nos transportes públicos, na praia. Até onde a imaginacao e a minha veia cinematográfca me levar.
- Bola, como estou de saia, que achas se eu baixar os collants para parecer que fui violada...?
perguntava eu, divertida, agora que sou fotógrafa amadora.
(nao respondeu, mas há quem diga que o viu aos gritos no monte, a enfiar a cabeca na neve e a dizer coisas confusas, tipo mental, casei-me e porque)

amor, uma cabana e o Bola

...e a irma dele.



quinta-feira, março 20, 2008

Berchtesgaden


Amigos, vou quatro dias para a montanha. Se o Hitler gostava tanto de se refugiar lá, eu tambem tenho de gostar de certeza. Só preciso de ir buscar roupa para a neve.

Até ao meu regresso, uma Feliz Páscoa a todos vós. E nao comam muitos ovos cozidos, dá uma flatulencia desgracada e depois é preciso comprarem um ambientador para o carro.

nao é pra consumir

Talvez os astros possam explicar o porque de eu hoje estar com uma febre que me está a fazer comprar coisas da internet, das quais nao preciso. Mas a oferta de carteiras na net realmente é bem melhor do que o que eu achava. E o meu cartao Visa parece sussurrar-me 'compra'. Mas a Páscoa nao devia ser uma época de consume. Nao posso ser consumista hoje.
Hoje no supermercado achei estranho tanta gente concentrada na seccao dos chocolates. Normalmente dá para eu lá passar com o carrinho, à vontade, sem ter de atropelar nao sei quantas criancas pelo meio. Só depois é que me dei conta que todos os chocolates da Páscoa estavam com 50% de desconto. Nesta altura gosto de andar pelos supermercados, para saltar sempre para o colo do desgracado/a mascarado de coelho, sempre destinado a oferecer porcarias às criancinhas. Este ano, ainda nao tive o prazer. Bom, mas a verdade é que hoje, o Bola depois de ter percorrido o supermercado duas vezes duma ponta à noutra, foi-me encontrar onde eu nem sequer tinha saído, com demasiados chocolates nos bracos para aquilo que eu podia aguentar. Dois coelhos after-eight, um ovo milka, outro ovo milka mas dos pesados, toda a coleccao kinder e mais umas p....ne......l....rices que nesta altura fazem sempre questao em fazer, pois se há coisa que na Páscoa vende muito sao os chocolates. Especialmente com desconto de 50%. Aqui nao se comem amendoas. Ele olhou-me nos olhos assim muito fixamente e depois bateu as palmas uma só vez e com forca, para eu voltar a cair em mim. Voltei a por os doces na prateleira e limitei-me a uma ovelha e um coelho com smarties dentro. Pois. Há as ovelhas, os ovinhos, a Pascoa e tal e depois há estes castradores da felicidade como este com quem casei. Sniff.

