Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

quinta-feira, outubro 12, 2006

mentindo por boas causas

O Bola tem sido tao inocente perante o que eu lhe tenho dito acerca de sábado que é de levar uma minhoca como eu às lágrimas. Na terca, cheguei da escola e disse-lhe que me tinham marcado uma reuniao para sábado, que pena, já nao podemos ir a Nuremberga. Pois, também estou cheia de pena. Ele acreditou. Ontem o meu vizinho foi lá a casa como combinado, entao comecou na conversa com ele e eu voltei pra massa dos rissóis que me esperava no balcao da cozinha. A dada altura, ele chama-me e pergunta-me a que horas acaba a minha reuniao no sabado, pois o vizinho estava a sugerir levá-lo à base americana pra ele se abastecer de todas as calorias americanas que ele tanto adora. E assim íamos todos. O vizinho de maos nos bolsos, ria-se a tentar disfarcar, e eu com o meu look sério (dentro do possivel) e as maos atrás do avental, dizia cheia de pena que nao me podia comprometer, pois nao era bem uma reuniao mas sim um seminário. (e a maluca que eu fico com os seminários...) Voltei para a cozinha com o riso preso na garganta a pedir desesperadamente pra saltar, ainda mais quando olhei para os rissóis todos amontoados numa caixinha e me ocorreu que nem o tamanho mini em que os fiz foi razao para o Bolinha desconfiar. Será que ele acha mesmo que o serao ideal, depois de um dia de trabalho que ainda por cima comecou mais cedo do que o normal, é enfiar-me na cozinha a esticar massa para fazer quinhentos rissóis?! Eu só vou disfarcando se ele nao desconfiar, basta ele chegar ao pé de mim e perguntar a olhar-me nos olhos se eu nao lhe estou a preparar uma festa, para eu de me descoser logo toda. Espero que ele nao pense sequer na hipótese.
Hoje fui bombardeada com emails, toda a gente a querer saber o que lhe dar de prenda. Sugeri uma planta ou um calendário asiático. Ou, para quem nao arriscar, um vale para trocar por um cd, pois é coisa que com ele resulta sempre. O bilhete para o concerto do Ben Harper em Novembro também ja consta do inventário de prendas. Será que incluíram bilhete pra quem acompanha??
Encomendei uma caixa de morangos no mini-mercado perto de casa, pois na sexta à noite faco-lhe eu o meu bolo, ou quem sabe, a receita que o mano encontrou na Vaqueiro...
Encomendei um bolo destes com impressao de uma foto que fui mandar fazer de propósito, que em princípio, será delicadamente aplicada numa folhinha de massapao. Prometo por aqui a foto do bolo.
Um amigo nosso vai cozinhar e eu faco umas entradas malandras, tamaras recheadas com queijo creme e enroladas em bacon, rolinhos de Primavera e, como sobremesa, o pudim de leite condensado, receita maravilhosa da minha Mae. O vinho continua enfiado na gaveta das cuecas. ainda nao tenho champanhe nem a grade de cerveja. Nem pensei ainda na indumentária que tem encaixar no conceito de esposa genial. Assim...hmmm...tipo eu.
Quando hoje fui a casa à hora do almoco e só apareci duas horas depois, disse-lhe que me tinha sentido mal-disposta e fui buscar uma aspirina para as dores. Ele acreditou, tao querido. Claro que possivelmente as minhas mentirinhas nao sao assim tao óbvias, eu é que sou por natureza muito mas muito mais desconfiada.
O próximo passo é no sábado mandar-lhe umas sms por volta das cinco, seis da tarde, anunciando que a reuniao deu mesmo para tarde. Para o manter afastado do lar até às sete horas. Espero que a surpresa resulte. Pensei em tudo ao pormenor, convidei poucas pessoas para ele nao ficar chateado, a prenda é algo que sei que ele já quer ha algum tempo, e pretendo enche-lo de beijinhos e abracos a partir da meia-noite. Só pode correr bem.

quarta-feira, outubro 11, 2006

revigorada

Aviso às malucas todas que me andaram a mandar mails com intencoes de afiambrar o meu irmao, tendo em conta o seu maravilhoso grau de imaginacao (perversao?), ele de facto nao é seminarista mas é como se fosse , dado o seu coracao de pedra ja ter dona.

