Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

terça-feira, julho 24, 2007

de rebentar pelas costuras

Nos últimos dias andei ocupada a mimar dois gatos bebés que encontrei numa quinta. Como eu tenho uma fixacao por criaturas extremamente magras, quando vejo uma toca de agarrar nela, traze-la pra casa e mimá-la até ficar gorda de nao poder. Parece que me chamam com aqueles olhos tristes aí comeco a visualizar no cinema que é a minha cabeca slogans do tipo come and visit Somalia. O último foi o Bola e como o processo da engorda ainda nao aconteceu, fui ficando com ele, apeguei-me. E dizem por aí que casei com ele.
Estava eu a contar... Fui à festa de Verao da minha ex-empresa e a dada altura, quando me preparava para ir para a fila das salsichas (era um churrasco), ia tropecando num gato minusculo e magrérrimo, assim tipo a keira knightley. Olhei para a Keira e agarrei nela, nao fosse alguma crianca parva e distraída esborrachar a coitada, como alias eu quase ia fazendo. Deixando uma mancha desagradável no chao. No meio de muita conversa, acabei por obrigar o Bola a aceitar a Keira e seu irmao como os dois novos elementos da familia Bola. Ele disse que nao 500 vezes, mas depois acabou por aceitar, ou nao fossem as relacoes de hoje em dia comandadas exclusivamente por mulheres. A minha claro que nao é excepcao.


A Keira, descobrimos ontem, era um Keiro. Aliás, os dois gatos sao gatos e nao gatas, pelo que automaticamente herdaram os nomes de Rambo e Conan. Combinava com a personalidade. Eu queria chamar a um Chuck - as in Norris - mas o Bola nao deixou, disse que se tivesse dinheiro, pagava alguem para dar uma tareia no Chuck, o nosso ranger. Pelo que foi com estes nomes que preenchi a ficha do veterinário ontem. Os bichos estavam subnutridos, como eu já sabia, pesavam cerca de 600 gramas cada um. Hoje já estavam com melhor aspecto, mas o Bola nao aguentou tanto cheiro a cócó e a chichi e nao quis sequer esperar que eles aprendessem a usar o bacio. Vai daí que depois de uma brain wash intensa, conseguiu-me convencer entre lágrimas a deixá-lo devolver o Rambo e o Conan à origem, caso contrário ia servi-los na próxima churrascada. 'Conseguiu-me convencer' é a forma a que me sinto obrigada a escrever. Na verdade, ele nao me convenceu, eu senti que se nao cedesse tinha um advogado a mandar-me os papeis do divorcio pelo correio daqui a uns dias.
Estes homens sao uns egoístas. Decido eu - cheia de amor para dar, a rebentar pelas costuras - conceder a minha atencao a um ser magrinho de 4 patas, ele, também ser magrinho, sente-se ultrapassado.
Depois de ter comprado comida de gato para o mes todo, leite especial para gatos e todas os mimos que consegui por no meu carrinho de compras, ele decide que é tempo de os gatos fazerem as malas. Sendo que na mala iam tambem os medicamentos que o veterinário prescreveu.
O pior já passou.
Agora preciso de dicas para como me livrar do cheiro de chichi de gato da cozinha, sendo que já passei a esfregona tres vezes em todos os locais possíveis. Estarei condenada a ter uma cozinha ainda mais mal-cheirosa? É este o preco a pagar por ter um marido sem coracao? Mas kékeufiz?
O Rambo e o Conan iam ser os meus primeiros amigos felinos. Ainda nem acredito que o sonho acabou.
Oh. Nao quero viver mais. Saia uma ronda de whiskas para todos e um brinde à intolerancia.

quarta-feira, julho 18, 2007

minhoca brincando de intérprete

O meu chefe tem mesmo pinta de ordinarao. Ele nao é o meu chefe, ele é mesmo o big boss, a quem nem sequer dou justificacoes, e ainda bem, pois nao tenho de lidar com ele muitas vezes. Mas há que admitir que os sensores de localizacao imediata de mamas e pernas do homem sao de louvar. É um verdadeiro GPS de miúdas. Desde que topei que ele se inclui na categoria de velhos nojentos com medo de envelhecer quando já sao velhos, que agora gosto de reparar na rapidez com que as suas pupilas se dilatam quando passa uma rapariga gira a menos de cem metros dele. O que vale é que onde eu trabalho nao há muitas raparigas giras, deixa lá contar... ora, uma, du... uma. Pois. Só mesmo só eu. Gira e inteligente. Ah. E simpática.
Infelizmente, o meu chefe acha-me piada, ri-se sempre quando eu lhe falo. Diz que de certeza que nos vamos entender bem, nós, os dois estrangeiros do prédio. É verdade, somos só os dois. Mas eu nem me quero entender com ele. Viscoso. A sorte é que ele anda sempre a viajar. Se o Bola nao arranjar um emprego lá nos próximos seis meses, aí reconsidero dar-lhe um beijinho na testa.
Hoje tive o primeiro dia de trabalho a sério, a ponto de já nao saber para onde me virar. O trabalho era tanto e foi-se acumulando desde ontem que quando me senti desmoralizada, simplesmente desliguei o pc e disse para mim mesma que nao adiantava ficar ali, a querer adiantar todas as coisas que tenho pendentes. E para as quais ainda nao tenho solucao. E a cereja no cimo do bolo, sendo que é um bolo mau, foi quando me informaram que nas semanas 32 e 33 do calendário precisam de mim no departamento académico, para fazer de intérprete de alemao para portugues. 10 dias, das oito às cinco. Logo na semana em que os meus pais e irma me veem visitar. Eu nao meti férias, por ainda estar nos primeiros seis meses, mas como tenho um horario de trabalho relativamente flexivel, estava a contar sair sempre mais cedo nessa semana, tipo duas da tarde. Lixaram-me. Na formacao nao posso fazer isso. O máximo que consegui foi tirar um dia, porque inventei que tinha de os ir levar ao aeroporto. Sabe, os meus pais já sao velhinhos. A minha mae teve-me quando ela já estava na menopausa. Foi um milgare. E eu sou o tesouro deles, a filha unica, sabe como é... esta viagem até cá é algo que eles já estao a planear há dez anos, pois desde os meus 17 anos que nao os vejo. Se eu nao os for levar ao aeroporto, o mais possível, é ter de os ir buscar de comboio à República Checa. Pronto. Tem vezes em que sou tao convincente que bato palmas a mim mesma.
Agora tenho um dossier com mais de 200 acetatos com termos de mecanica e electrica para traduzir para portugues. Algo me diz que vai ser hilariante. Especialmente por eu ser a unica pessoa que percebe tanto a língua de partida como a língua de chegada. Bom, pelo menos já sei o que é um fusível.

terça-feira, julho 17, 2007

michelin cá em casa?

Na semana passada, como fui de manha ao medico para que ele me desse a boa nova que com esta tiróide deficiente, qualquer dia fico pescocuda, pude tomar o pequeno-almoco nas calmas quando regressei a casa. O consultório é nada mais nada menos do que do outro lado da rua. Estava eu a desgustar as minhas torradas com doce de cereja feito por mim, quando oico o Bola a inspirar e a expirar como se estivesse em sofrimento. Ou a fazer um grande esforco, pronto. Vim até ao quarto do computador e para meu espanto, o Bola, acabado de levantar e ainda sem o pequeno-almoco, estava a levantar pesos.
- Bola, nao sabia que também querias ter maminhas. Eu achava que tinha q.b. para nós os dois e quem as quiser apanhar...
Bola explica que desde há várias semanas que anda nesta parvoíce de levantar pesos antes das oito da manha. Realmente, aquele peitoral está a desenvolver-se. Mas para que, pergunto-me eu. Nunca achei piada a gajos insuflados. Com mamas, portanto.
Depois de eu ficar de boca aberta a olhar para as figuras deprimentes dele, ele pos os pesos no chao abruptamente e disse-me, bem perto da minha cara e ainda com hálito matinal:
- Ves?? É por isso que eu faco isto de manha, depois de tu saires. Para nao ter de aturar a gozares comigo.

Temos algumas opcoes em aberto para este comportamento:
--> Bola subitamente preocupado com a aparencia = amante?
--> bola complexado e ainda a sonhar com os momentos mais altos do Rambo, nos anos 80
--> Bola ter inveja das minhas maminhas;
--> Bola andar a despejar frustracoes nos pesos.
Preciso de tempo para pensar nisto. Tempo que nao tenho tido. Entretanto, vou continuando a aproveitar o facto de ele subir os tres andares do predio com as compras todas, enquanto eu carrego um saco de papel higienico com 4 rolos.

segunda-feira, julho 16, 2007

eu é que faco chorar as cebolas




no lago

Olá camaradas!
Cá estou eu depois de um fds cheio de accao, que culminou com a minha triste experiencia no lago. Pois, claro, os 41 graus do mostrador da joalharia da minha rua nao me deixaram sequer pensar duas vezes. Vai daí, Minhoca agarra no seu Bola, mete-o debaixo dum braco, enquanto segura a cesta de palha com o lanche na outra, e dirige-se para o lago mais próxima. Protector solar, toalha, um tamparolere com 8 alperces e duas revistas cientificas e era o quanto bastaria para uma tarde feliz. Sem o cientificas. Acontece que o lago é um nojo, é só pedras. A água nao cheira a mar nem faz barulho. As pessoas em redor sao chatas e muito pouco discretas. E para piorar isto tudo, ou seja, a cereja no topo do gelado, mas sendo que é um gelado mau, estava eu sossegada há dez minutos a preparar-me para entrar nas águas calmas do lago quando, comeco a ver mesmo muita caca a boiar à minha volta. Pensei 'tomei banho hoje?' ou 'fiz cocó nas cuecas?' Nada disso. Reparei foi que os meus pés estavam a remover o lodo das pedras por onde eu passava e quando quis regressar perante a visao horrenda da caca a boiar em torno de mim, já foi tarde. Fui escorregando, escorregando, provocando mais caca que se desprendia das pedras e acabei por ter de megulhar. Um nojo. Nao se pode dizer que a minha saída da água se tenha assemelheado à Hale Barry no 007, mas pronto, foi o melhor que consegui fazer.
Entretanto, o pc parece que sobreaqueceu. Vou ter de desligar isto. Volto mais logo. Entretanto, curtam aí esta música que tem tanto de nova como de linda.

quinta-feira, julho 12, 2007

pessoa secreta com piada

Entao lá fui saltitante ao departamento de recursos humanos entregar o CV do Bola. Nao levei o meu wonderbra, pois achei que perante um senhor que tinha estado DE LIVRE VONTADE vinte anos na tropa, o melhor mesmo era ir armada em marota com o meu fato camuflado-transparente. Pronto, ok, chega de use your illusion e tal.
Fui com o meu ar de menina doce e angélica e ainda pensei em me atirar aos pés dele a implorar que ele desse um emprego ao homem com quem estou por casamento arranjado, e que lhe pague o suficiente para eu poder voltar a comer pao.
Ele ligou-me ao fim da tarde a pedir para eu lhe enviar o certificado de habilitacoes dele. O certificado de Politica e Ecologia. Sinceramente. As combinacoes que há por aí. Depois tem ali uma fase anterior a esta em que andou perdido, que tambem deu direito a um certificado de Psicologia e Management. Depois encontrou-me a vida dele recomecou claro. Viu a luz. Viu a luz mas passou depressa, pois aquele olhar cintilante com que ele me contemplava desapareceu há muito. E vai desaparecendo todos os dias um pouco, em pequenos momentos, onde ele diz que eu perco pontos. (isto quando lhe contei que acho que flatulencia no carro nao tem mal quando vou sozinha) Perco pontos, perco pontos, mas quando toca ao currículo dele, é sempre nas minhas maos que anda e sao sempre as minhas maos que o constroem. Estes gajos sao todos uns ingratos. Falam, falam e só dizem asneiras.

