Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

quinta-feira, novembro 13, 2008

dias que passam devagar

Ter um marido sem emprego deve ser semelhante a ter um filho adolescente. Haverá manuais para o meu caso? Estas mudancas repentinas de humor sao algo a que eu me pretendia sujeitar eventualmente, mas daqui a bastantes anos. E sempre ciente, que no caso de o meu filho adolescente se tornar insuportável, dá-lo para adopcao ou mandá-lo para um colégio interno na Suíca. Ora, o Bola nao simpatiza muito com a Suíca é sempre uma opcao. E sempre achei que essas crises, vindo do sangue do meu sangue, nao seriam tao dificeis de suportar. O Bola tem momentos de euforia em que encontra anuncios que diz nos quais encaixa maravilhosamente. Quando lhe telefonam, ainda mais eufórico fica e tenho de ser eu a puxá-lo à terra e a lembrar-lhe que um telefonema nao é nada, uma entrevista já é melhor, mas certos empregos sao demasiada areia para a camioneta dele, pois pedem vários anos de experiencia na área em que ele tem trabalhado e na qual se tem candidatado.
Entretanto, a título informativo, um litro de gasolina custa aqui 1,23 € e um litro de gasóleo 1,26 €. O mundo anda ao contrário.

sábado, novembro 08, 2008

De telhas percebo eu

Entretanto, depois do choque inicial na semana passada, o Bola acordou para a vida e o seu passatempo número um, depois de me levar ao trabalho diariamente, é enviar candidaturas e currículos, que ele selecciona todas as manhas depois do pequeno-almoco. Manda umas porque quer mesmo e outras por querer fazer festinhas ao ego. Numa dessas festinhas ao ego, ligaram-lhe para o telemóvel a perguntar se ele nao queria ir trabalhar para perto de Frankfurt... ele, a testar a sorte, atirou para o ar um número muito grande do que teria de ganhar num ano para aceitar. Nao lhe disseram logo que nao. Ficaram de falar de novo na segunda-feira.
Bola, tu queres ir para Frankfurt?!
- Nao, mas se me pagarem o que eu lhes disse, valeria a pena investir um ano para poupar algum e ganhar mais experiencia, depois disso eu posso quase concorrer para qualquer lado com muito boas chances...
- Mas Bola.. Frankfurt? Ficas mais perto dos teus irmaos, mas longe de mim?
- Nao te preocupes, agora já tens a Tvcabo, nem te vais dar conta que eu nao estou em casa!

Pois. Apesar de ser uma piada e quase poder ser um diálogo para nova publicidade da Tvcabo, é verdade que ir para um pouco mais longe quando as condicoes sao muito boas, por um ano nao é assim tao mal pensado.
E sim, amigos, a Tvcabo reina de novo no nosso lar. Ontem veio cá a casa um marmelo italiano montar a antena e, quando eu cheguei a casa, disse-me no seu alemao horroroso que já estava tudo pronto, só faltava o cartao dar sinal. Depois passei-lhe para a mao duzentos e cinquenta euros, e antes de largar as notas na mao dele, disse que caso isto amanha ainda nao funcionasse, me ia ter à porta da loja dele, armada. Armada em chata, queria eu dizer. A Tvcabo já funciona, as novelas daTvi sao horrorosas e aqueles diálogos dao-me sono, o que nao é assim tao mau. Nao consegui ouvir nada sem me perguntar a mim mesma há tres meses isto eram assim tao mau, já? O Carlos Pereira continua com aqueles tiques quando fala e a Rita Pereira é muito emocional, mas tudo o que dizem é tao piroso e previsível que sinceramente, dá vontade de nao querer ser mais esta jovem romantica que sou, que adormece com novelas.
Quando perguntei ao Bola como se sentiu por ter estado pela primeira vez sozinho com outro homem no telhado, ele nao se riu, arqueou as sobrancelhas. Nunca mais deixo o Bola sozinho no telhado com outro homem. Primeiro, porque quem deveria ter tido essa experiencia era eu e segundo, porque ele nao se movimenta no telhado com a astúcia com que o Humpty Dumpty se psseia pelo seu muro. Já de telhas, percebo eu.

nunca se é velho demais para o gibi

Será que eu algum dia vou conhecer o Maurício de Sousa? Gostava tanto!
Os meus colegas do Brasil, com quem eu contacto quase todos os dias enviaram-me um 'gibi' da turma da Monica, depois de eu ter pedido umas dez vezes. Foi uma alegria poder voltar a ler novas histórias de quadrinhos com o Chico Bento, a Magali e o Cascao.
O problema é, querido diário, eu leio uma história de cada vez que me sento na sanita por mais de dois minutos. E o gibi tem 15 historinhas de uma página. Já só restam tres.
:(

quarta-feira, novembro 05, 2008

Oba! Oba!