quarta-feira, março 19, 2008

um amor de minhoca

Quantas Minhocas é que há por aí que depois de um dia stressante de trabalho, com duas horas de conducao pelo meio, chegam a casa e depois de se aperceberem que vao ter uma invasao de pessoas indesejaveis, ainda agarram numa grade de cerveja vazia e vao comprar outra ao Getränkemarkt mais próximo? Quantas, quantas? Bem me parecia. Mas nao dá pra refilar, eu é que me esqueci que o Bola tinha convidado os seus colegas para uma noite de take-away indiano (sendo que 'away' é a nossa casa) e futebol. E, como comecou a chegar toda a gente e como eu nao estava muito virada para fazer conversa, ofereci-me para eu ir tratar da grade de cerveja e da comida, enquanto ele entretinha os seus colegas. Digamos que hoje estava vestida de uma forma demasiado elegante para carregar uma grade de cerveja. Nao combina de todo com os saltos altos. Mas faz-me sentir muito gajo, e tanto, que quase vou num impulso cocar os testículos que nao tenho.
Entretanto, queria mandar um beijinho à Tv cabo que me disponibilizou ontem - na condicao de manter o meu contrato, pelo menos, mais um ano - os quatro canais de cinema de borla. Obriguei o Bola a ver hoje 15 minutos do 'Sapatos Pretos' e sem dúvida que aprendou algumas palavras em portugues. Duas de certeza, 'sapatos' e 'pretos'.
Sexta-feira vamos passar o fim-de-semana prolongado fora. Nos meus planos, seria um fim-de-semana da Páscoa prolongado, a dois, assim pró romantico. Eram assim os meus planos. Até ontem à noite. Quando o Bola me contou que a sua irma, que está cá 3 semanas de férias, passou a última semana a chorar porque o seu amor mais que tudo, (onde ela vai estar durante mais duas semanas) lhe disse que achava que deviam seguir direccoes opostas, vai daí, o meu coracao emancipado e mole de Minhoca decidiu que nao ha nada mais deprimente do que uma gaja a implorar a um gajo pelo seu amor. E convenci-a a vir connosco para as montanhas. A roupa interior comestível que eu tinha comprado para estes dias fica mais umas semanas na gaveta. O ar da montanha refresca as ideias a toda a gente. Nao viam a Heidi?
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Em relacao ao trabalho, devo dizer que nao é fácil passar o dia a ouvir 'que saco', 'nao tou nem aí', 'vou no banheiro' , 'esse cara', 'qui legau', etc. Será que daqui a uns meses, vou passar a falar brasileiro? Bom, o que é certo é que provei umas pacoquitas do Brasil, um doce de amendoim e uma das minhas colegas trouxe-me uma latinha de creme de leite, porque eu lhe tinha dito que queria fazer uma sobremesa que tinha sacado da net, mas que levava creme de leite e aqui nao havia e que desgraca e bla bla bla. Vou ver se nao me esqueco de antes da próxima viagem dela, lhe dizer que gosto muito dos bonbons de cajú, serenata do amor, mais depressa mos traz ela do Brasil do que eu de Portugal.

terça-feira, março 18, 2008

Horton e o mundo dos quem



Dos criadores da Idade do Gelo. Nao é preciso um filho, sobrinho, um Bola ou outra desculpa para ir ver o filme. Está muito giro, com muita graca. Fartei-me de rir. Só tenho pena que na versao portuguesa dobrada, seja a voz do Joao Baiao. E ainda me queixo eu das dobragens em alemao...
Que fique registado que hoje voltou a nevar, está a cidade coberta de branco, o piso escorregadio e é o suficiente para me lembrar o quanto detesto neve. Será que é nestes dias da Páscoa que tento de novo o ski? Como nao sou mais forte, devia juntar-me à neve, tenho pensado.

algo doce, novo, que seja uma surpresa e grande

Como já vi que o Bola nao se digna a me oferecer um ovo da Páscoa, decidi eu comprar um ovo para mim, que pretendo comer logo à noite, depois do jantar, sozinha, em frente à televisao.
Depois desembrulho a minha surpresa com cara de poucos amigos, e tentarei repetir como que numa de desabafo só para mim, mas para que ele oica, que nao há coisa mais triste do que ter de se comprar o seu próprio ovo de Páscoa. Mas talvez seja melhor fazer isto depois de ele ter feito a declaracao do IRS de 2006 e de 2007, que é algo que já repeti em mais de 10 to-do lists, mentais ou daquelas que chegam à forma escrita, em guardanapos ou taloes do supermercado. Mas há alguem que se divirta a fazer a declaracao dos impostos? O Bola gosta de esperar, porque deve pensar que os papéis fermentam. Um gajo destes certamente deve ter reagido com muita excitacao à experiencia que se faz na primária com o pé de feijao. Nada vai mudar, só mesmo o prazo de entrega e com isso, uma possível multa, que é a palavra mais fofinha em qualquer Finanzamt alemao e nem é preciso ir tao longe. Podemos comecar logo pela Camara Municipal, ainda nem sei qual foi o milagre que nos permitiu passar sem pagar multa, depois de termos ficado ano e meio casados, mas com classe de impostos de solteiros. O Estado aqui nao gosta de segredos, gosta de transparencia. A falta de transparencia só lá pro Lichtenstein.
Há coisas que teem de ser feitas por impulso e nao ir adiando para amanha. Tanto a declaracao de impostos como a compra do ovo NAO PARA OFERECER, mas para si própria. Uau.