Bom, fui ao medico hoje. Ele aumentou a minha dose dos comprimidos para controlar a minha tiróide preguicosa. Quando falou em o meu pescoco poder aumentar drasticamente de volume (tipo para o dobro) caso eu nao tomasse os malditos comprimidos, eu ia tendo um colapso. Veja la isso, que eu ja sou pescocuda que baste. Pode triplicar a dose. Sabe, eu sou modelo, o meu ganha-pao é o meu corpo.

Entretanto, iniciei uma sessao de recados na casa-de-banho. Já desde que comecei que está uma folha A4 pendurada na porta da casa-de-banho com a simpática missiva que se segue:
O piaçába nao é para ser contemplado, é para ser usado e ia ficar muito feliz se passasse a ser utilizado. Obrigada.
Isto demonstra que alguem por lá nao era muito amiga de limpar o cocó das paredes da sanita. Nao devia conhecer a técnica da amante portuguesa que mal o poio cai, já está a agua a correr. Mas adiante. Depois de 10 semanas, achei que estava na altura de substituir este cartaz-wannabe deprimente, pois uma missiva tao repetitiva passa a ser ignorada depressa. Vai daí que pus lá uma missiva em papel A3 a dizer assim:
Amigas do piaçába,
já que connosco, contemplar é mais a parede, e que tal colorir a coitadinha com os meus posters da BRAVO de 1992?

Decidi que vou anima-las todos dias com missivas diferentes, a ponto de elas fazerem fila para todas as manhas lerem em primeira mao a nova mensagem da pessoa secreta com piada.

terça-feira, julho 10, 2007

dizem que copas avantajadas abrem muitas portas

Estou a preparar-me para amanha fazer algo que nunca imaginei vir a ser necessário nos próximos 5, 6 anos. Em Dezembro do ano passado, vi que na empresa onde estava nao ia ter futuro nenhum. Como fiz sempre o mesmo em tres anos e nao notei qualquer sinal de evolucao, por mais pequeno que fosse, cheguei ao fim da linha depressa. O Bola demorou mais tempo, mas parece que o fim da linha é agora claro para ele tambem. Corrijam-se se estou enganada, mas final da linha é quando um gajo da idade dele passa grande parte do dia apático e desgraca-se a rir a ver os Simpsons da primeira temporada. Simpsons nao teem assim piada a ponto de uma pessoa se desfazer de riso. Foi aí que vi que o estado dele já está no nível alarmante.
Portanto, fiz o currículo dele, obriguei-o a escrever uma carta de candidatura daquelas de sonho e amanha vou entregar o envelope no departamento de recursos humanos da empresa onde EU estou. Antes disso, já o fiz prometer que seja lá quando for que a oportunidade apareca, que nao vai cometer o abuso do passado. De num curto espaco de tempo, ser promovido e passar a ganhar mais do que eu. E é nesses termos que eu me predisponho a por o meu wonderbra amanha para ir falar com o senhor dos recursos humanos, a quem já mandei hoje um mail nao muito viscoso mas simpatico demais. Argh. Era tao mais fácil se o Bola tivesse maminhas. No meu departamento, ser gaja e ter maminhas é denominador comum. Hoje até sugeri às minhas companheiras fundarmos o clube da Copa Emancipada. Elas riram-se e uma delas, no meio das lágrimas de tanto rir, disse Tu só podes ser Capricórnio... és tao engracada. Só me fazes rir!
Finalmente descobri o canto onde se escondem as gajas fixes. Já nao era sem tempo.

segunda-feira, julho 09, 2007

deixem-me é ir pra praia, ta bem?

Nao é uma coincidencia eu só me sentir enjoada às segundas-feiras de manha, depois de acordar. O meu corpo simplesmente nao quer que eu me levante. Contorce-se todo. Faz-me ficar branca, amarela e com vontade de vomitar comida que o meu estomago nem sequer tem. E lá fico. Encostada à almofada, com pena de mim própria. Até o Bola me atirar com um
Deixa de ser preguicosa e vai trabalhar, e aí comecamos com uma batalha de almofadas que normalmente acaba sempre em.... ha?... acaba sempre, pois. Deixa lá ir ler direito o que eu tou pra aqui a escrever. Disparates destes só quando o Pai e a Mae deixarem de vir ao blog.
Neste fim-de-semana aproveitei o tempo choné para ficar colada ao sofá, que desta vez é como quem diz, ao colchao insuflável onde normalmente me banho de sol. E fui-me roendo de inveja por pensar na minha Mae com as minhas irmas, esticadas ao sol no Algarve. Limpei a casa-de-banho e a cozinha para o Bola poder comentar com a minha sogra a minhoca anda a limpar, que é algo que ele faz sempre com muito brio, contar à mae ao telefone quando eu ando a limpar. Um dia destes, ainda o apanho a dizer entredentes maezinha, ves, ela nao é de todo inutil. Mas isto é só para fazer piadas parvas, porque a minha sogra é amorosa, o rótulo de sogra é tao forte que quase a diminui da pessoa dócil que ela é. E ela acha que eu sou uma escrava do lar. Está-me sempre a dizer que com os cursos de ingles, o meu emprego e a casa para limpar, que certamente nao dá.
- Tu obriga-o a ajudar-te porque eu ensinei-o a fazer tudo.
Sempre que ela diz isto, páro para pensar e depois afasto os pensamentos maldosos da minha cabeca. É que ela insiste sempre no tudo. Até carrega no u e tudo.
Eu até estava com vontade de escrever mais, mas comi tanto Gyros com tsasiki ao jantar que nao me consigo mexer muito e dado que eu quando escrevo costumo desafiar a energia cinética, acho que hoje nao me cheira, nao, nao vai dar.
Até logo!

sexta-feira, julho 06, 2007

podre

Sexta-feira é sempre o melhor dia da semana. Esta semana por mais uma razao. Acabou a formacao que estava a dar comigo em doida. O tipo era tao monocordico e tao secas, que estar ali foi um verdadeiro suplício. Eu simplesmente nao consegui estar parada nunca. Ou mexia no cabelo, ou cruzava as pernas, ou brincava com a chavena do meu 34o café. Tudo para nao adormecer. Numa das vezes, o tipo foi buscar nao sei o que, e nos dez minutos em que ficou ausente, pus a cabeca em cima do meu braco e fechei os olhos por dois minutos. Ia-me apagando. Quando ouvi a porta, abri os olhos de repente e meia ensonada perguntei alto em meu redor QUEM?QUANDO?ONDE?PORQUE?
Ninguém me respondeu. Nao foi preciso.
Às tres da tarde, acabámos e depois de eu me certificar que nao deixava mails por responder, vim para casa, a desafiar o nível da gasolina no carro. Sinto que um dia destes fico mesmo na estrada, à mercê da boa vontade de algum simpático que me ajude a chegar à bomba mais próxima. Mas esqueco-me de olhar para o mostrador da gasolina, pronto, que hei-de fazer... Ando num estado em que isto já nem com post-its lá vai.
De tarde, estive a dormir e que bem que me soube. Quando o Bola entrou pelo quarto adentro às seis da tarde, voltei a acordar sobressaltada, perguntando alto QUEM?QUANDO?ONDE?PORQUE? Sempre esta sensacao que dormir é ilegal. Ilegal devia ser comer tantas couves de bruxelas. Que isto dá uma flatulencia que nem vos conto. Deve ser por isso que hoje o Bola ainda nao falou direito comigo. Descobriu que eu apodreci de vez.
Bom fim-de-semana, camaradas! Ponham esse sono em dia, que é o que eu entendo fazer. Durmamos todos para um mundo melhor!

quarta-feira, julho 04, 2007

lufa-lufa

Porque é que as pessoas me continuam a mandar mails sentimentais, chain-letters e coisas que tais? Eu nunca reenvar. Eu nao gostar. Eu ficar farta. E acima de tudo, eu nao querer que a AOL contribua com um centimo para aquela menina lá duma terra estranha, da qual nunca ninguem ouviu falar, finalmente ser operada.
Posto isto, agora podemos continuar.
Às vezes, pergunto-me se entendo o conceito time management. Vejamos, passo a minha semana a correr. Diria até que agora trabalho sob uma certa dose de stress. Saio de casa às 7,40 todos os dias para entrar no trabalho as oito. Como a minha zona de clientes é o sul da America, às vezes estou pronta para sair às cinco e lá chega mais qualquer coisa para fazer, pois devido à diferenca horária, a America do Sul só acorda quando eu já estou a preparar-me para me por a andar. Às tercas e quintas, nao posso mesmo ficar depois das cinco, venho a correr para casa para entrar, sair e cinco minutos depois, chegar à escola onde dou os cursos, com a minha pulsacao a avisar-me que um dias destes um dos pulmoes me sai pela boca fora. Tercas e quintas, quando finalmente páro, já sao oito da noite. Nem sempre tenho o jantar feito quando chego a casa. Às vezes, ainda o vou fazer. Quando já tenho tudo arrumado, ja sao horas de me ir deitar. Para dormir menos de oito horas e no dia seguinte repetir tudo outra vez. A roupa fica dias a fio a secar no estendal. Acumula-se no cesto para passar a ferro. A casa de banho grita para ser limpa, pois só ao fim-de-semana nao chega. E há dias em que olho para o meu reflexo no espelho e oico algo do género a vida dum adulto é mesmo isto e olha que para já voces ja sao só dois, imagina quando vierem os filhos. Portanto, quando eu já acho que ando sempre a correr (e quando venho aqui a postar, só o faco com um olho
aberto) é quando devo concluir que o pior ainda está para vir. E perante uma imagem horrenda de eu, a mexer um tacho com um filho ao colo aos berros e outro a meter aos maos no forno e eu aos gritos para o Bola me vir ajudar, sem eu dar conta do recado, que vos pergunto A VOSSA VIDA TAMBEM É ISTO? Também correm? Foi para isto que os vossos pais vos prepararam? E aqueles que ainda vao ao ginasio, passear e ocupar os TEMPOS LIVRES durante a semana?
Ou queixo-me de barriga cheia? Cheia ela está de certeza...
Mostrem-me lá que há muito pior, que eu nao passo duma amadora. Vá lá!