Confesso que gostei muito do discurso do Obama e que senti qualquer coisa inexplicável, mas boa. Ele é uma mistura de Lincoln com Martin Luter King e com mais um nao sei que de Kennedy.
É o típico gajo a pedir para ser alvejado, pá!

segunda-feira, novembro 03, 2008

pela minha família, vá lá

Pois. Assim vai ser a minha vida nos próximos meses. A tentar animar um Bola deprimido, com cara de enterro e a olhar para a janela, pensativo. Tenho de prestar atencao para o caso de ele deixar de fazer a barba ou passar as manhas na cama. Por essa razao é que hoje nao me importei que ele me fosse levar ao trabalho, mesmo tendo ficado quinze minutos plantada à espera dele e ter quase desatado aos gritos por ele ir taaaaaaoooo devagar e parar nos semáforos todos. Eu já conheco os semáforos todos, ONZE, que me desafiam a viagem todos os dias de manha. E já sei como os fintar, sei que entre tres seguidos, nao preciso de parar nunca nos tres. Isto quando sou eu a conduzir. A ouvir os hits do Lionel Richie na rádio às oito e meia da manha.
Mas a verdade é que até eu perdi a fome e hoje nem fiz cocó. Quando nao faco cocó, é porque estou tao triste que o meu intestino diz que assim nao pode ser. Também nao bebi café o dia inteiro. Estava tao fora de mim que até comi strudel de couve-de-bruxelas, portanto posso nao ter feito cocó hoje, mas com couve-de-bruxelas, quando fizer, vai ser pela semana toda.
- Bola, podias ter escorregado à porta de casa e caído duma forma que te deixasse paralítico, ou podias ter uma doenca tao grave em que nem quatro semanas de vida te davam, ou podias ficar de rastos por eu te dizer que ja nao gostava de ti e que ia fugir com o Sven da oficina das biciletas...ou com a Janine da padaria. (qual preferias?) Bola, há tantas coisas bem mais horríveis do que perder um emprego de que nao se gosta!
Tento pensar em coisas assim horríveis, mas ele já nao está a achar muita piada. Diz que precisa de tempo para se habituar à ideia.
- Bola, no meio dessa melancolia vai mandando algumas candidaturas. Pela minha Mae e pelos meus irmaos, vá lá...eles imploram!
- A tua Mae, os teus irmaos...?
- Sim, Bola, é que agora que foste despedido eles vao ter de fechar o meu Pai à chave na casa-de-banho, pois ele já tem mais uma razao para passar o dia em torno dos males do mundo, do capitalismo, da crise, e qualquer dia compra uma casa de colmo em Cuba e tenta arrastar toda a gente para perto do Fidel.
Tudo vale para o fazer rir. Ele merece.
Quanto mais nao seja por todas as outras vezes em que tambem se esforca para me fazer chorar.

domingo, novembro 02, 2008

Temos de falar

É uma daquelas frases. Sexta-feira, tinha dois mails na minha caixa de correio do Bola e duas chamadas nao atendidas. Como até hoje, a única vez que em que ele disse temos de falar, foi quando ele me disse que tínhamos de nos livrar dos gatinhos que eu havia recolhido numa quinta e levado para casa, eu vi logo que o assunto se anunciava sério.
- Fui despedido - diz-me quando lhe ligo de imediato.
Depois do porque, como, quando, quem, lá me acalmei. No início, tambem algo me parecia nao estar a encaixar bem. A empresa onde ele está nao estava com dificuldades financeiras, estao contentes com o trabalho dele, etc. Se há alguem com vontade se de despedir é ele próprio, mas nao convidarem-no a sair. Nao fazia muito sentido. Mas, há coisas que realmente podem mudar com uma rapidez enorme e depois do murro no estomago, é preciso algum tempo para digerir.
- Bola, nao fiques triste. Estás longe de casa, já nao gostas do teu trabalho há imenso tempo e ainda te dao uma indemnizacao para saíres. Nao é assim tao mau, vais ver... além disso, ficas com tempo para pensares na tua vida, leres, ires ao ginasio e ao cinema e fazer o que todos os desempregados neste país em determinada altura do desemprego fazem: encostar-se à sombra da bananeira que é o estado alemao.
De modo que o meu fim-de-semana tem sido a procurar anuncios de emprego às escondidas e a tentar provar por A+B que há males que veem por bem e ser despedido nesta altura pode nao ser razao para rejubilar de alegria, mas há mudancas que comecam mal mas acabam bem.