domingo, março 16, 2008

entrümpeln

Ontem estive a ver uma série daquelas que faz mesmo rir, e é preciso ver que nao há muitas. Para quem tem tv cabo, prestem atencao ao antídoto contra dias de chuva tristes. HowI met your mother, em portugues, Foi assim que aconteceu, tem muita piada. Mostra o Neil Patrick Harris, de cuja cara eu nao me esqueci e ontem, a meio de um dos episódios, até gritei para o Bola em portugues ESTE GAJO É O MENINO DOUTOR, NAO É? O Doogie Howser reloaded tem muita pinta mesmo. Infelizmente aqui ninguem sabe quem é o menino doutor. Onde é que estes gajos andavam nos anos oitenta, pá? A saltar à bota Botilda, nao?


Hoje dediquei-me a fazer aquilo que os alemaes chamam de Entrümpeln, que é um verbo para descrever aqueles momentos de ira, no qual decidimos livrar-nos de coisas que estao escondidas em cantos reconditos, mas que por alguma razao (tipo prazo de validado ter expirado há dois anos - no caso da comida) teem de ser deitadas fora. No caso da cozinha, que foi a minha missao de hoje, posso dizer que realmente eu já devia ter entrümpelado há muito tempo. Enchi dois sacos plásticos com coisas que nunca foram utilizadas, leia-se comidas, sendo que a maioria eram pacotes de bolachas, bolos do Natal de há dois anos, comida em lata e outras coisas que tais com prazo de 2006. Tento nao pensar nas bocas famintas que toda esta tralha podia alimentar, mas a verdadeé que eu sou por natureza uma pessoa que guarda até demais. Nao gosto de estragar, em minha casa, a minha Mae sempre fez os possíveis para aproveitar comida que sobrava e eu confesso que muitas vezes guardo coisas, quando suspeito fortemente que ninguem vai comer. Tipo, tres couves-de-bruxelas ou salada já temperada. E depois temos o drama do frigorífico, em que eu fico com medo dos bichinhos que moram no bolor. Argh.
Na próxima semana, vou entrümpelar o quarto. E depois, vou arranjar um cantinho no armário para poder ir à farmácia imporar que me oferecam este gajo e esconde-lo lá dentro. A ideia de bonecos de peluche grandes é fazerem-nos sentir acarinhadas quando os abracamos, certo? Pois. Sem o Lino nao sou ninguem.

Ora tomem lá

Acho que é de partilhar este video com as leitoras assíduas, como eu, fans do Reynaldo. Acho que nunca o vi mexer-se tanto.

Dias de Páscoa

Este fim-de-semana fui andar de montanha-russa outra vez e no meio da euforia, Bola se continuas a travar, nunca mais venho contigo, perdi um dos meus brincos novos, tao giros, tao na moda... detesto perder um brinco. Sentia-me mais consolada se perdesse os dois. Humpf.
Este fim-de-semana tive cá o meu cunhado e a sua namorada luxemburguesa, que me disse logo que no país dela há muitos portugueses (ai sim?), a prova disso é o facto de as garrafas de água na mala dele serem todas da Serra da Penha. Quando estou com malta de 20, 21 anos é que me dou conta que agora a velha sou eu. Eles é que ainda teem a energia para depois de uma viagem de cinco horas de comboio, ainda irem beber uns copos. Mas eu realmente nao sou grande exemplo, sempre fui assim um bocado ave rara. Podem-se contar as vezes que saí para ir tomar um copo nos últimos 4 anos. (uma mao deve chegar) Lembro-me bem de quando saía com verdadeira malta da noite, de a certa altura ficar a apanhar seca, pois as minhas pilhas acabavam depressa.
Entretanto, depois de confrontar o Bola com o facto de nao termos família com quem passar a Páscoa, decidimos ir passar esses 4 dias à montanha, em Berchtesgaden. Nao ausencia de mar, a alternativa é a montanha. Marcámos um quarto numa daqueles estalagens no meio do nada e vamos passar 4 dias a respirar ar do mais puro e, se ele me deixar, a dormir até ao meio-dia. É estranho nao poder passar a Páscoa em família.