excursão

Hoje foi o dia menos secante da formacao. Fomos em excursao a uma vila, a hora e meia daqui visitar uma fabrica que produz embalagens de cartao. Uma fabrica que tem as maquinas da empresa onde eu trabalho, onde podemos ver o produto da NOSSA empresa em funcionamento. Porque, na verdade, lá no trabalho nao temos a chance de ver as maquinas em movimento como na planta de um cliente. Foi muito giro. Ver caixas de cartao, onde se colocam as garrafinhas actimel, caixas essas cuja impressao tem de sair perfeita. Sabiam que só pelo facto de palavra actimel levar um ponto no i DA COR VERMELHA, o preco só por isso é mais elevado? As coisas que eu aprendo nas salsichas...
À ida para lá fui a dormir, à vinda para cá vim a dormir. Nao sei se já contei que durmo em todo o lado, desde que sentada... Se nao fossem os pimentos que comi ao almoco, que me fizeram arrotar a viagem toda, mantendo os meus companheiros à distancia, quase que se podia chamar ao dia de hoje perfeito. Foi a primeira vez que andei de BUS na Alemanha. A rede dos comboios (que por acaso, esta semana está em greve) é muito mais sólida, sendo o comboio o transporte público de eleicao. Por acaso, a certa altura lembrei-me mesmo das excursoes da escola. Lembro-me de ver os meus professores a contarem as cabecas, para ver se estavamos todos. Só interessava o numero final, nao quem é este ou aquela.
Regressei da excursao mais cedo, sem sequer me preocupar em passar pela minha secretária. Os mails que esperem até amanha. Agora preciso de digerir estes pimentos verdes do almoco que ainda nao desceram. Vou ali contemplar o tampo da sanita e já venho.

segunda-feira, julho 02, 2007

dilema

E eis que comecamos a preparar a nossa viagem à Índia. O mínimo que consigo encontrar em termos de horas de voo Munique-Nova Deli, sao 8 horas e 40 minutos. Espero sobreviver. O dilema do qual vos quero é falar é a extensao das férias. Bola quer ir um mes e nao arreda pé.
- Para um país destes, só compensa se formos um mes.

Tem sido uma daquelas guerras que está a ser difícil ganhar. Eu conheco-me. Sei que apos duas semanas, já vou estar a desejar a minha cama desesperadamente. Chocolate. Saladas. Coisas que nao vou poder comer por lá. Mas, até tres semanas, sou capaz de ficar. Um mes, acho demais. Entendo que nem o sítio mais lindo deste planeta continua lindo aos nossos olhos, se lá ficarmos uma eternidade. Para mim, quatro semanas num país completamente diferente daqueles onde estive até agora, é demais. Nao, nao e nao. Nao há corpo que aguente imodium tanto tempo. Isto, sem contar com aqueles contratempos que me vao fazer chorar, tipo os nativos a agarrarem em mim por me confundirem com a spice posh; eu a tropecar com a tromba directamente num bocado de bosta de elefante; o Bola a impor-me um sari e a marcar a minha testa com uma caneta de feltro.
Será que vou ter de lhe meter a peta de no meu emprego, ninguem poder tirar um mes de empreitada? É a que cola melhor. Mas eu disse-lhe há quase um ano no altar que o vou amar e respeitar...será que há contemplacoes para a chamada mentirinha saudável?

sem espaco para humor

A noite passada foi um episódio repetido de muitas noites de Verao. Uma estupida duma melga a zumbir à minha volta e que me acordou praticamente de hora a hora. Até que chegou a hora de ela partir. Abri a luz de madrugada e, com um dos olhos abertos, pois de madrugada nunca consigo ter os dois abertos ao mesmo tempo, observei a desgracada. E ali estava ela, com as patinhas postas na minha parede cor-de-laranja, a preparar-se para mais um cocktail. Num acto mais do que pensado, esmago a desgracada contra a parede para depois, com um lenco de papel embebido em água, limpar os restos daquela massa preta nojenta e do MEU sangue que a paravalhona foi sugando noite fora. E claro que comecando assim o dia, acordei com um melao desgracado, com vontade de gritar a toda a gente bem perto da cara, sem ter lavado os dentes ainda.
Fui para o trabalho com chuva a cair no meu pára-brisas, quase que fazia lembrar um vídeo do Roberto Carlos ou Leandro e Leonardo (ainda respiram estes dois?). Na estrada bucólica por onde costumo ir, mais um animal felpudo abatido (atropelado) na berma da estrada. Na semana passada, ia jurar ter visto um castor, com os dentoes espetados à frente, que me fez lembrar uma amiga da minha infancia. Mas o bicho de hoje nao era um castor, nem um coelho. Mas era grande e felpudo. Pois nao sei. Talvez fosse um dos meus ex-colegas.
Chegada ao trabalho, dirijo-me para o centro de formacao, pois lembrei-me por mero acaso que vou ter formacao toda a semana. Eu e 19 homens, daqueles corpulentos, com cara de quem come tres pratos de jardineira ao almoco e ainda arrota a pedir mais. Claro que ser a unica menina no meio destes abutres nao é propriamente divertido, pois apanhei uns quantos a olhar-me com o mesmo ar com que eu olho para uma boa cheese-cake. Assim com os olhos pequeninos e as narinas bem abertas. Só que a cheese-cake, normalmente sei que a vou comer.
A formacao revelou-se interessante para eu descobrir mecanismos de defesa para nao adormecer, mecanismos esses que eu desconhecia em mim mesma. Penso hoje ter chegado ao nível de sobrevivencia. Como e bebo. Para nao adormecer. Que nem uma desalmada. Comida nao tinha, mas masquei a chicla com a sofreguidao de quem come um pacote inteiro de sugus depois de meses sem lhes tocar. (pronto, sou só eu) Deve ser por mascar assim a chicla que a comunidade masculina dos prezados colegas me foi olhando assim a modos que suspeitos. Ou entao já me viram com a t-shirt que postei ontem.
A formacao foi uma seca. Só de saber que vou ter isto a semana inteira, fico com vontade de chorar. Com vontade de chorar, ia ficando tambem quando, a título de piadinha (nao consigo ficar calada), perguntei lá ao mestre se quarta-feira, quando fossemos ver uma fabrica de cartao a funcionar LIVE, se eu podia trazer para casa uma caixa de cartao para me enfiar la dentro:
- (cara séria) Pois bem, eu penso que sim. Há um contentor com cartao que nao é utilizado, onde cada um pode depois ir buscar uma amostra para levar para casa.

domingo, julho 01, 2007

festa


Entretanto, a nossa foca festejou o seu terceiro aniversário. Com direito a prenda. Eu e o Bola achamos que depois de nos sairmos bem com a foca, já poderemos ser pais dum pequeno ranhoso ou ranhosa.

'brigada à brigada da Salada

Directamente daqui. Adorei!

actualizacoes

Mais um fds que passou a correr. Sexta-feira fui visitar uma ex-colega, cujo namorado costuma ir almocar comigo à cantina lá no trabalho. No início era estranho, ele parecia o cao, fiel companheiro que me acompanhava e me guardava enquanto eu comia. Nao falava muito. (nao tinha oportunidade, diz ele) Comecei a dizer-lhe que apesar de eu nao ter companhia, nao era preciso ele vir comigo se ainda por cima nem sequer comia. Ele nunca deixou de vir. Nem os restos de comida que eu lhe cuspia para a cara, na tentiva de mastigar e falar ao mesmo tempo, o demoveram. Devagar comecamos a ficar amigos e ainda bem, porque ele é um mocoilo simples, bem-disposto, com o seu que de humor, portanto tem os requisitos básicos para entrar na minha lista de amigos, onde já estao dois. Ena!Oba! Tres amigos. Bom, ele e a namorada teem duas gémeas de tres anos e, sexta-feira passei lá por casa para as ver outra vez. Estive a brincar com elas cerca de uma hora. Entendemo-nos na perfeicao, ou nao fossem elas ser as pessoas do meu círculo, cuja idade mental mais se aproxima da minha. Brincámos de aviaozinho, leitura de histórias e jogo dos autocolantes, que consiste em colar autocolantes nos sítios mais interessantes da casa. Sabe tao bem de vez em quando conversar com pessoas pequenas, daquelas sem maroscas nem truques, que dizem exactamente o que pensam, por mais inconveniente que seja. Vendo bem, assim, tipo.. eu. Na parte do inconveniente.