quarta-feira, outubro 29, 2008

férias forçadas

Quem é que disse que comprar voos com muita antecedencia compensava? No meu caso, parece-me que nao. Comprei um bilhete para ir secretamente passar o Natal a Portugal. 139 € custou a passagem, como dizem as minhas colegas brasileiras. Ora, esta semana, devido à crise e aos vários feriados - 24, 25, 26, 31, 1, 6 - , a empresa onde eu trabalho decidiu fechar tres semanas durante os feriados da época natalícia/fim de ano. E eis que me vejo obrigada a tirar férias, ou melhor, a usar as minhas horas extra, que devem ser cerca de setenta. O problema é que a minha tarifa é tao especial, tao especial, entenda-se tao tao barata, que a ida a 17 de Dezembro nem posso alterar. Nao há vagas dentro da tarifa especial. Para o regresso, só há 1 lugar, com regresso num dia triste de Janeiro. UM lugar. Que eu ainda nao posso marcar, pois só amanha é que se vai decidir oficialmente se alguém é nomeado bombeiro, ou seja, ir trabalhar caso haja um fogo, entenda-se um grande pedido com um total na casa dos milhoes.
Marcar voos com antecendia nao é para mim Desisto.

domingo, outubro 26, 2008

Ensaio sobre a Cegueira, o Filme

Nao sei o que Saramago achou do filme, mas eu gostei. Achei que explora a natureza humana de uma forma violenta e que me deixou o estomago muito apertado em algumas partes, mas um filme que vale definitivamente a pena ser visto. Mostra como em situacoes de igual desvantagem, há sempre os mesmos chicos-espertos que reclamam autoridade, assim porque sim. Mostra as mulheres no papel do sexo forte. Será que o Lauro António dá as cinco estrelas?

dentes de coelho tao fofinhos

roupa suja

Entretanto, uma semana depois de a máquina de lavar ter avariado e de eu ter comecado a ter que recorrer a roupa interior que já nao usava há mais de um ano, voltei a poder lavar roupa. Quando a luzinha se acendeu, até senti uma ligeira emocao daquelas que até se fazem sentir no estomago. Testemunhas oculares mencionam a presenca de lágrimas.
A reparacao custou 150 € e o Sr. Frank que veio cá a casa compo-la, disse que valia sempre a pena mandar reparar estas máquinas, especialmente os modelos mais antigos é que lavam melhor, sabe? Estes modelos novos sao todos virados para o ambiente, a poupar água e isso tudo, mas nao lavam tao bem. A menina vai ter é de passar a usar menos detergente, que aquilo que ali estava era um horror. - assim disse o Sr. Frank e assim eu faco.
- Bola, se ficasses sem boxers, eras capaz de por umas cuequinhas minhas? Assim se tivesses a certeza que ninguem te apanhava no urinol lá no trabalho?
- ... ... .... ....
- Diz lááááááá... nao acredito que nao sintas curiosidade. Há alguns homens que volta e meia sao apanhados pelas mulheres com os sapatos de salto delas ou soutiens e tal...! Diz lá o que te causa mais curiosidade!! Pensinhos? Ou rímel?
- ... .... .. .. ... . . . .. . . . . ..
Assim vai a nossa comunicacao. Com reticencias. Muitas.

