Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

sexta-feira, junho 27, 2008

babilónia

Hoje partilho com voces um grande tema, ao som do qual conheci o Bola, na fase em que ele vinha comigo aos parques de noite para andarmos de baloico.

mais um momento de doencas, muitas doencas

Hoje fui ao médico. A cara que ele faz quando me ve, é engracada. Ou acha que eu realmente nao tenho as tacas todas no armário, como se diz em alemao, que é o correspondente idiomático ao nosso tao amoroso nao ter os parafusos todos, ou entao é amor. Já aqui disse que tou totalmente a favor destes dizeres/gírias, etc? Especialmente nas línguas estrangeiras, assim para poder comparar e tal. Bom, mas lá fui eu meu médico do costume, que é assim fisicamente parecido com o Dr. Brown daquela série Everwood. Só para quem quiser imaginar mais ou menos a cara dele. Bom, entao, ou ele acha que eu sou uma hipocondríaca chata que só lá vai porque lhe dói mais uma vez a unha do dedo mindinho, ou entao, sente-se incomodado na minha presenca devido à tensao sexual que se criou entre nós desde aquela vez em que ele me ia fazer uma radiografia à tiróide, e eu decidi descascar-me da cintura para cima. Eu sou cooperativa sempre que se trata da minha saúde. Desculpe, Dr. Brown, mas eu venho dum país quente - devia ter dito. Além disso, já que paguei dez euros pela consulta, é bom que isto seja divertido.
Bom, desde que me foi dito que eu tenho aquela doenca do Hashimoto que eu sinto que a minha zona pescoco/ouvidos/dentes nunca mais foi a mesma. Dói. Mas porque a minha hipondríase nao me cega totalmente, a verdade é que eu nao atravesso a rua para ir ao consultorio dele numa tarde tórrida sem ter um motivo muito (para mim) forte. Quando eu era pequena e via filmes que me metiam medo, dizia aos meus pais que sentia um queijo na garganta. Nao sei onde fui buscar essa do queijo, mas imagino que dos desenhos-animados. Ora, ultimamente sinto algo parecido, como se alguem me estivesse a empurrar a maca de adao para dentro, e o Dr. Brown disse, depois de me meter aquela espátula que quase nos faz vomitar, que tenho a garganta cheia de visco e que se isso me incomodar, posso consultar um otorrino. Porque haveria de me incomodar...? Só o facto de ouvir a palavra visco, faz a minha cara contorcer-se da mesma forma que se contorce quando oico velhinhos a darem puns (ultimamente, reparo que só eu é que oico).

Portanto, como se ja nao bastasse no domingo os espanhóis EM ESPANHA me quererem bater a mim e ao Bola, quando a Alemanha lhes mostrar quem é que manda, ainda tenho a garganta viscosa, pelo que nao vou poder gritar muito.
Já agora, confesso que nem sei bem quem quero que ganhe. Os alemaes sao uns chatos, andam a gritar desde o mundial de há dois anos que vao ser campeos e ja ninguem os pode ouvir. Os espanhois... bom, sao os espanhois, que fazem de conta que Portugal nao existe e caso exista para aqueles que nao dormiram nas aulas de história e geografia, entao pertence-lhes. O Bola decidiu levar a sua t-shirt alema, que vai ser a razao pela qual eu e ele, no caso de os alemaes ganharem o trofeu, vamos ter alojamento na praia de Gandia. Espero que pelo menos com os ossos intactos.
Amigos, estou de volta na próxima semana. Agora vou ali mandar abaixo uma garrafa de cachaça Sagatiba que a minha colega me trouxe do Brasil. Fui de propósito buscar o c cedilhado da cachaça para o anónimo querido que gosta que eu escreva com pontuacao, acentuacao e tal. O anónimo a quem um dia dedicarei o meu livro, pois agora que conheci pessoalmente uma pessoa com quem me acho parecida, que publica livros, também eu poderei escrever livros de auto-ajuda para pessoas que acham que o suicídio é a única saída. Boa semana para todos.

encaixotando

Com os meus dois bocados de salmao e as minhas tres batatas aconchegadinhas no estomago, decidi vir blogar. Antes de vir blogar, tinha decidido dar uma nova chance ao telejornal da TVi, que já nao via por vontade própria há mesmo muito tempo. Noutros tempos quando calhava passar por engano pela Tvi à hora do telejornal, era má habilidade dos meus dedos que nao sabem fazer zapping em condicoes. Perante o horror de estar a ver aquilo que eles chamam de noticiário, eu apertava o comando com forca, pois qualquer outro canal serve para me privar da tristreza que é ver o mau jornalismo que se faz nessa estacao. Hoje porém, está uma noite quente de Verao e as noites quentes de Verao teem a particularidade de me darem a volta à cabeca. E nao é que a Tvi é novamente pioneira em novas formas de captar a atencao do espectador! É à Tvi que devemos esta moda que pegou de passar coisas em rodapé. Qualquer dia passa assim uma xuxa, ontem deitei-me a pensar em ti. Muitos jinhos aqui do Funchal do teu pirolito, Ernesto. e ninguém vai achar estranho. Mas hoje fiquei de boca aberta quando vi que a Tvi agora decidiu por um palhaco a fazer de pivot no Jornal da noite. Vao buscar cada uma... Vá, pelo menos é parecido com a esposa do director da estacao. Alguém me há-de lembrar em que universidade a esposa tirou o curso de jornalismo, antes do estágio na revista Maria (na seccao o Bebé do Mes).