Ontem foi dia de limpezas e arrumacoes, pois veio o meu sogro com o meu cunhado passar cá o fds. O Bola continua a perguntar-me, nestas ocasioes, como já é tao tipico dele, porque é que eu me empenho tanto em arrumar as coisas a ponto de parecer que a casa nao está habitada. É a pergunta mais conveniente para me fazer, sentado, a ler o jornal, enquanto eu me descabelo toda para fazer camas, arrumar tábua de engomar e retirar os 56 pares de calcado dele do hall da entrada. Este hábito horrroso dos alemaes, em ter a sapatada toda no hall da entrada ou mesmo fora da porta. Mania que ainda nao consegui extinguir. O Bola acha normal recebermos visitas com a tábua de engomar aberta no meio da sala. E eu acho normal agarrar no ferro e atirar-lhe à tromba, para ele ver se acorda. Por favor... quer dizer, nao sou de formalidades exageradas, mas entrar alguem e ver a tábua de passar especada no meio da sala... é como que dizer à malta com voces cá ou nao, tanto me dá. À Vontade, à vontade sim, mas sem exageros. Se houve coisa que a minha Mae me ensinou E EU APRENDI foi ser excelente anfitria, ela sempre recebeu toda a gente com toda a pompa. Já o meu Pai, bom... quando temos visitas... realmente pode ser coincidencia, mas desaparece. Vai ao pao. ih ih. Pronto, só às vezes.

quarta-feira, junho 27, 2007

a long way down

O que é facto é que eu gosto mesmo é de ver as máquinas, as pecinhas todas, para que servem, tocar nelas, saber como sao feitas, ver o metal a ser fundido. O ideal era eu passar mais tempo com a mao na massa e menos tempo sentada na secretária. O ideal mesmo era perceber de mecanica e ser enviada pela empresa duas semanas por mes, para outro país qualquer, para assistir os clientes, mas isso já é muito fruta, pronto.
Ando muito satisfeita com o meu emprego novo. Tenho sempre que fazer, estou permanentemente ocupada e tirando o meu chefe ter o seu que de ordinareco, nao me posso queixar de nada, ainda. Ontem chamou-me para eu ir ao escritório dele e encostado na sua cadeira, com ar de quem se vai desfazer todo, observava indiscretamente os meus nada reveladores (ontem) seios, perguntava-me se estou satisfeita. Ao que eu quis responder estou, mais ainda estaria mais se em vez de se estar aí a babar com os meus seios, respeitasse as fotos aqui em volta da sua mulher, filhos e netos, ó velho porcalhao!, mas respondi delicadamente que sim, que para já, estava tudo a correr bem. Ainda antes de me virar, reparei que os olhos dele já se dirigiam para o meu rabo e aí tive pena dele, pois se há coisa que eu nao tenho de jeito é o rabo. É achatado, como se eu tivesse passado a minha vida inteira sentada. Portanto, ultimamente tenho tentato fazer jus à fama.
Isto é uma das maravilhas de se trabalhar numa empresa onde 90% do pessoal sao homens. Sempre que faco uma ronda pelos pavilhoes onde se funde o metal e onde se faz montagem de maquinas, parece que pára tudo perante a presenca de estrogénios num ambiente tao carregado de suor, pelos e testosterona. Mas o que é isto? Uma gaja? Mas ainda há disto? Donde é que elas veem? Podem-se comprar no supermercado? Ahhh e falam!! Mas o que eu mais gosto é quando fazem um esforco para me tentar explicar como é que determinada maquina ou processo se desenrola e o fazem tao detalhadamente como se eu fosse anormal. Como se já nao bastasse ser mulher num ambiente onde é quase como no clube do Bolinha (menina nao entra), marcadamente masculino, com aquelas criaturas de Marte, sou ainda estrangeira, pelo que há que explicar tudo muito bem.
Pois, um caminho longo para ser percorrido me espera. Mas quem corre por gosto nao cansa, nao é assim?
O que se calhar nao estava mal pensado era oferecer um pacote da makro de rexona ou axe a estes amigos. E por falar em axe, voto no novo anuncio para o melhor spot comercial do ano, ja viram? Lindo. Bum chika bum.

baralhada

Camaradas, esta semana de armazém tem sido uma maravilha. Descubro em cada sítio uns brinquedos giros, tipo uma pistola de agrafar (agrafos de 20 cm e gordos) caixas de madeira e dou comigo distraída a programar já a próxima ocasiao em que tal gadget me poderia ser muito útil.
Entretanto, vou continuando na minha missao minhoca-arranca-sorrisos e hoje também nao estive nada mal. Isto, de acordo com os juízos que faco de mim mesma, para mim mesma. Esta malta ainda está muito verde. Depois de passar uma boa hora a trocar mails com uma colega sobre um cliente, eis que ela vem à minha secretária e diz qualquer coisa tipo... olha, em relacao ao cliente tal, nao achas que seria boa ideia....
Minhoca: ALTO!!! Nao me baralhes, okay? (cara séria) Entao, falamos sobre um cliente por email, trocamos cerca de 10 emails a falar do mesmo e agora vens aqui em pessoa, tipo tu mesma, sem letras nem nada, e esperas que eu me oriente, depois de a comunicacao até agora ter sido sempre por escrito?!?!! (cara séria) Assim nao! Já me perdi. Volta lá pra tua mesa e manda um mail com o que queres dizer. Ou é por mail ou frente a frente. As duas coisas, nao. Tenho os meus limites.
Claro que a reaccao foi assim, a modos que mista. Eu acho que tenho de me rir mais cedo. Estico a piada e quando o meu interlocutor já está a pensar como seria maravilhoso esquartejar-me, só aí é que eu arregaco as dentucas e me rio como quem diz mesmo apanhei-te, ó minha malandra. E agora queres-me bater. Naaa...!
Portanto, decidi reduzir o tempo da piada. Prometo manter-vos informados sobre as reaccoes. Quem diria que a Sociologia me fascina tanto?

segunda-feira, junho 25, 2007

sapatos de seguranca ou minhoca sempre na moda

De manhã, eu não sou uma pessoa muito expansiva. A minha cara apenas demonstra a dor da separação dos lencóis. Cara esta que dura várias horas e nao se apaga com a passagem debaixo do chuveiro. Até quando me vejo ao espelho sinto pena de mim mesma. Sao lagrimaaaaas. Até chegar ao trabalho, funciono como em modo robot. Acordo às sete. E atencão à diferença entre acordar e levantar, que no meu caso, é grande. Brutal. Ainda mais, se falarmos em despertar. Porque despertar, só mesmo lá para as quatro da tarde. Mas voltando à minha dor. Levanto-me às sete, e agarro em dois calhaus e faço pontaria aos anormais dos pássaros que gritam do lado de fora da minha janela, na árvore. Há quem diga 'chilrear'. Se acerto, dou um gritinho de menina e digo ao Bola nao tás orgulhoso de mim, vamos ligar aos gajos da PETA só pra chatear. Quando não acerto, esqueço e vou até a cozinha, onde com os olhos ainda colados, mecanicamente retiro o filtro do café usado e ponho um novo, tres colheres de café, água e tomo o meu medicamento para a tiróide preguiçosa. Tudo isto de olhos fechados. Fiz um curso de braille para curiosos, em tempos. Vou tomar banho, arranjar-me e quando regresso à cozinha, bebo o café em tres goladas, retiro qualquer coisa do frigo para levar comigo para comer a meio da manha, tipo uma cenoura um ou repolho. Cebola é deliciosa, mas como tenho de falar muito com os colegas, nao dá muito jeito. Depois, à saída, os meus olhos passam a mesa em scan em busca de tres coisas e apenas tres coisas indespensaveis: chaves do carro, carteira e o meu chip do trabalho. Depois, há duas variantes que estao também programadas em mim:
- perante porta-moedas vazio, os meus olhos buscam pela carteira do Bola;
- perante a falta de lentes de contacto, os meus olhos buscam pelos meus óculos.
As minhas manhas sao muito iguais, para além dos calhaus que atiro aos pássaros (tem dias em que podem ser dez, outros em que desisto logo à primeira), sao assim muito iguais, tristes e programadas. Tanto para chegar aqui. E agora a pergunta que eu coloco é: como é que neste estado entorpecido, onde só repito tarefas premeditadas, eu me ia lembrar de hoje trazer os meus sapatos de seguranca???? É que nem é por serem horríveis e me dificultarem a indumentária. Simplesmente, nao penso tanto no trabalho em casa, a ponto de me lembrar que vou passar a semana no armazém. E como os alemaes sao também obcecados pela seguranca, tenho uns sapatos de seguranca desde o meu primeiro dia de trabalho. Para usar no armazém. E lindos que sao. A minha sorte é que os dias de brasa fazem agora uma pausa e amanha comeca o frio senao, acho que os meus pés de Cinderela bem derretiam dentro destes monstros.

domingo, junho 24, 2007

Bola empresta minhoca por uns dias a quem a quiser aturar - preco a combinar

- Bola, dá-me um abraco e deixa-me encostar a minha cabeca pensante nesse teu peito cabeludo, deixas?
E com uma frase destas se quebra todo o amor que a outra parte nos podia dar. Em vez disso, atira-me um olhar desconfiado e amargo, irritado por sabermos os dois que o peito dele é tao liso como o rabo dum recém-nascido. Milky skin. Loiro, com uns cabelos sedosos e nao palha de aco, olhos verdes, pernas magrinhas, mas um rabo com presenca. Assim é o meu Bola. E eu gosto de lhe atirar farpazinhas, só para ver se eles, homens, se sentem desconfortáveis com certos detalhes, da mesma forma que nós mulheres, estamos sempre insatisfeitas com qualquer coisa no nosso corpo.
Mas nao consigo deixar de o picar com perguntas parvas, das quais me rio, como já é hábito, sozinha.
- Óh, oh, mas que é isto, um pelo sozinho na tua peitaca, abandonado, num raio de 20 cm? Entao, desde quando andamos a fazer implantes?
Novo olhar de quem tem uma dor, daquelas que nem se sabe bem onde.
- Nao sei se estás consciente que tens mesmo nariz de papagaio...?
Quem diz a verdade nao merece castigo, nao é mesmo?
Ontem amuou comigo porque me ri que nem uma perdida depois de lhe dizer que me sentia orgulhosa com a dedicacao dele a causas humanitárias. E como ele me perguntou porque, eu tive de responder red nose day. Porque ele tinha o nariz vermelho na ponta e nem sabia porque. E que eu saiba, o palhaco de servico sou eu. Pronto, nao teve assim tanta piada, mas eu tenho a vantagem de chorar a rir sozinha, só porque me convenco que foi uma piada fantástica, mesmo sem a aprovacao de quem quer que seja. Demencia, costuma-se designar.
O Bola, definitivamente, já passou tempo demais a ouvir as minhas gracolas, portanto a unica coisa que me salva sao as pessoas que de tempos a tempos me veem visitar e com quem me posso rir. Mas pessoas que tambem nao podem conviver comigo tempo demais, porque eu devo ser um bocado cansativa. É só uma desconfianca ainda. O meu livro de gracolas também nao é assim tao grande. Mas mesmo assim, agora que a vida me sorri, continuo a insistir com os meus colegas. O meu objectivo é arrancar sorrisos sinceros, sem ponta de amarelo. Eu acredito que em todos os escritórios e empresas, há uma pessoa responsável por determinadas características. Eu sou, portanto, o palhaco.
Para que conste, eu estou perfeitamente à vontade para me rir de mim própria.