Depois vi-te no indústria

...a dancar ao som de Prince e senti-me devorado pelo teu olhar de lince.
Alguém se lembra de onde vem esta rima maravilhosa, ou seja forcadíssima? Pois, estávamos no ano de 1994 e o Verao foi todo ao som de Pedro Abrunhosa. E hoje nao sei porque passei o dia a cantarolar o Socorro, estou a apaixonar-me. Talvez por me ter apaixonado mais um pouco pela cidade onde estive este fim-de-semana. Ouvi várias vezes portugueses na rua e reconheci-os pela pinta, eles pelos freebies de bancos ou universidades portuguesas, elas pela pinta de betas e os cabelos escadeados como só se veem em Portugal. Quando fui comprar os bilhetes para o cinema, ouvi como um portugues como eu pedia os bilhetes num alemao de principiante e deu-me vontade de ter a idade dele e estar ali provavelmente no seu ano Erasmus.
Heidelberg é provavelmente a cidade mais bonita da Alemanha, muito cosmopolita e um melting pot que faz lembrar Londres. Tem ruas como que desenhadas a esquadro, com casas que me fazem lembrar as casas vitorianas, imponentes, nas quais dá vontade de entrar para constatar se a beleza continua por dentro. É uma cidade de estudantes, onde nao falta nada. Claro que há mais bicicletas do que automóveis e muitos mais bares do que restaurantes. É fácil viver-se em Heidelberg e ser-se lá feliz, presumo. Especialmente no Outono.

Eu fui lá feliz este fim-de-semana. Andei a pé com o Bola pela universidade, a relembrar quando éramos nós, a caminhar pelo chao cheio de folhas num Outono muito parecido, há sete anos atrás. Na cantina havia posters por todo o lado a anunciar a festa de boas-vindas aos Erasmus e eu confesso que nunca quis tanto que o tempo voltasse para trás.
Demos vários passeios ao longo do rio Neckar e eu sentei-me em várias esplanadas, enrolada numa manta polar enquanto observava o fluxo das massas, rua acima rua abaixo. Gosto de me concentrar no ruído da multidao e tentar diferenciar todas as diferentes línguas que se fazem ouvir.
Quem conhece a Alemanha e nunca foi a Heidelberg, é criminoso. Praga, Praga quem? Nao, vao a Heidelberg e depois conversamos. Vao voces e todos aqueles que foram e me tiraram a vaga no ano em que eu quis que fosse esse o meu destino para estudar. Humpf.

terça-feira, outubro 21, 2008

ler, jardinagem e meditacao.

Hoje vim para casa. Passei a manha na casa de banho do trabalho. Estou com uma infeccao urinária. Sempre ouvi falar de colegas, amigas, etc., que estavam em alguma fase da vida com uma infeccao urinaria. Nunca pensei muito bem no que tal seria, até ontem de manha ter sentido um ardor horroroso que quase nao me deixava arredar do tampo da sanita. Mas bebi água, afinal só pode ajudar. A partir do momento em que o que urino se assemelha a ice tea de limao, há que ir ao médico, coisa que fiz. Mas porque é que ninguém me avisou que além de fazer xixi para um copinho, também tenho de me deitar numa marquesa em cuecas porque é preciso fazer ecografia aos rins? Pois, ninguem me avisou nem me ocorreu, esta manha, enquanto vestia as minhas cuecas vermelhas Disco Fever. Vermelhas, com alcas fininhas, e disco fever em letras brilhantes (sao tao confortaveis!). O médico era uma brasa daquelas, que a gente imagina que foi para medicina porque trabalhar como modelo da Calvin Klein era aborrecido. Alto, olhoes azuis e umas maos daquelas que se nos segurassem a cabeca para nos dar um beijo à Clark Gable, fechariam a fechariam totalmente com as palmas. Quando ele entrou na salinha com a maquineta da ecografia, já eu estava deitadinha de barriga para cima, com uma toalha de papel a cobrir-me o ventre. Já tinha tido tempo para pensar no dia em que me farao uma ecografia ao útero e me informarao que o que eu carrego nao é nada que se assemelhe a um feto normal. Ou entao que vou ter trigémeos e que cesariana nao é uma opcao.
Pensei que talvez tivesse sorte e ele nao mexesse muito na forma estratégica com que eu havia tapado a disco fever. Mas nao, depois de me andar a carregar nos rins, levanta-me a toalha de papel e mete metade dela dentro das minhas cuecas para me examinar a bexiga. Acho que a minha temperatura aí subiu. E agora respirar fundo. E agora segurar a respiracao. Segui as instrucoes. No final, diz-me com um sorriso:
- A sua suspeita estava certa, vai ter de tomar antibiótico. Nao é nada de grave, relativamente normal em mulheres jovens como voce, com uma vida sexual activa.
Vida que?! Ainda estive para lhe dizer que estava redondamente enganado, que eu apesar de ter umas cuecas disco fever, detestava discotecas e que, sou casada, e com o meu marido nós é mais hobbies tipo ler, jardinagem e meditacao. E ao domingo, faco renda.
O Bola foi para o estádio Allianz em Munique ver o FC Bayern, mas nao lhe tenciono falar quando ele regressar. Entretanto, vou-me afogando em ora água, ora chá. Vou bater o record do maior numero de litros ingeridos num dia.