O tempo tem dado para pouco. Casamentos, mudancas, muito mesmo muito trabalho que só dá vontade de me levantar, dizer nao brinco mais e sair porta fora sem olhar para trás. Com as mudancas em casa, aquele lado do Bola de disciplinado e organizado vem ainda mais ao de cima, pelo que cada dia que chego a casa já há mais tres caixas de cartao com coisas empacotadas. As paredes já estao nuas e todas aquelas coisas que fazem da minha casa um sítio confortável tambem, tipo almofadas. O Bola tem um problema com almofadas, mas isto é tema para outro post. Quase que dá vontade de ir buscar coisas à rua e por assim aqui no meio da sala, só para ver o brilho nos olhos dele, excitadíssimo por ter coisas para arrumar/organizar. Fazer mudancas é para o Bola uma emocao tao grande como um miúdo de 4 anos que acaba de receber um camiao cheio de legos. Mas nunca lheperguntei, isto sao daqueles prazeres que ele nunca admitira, pois nem ele mesmo tem nocao disso. Nada acontece por acaso. Estava escrito que eu TINHA de casar com um alemao.
Amanha vamos para Valencia. Terceiro e último casamentodo mes e tres dias para passear, pois o tempo nao dá para mais. Na semana que vem, saio desta casa, onde eu o Bola fomos tao felizes e onde descobri recentemente haver vizinhos giros do outro lado da rua. Sao tao giros que nem levei a mal quando me perguntaram se no jogo da Alemanha contra aTurquia, eu estava pelos turcos, meus compatriotas (?)... quem? quando?

quarta-feira, junho 25, 2008

eu gosto de kraut

Quando duas coisas boas nos acontecem no mesmo dia, a tendencia é querermos que o dia passe depressa, nao vá o dia ficar marcado por qualquer outra coisa menos boa, que nao nos deixe deixar este dia classificado na nossamemória como um dia bom como o caracas. Por essa razao, é que eu hoje, depois de ter recebido a confirmacao de que posso instalar a minha antena parabólica no telhado da casa nova, apesar de geralmente ser proibido, e depois de me ter sido confirmada a hipótese de continuar a dar aulas de ingles em Regensburg, eu achei que tinha de me esforcar para que nada me estragasse o dia. Isso explica o facto de quando eu, a caminho da auto-estrada para voltar para o trabalho, vejo um camiao a arder a uns 200 metros de mim deixando uma nuvem enorme e preta em redor, ter descontroladamente comecado a dirigir-me pra direccao oposta , fugindo a sete pés da auto-estrada. Morrer numa explosao nao tem glamour nenhum. Uma hora mais tarde, descobri que o camiao ardente com os seus intermináveis quilómetros de fila atrás, se encontrava na direccao oposta, do outro lado, portanto, da auto-estrada que me traria de volta ao trabalho. Uma hora assim que perdida, mas a minha cabeca é muito cinematográfica e no cinema, os camioes explodem ou afinal aquele fumo tao preto vem donde? Do combustível, claro. Ah pois.
Adiante. Eu hoje gosto deste povo maravilhoso que sao os alemaes, do quem eu tantas vezes troca faco. Mas o que é facto é que, apesar daquele arco-íris de cores com que se vestem, apesar dos seus penteados a querer ressuscitar os Bee gees (os que ja morreram) e apesar de toda a sua disciplina e obecessao por regras que nao contempla, excepcoes, eu hoje gosto dos alemaes e posso-me considerar uma sortuda. No prédio para onde vou é proibido montar antenas parabolicas. Porque é feio e porque a Kabel deutschland quer arrecadar uns contratos extra. Depois de uma carta que redigi do fundo do meu coracao (quem le coracao, pode ser furia), que o Bola teve o cuidado de corrigir para substituir os comentários irónicos e a rondar o atrevido por frases mais delicadas e humildes, o resultado foi de sucesso. Foi-me feita uma excepcao. E eu adoro ser a excepcao. Porque sou emigra, porque nao tenho outra forma de ver a tv da minha Terra-mae (ate mencionei lá que se eles assistissem às tardes da júlia apenas uma vez, iriam entender a minha dependencia), entao nesse caso posso levar a minha parabolica, sendo que eles é que me vao apontar la com o dedo e fazendo um circulo a lápis, onde e de que forma é que eu posso instalar a dita cuja. Quero la saber. Eu hoje gosto dos alemaes, de salsichas e de kraut. E nao vou chorar com os turcos amanha quando os alemaes ganharem a bola.