quarta-feira, março 12, 2008

tic-tac

Amigos, como me custa ter de esbanjar férias em alturas de que nao gosto muito e com um tipo de férias que para mim representa tudo menos férias. Repetir a mesma palavra tres vezes numa frase nao é bonito, mostra contudo a gravidade da situacao. Vou passar duas semanas a Portugal em Setembro, que é um mes no qual nao gosto muito de ir lá. Nao é que nao goste, mas como umas semanas antes ainda é Verao puro e duro, custa-me nao poder ir mais cedo. Mas mais cedo nao dá e na verdade, nao posso pensar muito neste assunto, pois noto que os meus músculos comecam a ficar contraídos, cai-me alguma saliva pelo queixo abaixo e os meus olhos ficam húmidos.
Mudemos de assunto e passemos a relatar coisas que teem realmente mais piada! Hoje quando cheguei do trabalho, como eu e o Bola tinhamos de ir abastecer-nos de mercearia, deixei casaco, carteira, tudo no carro e subi só com as chaves de casa e uma embalagem da farmácia, com um tamanho anormalmente grande tendo em conta o que era.
O Bola estava enterrado no sofá, na sua posicao preferida que nao é a do missionário, tapado com uma manta, no seu papel tao típico de Linus e quando me viu, levantou a sua cabeca de ovo e perguntou-me se era para irmos. Eu disse que sim, a abanar a minha embalagem, com um sorriso parvo, a provocar a pergunta que se segue:
Bola: O que é isso que trazes aí?
Minhoca: (riso malandro/comprometido) É um teste de gravidez...
A cara de paspalho dele valeu realmente a pena, porque é a cara que eu espero um dia nao ter de ver perante esta situacao, MAS REAL. Nao era teste nenhum, mas como desempenhei tao bem o meu papel, ele caiu que nem um pato.
Desde que vi a bebé da Snowgaze, que me apercebi que afinal o fruto de pai alemao e mae portuguesa nao é nada que possa assustar multidoes.
Ando com o relógio biológico descontrolado ou controlado demais, que qualquer dia, quando estiver na fase da ovulacao, ainda saio disparada porta fora sem destino. Até se me chapasse com a anne geddes lhe dava uma beijoca na face.

terça-feira, março 11, 2008

clap clap clap

A grande vantagem de o Bola amuar comigo um fim-de-semana inteiro, é que de repente, o comando da televisao fica ali, sozinho no sofá, vulnerável e pronto para me deixar papar as séries todas da tvcabo, que deixei de ter a oportunidade de ver durante a semana. A desvantagem, aliás, nas desvantagens mais agrestes inclui-se o facto de ele fechar as portas com mais forca, tomar o computador de assalto quase como se estivesse barricado, e nao cozinhar como prometeu fazer. Pois. Descobri, no entanto, pelo meio desta nossa pequena briga de casal que ele afinal me ama. Se nao me amasse, nao tinha amolecido assim que eu sugeri, esta semana, ficar logo aqui no quartinho do cemitério de segunda para quarta. É preciso uma pessoa sugerir a sua ausencia repentina para que seja dado espaco ao diálogo. Isto faz-me lembrar das vezes em que a minha Mae se fartava um bocado da confusao que nós armávamos em pequenos e nos dizia que um dia ainda fugia. Pudera... com 25 filhos.
Eu hoje fujo de novo à auto-estrada, portanto a ideia é sair do trabalho e passar na pizzaria Max, onde os bacanos que la trabalham que quase podiam ser meus filhos, a avaliar pela idade e beleza, me vao preparar uma daquelas pizzas feitas em forno de pedra. Eu vou pedir cebola na pizza, eles vao-se esquecer de novo e eu vou dizer que nao faz mal, que cebola até nao ajuda nada ao hálito, pra nao dar a entender a mocos tao jeitosos que vou passar o resto da noite sozinha. Com uma pizza de 36cm de diametro só para mim.
Eu por acaso até ficava a trabalhar, mas os sensores de movimento estao-me a dificultar um bocado a vida. Estar a trabalhar e ter de bater as palmas a cada 10 minutos para que a luz volte, nao me motiva propriamente. Eu bater as palmas até bato, mas que seja para ver um colega nu ou qualquer coisa que me anima nsta terca-feira tao foleira.