domingo, outubro 19, 2008

pequena crise familiar

Bom, as boas notícias sao que consegui salvar as minhas cuecas de segunda a sábado, do tambor da máquina de lavar. Gracas à internet, descobri o anelinho onde se pode apertar, mesmo ao lado do filtro e taa-raaan, como que por magia, a porta da máquina abriu e eu retirei toda a minha roupa interior, com a alegria de quem encontrou algo precioso que havia perdido. Realmente, ainda bem que assim foi, pois caso alguem que nao eu abrisse a máquina e se deparasse com a mescla que é a minha roupa interior, nao ia entender. Como pode a cueca da avó (branca e grande) , a cueca sexy de rendinha intimissimi e a cueca com a cara da estrunfina na parte do rabo pertencerem à mesma pessoa? Ah pois. Nem o Bola ia entender e ia pensar que eu tinha misturado a nossa roupa com a roupa da vizinha. Pois essa cueca da avó nem ele sabe que existe, senao acho que este casamento já estava nas maos de algum advogado, desses que sobrevivem exclusivamente à custa dos amores fracos.
Este dia foi marcado pela vitoria perante a máquina de lavar e pela novela mexicana que a família do Bola hoje me proporcionou. Foram varios telefonemas assim Bola-irma, irmao-Bola, irmao-pais do Bola, pais do Bola-Bola, etc, sendo o Bola o elemento comum ao drama. Tudo por a irma do Bola hoje nao ter aparecido para almocar com o irmao em casa dele, (ela está há pouco tempo na mesma cidade a estudar) como planeado e nem respondia aos telefonemas nem à campainha de casa. Eu assisti aos telefonemas sorridente, por estar do lado de fora e ver o grande exagero em que tudo se tornou, especialmente quando envolveu os pais dele, a ligarem para cá de Moscovo. Quando me dirigia para o micro-ondas com o saco de milho na mao, foi quando a grande crise acabou e me dei conta que ja nao havia razao para pipocas. Que pena eu nao estar perto da minha família para podermos criar estes dramas em vários segmentos telefónicos.

quero as minhas cuecas de volta

Entretanto, a máquina de lavar morreu. Já tinha morrido há tres meses a máquina da loica, agora foi a de lavar roupa. Ora, se sem a da loica até se passa bem, sem a da roupa, a coisa já muda de figura. O problema das máquinas de lavar Miele, e quem tem uma sabe do que falo, é que quando a porta fecha (electronicamente), só abre com a máquina ligada. Ou seja, tenho a máquina carregadinha de roupa suja, as minhas cuecas todas da semana passada lá dentro e eu sem a conseguir abrir. É que ter a máquina estragada já é mau, mas saber que vai ser aberta na minha ausencia por um artista, dá-me vontade de fazer o que fiz ontem quando o Bola ja tinha virado costas, dar-lhe uns pontapés em cima (na máquina) e umas sapatadas de lado, a ver se ela acorda.
O meu problema é imaginar que na Alemanha enviar alguem cá a casa para a compor me fique provavelmente mais caro do que comprar uma nova. Eu até gosto de ver estes técnicos de cá, com aquele macacao azul e entrarem-me pela casa adentro com a caixinha das ferramentas, só fico com vontade de lhes bater quando depois mandam a fatura.
Para que conste, há uma forma de abrir a porta das máquinas de lavar que funcionam como esta. É um dispositivo mecanico, dizem, lá algures do lado direito. O problema é encontrá-lo.