Depois de proporcionar uma alegre manha a todos aqueles condutores que hoje aguardavam ainda ensonados nos semáforos, pedalando qual maluca estrada fora, com o vento a levantar-me a saia e a revelar a silicone dos meus stay-ups vermelhos lindos de morrer, eis-me aqui, fresca e contente por ter dormido as minhas merecidas dez horas.
Estas aulas de ingles deixam-me esgotada no final. Esforco-me tanto para que compreendam o que me parece simples e tento varias abordagens perante as suas cabecinhas pouco iluminadas que no final, sentir-me extenuada é normalíssimo. Mas ontem correu lindamente. Como era uma turma de quinze, passámos para outra sala maior. Ainda reparei que alguns dos alunos me olhavam com um sorriso que revelava mais ou menos tens idade pra ser minha filha (neta?) e és tu que me vai ensinar uma língua estrangeira. Lembrei-me de quando andava no secundário e no início do ano, perante os professores novos, havia sempre aquela excitacao de nao sabermos quem ia ser. Lembrei-me da surpresa que algumas vezes tive, quando nos aparecia um professor ou professora que tinha a pinta de ser meia duzia de anos apenas - se tanto - mais velho que nós. Neste caso, a surpresa foi dos meus alunos, especialmente daqueles que teem a idade do meu Pai. Quando me viram entrar na sala e pousar as coisas na mesa da frente - que eu insisti em arrastar mais para o pé deles para mostrar que nao tenho autoridade nenhuma, burra que sou - reparei nos olhares de surpresa e apresentei-me, nao fossem eles pensar que era a filha da professora a brincar às escolas. Correu bem. Deixei de dar explicacoes paralelas, pois podem ser úteis mas nao nesta fase. O verbo live le-se i e nao ai e nao interessa se a palavra live já se le diferente. Para ja nao é preciso baralha-los coitadinhos... sabem tao pouco.

terça-feira, outubro 10, 2006

o meu irmao andou no seminário

Email da Minhoca aos Manos:

Uma sobremesa fixe pra eu fazer pros anos do Bola?
Ando sem ideias…




RESPOSTA
Von: Mano Ord*****[mailto:******@gmail.com]
Gesendet: Dienstag, 10. Oktober 2006 15:49
Betreff: Re:
An: Minhoca
Cc: Irma dos dois

Receita: LOUCURA DE MORANGOS "À LA BAVÁRIA"

ingredientes:
morangos, chantilly e wonderbra.

Preparação:
lavar bem o peito.
colocar o wonderbra apertadinho e dispôr os morangos delicadamente entre as verdadeiras.
tem cuidado para não amassar ( se amassar não faz mal, arranjas umas tostinhas e tira-se tipo compota!)
por fim cobre com o chantilly e dá a comer sem talher :P
tirei do site da http://www.vaqueiro.com/
EHEHEHEHEEH

SMS ser mais sabedor

O Verao andou aqui a engonhar para que quando se despedisse, o fizesse em forca. Sem sentimentos. Hoje e ontem foi sido duro sair de casa de manha. Dois míseros e ranhosos graus. Aperto a parka (é muito mais fino dizer parka) até ao queixo e la venho eu, esforcando-me para povoar a minha cabeca com imagens bonitas. Fins-de-tarde na praia, batidos de morango, banhos de sol, o Ricardo Araújo Pereira nu, a areia da praia, etc. Curiosas sao as amplitudes termicas nestes dias. Comecamos o dia nos dois graus cá em baixo, para depois, durante a tarde, o termómetro nos alegrar com uns maravilhosos 16, 17 graus. Que me permitem sentar-me na varanda depois de chegar a casa, com uma chávena de chá ao meu lado, a saborear os últimos dias em que ainda posso por o nariz para lá da porta da varanda. Já agora, porque este é um blog claramente cultural, sabiam de onde vem o hábito very british de por leite no chá (preto)? Li há uns dias, ja nao sei onde, que se devia ao facto de a casquinha das chávenas de porcelana do século XVIII, ser tao fininha, que com o chá a ferver, estalava! Portanto eram regadas primeiro com leite para reduzir o choque térmico. Será que era alguém a dar tanga? É que eu acredito em explicacoes destas, cheias de ciencia… acredito em tudo. Até no Pai-Natal. Até que vou ser aumentada em Janeiro. Até que Portugal vai sair da crise. Até que vou ser mae antes dos trinta. Até... até.