segunda-feira, junho 23, 2008

minhoca vive

É preciso aterrar um comentário nos meus emails para eu me lembrar que ainda tenho um blog. A verdade é que nao tem sido fácil gerir esta vida de correria, que é trabalhar a 100 km de casa, ter uma casa enorme para arrumar e encaixotar tudo para devagar irmos saindo desta e passando para a outra, e para colmatar, as emocoes do futebol. Devo dizer que nao fiquei surpreendida, porque sinceramente já nao acredito que um dia possamos ser campeoes de um europeu ou mundial. A imagem de marca de Portugal é esta, estar quase lá, andar ali a rondar, deixar os emigrantes todos histéricos, de bandeiras icadas em casa, no carro, no trabalho para depois termos de suspirar de novo no fim do jogo. Cristiano, nao vales os setenta milhoes. Se há algum jogador com pedigree, esse sim é o Simao. Leva porrada, mas ainda vai fazendo alguma coisa de jeito. E nao é a drama queen do Ronaldo, que passa metade do jogo numa posicao que pode servir para descrever a prestacao no total da equipa das, como é que lhes chamam mesmo, quinas? Vou queimar a minha bandeira ali a já venho.
Mais temas... fui a dois casamentos nos últimos dois fds. Quando chamaram as solteiras para se atirar o ramo, apressei-me lá para a frente, depois de fechar a minha alianca de minhoca casada bem apertadinha na mao do Bola e gritei pras outras idiotas Saiam da frente que eu tambem quero, nunca apanhei um ramo. Nem uma bebedeira, nem boleia com estranhos, nem nada que seja assim digno de apanhar. Apanhar assim coisas de terceiros, só se forem os rebucados que atiram dos carros em Loulé no Carnaval. Infelizmente, nos casórios havia sempre um ou outro queixinhas que me acusava de já ter marido e fui expulsa do grupinho das duas vezes, pelo que a minha situacao de nunca ter apanhado um ramo se mantém. O próximo casamento é no sábado que vem. Estou em pulgas.
Estou nostálgica. Dia 3 mudo de casa e de cidade. Eu e o Bola fomos tao felizes aqui. Chuif. Porque é que queremos sempre mais do que aquilo que temos?
Amanha é a última noite que passo no quartinho da tia Ingrid. Acho que à ida para cima, agarro numa das galinhas e levo-a para dormir comigo no quarto. Esta é uma daquelas coisas que tenho incluída naquela lista mental que todos passeamos ao logno do nossa vida na nossa cabeca 'cem coisas para fazer antes de morrer'. E depois há aquela gaja da pensao estrela, que dormia com uma galinha no quarto.

quarta-feira, junho 11, 2008

copinho da lua

E agora algo verdadeiramente revolucionário para as meninas, só os meninos que forem parvos é que vao clicar no link!
Já ouviram falar no copinho para o pipi?

Há coisas fantásticas, nao há?
E escrevam o que eu digo. Nao vai ser preciso muito para o Greenpeace agarrar nesta causa e vir prás ruas protestar contra as toneladas de tampoes e pensos que se podiam evitar.

segunda-feira, junho 09, 2008

plano só se for de reforma

Depois de oito semanas com as mesmas lentes de contacto mensais, chegou finalmente o dia de mudar para um par novo. Se eu as compro na internet por metade do preco e já pude constatar que sao originais, para que pagar o dobro na loja? Ah pois. E como dizia o outro, opá, a malta usa as lentes até o olho sentir que já nao está muito feliz. O olho comunica-nos que a lente já nao esta boa e aí troca-se de par e nao ao trigésimo dia, como faria qualquer pessoa bem mandada. Depois com as lentes usadas, convem fazer algo giro e nao deitar logo fora. Por por exemplo, em cima do teclado de um colega. Percentagem de risco envolvido para reaccao estranha: 89%.

Sinto-me sempre injusticada, quando em Portugal há feriado e aqui nao o posso festejar. Ainda para mais, o dez de Junho que é um feriado pelo qual nutro especial simpatia. A ideia romantica de um homem que nada com uma mao e na outra carrega um livro para o oferecer a um rei, é algo digno de vénia. Eu continuo achar que nao eram os Lusíadas, mas sim o seu diário. E eu sei que se o Luis Vaz fosse vivo, era um gajo com quem eu me ia entender bem. Amanha vou trabalhar e fico no meu quartinho, pois está-se quase a acabar esta temporada 'quartinho do cemitério'. Vou ter saudades de acordar com as galinhas e com o sino da igreja. Mas daqui a 3 semanas já mudo de casa e de cidade. Claro que como bom alemao, o Bola já está a planear a nossa mudanca de casa desde há semanas. Todos os dias fala nisso, todos os dias atira mais qualquer coisa para dentro das caixas de cartao que entretanto montámos na sala de estar. Eu já lhe disse que isto de ele querer planear tudo com tanta antecedencia me causa uma certa aversao a ser aquela pessoa organizada na qual ambos queríamos que eu me tornasse e nos temos empenhado tanto. Antes da mudanca, ainda temos tres casamentos, sendo um dos quais em Espanha, para onde vamos uma semana. Porque nao planear cronologicamente?! É que depois dou comigo a ter momentos de indecisao crónica, na qual fico perturbada e nao consigo decidir, planear, etc, como agora em Portugal que até duas horas antes da partida, eu ainda nao tinha analisado todos os prós e contras de como ir para Coimbra, de bus ou de carro. Mas confesso que saboreei bem o facto de ter tido uma semana SEM PLANEAR. Eu nao gosto de planear. E como tenho aqui um restinho da garrafa de vinho do fim-de-semana, brindem daí comigo à espontaneidade. Ora viva!