quando a frontalidade nao pode

Na quinta-feira, depois de ter passado horas a pensar em como me esquivar de nao ir ao encontro com a tia do Bola, ligo-lhe e explico-lhe que nao iria estar por cá. Ao que ela responde que sendo assim , talvez quiséssemos ir na sexta-feira, pois era quando comecava. Ora bem, eu nao sou contra este tipo de eventos. Simplesmente agora nao é a fase ideal para eu participar neles. A tia dele nao me estava a dar chance de eu lhe dar um fora. Liguei-lhe mais tarde e como ela nao atendeu, deixei uma mensagem de voz no atendedor de chamadas. Como mais tarde, me pareceu ter sido fácil de mais, assim como que meio à socapa, liguei ao Bola:
- Olá, como está o correr o teu dia? Bem, nao é? Entao, e se me fizesses um favor? Fazes, nao fazes, óptimo. Liga la por favor à tua tia, inventa que eu estou numa formacao, mas que nao queria deixar de lhe dizer que hoje nao posso/quero ir com ela. Por favor... prometo ir no fim-de-semana ver o Hellboy contigo ao cinema. Além de que a tia é tua.
Como eu sei que ele queria ir muito ver o Hellboy, tive de me servir disso para que ele ligasse à tia, pois com ele, ela nao ia tentar uma terceira alternativa. Chantagear ou fazer criar este tipo de condicionantes numa relacao é algo de que nao me gabo, por favor nao experimentem isto nas vossas casas. Porque por exemplo, voces pensam que ele se esqueceu do Hellboy, acham que vao passar um domingo maravilhoso em pijama a comer tacinhas de mousse de bolacha-maria no sofá, a ver os DVDs novos... até que ele diz O Hellboy é hoje às cinco. E com o hellboy, transforma-se tudo numa hellafternoon.

quarta-feira, outubro 15, 2008

casa com piscina

Estava aqui eu tao envolvida no Kenny Rogers e a rejubilar com mais um bonito tema, quando o Bola me aparece aqui ao lado, com a tia dele ao telefone que queria falar comigo. Pois, parece que vai haver um encontro só com mulheres no sábado, da igreja onde o marido dela era pastor quando eles moravam aqui. E agora, digam-me lá, o que é que eu vou fazer a um encontro com 100 mulheres, provavelmente todas housewives alemaes, ou seja, que nao trabalham e ocupam o tempo entre cursos de biscoitos de Natal e jardinagem, para abordar o tema a vida e os desejos nao preenchidos??? Enquanto a tia dele ia falando no quao maravilhosos sao estes encontros, eu dava-me pequenas estaladas e olhava para o espelho a perguntar-me a mim própria em silencio porque é que eu nao sou capaz de atirar um nao às pessoas e alinho nestas coisas que nao quero.
Os meus motivos sao simples, a minha igreja nao é a protestante, quando vejo grupos de mulheres assim organizados e sem pinta de testosterona dá-me medo, eu tenho horror a feministas. Houve uma fase em que até andava com alhos e crucifixos na carteira, caso me aparecesse alguma. Porque vampiros nao existem. Outro motivo é que eu detesto que me planeiem os fins-de-semana, gosto de os passar de forma espontanea, sem NADA planeado.
É uma questao de fases da vida. Eu ainda nao estou na fase de ir a encontros de 100 mulheres para falar dos meus desejos que ficaram por preencher. Nao me apetece. Passo a semana a trabalhar quase dez horas por dia. Porque é que eu ia querer passar o serao de sábado e aturar 100 mulheres em midlife crisis?
... e depois vai haver uma pequena palestra... e toda a gente leva um bolo....
Oico estas frases e a primeira coisa que me vem à cabeca é que nunca na vida essa palestra vai ser pequena e está-me a cheirar que já me estou a sentir empurrada para a cozinha.
Diz-me, meu Deus, és tu a testar-me? Achas que tenho falta de fé? Isto acontece-me tantas vezes, a empurrarem-me para fretes e eu sem saber como dizer um NAO daqueles enormes e com apenas um ponto final na frente, que só me resta desejar o que está no título do post. Pois há quem diga que gritar debaixo de água ajuda a eliminar frustracoes.

how the oldies save one's day

Hoje ouvi o Kenny Rogers na rádio. Sim, isso mesmo, o Kenny Rogers. E acho que isto já dá para ficarem com uma pequena ideia do que realmente faz vibrar as rádios alemas.E o meu carro. Porque quando passa pela enésima vez, o True Colours da Cindy Lauper (que ainda está nos tops alemaes desde há vinte e tres anos), eu abro o vidro e comeco aos gritos, na esperanca que alguém me salve. E entao hoje, com o Kenny Rogers, cantámos em uníssono a parte do ladyyyy youu love is the only love i need and insiiiiiiiiiide me is where i want you to beeeee.... Bem, esta música deixou-me tao histérica logo às oito da manha que eu fiquei mesmo fora de mim. Até decidi comprar o CD dele na amazon. Vejam bem o meu estado de delírio. Para quem nos quiser acompanhar, a mim e ao Ken, entao clique aí no play e puxe até mais ou menos dois minutos e trinta e cinco. Essa é a parte em que eu e o Ken entramos melhor em conjunto. Foi delirante. Eu ja nem queria ir trabalhar.