round 2 ready to go

Diz que tou cheia de sorte. Os meus alunos, como que num milagre semelhante ao das bodas de Canaá, duplicaram. Digo duplicaram, porque em vez de serem pessoas novas, frescas, com um q.i. ainda na margem do aceitável, calculo que nao. Calculo que sejam mentes tao brilhantes e tao simpaticas como o grupo com que comecei há duas semanas atrás. Com a diferenca de que sao mais. O grupo de gremlins inicial deve ter apanhado água e multiplicaram-se, os danados.
Para hoje imprimi umas folhas com um exercício malandro, no qual é preciso conjugar o verbo ser. Tipo eu soy, tu és, el é, nós sAmos, vos soizes, eles som... e por falar em som, vou artilhada com cds e tal, pois eles sao tao espertos que é ve-los a ouvir e a tirar apontamentos de sinónimos das palavras que forem ouvindo. Para além da folheca ranhosa com o verbo ser, levo ainda aqueles diálogos parvos mas uteis.... e didácticos. Hola me llamo Mono quieres jugar conmigo? Coisas deste género... depois pretendo desenhar. Hoje vou dar azo à minha alma artista e vou fazer imensa coisa, desenhar casas, pessoas a acenar Adeus, sol pra eles perceberem como se diz bom-dia e a lua, pra perceberem que é pra dizer boa-noite.
Está-me a querer parecer que hoje vai ser o jackpot, a malta vai aprender e aprender, vao sair de lá poliglotas quando ouvirem da minha boca as várias versoes, continental e nao-continental, da palavra mèrde.
Até um alfabeto versao Minhoca fiz para eles. Até com eles sonhei... oh desgraca. Afinal, nao tenho perfil de professora, andei anos enganada. E ninguem me dizia nada??

segunda-feira, outubro 09, 2006

gosto taaaanto mas tanto

Este fds é que foi. Andava há vários dias a sonhar com ovos moles. Sonhava que andava por Aveiro, saltitante e feliz, e em todo lado me ofereciam aquelas conchinhas maravilhosas, que eu devorava sem nunca me cansar. Depois acordava e puff... via que era mentira, que aqui nao se faz doce de ovos, muito menos molotov ou castanhas de ovos, essas maravilhas que me deixam a boca num dilúvio, só de pensar. Foi aí que me lembrei duma médica, uma vez, quando eu fui fazer análises gerais por achar que podia ter uma doenca qualquer que agora nao me lembro, talvez diabetes... que me disse voce ponha-se a pau, olhe que com o colesterol nao se brinca e com os seus níveis, nem em manteiga pode tocar. ah ah ah... mal ela sabe, a nojenta. Porque ela era um bocado parva, achei que para me vingar das coisas feias que ela me disse e que me deprimem de quando em vez, devia ir fazer duas tacinhas de ovos moles, para mostrar ao mundo e ao Bola os doces maravilhosos do nosso Portugal. Claro que com seis gemas de calorias, o meu intestino disse logo que eu nao me ia safar de passar metade da semana sem o rabo enfiado na sanita, mas eu nao me importei. A chegada do Outono nao perdoa, só me apetece comer o que nao há por cá. Torradas ainda se vao fazendo com o pao mais parecido possível. Mas... e os pudins? E as broas? E as bolas de fiambre? E os paes de leite? Oh meu Deus... que eu nao aguento. Deixa-me pelo menos chegar ao WC a tempo, nao me falhes...

domingo, outubro 08, 2006

socorro, encontrei o guarda-roupa da Cyndi Lauper

Foi hoje como me senti no Campera (????) alemao. Um horror. Pensava que aquilo era um bastidor para alguma festa em comemoracao dos anos Oitenta, que tanto ficaram na memória do nosso tao querido povo alemao. T-shirts néon todas esburacadas, plainitos, mini-saias que gritavam olá, chamo-me mau gosto, prazer. Ainda consegui, a muito custo, digo-vos, trazer de lá um cinto que tambem devia ter sido da cindy lauper, mas que até me me convenceu. Trouxe também um cachecol verde florescente, pois sou adepta dos passeios nocturnos estrada fora e uma t-shirt com bonecada gira. De resto, só vos digo, as primeiras sete pecas de roupa que agarrei foi por ter mesmo de partilhar com alguem, pois eu nao podia acreditar que os meus olhos estavam a ver aquilo. E amaldicoei nao ter levado a maquina fotográfica, pois passam-se anos sem se ver tanto mau gosto junto por metro quadrado!
Quando o Bola me aparece com umas calcas brancas com umas risquinhas pirosas, eu implorei-lhe para ele me revelar que estava mesmo a brincar comigo, a ver o que eu dizia. Depois disse-lhe que se ele comprasse aquele horror, eu ia trabalhar de leggings. Chegou.
E agora que ja me passou o choque, vou tomar a minha chávena de chá para me acalmar e poder dormir descansada, sem pesadelos com a Cyndi (e nao Cindy, essa é a Crawford) a correr atrás de mim a cantar you can look you can run and you will find me time after time..., ao mesmo tempo que me poe um chapéu às bolas rosa e lilás na cabeca e eu tento gritar sem conseguir.