estes italianos que embrulhem

Ora bem, como todos os alemaes, eu hoje estou a rejubilar de alegria com a tareia que os holandesas deram aos italianos. A euforia é tanta que nem tenho sono, há pouco estive a dancar na varanda com o ipod a tocar aos berros o mercy da Duffy, acho que os meus vizinhos já conhecem a coreografia. Depois de dancarmos agarradinhos o I'm begging you for mercy, larguei o meu parceiro (= a Vileda) e voltei para a tábua de engomar, pois com esta caloraca, isto só dá para engomar depois de o sol se por. Antes disso, é arrastar-me pela casa em t-shirt e cuecas, perguntando ao bola dez vezes se ele nao acha que está muito calor, se nao me quer fazer mais um smoothie.
Depois de já muito se ter dito e escrito acerca da prestacao da equipa portuguesa no sábado contra a Turquia, também eu insisto em tecer algumas consideracoes. Ora, o Simao é um gajo esforcado. Até lá no trabalho, as minhas colegas me disseram que esse 'Simau' tinha bastante graca e um cabelo que elas gostariam de pentear com os dedos. Uma ex-colega minha e amiga, tem há vários anos uma paixao pelo Nuno Gomes e diz que lhe parece que os anos nao passam por ele. E que pena, ele já nao dar aquele beijinho na mao depois de marcar um golo. É porque nao tem marcado golos, expliquei-lhe eu. Agora, em relacao ao Cristiano Ronaldo, esse espécimen sobre o qual milhoes de olhos se fixam sempre que a Bola lhe vai parar às pernas, eu queria fazer uma pergunta. Porque é que ele quando o jogo, melhor dizendo, a finta nao lhe corre de feicao, ele diz merda e depois faz cara de sex doll, nao sei se estao a ver, assim com a boquinha semi-aberta, com um ar explícito que traduz se é pra isto, nao brinco mais...? Além disso, o manager dele ainda nao concluiu que para um gajo a quem sao oferecidos 73 milhoes de euros para mudar de clube, já se exige um penteado decente e nao aquele cabelinho piroso a enrolar no pescoco? É que é chato uma pessoa ter de pensar que antes do jogo, alguma fan lhe lambeu a cabeca assim daquela forma. Já para nao falar que prejudica um bocado o turismo na ilha na Madeira, essa ilha tao bonita e tao bem falada aqui nas Salsichas.
Como bom pássaro Avelar que sou, deixem-me transmitir para os lados daí o que se diz por cá. Os alemaes adoraram a performance dos portugueses. Incluem Portugal nos Favoritos, com F grande! O Bola foi ontem comprar um kebab e perguntou se nao tinham com uma bandeirinha de Portugal. Ganda Bola. Arriscar-se a levar uma tareia das grandes, mas com um grande orgulho do seu, meu, nosso Portugal. Alem disso, sinto que o Bola está a ficar um gajo com piada. Afinal, este casamento pode chegar à velhice, contrariamente ao que se diz por aí. Acho que nao será boa ideia assistirmos ao jogo juntos, caso a Alemanha e Portugal se confrontem, mas pra já somos todos amigos, differences forgotten, let's not mention the war.
Outra coisa da qual nao me posso esquecer. Se por acaso estiverem tristes e a precisar de rir um bocado, pecam a um amigo alemao que tente pronunciar o nome do Eusébio. É engracado, mas se calhar eu nao conto, porque sou uma pessoa de sorriso fácil. À menor palermice e já me estou a rir, como se tivesse acabado de engolir um palhaco.
Alguém viu o Maniche?

quinta-feira, junho 05, 2008

Long live the cock!

Hoje foi um dia bom, se compararmos com o de ontem. Os meus colegas ficaram radiantes quando lhes atirei com um chourico para cima da mesa, que eu cá sou fina quando toca a souvenirs. Para a próxima levam um galo de Barcelos, até porque desde há poucos anos a esta parte que o galo renasceu, ou é de mim? Será que só eu me dei conta do Barcelos cock reloaded? Desse galo que de repente deixou de ser a peca de louca das cozinhas das aldeias para passar a estar em t-shirts, boxers e pijamas (?) e numa vasta gama de artigos que saem para fora dessas mesmas cozinhas. Falta-me o paliteiro. Long live the cock! Alguém me consegue arranjar o fato de galo para o próximo Carnaval?

Bom, este segundo dia da ressaca regresso-pós-traumático foi mais leve. Comi um pacote de bolachas coríntias enquanto trabalhava durante a tarde e digo-vos que sim, a comida afoga mágoas. Os meus amigos de hoje foram o naco de queijo que a minha Mae me pos na mala, a alheira de Mirandela e metade dum palmier com creme de ovos que escapou às maos do Bola, pois creme de ovos é algo que tem de se aprender a apreciar e no tema ovos moles, o Bola falha como notas de mil escudos. (claro que ainda existem)

Estou a lavar na máquina a minha bandeira de Portugal que tem estado no fundo do cesto da roupa para lavar desde 2006. Do outro lado da rua moram turcos. Nao sei bem que fazer. Tenho medo de por a bandeira antes do jogo, porque temo pelos ovos podres que me poderao atirar no final do jogo se a Turqui ganhar. Mesmo assim, pedi hoje aos meus alunos para me escreverem num papelinho os prognósticos para os jogos todos deste fim de semana.
Já falamos de tristeza, comida e futebol, agora chegou a parte da música. Partilho com voces um vídeo duma miúda que está a dar que falar aqui nas Salsichas. Muito se tem escrito sobre ela, especialmente que tem um ar muito decente, uma óptima voz e para minha surpresa, pouco sex appeal. Depois de verem o vídeo pela segunda vez, especialmente o primeiro minuto, com certeza vao discordar. Eu sempre que oico a música, da-me para ir a correr atrás do Bola para lhe saltar para o colo com o mesmo yeah yeah yeah...