sábado, março 08, 2008

acabou

Agora que já me sinto mais ou menos integrada no meu novo emprego, chegou tempo para algumas brincadeiras, pois confesso que me tem custado passar 4 semanas a ser esta pessoa séria que nao sou, ou nao quero ser. Portanto, vou abrir para a semana uma nova temporada de post-its na comida do frigorifico (que as minhas colegas chamam de geladeira - já lhes disse que o frigo nao faz gelados) e recadinhos na porta das casas-de-banho (que as minhas colegas insistem em chamar de banheiro - já lhes disse que banheira é um substantivo feminino), para ver se a malta aqui se solta um bocadinho mais.
Ontem, quando me dirigia ao banheiro, um colega meu preparava-se para entrar, no mesmo momento no dos homens, eu disse-lhe olha, bora fazer xixi ao mesmo tempo? Vá, 1, 2 ...3 e apressei-me para dentro do banheiro. Ele, como era americano, riu-se. Se há coisa de que nao nos podemos queixar dos americanos é de serem carrancudos, entao... Por outro lado, como nós - do departamento do Sul da América - dividimos a cozinha com o departamento da América do Norte, alguem me anda a roubar leite. Um pacote que me dura 3 dias, só tem durado um, pelo que me foi difícil criar um post-it nao-político que nao mencionasse a América do Norte a roubar à do Sul, para afastar as manápulas do ladrao do meu leite. Optei por um simples 'na América do Norte deve haver poucas vacas!'. A ver vamos se surte efeito ou se alguém me contamina o leite com sal ou cianeto. Nao ia ter graca nenhuma. Uma morte súbita com a boca cheia de müsli é uma forma muito pouco glamorosa de partir deste mundo.

quarta-feira, março 05, 2008

Há um pequeno paraíso

... no cemitério. Que é, basicamente, o meu quarto, o meu refúgio da auto-estrada para dois dias por semana, onde durmo que nem uma pedra e leio como se fosse a Vicky, aquela miuda do vestido vermelho e branco que era um robot. Em cima da mesa, um toblerone de nozes e passas pisca-me o olho e tres livros sobre diferentes temas exibem-me o título, para que eu escolha o que se coaduna com a minha disposicao do dia. Fofinha, no meu pijama XXXL de face dupla, sentada na cama, rio-me sozinha até às lagrimas, enquanto corrijo os TPC's dos meus alunos, que contam numa orgia de erros ortográficos o que fizeram no fim-de-semana passado. Sim, que me interessa imenso. Se eu fosse uma pessoa sem consciencia, até transcrevia algumas pérolas para aqui.
Estes dias passados no meu quartinho até que nao sao maus. O Bola liga-me tres vezes e pergunta-me sempre o que estou a fazer, o que realmente me dá vontade de rir, pois tres telefonemas esgotam o meu limite de variedade. Entre ver televisao, mandar sms e ler, sobra-me comer e contar as velinhas que ainda ardem no cemitério. Ah, e introspeccao. E ontem, admito, fiz duas séries de abdominais para ver se a minha saia deixa de me subir para a cintura sempre que estou sentada. Se calhar, devia cortar nos toblerones. Mas eu gosto tanto da Suica!
Quando saio do trabalho, ainda me tento ocupar por aqui, para nao ter de ir directa para o meu quarto, limitada a quatro paredes. Vou às drogarias ler os rótulos dos champos. Vou à farmácia medir-me e pesar-me. Vou à livraria fingir que vou comprar qualquer coisa, entretanto, leio o essencial das revistas que me apetece e saio sem comprar nada com um ar de reprovacao como quem diz esta imprensa só publica lixo. Conto quantos passos dou até chegar ao carro e em dias em que estou assim, digamos, virada para a brincadeira, vou de carro perseguir caes para os assustar ou vou assim devagarinho, tipo 10km/h atrás de bicicletas, com os meus faróis desligados. O suspense faz bem a toda a gente.
O mimo é mesmo acordar com o cantar do galo, verdadeira música para os meus ouvidos. Agora já percebo porque é que aquela gaja da Pensao Estrela dormia com uma galinha no quarto.