haja alegria

O meu fim-de-semana foi muito agradável. Sexta-feira fomos para a terra do avo do Bola. Levei eu o carro, mas na primeira estacao de servico, parei pra trocar com o Bola , pois quando eu conduzo, ele fica com cara de quem vai vomitar já já a seguir. E como é um misto de cara de vomidrin e cara de tristeza, eu nao suporto ve-lo assim e vai daí, deixo-o conduzir e faco dele um homem feliz. Chegámos a casa do avo e ainda fomos jantar. Deitámo-nos cedo, porque aos sábados, lá, nao costumo poder dormir até muito tarde. Sacrilegio! Este sábado, tínhamos a agravante da apanha das toneladas de cerejas da árvore da horta dele, que já estava carregadinha desde há duas semanas. Assim como os arbustos das groselhas. Mas de manha, ainda fomos dar um passeio pela cidade, comprar frascos e acucar-geleia para fazer imediatamente compota com as cerejas. Ainda comprámos no mercado framboesas e mirtilos para misturar e fazer doce que nao fosse só de cereja. A caminho do carro, vi um relógio fenomenal numa montra e ainda fiz o choradinho para o Bola mo comprar, mas era mais teatro que outra coisa. Temos um compromisso que implica nao esbanjar dinheiro em coisas supérfluas, até fazermos a nossa viagem à Índia, em Janeiro. (lua-de-mel atrasada)
Quando depois fui beber um sumo natural e voltei, o irmao dele disse-me para nao o ir procurar que ele voltava já, para esperarmos no carro. E aí comecei a fermentar em grande a ideia de o Bola me ter ido comprar o relógio. Só podia. Passei a tarde toda a testá-lo, depois a chateá-lo para me dar o relogio, que eu sabia que ele o tinha, se nao tinha, tínhamos de voltar à cidade para o comprar porque tinha um design fabuloso e porque eu nao parava de pensar no relógio e que sem aquele relogio eu nunca mais seria feliz e bla bla bla bla. Passaram-se várias horas e entre a cerejeira e o fogao, calei-me com o assunto do relogio, porque na verdade, eu queria-o, mas nao queria que ele mo comprasse nesta altura. Foi uma crise de materialismo e vaidade. Normalmente passam depressa. Dai a dois meses faziamos o nosso primeiro aniversário de casamento e uns dias antes, eu só tinha de repetir a mesma melguice e podia ate ter sorte.
Fomos jantar e depois de uns grelhados maravilhosos que fizemos no jardim, a título de brincadeira sugerida por mim, comecamos numas rondas de Schnapps, que para quem nao sabe, é bagaco mas com um leve toque de fruta que os alemaes bebem para rematar uma boa refeicao. Um shot. Ajuda o processo da digestao, tem cerca de 50% de álcool. O avo do Bola faz Schnapps todos os anos e tem sempre a cave bem apetrechada. Portanto, quando lá vamos, é sempre um ritual bebermos alguns copos de Schnapps depois das refeicoes. Bom, ontem comecámos por experimentar de cereja, ameixa, e quando dei por mim, já estava agarrada a fazer festinhas a uma garrafa de conhaque Martell e com as bochechas coradinhas. Pronto. Com as histórias dele da segunda guerra mundial e de como conheceu a avó do Bola, (a melhor beijoqueira da vila, que beijava como as francesas em Paris - palavras dele) fui bebendo com ele, Bola e irmao do Bola e quando me fui deitar, já ia aos encontroes. Até que dei um encontrao com a cabeca numa caixa de plastico por cima da minha almofada. O relogio. Embrulhado em papel cor-de-rosa. Desatei aos gritos ao Bola e às estaladas, por ele me ter convencido mesmo que nao mo tinha comprado e agora, depois de meia garrafa de conhaque é que mo dá. Claro que depois o enchi de beijos e aterrei na cama, só com as calcas do pijama. A meio da noite, acordei meia despistada, tao despistada que até tive medo de ao meu lado nao estar o Bola, mas outro dos meus companheiros de Schnapps. Levantei-me para ir beber agua, convencida que o episodio do relogio tinha sido um sonho. Felizmente, nao foi. É vermelho, lindo e é meu. Que materialista que eu sou. Nem falei mais nas cerejas. Agora é que vai ser a pontualidade. Yuhu!

bambi

- Nao te podes desviar! Tens de agarrar no volante bem firme e continuar em frente, pois o carro abana com o embate. Depois telefonas para a polícia para virem retirá-lo da estrada.

Esta foi a explicacao detalhada e com o seu que de técnica que o Bola me deu na sexta-feira, quando iamos os dois no carro, a caminho da terra do avo dele. Eu contei-lhe que fiquei encantada por, de manha, a caminho do trabalho, ter visto um bambi a atravessar a trote a estrada, mesmo à minha frente. Depois disse que acho que entro em panico se algum dia atropelar um bambi e o matar. E o Bola explicou-me que é muito simples, tudo o que tenho de fazer é segurar bem no volante, o que demonstra que ele ouve o que eu digo mesmo na diagonal.
E ainda acrescenta:


- E é bom que batendo num Bambi, te certifiques que nao foi culpa tua, pois podes ter que pagar, os bichos teem seguro. A partir de 3.000 euros, a multinha...

terça-feira, junho 19, 2007

colecionadora de sorrisos amarelos

É ponto assente que os meus colegas nao me acham piada. Nao entendem o meu estranho humor.
Na semana passada, uma colega minha que anda sempre toda vaporosa com uns vestidos muito florais, trazia ao pescoco uma chavinha de ouro pendurada no seu fio e quando me aproximei dela, disse-lhe baixinho como quem nao quer que ninguem nos oica:
-Já o li todo, nao me perguntes como é que o abri.

(a referir-me, claro está, ao diário dela, a menos que a chave fosse da ratoeira para rato da casa da avó dela)
Hoje andava pra lá uma descalca e tive que lhe ir perguntar qualquer coisa e como nao perco uma boa oportunidade para uma gracinha, rematei, dizendo:
- Ainda bem que andas descalca, sem as tuas pegadas acho que nao te encontrava.

Os sorrisos que vejo nos meus interlocutores sao dignos de fotografia. Se um dia alguem ali mandar uma pitada, juro que desato às estaladas a mim mesma. Ou mastigo o meu proprio cabelo?

Será que é a altura pra desistir? Insisto? Água mole em pedra dura?

rexona

O meu dia de hoje dava direito a anuncio de desodorizante, daqueles que duram 24 horas (yeah, yeah). Na casa-de-banho, até fui ensaiando como seria o meu anúncio. Com nivea for men, nunca me sinto azeda, foi o slogan vencedor. Isto, inspirada pela m%&#$ de dia que tive e pelo facto de ter descoberto o cantinho secreto na casa-de-banho do trabalho, onde as minhas colegas guardam desodorizantes, cada um com o nome da respectiva dona COM CANETA À PROVA DE ÁGUA. Comeco a pensar que raio de emprego foi este que eu escolhi, onde as moças suam tanto.
Hoje foi o dia, nem tanto o emprego. Muito trabalho, muita tralha que deixei em aberto por nao saber como dar procedimento nem ter ao pé de mim quem me pudesse explicar.

Saio às quatro e meia em ponto, na correria, porque sabia que às cinco tinha de estar sentadinha na cafeteria da escola para reuniao de docentes. A caminho do parque de estacionamento rezo para que o meu carro esteja como o deixei, pois hoje um daqueles mails para todos, informava que os carros que estao permanentemente mal estacionados e com matriculas nao registadas na empresa, poderao ter eventualmente uma surpresa: rodas bloqueadas. Parecia partida de Carneval, mas nao era. E eu posso ser naba a estacionar, mas ainda nao foi caso pra me castigarem e o facto de a matrícula do carro ser de Munique, tambem nao foi ainda razao pra pegarem comigo.

Lá vim a açapar ate à escola, cheguei pontualmente, nem tendo tempo de retirar da minha carteira a banana nojenta que entretanto, foi ficando preta. E eu nao como bananas pretas. Trago-as na carteira pró caso de ser assaltada e tiver se fingir que tenho uma arma. Pensam que sou parva, ou que... bom, reuniao a falar de palermices. Ninguem se oferecia para um curso de conversaçao, vai daí levanto eu a mao, pois confesso já tar farta de principiantes que me perguntam 8 vezes na mesma aula o que quer dizer today. Além disso, conversation é o meu forte. Nunca falta tema. Se até com a minha contact person do Brasil falo das Páginas da Vida, estou preparada para nunca me calar. Sei que se tiver de passar um dia inteiro sem fechar o bico, O FACO COM DISTINCAO.
Saio a meio da reuniao a correr pra ir dar aula. Nao me perguntaram por today mas fizeram-me rir que nem uma atrasada mental, quando um tipo que me parece que vai pras aulas semi-alcoolizado quis saber a explicacao do verbo ride e os seus contextos. Cavalo, bicicleta, mota? Algo mais?

Quando acabei a aula, vim a rastejar para casa e só já parei na banheira.
Trabalhar fora de casa? Eu quero é passar a ser domestica, que a passar a ferro é que se está bem.
Se nao tivesse aqui uma traduçao que o Bola me pediu para fazer para a empresa onde JÁ NAO trabalho, acho que ja estava era esticada na cama a ler. O que vale é que o Bola diz que a traduçao é muito importante. E a pagar. Mnham mnham.

segunda-feira, junho 18, 2007

c'mon Debb!

Dentro da temática porque comer nos faz felizes, ou se ficamos gordos (somos?) há mais para amar. É favor cada um optar pela variante que mais gostar. Mas, ia eu a dizer, dentro dessa temática, pedi ao meu vizinho pra me trazer da base americana onde ele trabalha, vive e comunica com o seu mundo yankee (e ainda bem que assim é), um pacote de Little Debbie's Fudge Brownies. Que sao simplesmente os melhores Brownies do mundo. Uma pequena bomba de chocolate, que nos deixa felizes e eufóricos como se tivéssemos acabado de injectar uma dose de heroína para a veia. Diz que é assim. Mas Minhoca nao saber, pois Minhoca nascer naturally high.