quarta-feira, junho 04, 2008

jet lag sentimental

Depois da festa, vem a ressaca, que é como quem diz, depois de quase duas semanas de férias, estou de volta ao trabalho, assim a frio, chegando a casa às tantas da noite, tendo que ir logo trabalhar no dia seguinte. Foi um dia um bocado pesado. Quando soube que ia ter formacao de manha, confesso que temi pela minha saude mental. E enquanto ouvia falar o gajo monocórdico que dava o tema de hoje (qual foi?), apercebi-me uma vez mais que estar em situacoes destas a morrer de sono, chega a ser doloroso. O corpo perde misericordia, relembra-me que dormi 5 horas (se tanto) e que como ainda ontem estava em Portugal, talvez nao tivesse sido má ideia passar o dia de hoje em casa. Chegassem os meus dias de férias para luxos desses! Mas sempre é pior do que correr o risco de chamar as minhas colegas de Pai ou Mae. Hoje estou, portanto, em camara lenta. O tempo esta chuvoso mas quente, de tal forma húmido que acredito ser possível o meu corpo colar-se à cadeira.
Em Portugal bebi 10 galoes em sete dias. Continuo a achar uma grande cara de pau quando me fazem um galao - 3 vezes - com café velho, só com a borra, e só tive coragem de me queixar ontem, no aeroporto, por este me ter custado dois euros e vinte. Uma coisa é a TAP cobrar-me 65€ por 5 kilos de bagagem que eu levava a mais, isso sim é uma forma digna de a empresa comecar a poupar uns trocos - tentei em momentos de fúria, pensar que esta cobranca à descarada é com intuito de salvar empregos - , agora os cafes pouparem nos galoes fazendo-os intragáveis, isso já é mais gritante e inquietante.
Mas como nao me sinto em condicao psicológica boa q.b. para estar a escrever alguma coisa com piada, acho que vou dormir. Só para nao pensar que vim novamente para longe, onde tenho o Bola, mas onde me continua a faltar uma mao cheia de outras pessoas que ele nao pode nunca substituir.
Sobre os palhacos que foram em peregrinacao atras do autocarro da seleccao portuguesa, expressar-me-ei assim que os animos voltarem ao de cima. Acima de tudo, interessa-me saber o que disseram lá no emprego.

segunda-feira, junho 02, 2008







Roderick

Há alguns indicadores que nos vão dando a entender, a partir de uma certa idade, que estamos mesmo mais velhos. Por exemplo, preferir locais isolados, no meio do nada, onde o som do sino das vacas é verdadeira música. Outro exemplo, é assistir ao concerto do Rod Stewart em directo na televisao e ATÉ GOSTAR, aliás, mais preocupante, é que eu dei comigo a achar o Rod sexy, por ele se saber abanar os quadris.
Alguém que me dê já dois pares de estalos! Eu depois de ver a figura que a Amy Winehouse fez, tenho estado a apreciar os outros concertos e acho tudo muito boas interpretações. Outro sinal de estar claramente mais velha é preferir ver o concerto do conforto de casa, sem os empurrões, os ataques de agorafobia, em pantufas, óculos e enquanto faço as sobrancelhas. É que dá muito mais jeito. Para quê ir para o meio da confusão cheirar os sovacos alheios, levar cotoveladas e ter de me esforçar muito para comprar uma sandes?
Queria só sugerir aqui, para quem me lê, que acho que o Rod Stewart já podia perfeitamente ter sido convidado para fazer publicidade a produtos para o cabelo, com esta idade e ter spiky hair, porque é que isto nao ocorreu a ninguém?!

quinta-feira, maio 29, 2008

que tristeza

Ontem estive em Viseu, mas eu devia era ter lá ficado para hoje ir de bandeirinha na mão acenar ao Cristiano. Confesso que esta pré-euforia, com nova saga de bandeiras e quinas por todo o lado, já me começa a irritar um pouco. Não dá para voltarmos aos Pai-natais a subir pelas janelas? É que nem era má ideia de todo, já que a Imperial já está a fabricar as fantasias para o próximo Natal. Esta informação vem de fonte segura, da minha Mãe que foi ontem visitar a fábrica, um destino incluído na minha lista 100-coisas-para-fazer-antes-de-morrer. Se não for essa, pode ser a fábrica da Olá.
O Bola é tão amoroso e gosta tanto de me dar provas de amor nos momentos certos, que hoje me ligou às seis e meia da manhã.
- Bom diiiiiiiiia! Hoje vou mais cedo trabalhar porque tenho que fazer isto e aquilo e bla bla bla... (nao posso ser precisa quanto a coisas ditas a horas escandalosas, i.e. antes das oito da manhã)
- Bola... tu tens noção que aqui são seis e meia, ainda nem isso...? Tu .... ACORDASTE-ME!!! Mas nem a 2800 km de distância me deixas dormir?!?!
Bom, relembrei-lhe que o nosso casamento pode depender de acidentes de percurso desta gravidade. Espero que ele não volte a repetir a proeza. É que depois já não consegui dormir em condições, porque depois os meus intestinos acordaram também a relembrar-me da quantidade também escandalosa de ovos moles que comi ontem. Mas é tão boooooooooom... o colesterol é algo inventado por pessoas, cujo hobby é destruir o prazer de comer. E pessoas dessas estão espalhadas por todo o lado. São resmas delas. São essas e aquelas que repetem dez vezes ao dia a máxima do momento isto está muito mau. Esta frase está a um triz de ser classificada oficialmente como parte da gíria portuguesa. Esta frase ameaça tornar-se mais populucha do que termos como 'fixe' e 'bué', que foram palavras com muito sucesso na última década, sob o ponto de vista da evolução semântica do português. Vocês vejam lá isso. É que isto está mesmo mau. (o tempo, diz-se)