vinho nas cuecas

Uma palavra perigosa para mim é, certamente, outlet. Quando oico falar em outlet, se for no fim de mes, fico com medo. Se for no início do mes mas com a conta minúscula, também fico com arritmias e dificuldade em respirar. Mas vou. Levo é o Visa preparado. ihihihi
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Tenho quatro garrafas de vinho enfiadas na gaveta das cuecas. Tenho as pirosadas que comprei, toalha a dizer parabens, ferramentas para o bolo que lhe vou fazer, etc, na gaveta das meias. Sao as minhas unicas gavetas onde sei que ele nao vai praticamente nunca. A menos quando diz aah, deixa la ver se na tua gaveta so existem dessas com gola e alta e tal, ora deixa ca espreitar... mas nao vou ter tanto azar ao ponto de no espaco de sete dias poder criar tao triste oportunidade.

Sábado ele quer ir a Nuremberga. Eu vou ter de arranjar uma reuniao da escola mesmo às quatro e meia, pois é o único motivo irrefutável, inadiável, ou seja, perfeito. Ontem falei com o meu vizinho sobre estas possibilidades e ele disse que acha relativamente fácil agarrar no Bola por volta dessa hora e tirá-lo de casa, pra eu poder preparar tudo à vontade e poder cá enfiar as oito pessoas envolvidas na marosca. Chega o gajo dos tachos, trago o bolo da pastelaria, ponho a mesa, enfeites e tcha-raaan!! O Bola entra duas horas depois pensando que a casa está vazia e Surpreeeeeesa. Pelo menos, é assim que na minha doce ingenuidade eu acredito que seja. Há videos na net a circular com cenas hilariantes sobre surpresas parecidas, em que por qualquer razao há sempre barraca. Também nao estou livre. Os meios existem, falta verificar o talento... especialmente para mentir.

sábado, outubro 07, 2006

sexta-feira, outubro 06, 2006

Beranek

Enquanto o Bola se prepara para me abandonar mais um fds, eu vou planeando o meu. Fazendo listas mentais do que comprar e onde esconder. Os anos dele sao ja no próximo sábado e eu continuo sem uma ideia boa para organizar o jantar lá em casa, sem que ele se aperceba. A ideia mais fixe, era já agora, comecarmos o jantar e ele ainda nao se ter apercebido, alias, festejar, cantar parabens, prendas e tal, e ele continuar sem topar que eu lhe tinha organizado um jantar-surpresa... baralhei-vos? Nao sei porque...
Vou comprar uma grade de cerveja e esconde-la no vizinho de baixo. Como o meu vizinho praticamente se alimenta de cerveja, talvez deixe lá a grade com cadeado.