Já me tinha esquecido dos brownies. Até o Bola ter vindo de casa dele, e sacar dos pacotes de tras das costas deixando-me em puro estado de transe e com reflexos pavlovianos. Brincámos à apanhada, até eu agarrar no pacote e o trancar à na Gaveta dos doces da Minhoca.
Há dias em que chega um Mars, outros em que chega um crepe com duas bolas de gelado. Outros domingos de Inverno que uma fatia de Apfelstrudel quentinha com molho de baunilha e bola de gelado é o melhor mimo que me podem dar. Que combate qualquer tristeza. Nao abdiquem da comida, meus amigos. É alegria da mais pura, nao lutem contra a nossa natureza animal. Pequenas coisas como estas salvam os dias de muita gente. Eu sou mesmo uma miúda muito simples. Ou muito baleia.

domingo, junho 17, 2007

new blog on the block

All Brain.
O que fazer para arrancar o Bola do sofá quando chega a hora da novela? Aos domingos, a esta hora já ele dorme. Já nao tenho assim tantas opcoes. Ataque de gases? Lembra-lo que ja sao onze horas? Ontem mal os nossos amigos saíram, foi para cama, deixando a cozinha toda para eu arrumar. Hoje dava jeito que me deixasse a TV toda para mim. A minha primeira tentativa Ves tanta televisao ultimamente, devias ler mais... Bola franze a testa, olha-me ao pormenor, nao fosse eu ter outra coisa no copo que nao água.
Hoje, ligou para cá o Avo dele alarmado, que as cerejas ja estao maduras e se nao as formos lá apanhar a tempo, acontece como no ano passado que sao comidas pelos pássaros e depois nao há cerejas para ninguém e é uma chatice que sao tao boas e estao tao caras e tal e tal. Portanto, lá vamos nós passar o próximo fim-de-semana todo a apanhar cerejas. Minhoca montada em cima dum ramo, fazendo malabarices como quando tinha 6 anos e duma das vezes, a brincar numa dessas invencoes de ferro dos jardins portugueses, caiu de perninhas abertas num ferro cilindrico, chorando depois rios de lágrimas, vindo para casa de goela aberta. Abusada sexualmente por um caracol de ferro.
Mas o Bola é tao cuidadoso comigo que nunca me deixa subir à arvore, lembrando-me do facto de o peso que eu tenho agora ser ligeiramente diferente de quando eu tinha seis anos. (será?)

Nao falemos de coisas tristes. Pelo menos deste lado. Falemos de coisas tristes aí pra esses lados de Portugal? Entao diz que está frio. Oh. Pena. Aqui ta uma brasa. Hoje passei a tarde esparramada na varanda a apanhar sol, enquanto lia um artigo perturbador que revelava os esquemas das sweat shops na Índia. Amigas, se precisarem de um motivo que vos impeca de gastar mais uns euros na Zara numa porcaria que se calhar nao vao usar assim tantas vezes, mas que necessitam de comprar por carencia, pensem na criancada de dez anos, vendidos a estranhos por meia dúzia de euros, para irem trabalhar 14 horas para uns barracoes com condicoes de higiene dramáticas. Levando porrada sempre que adormecem a meio da colagem das lantejoulas nas t-shirts. Quem diz da Zara diz doutra marca qualquer, é tudo a mesma coisa.

Malta que bate em criancas e as faz trabalhar sub-nutridas merecia mesmo que se lhes arrancassem os testículos e os fritassem à sua frente em banha de porco. Tenho dito.

sábado, junho 16, 2007

O escuteiro-mirim que há em nós

Ontem parecia o dilúvio. Chovia com uma forca que nos deixava encharcados em menos de dez segundos. Eu e o Bola estacionámos no parque do supermercado e a caminho da entrada do supermercado, pelo meio da correria, dou por uma velhinha de canadianas, toda molhada tambem, debaixo duma árvore, qual pássaro ferido. Rodeada de sacos. Como só as velhinhas sabem fazer. Vários sacos pequeninos, sacos dentro de outros sacos, um ou dois com as alcas já quase rotas. Fui ter com ela e, na minha figura de quase miss t-shirt molhada Weiden 2007, perguntei-lhe se precisava de ajuda para se ir abrigar. Ou se queria competir comigo no concurso da t-shirt molhada.
Uma pergunta à qual ela nem respondeu nem sim nem nao, mas sim a história toda, que perdeu o autocarro, que mora numa terriola a alguns km de Weiden e que nao tinha ninguem para a ir buscar, bla bla bla bla. Se há coisa que derrete este meu coracao de pedra, sao velhinhos. O Bola agarrou nos sacos e eu peguei na velhinha ao colo, com os meus bracos de Hércules, tao musculados como eles sao. Pronto, nao peguei nela, mas agarrei numa salsicha que eu fui abanando para ela me seguir até ao abrigo mais próximo. Aí, ela repetiu a história uma vez mais e eu olhei para o Bola com os meus olhos a dizerem vamos-levar-a-velhinha-a-casa-já. O Bola nao leu o que os meus olhos diziam e comecou a dizer à velhota para ali ficar até ao próximo autocarro. Ela respondeu que nao havia mais nenhum, com uma voz que quase desaparecia. Aí, eu faco aquele olhar FEMME FATALE que nós, mulheres, aprendemos logo na escola primária, que mete medo a qualquer macho, que é um olhar que em palavras se pode descrever da seguinte maneira: vais-fazer-o-que-eu-quero-já e nao há qualquer outra alternativa neste assunto. O Bola foi fulminado por este meu olhar, como acontece na maioria das vezes, e depois só precisei de rematar que sou católica, que ele casou comigo pela igreja católica e que se ele nao leva a velhinha a casa, lhe vou ler o novo testamento todo durante a próxima semana, ao deitar.
Ele, aí, acordou pra vida e a sua costela de bom samaritano veio ao de cima com toda a sua forca. E fiquei encantada ao ver o meu Bolinha a falar com a senhora com aquele jeitinho muito dele, a sorrir, a convencer mais uma pessoa de que é amoroso, muito fofo, um anjo, enfim.

No final, depois de deixarmos a velhinha em casa e termos passado quase 40 minutos na auto-estrada debaixo da chuva má e castigadora, perguntei-lhe se ele estava a ser inundado por aquela paz de alma que nos preenche sempre que ajudamos alguém. Ao que ele respondeu que sim, se sentia um outro homem. O que me deixou também feliz, por saber que no Bola tenho um 2 in 1.

O dia de hoje nao me está a correr muito bem. Comecou mal pela manha. Ainda nao tinha acordado com os pássaros, deviam ser cinco da manha, quando me dá uma valente caimbra na barriga da perna. Espero cinco segundos, mas a dor foi aumentando, aumentando, sem passar, até que desatei aos gritos de desespero e o Bola olhou para mim com uma cara que mostrava pouco respeito pela dor que eu estava a sentir. Depois, calmamente surge uma pergunta muito conveniente: Porque estás a gritar? Ao que eu respondo, 40 decibeis acima: TENHO UMA CAIMBRA!!! AJUDA-ME!!! Só faltou desatar a chorar. Mas foi mesmo mau. E eu até sou uma boa sofredora, suporto a dor e tal. Mas a manha ficou logo estragada aí e fiquei com a perna dorida, até ando a mancar. E depois, para ajudar, temos marcado um churrasco para logo com uns amigos de Frankfurt, e chove torrencialmente à semelhanca de ontem. Falhou a luz no supermercado e o Bola ficou de trombas comigo por eu ter gritado fixe, vamos levar tudo sem pagar!, parece que nao foi só ele que ouviu e quando a luz voltou, alguns olhares suspeitos foram de notar na direccao do nosso abastado carrinho de compras.
Portanto, algo me diz que este fds nao vai ser compensador pela boa accao de ontem. Humpf.

sexta-feira, junho 15, 2007

Frau quem? Essa é a mae dele, desculpe.

No espaço de uma semana, fui chamada de Frau Bola três vezes. As pessoas nao perguntam, assumem. Casei, mudei de nome, tao simples. Isto é que me fez pensar que realmente, talvez eu possa por a minha emancipação de lado e aceitar a oferta generosa do Bola de me conceder gentilmente o seu apelido, (esta secura na garganta quando penso nisto...) ACEITANDO em troca as regalias que se seguem:

- a utilização do seu cartão visa duas vezes por mes até quantia a determinar;
- o respeito permanente e eterno pelo meu sono ao sábado de manhã, que nao será interrompido nem devido ao mercado, nem devido aos dez filhos que planeamos ter;
- flores que ele me oferecerá sempre que lhe parecer oportuno (dia da Mãe quando eu for Mãe) e palavras meigas que me dirá, sempre que eu estiver pouco faladora. Neste último ponto, houve alguma controvérsia porque ele disse que jurava pela Avó dele, que simplesmente nao há fases em que eu esteja pouco faladora, invocando nunca ter sentido que precisava urgentemente de saber em que é que eu pensava. Eo Bola nunca jura pela avó dele. Mas diz que sabe sempre qual o meu estado de espírito. Aí eu fiz aquilo que, na minha qualidade de representante do sexo feminino sei fazer, que foi amuar.
Amuando, contrariei portanto, a ocorrencia da parte em que selávamos o nosso acordo de vassalagem, com cuspe, como manda a tradição.

pitosga a valer

Desde há umas semanas para cá que comecei a ficar preocupada com os meus olhos. Vejo tão, mas tão mal, que nao posso acreditar que as minhas dioptrias continuem nos 2,00/2,25 como da ultima vez que fui ao oftalmologista. Já devo andar nas tres dioptrias, o que noutros tempos daria direito a óculos fundo-de-garrafa. O que quanto a mim pode provocar alguma tensão sexual. Gerando situacoes chatas. Já me aconteceu ficar hipnotizada com alguns moçoilos com quem me cruzei no comboio ou numa dessas salas de espera por onde todos, mais uns que outros, temos de passar por esta vida. E foram momentos indescritíveis. Eu tentava ver os olhinhos deles e eles tentavam perceber se me conheciam de algum lado. Ambas tentativas sem efeito. O meu último par de lentes tá mesmo nas últimas e não mandei vir mais porque sei que já devo estar mais mais graduação e nao queria encomendar lentes que nao me deixam ver a 100%. Os meus óculos, que na altura me foram prescritos no meu ano de caloira para ler e ver televisão, já estão tão velhos que ontem, enquanto esbracejava no carro yeah-yeah-yeah como a Estrelinha no seu descapotável no genérico da novela da tvi, uma das lentes escapou-se para o meu colo enquanto eu conduzia. Grave. É que eu nem com óculos posso assegurar uma condução digna de confiança, quanto mais sem eles... Então, posto isto, hoje é dia de ir à óptica. E dentro deste tema, se houver alguma alminha que me diga a grande diferença entre o oftalmologista e o optometrista, pode ser que eu marque mesmo consulta no oftalmologista. A verdade é que só pretendo que me meçam as dioptrias e me digam se fico bonita com os óculos x, y ou z. Ou de a a z, já que nestas coisas de estética nunca é condenável querer experimentar a loja toda. Para isso, acho que serve o optometrista, só preciso de consultar a lista que no ano passado fiz, com os nomes das ópticas onde fui experimentar lentes de contacto de graça para não voltar a aturar os mesmos funcionários, que pecam por ser empenhados demais. A determinada altura tive dar gritar a um deles DEIXE-ME HOMEM, EU JÁ
NÃO LHE DISSE QUE SÓ QUERO AS LENTES DE BORLA. ASSIM NÃO! Também teem lentes de cores graduadas?