ao engano

Os dias com o Bola na montanha foram bem passados. Tínhamos a nossa cabana no meio do prado, com uma vista fantástica para os Alpes e um ar maravilhosamente fresco. Todas as manhãs, tomávamos o pequeno-almoço na varanda, com o sol a banhar-nos os braços e o som dos passarinhos e dos sinos das vacas ruminando mesmo à nossa frente. O Bola fazia o café, ía ao pão e esperava-me sentado cá fora, a ler o jornal. Andámos muito a pé, passeámos pela zona do Tirol e no sábado fomos fazer uma caminhada que se transformou em escalada. Eu nao tinha lido convenientemente o livro que o Bola tinha comprado. Eram caminhadas NA MONTANHA. E eu escolhi a mais curta e uma da categoria FÁCIL. Quando o passeio começou, eu não queria acreditar que o Bola estava mesmo à espera que eu andasse TRÊS HORAS a subir uma montanha, ou seja, a PIQUE. Mas como eu tenho de o acompanhar nas coisas que ele gosta, para poder por exemplo, garantir a sua companhia para o cinema sempre que hajam comédias românticas e especialmente agora que o inimigo mora ao lado (a vizinha) e é um inimigo que certamente sobe montanhas, corre na lama e no fim ainda faz 346 abdominais (só com um braço), ... eu tinha uma mão cheia de motivos para subir os 600 metros que tínhamos acima de nós sem me queixar.



Mas não foi fácil. Várias vezes, achei que o meu coração me ía saltar pela boca fora. Outras vezes achei que eram apenas arritmias. Outras vezes, era a lama nas zonas mais irrgulares, a desafiar a densidade dos meus ténis. Outras vezes, sentia as minhas pernas a tremer, pedindo-me misericórdia. Mas ignorei-as. No meu delírio, eu apenas via a minha vizinha, fardada, a subir a montanha de bicicleta com o Bola enquanto conversavam alegremente montanha acima. Quando há motivações destas, eu não subo só as montanhas, sinto-me capaz de as mover!




O Zwieselgipfel foi o nosso destino. A segunda foto é da vista à medida que subíamos.

quarta-feira, maio 28, 2008

vim aqui e já volto

Ando por terras lusitanas. Vim assim de repente, sem avisar, como expliquei às minhas colegas no dia em que comprei o meu bilhete no site da TAP, para que os meus pais não tivessem tempo de ir a correr fechar as persianas ou deixar o telefone tocar, com medo de eu montar a minha tenda e tão depressa não me ir embora. Vontade não me falta.
Contrariamente às minhas expectativas, o tempo não está como era suposto. Toda a roupa que tenho na mala vai lavadinha e engomada como está, de volta à minha gaveta, na minha casa, pois está-me a querer parecer que enquanto aqui estou só me vou servir do pijama e do casaco de malha polar. Parece Outono. E lá nas salsichas brilha o sol. E depois é uma chatice porque este tempo só é bom para ir pros centros comerciais. E depois o problema é a minha carteira, ou melhor dizendo, a minha consciencia de Minhoca pouco esbanjadora.
Sabe bem estar de volta. A comida sabe bem, o ar cheira diferente, cheira a casa. As pessoas andam com coisas bonitas, bem arranjadas. Falam porém, alto e em sítios em que se espera algum nível de customer service, falam umas com as outras sobre assuntos menos próprios. Com todas as coisas que me incomodam neste país, é aqui que me reencontro, que parece que posso ser eu novamente. Gosto de ouvir as conversas por detrás do meu ombro, no café, no comboio, no sapateiro. Gosto de constatar nas revistas cor-de-rosa que no meio social lisboeta já há mais umas dezenas de actrizes e relações públicas. Na minha ausência, tenho a certeza que a profissão relações públicas, se foi aproximando cada vez mais do seu signficado directo. Ter relações, que são públicas, portanto. Basicamente, jovem, também TU podes ser uma relações públicas! Basta chamares-te Quica ou Tita. Ou Micá. Ou Bibá. Hoje li pela primeira vez o Diário de Notícias e encontrei tantas incongruências que concluí que o mau jornalismo está em cada esquina. São pequenas coisas novas.
Tá tudo maluco com o preço dos combustíveis. Fala-se na pobreza. Na Alemanha também. Só ainda não vi filas para atestar o depósito. Mas nada me vai deprimir nestas férias. Dêm-me um galão e meia torrada e sou uma Minhoca feliz.

quarta-feira, maio 21, 2008

a última do pacote


Ontem enquanto fazia o meu clássico bolo de laranja - muito banal em Portugal, mas aqui uma iguaria quase de calibre conventual - pensava em qual teria sido a alegria da pessoa que descobriu o fermento, quando de repente se apercebeu que a reaccao química era fazer a massa crescer. Até eu, quando olho do lado de fora do forno e vou vendo o tamanho do bolo em erupcao quase, sinto uma alegria inexplicável, imagino a do gajo que descobriu o baking powder ... e acho que no que toca a ver coisas aumentar de volume e sentir alegria, é melhor ficarmos por aqui.
Tou de maleta feita para quatro dias na montanha. Levo várias coisas acabadas em ... de sobrevivencia. Livros de sobrevivencia, bolachas de sobrevivencia, cobertor de sobrevivencia e acho que se tivesse um daqueles canivetes com bom aspecto, o metia enfiado na meia, esta por sua vez no meu pé e o meu pé enfiado numa bota digna de caminhadas na montanha. Já me sinto feliz por ao fim de dia ter à minha espera uma cama que nao se encontra numa tenda de campismo, mas sim num confortável apartamento kitsch. Com bibelots, como eu gosto. O importante mesmo é encontrar o meu caminho de volta para a casinha kitsch. Levo um saquinho com migalhas que pretendo ir distribuindo ao longo do meu percurso. Sei que o Bola tem intencoes de me levar, mas sobre trazer-me de volta nao foi falado nada.
Malta, estou de volta na segunda-feira e prometo ter muito para contar. Assim tipo um peixe pescado por mim e assado na fogueira ACENDIDA POR MIM.
Até lá, partilho com voces mais uma tirada desta variante tao bela que é o portugues do Brasil, pois estas coisas devem ser partilhadas, especialmente agora que tivemos de nos render ao acordo ortográfico.
Frase para nos referimos a uma pessoa convencida: Esse cara tá se achando a ultima bolacha do pacote.
Eu ainda disse à minha colega que isso nao faz muito sentido, pois a última ninguem se atreve a comer, por delicadeza. Ela disse que no Brasil isso nao existe, que toda a gente quer devorar a última bolacha, seja qual for o pacote. Pronto. Sao culturas!
Mas se me permitem um desabafo, já estou um pouco moída - eu, pessoa fina - de ter de ouvir putakipariu a cada dez minutos durante o expediente. Eu nao gosto de palavroes. Encolho-me toda como se alguem tivesse feito o giz chiar no quadro de xisto. Elas reagem com um deixa di frescura minina!