Uma das prendas mais giras que o Bola me deu (e ele já me deu imensas prendas e todas muito giras) foi uma ovelha grande da Nici com um saco de agua quente la dentro. A ovelha tao um ar tao fofo, tao inocente e triste ao mesmo tempo, que dá logo vontade de abraCar quando olhamos para ela. Há cerca de um ano atrás, lembro-me que ele ficou uma semana em Munique, a ajudar o irmao nas mudancas. E como eu iria ficar aqui a semana toda sozinha, ele comprou-me a ovelha para eu dormir com ela e nao me sentir tao só. E funcionou, faz companhia.
Com o passar do tempo, ele comecou a usar a ovelha para resolver pequenos dilemas entre nós. Passou a ser normal, sempre que me chateio com qualquer coisa e vou pro meu canto ler ou fazer seja lá o que for, sou abordada pela ovelha que, pelas maos e boca dele, se desculpa e diz uma série de disparates. Às vezes, ordinarices. Por altura de combinar a ida a Praga, descobri na internet o nome Beranek (nome duma pensao), que significa ovelha em checo. A ovelha passou a ser o Beranek. E em vez de ser eu a dormir com ele, é o Bola que se agarra a ele e dorme com a cabecinha alinhada ao lado da dele, na almofada. Muito gay, diriam uns, muito querido, diriam outros. A ovelha já passou de branca a bege e está mais suja que sei lá o que. O Bola nao me deixa por nada po-la na maquina. Comecou a pesquisar outros animais da mesma coleccao na internet e implorou-me que comprasse a Foca no ebay (ou o urso polar). Coisa que eu fiz, porque precisava dum saco de agua-quente e aqueles sao, sem duvida, geniais. O que eu nao esperava era a alegria dele hoje, quando o pacote chegou. Fui ter com ele e pus o pacote na mesa dele. Ele olhou para mim feliz e perguntou-me se era a foca dele, com os seus lindos olhos verdes brilhantó-viscoso, com a cara de uma crianca no dia de Natal. Imaginei o aspecto da nossa cama a partir de agora, a libertinagem meu Deus... e só me conseguia rir a pensar na minha irma, quando era miúda, a dormir com uma orgia de bonecada na cama para cada lado dela. Era ela no meio com bonecos deitados dos dois lados, docemente tapadinhos. Tudo levava a crer que na sua vida afectiva ela enveredaria pela quantidade, o que de facto e felizmente, nao se verificou. Boa, Marta!

quinta-feira, outubro 05, 2006

escapadela

Daqui a um mes tou a chegar de Londres. O Bola vai à ilha daqui a duas semanas, em trabalho, só por dois dias, mas para outros lados. Duas semanas depois vamos com dois amigos e colegas.
Vao ser apenas 4 dias, só mesmo para ficar com um cheirinho, pois com as férias prolongadas no Natal, nao dá mesmo para mais. Vou comecar o ano outra vez com dias de ferias em menos.

Entre outras coisas, há pequenos objectivos que pretendo atingir ao longo destes quatro dias: comer um bom caril num indiano daqueles mesmo genuínos, trazer um carregamento de Twinnings para os próximos doze meses (e soft cookies do Sainsbury's), comprar uma caneca com a cara do príncipe Carlos, esse pao. No resto do tempo, ocupo-me com as banalidades tradicionais em terras de Sua Majestade e alinho nos planos dos outros, porque isto de ir em grupo nao é fácil, mesmo que a gente leve no braco a amiga mais amiga, a pessoa mais parecida connosco. Os interesses colidem quase sempre. Portanto, já disse ao Bola que se se quer enfiar no Harrods ou na Oxford Street, tudo bem... nao precisas de dizer nada, Bola, ssssshhhh....os sacrifícios que uma miúda apaixonada nao faz.

chegou o frio

Com dez graus pela manha, é hoje para mim o marco, a passagem para o tempo frio. Está uma manha mesmo gélida e cheira a frio. Ontem andei pela casa feita Linus, a arrastar comigo uma manta para todos os locais para onde me deslocava. Normalmente, o primeiro sinal de frio noto nas maos quando estou no computador. A direita fica sempre gelada. Ontem liguei, portanto, o aquecimento, o que se pode considerar tarde, tendo em conta o ano passado. Já me andava a queixar ha uns dias que detesto tomar banho com a casa de banho fria, de manha. Que impaciencia esta dos homens, em nao compreender que nós nao temos a virilidade deles no que toca a suportar o frio. Eu sempre fui friorenta e este jogo do liga e desliga do aquecimento me deixa furiosa. Sim, tambem eu quero ter cuidado em nao exagerar no quarto, pois acontece frequentemente que o ar seco do quarto me deixa doente. Mas esta mania puramente masculina de que nunca está frio e de que nao é preciso exagerar e tornar a casa num clima tropical deixa-me parva. Só nao percebo se eles sao mesmo assim, robustos e valentes, que praticamente nasceram com uma faca de mato colada ao tornozelo, ou se faz parte da sua maneira de estar à macho. Do horror de mostrar que sentem frio.

quarta-feira, outubro 04, 2006

mellow

Como ando muito cheesy, convenco-vos a verem este video ate ao fim. Amor em coreano. Muito giro.