Já que estamos numa de Kenny Rogers assim de forma tao espontanea, tomem lá o meu hit que noutros tempos me fazia dancar com a vassoura. E, atencao, sei a letra de cor ainda. Fantastico.

terça-feira, outubro 14, 2008

bday

Como o Bola fazia anos, achei que ele devia escolher o programa para a tarde de hoje, após uma reaccao um pouco agressiva à minha sugestao de irmos passear ate ao Ikea. Achou escandaloso eu sugerir passar a tarde de aniversario dele no ikea, coisa que eu nao acho assim tao ridículo, afinal juntávamos o útil ao agradável: víamos os precos dos sofas, tomávamos um café à borla por conta do cartao Ikea Family e ainda comíamos uma fatia de apfelstrudel, com direito a molho de baunilha à descricao, que é como eu gosto. Um pedaco de oito centimetros de tarde inundado em meio litro de molho. A comida no País das Salsichas é toda uma #§$%&, portanto quando há algo de que eu gosto, entao como com prazer, ou seja, à alarve.
Bom, o plano ikea nao colou, acima de tudo, porqueo Bola ficou ainda mais indignado por eu usar as palavras ikea e passear na mesma frase, mas tambem porque eu trabalho a cinco minutos do maravilhoso armazem que só me tem dado dissabores, podendo la ir passear na minha hora do almoco. O Bola logo encontrou plano alternativo.
- Vamos ao cinema ver o Wall.e e depois jantar ao Meiers.
Apesar de ser perigoso ir ao cinema depois do trabalho, sem sequer uma meia hora de intervalo, concordei, afinal era o dia de aniversário dele e ultimamente, ele tem cedido a quase tudo o que eu peco. Concordou, por exemplo, para grande surpresa minha, em me ler numa de bedtime story, ou seja, eu escolho o livro e ele le para mim todas as noites um capítulo. (infelizmente, nao faz vozes, mas estou a trabalhar nesse sentido). Hoje no cinema foi perigoso, pois o Walle é muito giro, mas um pouco parado em alguns momentos, confesso que fechei os olhos naquela parte em que ele foi atras do seu amor. Mas foi por pouco tempo. Alguem me tinha dito que o Walle se despia e eu fiquei atenta.
E foi muito bonito, vimos o Walle na matiné, numa sala com mais 9 criancas e uma pessoa tetraplégica. Depois fomos jantar e viemos felizes para casa, com o Bola a dizer que os aniversários dele sao muito mais lindos desde que ele os partilha comigo. Bom, ele nao disse, mas pensou. Eu senti.

peso no coracao

Quando somos mais pequenos, nao nos interessamos muito pelas pessoas de idade, que cruelmente chamamos de velhos. Nas festas de aniversário, entao, nem nos interessa se elas lá estao. Queremos os amigos, as prendas e jogar às escondidas. No entanto, o que em tenra idade nao nos é ainda consciente, é o facto de essas pessoas de idade que nos povoam a casa em dia de festa, nos proporcionam uma infancia doce e nos preechem de uma tranquilidade e um bem-estar inexplicável, bem-estar esse que desaparece juntamente com elas, quando se vao sem nao mais voltar e nos damos conta do quao dói a sua ausencia.
Quando hoje os meus pais ligaram e deram os parabéns ao Bola, insistindo em lhe cantar os parabéns ao telefone, ainda o dueto deles nao ia a meio e eu já tinha os olhos inundados de lágrimas, por me parecer estar a ouvir a minha Tia Belmira e do meu Tio David, que em todos os aniversários me entravam pela casa adentro e cantavam afinadinhos os parabéns a voce. Noutra idade, ria-me, é que eles ficavam mesmo casticos enquanto cantavam, mais tarde já achava engracado e agora, que já cá nao os tenho e tanta falta me fazem, pergunto-me se algum dia noutra vida que nao esta, os voltarei a ouvir cantar os parabens a voce. Porque gostava mesmo muito. E cada vez que me lembro deles, pesa-me assim o coracao.

domingo, outubro 12, 2008

deixem a britney em paz

Vá, só para rir um pouco. Aqui. (nao consigo dormir, dá-me para isto)