domingo, maio 18, 2008

Perigo iminente

Ouvir os gritos das andorinhas deixa-me incrivelmente feliz. Lembro-me de andar na escola e acordar com os gritos das andorinhas quando o Verao ainda estava a comecar. Lembro-me de quando era mais pequena, o meu Pai me levar a mim e aos meus irmaos para a varanda do quarto com o pacote de algodao e nos mostrar como podiamos pegar num bocado, abri-lo para que levitasse no ar morno, e depois esperar até que uma andorinha o apanhasse. Acho que é por essa razao que gosto tanto de ouvir as andorinhas, aliado ao facto de aqui nunca me ter apercebido que elas tambem chegam.
Bom, mas apesar de hoje estar um dia deprimente e chuvoso (as andorinhas lá se safam pelo meio da chuva, ou entao apercebem-se agora que se enganaram no destino e que tambem precisam de GPS), nao vou passar a tarde no tema saudades, pois esta semana o tema é os quatro dias para a montanha e tenho de me preparar fisica e psicologicamente.
Ontem tivemos churrasco cá em casa. A vizinha de baixo veio e trouxe os pais, e vieram mais 4 amigos nossos. Foi animado, se excluirmos as vezes em que a Mae dela fez observacoes muito semelhantes a esta:
(para o Bola)
- Ai gostas assim tanto de alho...! Que engracado, a minha filha também. Minhoca, tu ve la, porque onde há cheiro a alho, a minha filha vai atrás.
Durante o resto da noite, ouvi mais tres vezes comentários parecidos, aos quais sorri amarelamente, variando a parte do alho. Spare ribs foi outra. Só faltou mesmo caminhadas. Mas como ela usa farda e corre dez quilómetros por dia, nao lhe deve ser dificil subir a montanha e desce-la num dia. Alem de boa preparacao, ela tem um cabedal que no caso de isto chegar a confronto físico, garante que eu vou ficar passada assim género envelope. Durante a tarde ainda fomos buscar um grande naco de pao à padaria, pois ela faz hoje anos e a Mae dela pediu ao Bola se lhe podíamos fazer esse favor, pois a sua princesa desde tenra idade que nao pede bolo de anos, mas sim um grande naco de pao. Vai daí, à meia-noite cantámos os parabéns e comemos todos uma fatia de pao barrado com queijo creme.
Ultimamente, sinto que me tornei numa minhoca bem mais amorosa para com o Bola. Mas mais amorosa me vou tornar para com a minha nova vizinha. Mas eu juro que simpatizo com ela. Mas se o Bola voltar a grunhir de prazer depois de provar a sobremesa dela e nem sequer tocar na minha, aí agarro na vizinha e vamos lá fora resolver isto as duas.

sexta-feira, maio 16, 2008

abaixo de nós, voltou a haver movimento

Ter vizinhos é bom. Especialmente quando sao daqueles com piada, simpáticos, com quem se pode passar um bom bocado. E levar um cao emprestado. Ter vizinhAs tambem é bom. Mas deixa de ter tanta graca quando o nosso companheiro - sim, aquele a quem damos o nosso amor - lhes acha piada. A minha nova vizinha é de facto muito simpática. Dois dias depois de nos ter conhecido e entrado de pé descalco pela nossa casa adentro para ver a cor das paredes e a nossa varanda, colocou-nos na porta da casa um saquinho com guloseimas americanas. Desde bolachas daquelas tipo subway, passando pelos famosos reeses e toda uma gama de coisas à base de manteiga de amendoim, que encaixam perfeitamente nesta minha tentativa de dieta número 134. Além de a vizinha americana ter os doces de que o Bola gosta, ela possui algo com que eu nao posso competir. Ela usa farda, ela é militar. E isso, sabemos nós, faz parte da fantasia de qualquer representante do sexo oposto, embora muitos morrerao sem nunca o ter admitido. Quando eu já tinha razao suficiente para fanzir a sobrancelha sempre que o Bola me falava na nossa vizinha, eis que hoje, quando ela aqui veio jantar com os pais dela, descobri que alem destes dois factores existentes e de grande peso - farda e guloseimas - existe um outro que juntanto aos anteriores a torna num potencial perigo, especialmente se o Bola achar que eu sou frequentemente chata. Ela apareceu com um decote tao fundo, que a certa altura eu quase que lancava as maos para o prato dela, nao fossem a sua prateleira cair em cima da comida. Eu gosto da minha vizinha, quanto ao Bola, vou ter de arranjar motivos para ele deixar de gostar tanto.