Para quem é fan

da Petite Anglaise! Novidades, aqui!

solidariedade porta com porta

Pois é, ontem nao cheguei ao atrevimento de arranjar as sobreancelhas aqui no trabalho, apesar de estar sola. Uma coisa é na praia, ou mesmo numa esplanada, mas aqui achei que nao era boa ideia. (riam-se, please) Virei-me para actividades mais sérias, tais como livrar as minhas gavetas do bolor, esse inimido que nunca me deixa em paz. Ele era fatias de pao, ele era bolachas fora de prazo, sacos de chá enrolados uns nos outros e outras substancias qu nao fui capaz nem quis identificar sob pena de perder o apetite para o lanche. Como isto estava sossegado, agarrei no meu livro e fui lendo, deixando-me envolver pela atmosfera romantica composta pela minha solidao e pela chuva la fora, sendo que a unica luz decente aqui no escritório era a que emanava do ecran do meu computador.
Quando chegou a hora de sair, estive uns minutos a ganhar coragem para me atirar para debaixo da chuva, coisa que me chateia sempre um bocado porque, como voces sabem, eu sou praticamente feita de acucar. Pessoas doces como eu, devem portanto, evitar a chuva. Fui comprar o jornal intelectual do Bola e rumei para casa, melhor será quase dizer, remei. Descalcei-me, vesti o pijama, aterrei no sofa, donde só levantei o meu bolorento rabo para jantar enquanto vi o Goodbye Lenin, que tinha de passar num feriado como este, para combinar com a temática. Agarrei no Bola e em parte do nosso jantar e fui ao andar de baixo fazer uma visita ao vizinho, que tem estado imobilizado desde sexta-feira com uma crise de artrite. Ou entao, finge que está, para lhe continuarmos a levar o tabuleiro com o prato do dia. Eu e este meu coracao sem fim... nao admira que ele tenha ficado de lagrimas nos olhos e língua de fora. Ele e o cao, perante a visao de outro ser humano em lingerie e sato alto a trazer-lhe um prato com dois self-made hamburgueres, batata frita e salada, foi o suficiente - pensou ele! -para que esta doenca tivesse razao de ser.
Até que eu estraguei tudo e disse: Bola, tapa-te meu desavergonhado, deixa-lhe a comida e vamos pra casa.

terça-feira, outubro 03, 2006

mais séries de tao pegajosas que sao

Mais uma.

Outra. Se olharem bem de perto para a Samantha, percebe-se nao é à toa que a Nicole Kidman foi a eleita para fazer o filme recente da série.

E o Liceu Degrassi?
E este cromo? De chorar a rir...
E o meu idolo Doogie? Por amor ao Doogie, fingia gostar de Medicina. Arrg...
Uma este classico? Para quem quiser ver o video todo, saibam que é essa a moda que ainda impera por ca. Nao admira... a RTL passou a dita série (ainda passará) dez anos depois de ter acabado...
Todas queríamos o Luke, claro?

To-do list de hoje

1. Transferir dinheiro ao Bola. Pois, eu sei, tambem ja lhe disse que preferia pagar em amor, mas desta vez tem de ser. Sou eu a titular da conta comum. (riso maquiavelico e esfregar maos de contente)
2. Preparar a primeira parte da aula da próxima semana, com exercicios tirados do meu livro da primeira classe, passando apenas para ingles.
3. Arrumar a esquina suspeita do meu quarto. É a esquina onde está a cadeira onde eu vou amontoando roupa durante a semana. Ao fim-de-semana costumo seleccionar o que vai pra lavar e o que é para dobrar. Este fds nao mexi uma palha.
4. Aspirar. Detesto aspirar. Quando era pequena, aspirava os cabelos para me divertir. Quem sabe, nao experimento. Sabe sempre bem reviver a infancia, com a diferenca que desta vez nao acredito chegar mesmo ao saco do aspirador e ver como é por lá. Quem diz aspirador, diz autoclismo.
5. Procurar no ebay o creme da tromba, o champo e o baton, que desta vez acaba tudo em simultaneo.
6. Limpar as minhas duas gavetas aqui no trabalho. Estao cheias de tralha que nao preciso e posso jurar que sinto um certo cheiro a mofo (bolor?) quando as abri. Estou com um certo medo. Em determinados estádios, o bolor assusta-me mesmo. Devem viver criaturas por dentro de tanto fio azul. Às vezes, sinto-as respirar.
7. Encontrar queijo, no matter what, o que é algo praticamente impossível num feriado, como hoje. Para quem nao sabe, hoje comemora-se a unidade alema, ou seja, o momento em que o muro caiu e a Alemanha se tornou una, embora em termos práticos ainda nao seja bem o caso. Esta unidade que se celebra é mais teórica. Os níveis de desenvolvimento entre a antiga DDR e o lado de cá continuam díspares. Mas comemora-se, é feriado e eu preciso de encontrar queijo para os meus hamburgueres. Hamburguer sem queijo?? Naa....
8. Fazer as sobrancelhas. Sim, porque ser a única pessoa a trabalhar dá-me direito a luxos destes, vim de pinca na carteira. Oh yeah! Vai na volta tambem arranjo as unhas.