passarada parva

Amantes de passarinhos, é que nem vale a pena continuarem a ler. Vou distorcer a vossa visão romantica dos dias de sonho acompanhados pelos passarinhos a cantarolar à vossa volta. Ando a passar por uma fase em que me sinto constantemente incomodada por pássaros. Por trás da nossa casa, mesmo em frente ao nosso quarto, temos duas árvores gigantes, onde a passarada comeca a chilrear logo às cinco da manhã. Todos os dias, entre as cinco e as seis, ainda de olhos fechados, sorrio perante a imagem de poder agarrar numa fisga tamanho XXL e arrumar com o chato que canta repetidamente a mesma música irritante, de dois em dois segundos. Faz lembrar mesmo o início da música dos mosqueteiros. No trabalho, há um grande lago e muitas árvores que envolvem a planta da empresa. De manhã, entre o parque onde estaciono e o meu edifício, passo por uma pequena zona bucólica, um mini-bosque, com riacho e tudo. Já dei comigo à procura de pauzinhos no chão para montar uma fisga. E isto faz com que eu oiça a passarada em todo o lado e comece a notar que nem todos os cantares de pássaro são agradáveis. Há pássaros muito estúpidos. E cães também. Nao é que o cão do nosso vizinho todas as sextas-feiras entre as 6,40 e as sete desata aos uivos que nem um anormal...? Que coincide exactamente com a hora em que alguem nos vem limpar as escadas do prédio. Desde há semanas que tem sido assim e quando ele começa a ladrar, eu nao consigo fazer mais nada senao desatar a rir que nem uma perdida, por ver o Bola à asneirada, depois de abrir a janela e começar a gritar impropérios ao bicho. Temos cinco segundos de pausa e depois o desgraçado volta ao mesmo. No entanto, o momento mais perturbador das últimas semanas foi mesmo em Barcelona, um cretino, a martelar na parede do lado antes das oito da manhã. Preciosidades que não acontecem a qualquer um. Fiz as pazes com os acentos, não sei se repararam.

cenouras para todos

Nao tomo pequeno-almoco, mas a meio da manha de hoje preparo-me para abrir o meu mimo, umas barras Kinder que costumo manter no frigorífico, de chocolate e outras porcarias tais como conservantes. Comeco a retirar o plástico envolvente, sem apertar muito, nao vá aquela porcaria desfazer-se nas minhas maos com o calor que está, quando reparo que a minha colega da frente (que fala com os colegas como se tivessemos todos 3 anos) dá trincas na cenoura que agarra com a a mao direita. Abano a cabeca freneticamente como que a querer livrar-me desta visao horrenda, que me coloca a mim numa posicao delicada, mas quando abro os olhos outra vez, a cenoura continua na mao dela (mas mais pequena, pois como todos sabemos nao há cenoura nesta vida que se mantenha no seu tamanho mais apoteótico, nao é verdade...) e reparo que o que ela está a agarrar nem é a cenoura, mas as raízes verdes que normalmente o Bugs bunny arrancava da terra. Claro que isto me tirou logo o apetite e fiquei desconcentrada. Aguardo com euforia o próximo gourmet que ela vai retirar da sua caixa de plástico, pois nos olhos dela consegui ler there's more where this came from. Aguardo fatias de nabo descascado, ripas de repolho, folhas de couve penca...aqui nas salsichas nao ha couve-penca, mas uma pessoa que come no local de trabalho uma cenoura desta maneira, PODE TUDO! E penca tambem a tem e bem grande.

quinta-feira, junho 14, 2007

nao gosto de gelado, dá-me antes uma maçã

Os dias com os meus amigos foram muito animados. Gostei muito de os ter cá, apesar de um atraso na estacao de comboio ter estragado quase o fds todo. Perdemos o comboio das 7,44 da manha de sábado por eles, LA ESTÁ, serem pouco amigos da pontualidade e o Bola nao achou muita piada, até porque se tinha levantado antes das sete. Ele queria tanto apanhar o comboio das 7,44, que eu ate desconfiei que um comboio tao matutino talvez pudesse ser de borla Eu ainda o tentei animar nao fiques assim, olha que eles nao fizeram por mal, mas o Bola já só queria que o próximo comboio lhes passasse por cima e lhes partisse as costelas e tudo o mais. Tadinhos, nao estavam preparados para a pontualidade alema. Nao tem mal, amigos, eu tambem nao gosto da pontualidade e gracas a mim, o Bola ainda vos ama.
Outra decepcao foi o meu ex-namorado nao me ter tentado reconquistar. Pus Prozac na bebida do Jo durante esses dias para ele nao se exaltar perante qualquer troca de olhares menos inocentes. Disse-lhe antecipadamente, antes da Brigada da Salada chegar. Vá, vais ter de te controlar estes dias, sabes o quao maravilhosa eu sou, por isso é que se tu nunca me esquecerias, e ve bem, às vezes já nem podes comigo, imagina os outros todos, aquela fila interminável de vultos do meu passado que emoldurou uma fotografia minha e ofereceu à própria mae como prenda do natal. (para por na sala)
Mas nao. Ele esqueceu-me mesmo. Já nao me curte, já tirou o papel de parede do quarto dele com a minha cara. Agora na parede dele ficou a loira pirosa, a pluma do gás. Ó vida, que é tudo tao passageiro. Num dia estao-nos a dizer que nao ha mais nenhuma e depois, só porque uma pessoa casa, morre a chama. Apaga-se. Pufff. Que triste. Senti-me a Julia Roberts n' O Casamento do meu melhor amigo, com a diferenca de que quem casou fui eu.
Para casa de quem vou correr quando um dia o Bola me fizer a minha mala de cartao e me despachar em correio azul ao país de partida? Se alguem tiver aí o telefone do David dos Silence 4, é favor por aí que isto de ter connections dá sempre jeito. Em todo o caso, I guess I'l try again tomooooooroooowwwwww...
Estou muito arisca hoje. Foi do quilo de massa à bolonhesa que comi ao almoco. Ainda estou a arrotar ao molho de tomate. A sofreguidao era tanta que vi as pessoas ao meu lado a afastarem os pratos com medo que eu fosse aos pratos delas, mesmo com a mao roubar um punhado de esparguete. Nao tomar pequeno-almoco é uma pratica que nao se recomenda. Nem comer um maxibon todos os dias, com a desculpa aos anos que nao como isto, que saudades.

quarta-feira, junho 13, 2007

ser portugues é...


Este desenho tem direitos de autor de cunhado. Mas nao podia deixar de por aqui. Está brilhante. Foi o testemunho deixado por ele no irish pub em Munique (Ryan's muddy boot), que tive o prazer de reencontrar no livro das visitas do pub um ano depois. Cliquem para aumentar.


cinema durante a semana nao é pra mim

- Mas eu tou cheia de sono... ves tu.
- Mas ja vai comecar em 15 minutos, deste vais gostar mais do que os Oceans13.
- Eu nao sei se nao gostei dos Oceans 13, eu NAO VI o filme.

Pois foi. Segunda-feira o Bola quis-me arrastar para o cinema. Ganhei eu. Nao fomos. Ontem, ainda nao tinha eu posto os pés fora da sala nem dito aos meus alunos com o meu melhor sotaque C U next week, já me estava ele a ligar. NAO SAIAS DAÍ. VOU JA TER CONTIGO. Reparei que era karma, eu nao me ia safar de ir ao cinema. Pus os livros e as minhas 34 gramáticas no carro e lá fomos para o cinema, sem eu sequer ter passado por casa - coisa que nao me agrada muito, pois tem dias em que descubro tarde demais que cheira a lixo ou que há mais uma coleccao de 100 garrafas de cerveja para levar para o vidrao. Claro que, com o meu nível de cansaco, só aguentei a parte dos anuncios e fiz um esforco tremendo para nao ceder ao sono sem antes ver o Brad Pitt, na terceira série dos filmes em que ele aparece mais bem vestido. Isto foi o tempo de devorar o meu magnum, vi o Brad e pronto, passados uns minutos, já estava tao querida aninhada no ombro da senhora do lado, a babar-lhe o braco e a dizer-lhe pelo meio do meu sono, Brade, deixa ver as etiquetas do teu fato, váááá, deixaaaaaa. Eu sei que é Hugo Boss, nao me mintas, Brade...
Portanto, amigos, estou aqui para vos dizer que nao sei se gostei do OCEANS 13. Vao voces ver e contem-me. Com a pedrada com que estava ontem nem um filme de bondage me mantinha de olhos abertos. Reparo que ultimamente só comendo, me passa o sono. O que nao é nada bom. A balanca continua a fugir de mim sempre que me quero por em cima dela. Diz que eu nao sou deste anuncio.
Bom, mas ha coisa de dez minutos o Bola queria-me convencer a ver outro filme, mas desta vez no cinema da nossa sala. Maria cheia de Graca - diz que é o nome. Graca, graca é que nao tem nenhuma. A Maria mete droga pelo pipi acima para ninguem saber que ela é agarrada. É que pelo ar da Maria, ninguem nota mesmo, aquelas olheiras e aquele ar de esgroviada... E isto é um filme para se ver numa quarta-feira à noite? Depois de ja se ter feito jantar, preparado aula, engomado e coberto um bolo com chocolate? Na.
Meus amigos e Bola (se estás a ler isto), vai ser se chove, tá bem? Eu preciso das minhas 8 horas. Que agora passaram a ser sete.
A ver se esta semana peco pra sair mais cedo ao chefe para actualizar o blog. E para postar em brasileiro, pois agora, tou escrevendo brasileiro todo o djia. Mas nao esquentem a cabeca, tá?

segunda-feira, junho 11, 2007

manic freaky mondays

foto: brigada da salada com Bola

A brigada da salada já veio e já foi. Esta é a minha triste sina. A ver as pessoas de quem gosto irem embora depressa, assim género trovao, quando abro os olhos já nao vejo ninguem. Depois olho para o lado e contento-me com a visao daquele de quem mais gosto, e que apesar de nao me preencher a ponto de eu nao precisar de mais ninguem nunca, é a minha companhia, o meu porto seguro. E quem pos agora um vinil daqueles antigos e se preparou para um post romantico-nostalgico, esqueca já, porque isto nao é de todo um post romantico.