O Verao por cá

Nao sei em que botoes é que controlar os estores automáticos, pelo que tenho o sol a bater no meu monitor e com isso, nem sequer me apercebo onde foi parar o cursor. Enfim, nao interessa. Desde quando é que os génios precisam de reler o que escrevem? Eu precisava.
Depois de uma semana de oito dias consecutivos com sol, ceu azul e as temperaturas a rondar os trinta graus, chegou a altura da habitual punicao. Nao sei se nas diversas consideracoes que tenho feito sobre o tempo no País das Salsichas, já me referi a esta questao, que nao deixa de ser interessante. Nunca passa uma semana banhada de sol no País das Salsichas sem que imediatamente após oito dias, no máximo, chova torrencialmente. E o dia em que chove torrencialmente é hoje, parece. Fica abafado, comeco a sentir a pele a colar-se à roupa e a transpirar por todos os poros, que desde que descobri que a minha tiróide é lenta, uso como desculpa para todo o meu muito ou pouco suor.
Ontem passei a noite no meu quartinho do cemitério e agora que se sente a Primavera por todo o lado, é ainda mais agradável ficar por lá, pois o ar cheira a flores e acordo com as galinhas, um pouco contrariada, mas elas nao se calam mesmo. Quando fui buscar a chave à tia Ingrid, reparei pela primeira vez que ela deve ser mesmo surda. Eu estou ali em frente dela e ela fala comigo aos gritos, como se eu estivesse duas ruas abaixo. Ainda olhei em meu redor, nao fosse ela estar a falar com outra pessoa qualquer, mas nao, era mesmo comigo. Portanto, calculo que todos os vizinhos tenham ouvido aquela parte do 'esqueca lá o euro que falta, que eu ofereco'.
Aproximam-se uns dias animados, para os quais era bom que o tempo ajudasse. Eu e o Bola temos uns dias a sós planeados agora para a semana que vem. Dia 22 de Maio é feriado e decidimos fazer ponte e ir 4 dias para a montanha, melhor dizendo Starnberg, que é uma zona maravilhosa, a sul de Munique, com um lago fantástico. Ah, e as montanhas. Ele está muito entusiasmado, especialmente desde que comprou um livro com a descricao de todos os caminhos que podemos fazer a pé em torno das montanhas. O nosso entusiasmo é, pois claro, indirectamente proporcional. Se sao dias de férias, porque é que eu os iria querer passar de língua de fora, a transpirar que nem um porco, a incomodar músculos que há muito que deixei de ter?! Nos meus sonhos, idealizei estes dias acordando de manha por volta das dez, tomando o pequeno-almoco na varanda do nosso quarto, com uma vista suprema. Depois via-me esticada numa toalha de pic-nic no meio do prado, a ler e a apanhar sol. Ao meu lado, o Bola preparava o nosso pic-nic, barrando fatias de pao com manteiga. Num destes sonhos, ele espremia sumo dumas laranjas, com o espremedor manual que tinha levado para o efeito, mas pronto, nao precisamos chegar a tanto. Num dos dias faríamos um passeio de barco pelo lago e noutro iríamos ver o gado a pastar. Será que era pedir muito? Para que as caminhadas? Eu até gosto de andar a pé, mas a direito, nao , a ideia de subir uma montanha nao me apraz. Por isso, procura-se menina simpática e com interesse pelo desporto para me substituir em todas estas ideias que o Bola tem, nas quais o meu corpo se recusa a acompanhá-lo. Com interesse pelo desporto, mas assim pro gorda e feia, se possível.

segunda-feira, maio 12, 2008

Nao tenho pedal pra eles.

Ora mais um fim-de-semana com a família do Bola, que é aliás também a minha. O avo do Bola festejou os seus 85 anos e foi uma grande festa. Aqui no País das Salsichas - sim, com letra maiúscula - é comum, quando se festejam idades redondas e se mora na mesma aldeia onde se nasceu e se é conhecido por todos, toda a gente ir a casa da pessoa dar os parabéns. E assim foi, foram os amigos dele, o padre, o coro e a banda. Eu entretive-me a maior parte do tempo a fazer sandes em tempo record e a observar quantos litros os velhotes amigos do avo conseguiam mandar abaixo num espaco de dez minutos, sem se perderem na conversa que estavam a ter. Claro que sempre pronta, caso fosse preciso, a agarrar num velhinho e prestar primeiros-socorros, pois quando a média dos convidados passa dos oitenta anos há que tomar precaucoes, a gente nunca sabe. No dia seguinte, quando estávamos em família a plantar uma árvore no jardim, até me saiu uma piada fantástica da qual nem todos se riram (timidez) que foi mais ou menos uma referencia às fotos que alguém estaria a tirar com alguns de nós de pá e enxada na mao. Mais tarde, quando ja ninguem se lembrasse do que estaríamos a fazer na foto, se podia sugerir que estávamos a enterrar alguns dos convidados que nao sobreviveram. O humor negro nem sempre é mal motivado.
A alegria de ontem foi quando depois de mais um dia sem fazer nenhum, chegados a casa, o Pai e Avo do Bola encontram no meio das prendas de aniversário uma garrafa de Schnapps de cereja de 1990. Posso jurar que o Bola até ficou com os olhos em água de tanta emocao. Ninguem conseguiu explicar de onde a garrafa tinha vindo, mas menos misterioso seria explicar para onde a garrafa foi.
Pela primeira vez, admiti perante os alemaes todos la em casa que nao tenho o estofo deles para a bebida, que eles bebem até cair pro lado, sendo que nunca caem e eu sou uma menina do coro, que até tusso ao segundo gole de cerveja. Nao tenho pedal pra eles. Desisto.