Pras gajas ou Once sopeira always a sopeira

Impressionante o efeito que certas musicas teem na nossa memoria. Aqui. Ou aqui. Eu hoje estou muito sopeira. Aliás, eu sou sopeira, sempre gostei de ver a novela, pronto. Alguem se lembra desta cena? Houve umas poucas novelas da Globo que me fizeram mesmo vibrar. Esta é uma delas.
E um macho destes? Meu Deus, deem-me dois pares de estalos que o mau tempo pos-me mesmo mole. Invertebrada, como sao afinal as minhocas.
Para acabar, uma memoria de quando eu tinha 6 anos. Curso intensivo de espanhol, a par com a Calle Sesamo da Tve1.

Agora passemos às novelas com um pouco mais de glamour, pois ando a passear pelas séries que marcaram a minha adolescencia.
A primeira. Sou capaz de ver isto vezes e vezes sem conta. E rio-me.
Outra que me apetece ver nos dias de chuva, assim tipo hoje. Recuando agora mais uns largos anos, fartava-me de perguntar se alguem se lembrava desta série e como nunca ninguem me soube dizer uma unica vez que sim, achei que era fruto da minha imaginaCao. Juro.
E estes? Eu estava sempre com medo que me acontecesse o mesmo, ficar sem os meus pais e ter de tomar conta dos meus irmaos.

Acho que vou pra cama a sonhar que sou altamente programável, como a Vicky e carrego no botao para o modo alegre. Afinal, amanha é feriado e apesar de ir trabalhar de tarde, posso dormir até à uma da tarde.

segunda-feira, outubro 02, 2006

falta de chá

Sinto saudades dos chás na casa da minha bisavó. Eram tao bons. Lembro-me do fervedor do chá, lembro-me das torradas. Aliás, deve ser por isso que gosto tanto de torradas. Lembro-me das bolachas. Porque extinguiram as bolachas Belinhas?
Lembro-me de algumas tardes passadas à espera que os meus pais me fossem la buscar. Lembro-me das batatas fritas, dos baralhos de cartas com fotografias de papagaios.
A minha Tia, irma da minha bisavó fazia os chás da mesma forma, dos quais tambem sinto saudades. Tenho mais saudades dela do que do chá de maçã que ela passou a fazer, substituindo o tradicional chá preto. Quando vejo chá de maçã , lembro-me sempre do dia em que ela me foi buscar a caixa para me mostrar e do entusiasmo dela perante a descoberta de tamanha invencao.
Nunca mais bebi cha de maçã desde que ela partiu. Deixa-me um sabor agri-doce e tira-me o apetite. Acho que é sempre assim quando pensamos nas pessoas de quem gostamos, que tanto nos deram, e que já cá nao estao. Com quem nos sentimos sempre em falta, por nao termos dado mais de nós mesmos.
Com a chegada da chuva e do Outono, trago sempre imenso chá aqui para o trabalho. Desta vez, trouxe um sortido de todas as caixinhas que tinha em casa. De maçã nao. Hoje estou com o típico humor de segunda-feira. Voltem amanha!

domingo, outubro 01, 2006

o que se quer é metodo

O Bola referiu-se a mim, a terceiros, este fds como meine Frau. E em alemao, isto provoca-me calafrios. Acho tao... piroso. Antes era a Minhoca. Agora, minha mulher?? Que horror... até parece que somos casados! (parece que somos mesmo, afinal, desculpem aí, tá?)
Queria partilhar com voces esta foto (hoje fui a tempo) do método sempre organizado e invejável com que o Bola cozinha. Tudo organizadinho, o tempus é controladissimo, tudo lavado e enfiado na máquina ao mesmo tempo. Dez pontos para ele que decidiu passar duas horas na cozinha num fim de tarde do primeiro fim-de-semana de Outono, apesar dos vinte graus. Palmas!Todos...