domingo, março 02, 2008

diz que tenho andado ausente

Tem sido difícil fazer o Bola perceber que ao fim-de-semana, tudo o que eu quero é manter-me longe do carro. Talvez por o que ele querer ser exactamente o que eu nao quero.O que é algo que se repete incansavelmente nesta dualidade homem/mulher. Até um desenho fiz. Desenhei um quadrado, quatro rodas e os dias da semana, com uma seta para o carro. Depois, desenhei o fim-de-semana pelo nome dos dias que o compoem, e fiz vários riscos bruscos e descontrolados em cima do desenho do carro. No final, ele perguntou-me se eu queria ir a Bayreuth. Portanto, aquela teoria de que a determinada altura, os gajos desligam e deixam de nos ouvir (ou de olhar para a nossa arte) está absolutamente correcta.
Como ele precisa urgentemente de ténis para correr, e como correr tem sido a única coisa que o permite manter-se emocionalmente equilibrado, pois o emprego tem sido razao de grande frustracao, vai daí, eu acabei por dizer que sim, podíamos ir andar de carro. Num dia em que se dizia na Tv e rádio que era melhor ficar em casa, para evitar os ventos de 150km/h que se iam fazer sentir.
Mas lá fomos divertidos com os bocados de árvore no meio da estrada, e para além de ver o Bola feito parolo a correr numa passadeira numa loja de desporto, ainda vivi uma experiencia dramática, que foi levar com um gajo em cima de mim que desmaiou na escada rolante, para ser mais precisa, duas escadas acima de mim. Depois ainda o levaram inconsciente para um banco, eu fui comprar qualquer coisa pra ele beber, porque nestes momentos nao dou para mais. Fico com cara de totó, letárgica, totalmente passiva. A única frase que me saiu da boca foi 'e que tal um golezinho de sprite?' Eu sei, triste. Mas depois, ele lá melhorou. Quando ouviu a namorada a ligar, a pedir uma ambulancia.

Convém registar que comi os primeiros morangos COM SABOR a morango em Marco. Penso ser um record, pois até agora nunca me souberam a nada. Agarrei num pacote de morangos com origem de Alicante (oh surpresa) e mergulhei-os em chocolate derretido. E assim fiquei, uns minutos em silencio, a dar espaco e tempo à minha gula. De olhos fechados. Abrindo só um, de soslaio, para agarrar nas folhinhas do dito cujo, fazendo-os passear com destino à minha boca. A outra grande novidade na temática da comida, é que ando a comer müsli (ou como se diz em portugues, muééésli) há mais de uma semana. Preciso de tempo extra, pois mascar aqueles flocos de aveia todos, representa mais tempo do que o que costumo dedicar ao pequeno-almoco. É difícil comer-se de forma saudável neste país, eu já tinha dito? Acreditem em mim. O que eu sofro.