Estou aqui a escrever furiosamente, a fingir que estou a fazer umas fichas para a aula de amanha. O Bola quer-me arrastar para irmos ver o Oceans 13 num dia em que a própria cidade para lá caminha, para um grande ocean, de tanto que chove. Eu nao gosto de ir ao cinema as segundas-feiras. Segunda é o dia para eu recuperar ainda do fds, e saber que vou pagar pelo bilhete para dormir nuns bancos que nao sao propriamente confortáveis e nem colocados num espaco com surround system, quase que dói. Portanto, vai daí e disse que tinha de preparar as aulas de amanha, mas que bato palmas se ele for sozinho. Assim, posso-me esparramar no sofá a ler a revista que comprei hoje e os artigos que me faltam da sábado que a brigada da salada me trouxe.

As segundas-feiras sao dias deprimentes. Hoje ainda mais, porque:

- a brigada da salada foi embora ontem;

- descobri que afinal ainda nao tinha pago as contas todas;

- morreu o golfinho do zoo de Nuremberga;

- o meu frigorífico cheira mal e nao sei porque;

- deixei a roupa la fora a secar e ficou toda encharcada;

- os meus colegas nao se riem das minhas piadas e catalogaram-me de freak (oooh, que pena)

- o Bola pediu-me com olhar de Bambi para lhe fazer o currículo vitae.

- tenho prisao de ventre.

- hoje vi uma balanca e pus-me em cima dela.


Digam agora em uníssono comigo que se todos os males do mundo fossem estes, nao havia tanta desgraca. Sou uma parvalhona egoísta. Eu e o meu umbigo com diametro de meio metro.

terça-feira, junho 05, 2007

VEM AÍ A BRIGADA DA SALADA

Os verdadeiros amigos sao aqueles que nos perguntam se queremos que nos tragam alheiras, tintol, salsichas nobre ou, esta é que é imbatível...bacalhau! Era mesmo eu que viajava com a minha roupa a cheirar a bacalhau. E sobre isto é melhor ficarmos por aqui. Tanto pra dizer que vou ter amanha visitas, ohyeah, tenho andado entretida a preparar esses dias e a matar-me a trabalhar, pois nesta altura tá tudo de férias e tou a fazer o trabalho de tres.
Apesar disso, ainda consegui tirar parte da tarde de sexta-feira livre, depois de escrever um mail ao meu chefe a explicar que dois amigos atados, atadinhos, me veem visitar e que nunca saíram para mais de 20km da aldeia deles, la numa zona em Portugal, onde nem a electricidade chega. E que como nao sabem falar mais nada do que aquele dialecto lá da terra deles, preciso de andar estes dias com eles, porque sem mim eles ainda vao parar aos sítios mais absurdos e ainda lhes fazem maldades. E era chato ficarem com má impressao da Alemanha, só por eu nao ter tido tempo pra eles. Perante isto, o meu chefe, disse vai la entao, e toma lá conta dos teus amigos. E toma lá dez euros para lhes comprars umas pulseiras electronicas.

domingo, junho 03, 2007

me ajuda depressa, vai?

Camaradas, nao tenho uma desculpa nobre como desejos de uma gravidez ou ultimo pedido antes de me sentarem na cadeira eléctrica para umas brincadeiras, mas EU NAO CONSIGO DEIXAR DE PENSAR EM CHEESECAKE DE MORANGO. Nao consigo tirar esta cheesecake da minha cabeca. Sei que ja comi, que gostei, que foi há muito tempo, mas preciso de uma receita DECENTE, daquelas que nao me facam fazer buscas com nomes de ingredientes. Eu quero A VOSSA RECEITA DE CHEESECAKE DE MORANGO. De pres sa!
Se nao teem receita, digam-me como a fariam, directamente da vossa imaginacao. É urgente.

sexta-feira, junho 01, 2007

deixem os vossos nomes circular na net

Hoje tive uma surpresa fantástica, digna de Ponto de Encontro, fosse o Henrique Mendes ainda vivo. Esse senhor. Que nao sei porque, me fazia lembrar o meu avo, apesar de nao serem parecidos. Mas tinha ar de avo, devia ser isso.
Encontrei uma amiga de quem ja nao sabia há mais de quatro anos. Fomos colegas de curso e por causa do namorado dela - hoje marido - ter perdido o telemovel dela durante uma viagem qualquer, perdemos o rasto uma da outra. Licao, amigos machos: guardem os telemoveis. E nao é preciso ser dentro dos boxers, mas nao é vergonha nenhuma pedirem às namoradas pra porem na saca (o Bola dá-me kilos de coisas para eu arrumar na minha mini-carteira, porque quando era pequeno lhe leram dez vezes o mesmo conto de fadas, no qual as carteiras das meninas eram mágicas e tinham sempre espaco, até um frigorífico cabe na minha saca). Comprem uma pochette pra voces.! Ou uma daquelas cintas com um bolsinho e fecho (arrrgggh) tao in nos anos 90. É preferivel. Do que afastarem amizades! Ela agora até já é mae!
E somos as duas emigrantes, que alegria. Ela no país com mais emigrantes por metro quadrado, eu no país das salsichas.
Obrigada, Maria!
Sónia, tenho mesmo de me despachar pra a minha filha casar com o teu.

a long way down

Nao é facil trabalhar numa empresa dominada por homens. Há poucas mulheres. Quando vou almocar, tem dias em que entro e só vejo machame. E sinto que me observam e pensam mas que é aquilo, afinal também há coisas destas por aqui? Mas elas nao foram educadas pra ter filhos e ficar em casa?, ou é disso ou é da brasa que eu sou, porque toda a gente sabe que é só eu passar, que o transito pára. Normalmente, porque fiz qualquer coisa estupida, como deixar o carro ir abaixo. Outra vez. É do carro. É do carro. Também ja aconteceu eu estar sentada na cantina de nariz empinado a comer enquanto me fitavam com um olhar lascivo, que eu orgulhosamente fingia ignorar. Quando olhei para dois botoes da minha camisa desapertados, percebi que nao é a brasa que eu sou, é a parte do oferecida. Coitados dos metaleiros de mecacao azul.

Mas como eu estava a dizer, ter de fazer orcamentos para pecas de máquinas monstruosas da industria do papel, nao é pera doce nesta fase inicial, especialmente quando leio rolo, porca, roda de dentes ou tubagem e nao consigo bem ver a diferenca. E aí, faco um orcamento para despachar por aviao quando muitas vezes, sao pecas gigantes que teem de ser enviadas por barco. Eu tenho tanta experiencia de eléctrica e mecanica como de cabeleireira.

A parte mais engracada do meu trabalho é receber mails dos meus colegas do Brasil Oi Minhoca, tou precisando da sua ajuda. Voce sabe bla bla bla... pode passar pra mim? É que eu nao tou achando e o meu programa aqui é um saco. Brigada! Como foi seu final de semana?
Coisas assim. E vai daí, refastelo-me na minha cadeira, imagino que estou em Copacabana a beber um suco de mamao (tenho de fazer mesmo muita forca, mas imaginacao fértil é um dom que nao me foi negado) , com musica de fundo de Tom Jobim e comeco a escrever os meus fantásticos mails brasileiros do dia. Oi Arnaldo, já foi jogar volei na praia hoje? E mais tarde que tal a gente ir na lanchonete comer um pao de queijo?

Isto sem nunca deixar de ter em mente aquela imagem que idealizei dum ganda pao do outro lado do oceano, bronzeado, o tal brasileiro que eu vou referindo quando digo tanto brasileiro a passear-se de tanga bla bla bla e eu fui casar com o alemao... conhecem a deixa? É que eu sou repetitiva e tal, né? Todas temos o direito a sonhar com o nosso Alejandro Sanz imaginario! (mas nao na versao original: anao) Alejandro, se tiveres a ler isto, eres tan guapo que por ti pasaria la noche comendo gofres de chocolate untándote con chocolate por tu cuerpito de gnomo... e mais nao digo, porque qualquer dia o Bola apanha-me aqui em flagrante, é que ele acha que sabe falar portugues, mas o que sai daquela boquinha linda, é nada mais nada menos do que esse belo idioma que é o castelhano. Deve ter andado a ver os episodios da Dama de Rosa às escondidas. Ou da Floricienta.

Emigrante de caca que eu sou. Mudo de país e quase que mudo de língua. Mas voces nunca ouviram o meu brasileiro. É genial. Por isso é que ver a novela para mim é obrigatório. É quase estudo.

formulário para pizza

Malta, hoje o chefe oferece pizza a toda a gente. Bora lá a escolher a que querem e a preencher o formulário excel que está gravado na drive do costume.

Na sexta-feira passada, aterrou este mail na minha inbox, vindo dum colega. Sim senhora, o chefe paga pizzas pra malta toda, mas a parte de preencher o formulário gravado na drive do costume, pareceu-me exagerado. Achei mesmo quer era o colega possuído pela emocao perante o facto de ter pizza DE BORLA, e com isso, a TENTAR ser engracado.
Mas nao, amigos. Na Alemanha, no local de trabalho nao se ia apontar num guardanapo ranhoso e com manchas de batom a lista de pizzas para 14 pessoas. Na. Já se criou um ficheiro Excel, acessível a todos, que dá pelo nome (adivinhem)....
... Encomenda de Pizzas 2007!!!!! Com o registo das pizzas comidas em 2007. Juro. Fiquei de olhos esbugalhados quando me deparei com tal coisa, mas ok. Lá preenchi com aqueles que eu penso serem os ingredientes perfeitos, mas que infelizmente nunca reunidos numa pizza já criada em lugar nenhum!
Pizza Minhoca: base + cogumelos + fiambre + pimento vermelho + cebola + azeitonas + brocolos + muuuuuito queijo.
E às 11,59 la estavam as nossas pizzas a chegar. Esta eficiencia vai fazer de mim uma pessoa melhor, eu sei. Em tres anos, ainda nao deu pra ver, mas sinto que estou no bom caminho.
Hoje nao houve pizza à borla para ninguem, o que ate nao foi mau, pois a cantina à sexta-feira brinda-nos com uns pratos para o almoco fantásticos que incluem sempre canela ou molho de baunilha como refeicao. Nao como sobremesa. Mas confesso que até gosto... é o que se chama dar passos no processo de germanizacao.