Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

domingo, março 29, 2009

quinta-feira, março 26, 2009

totally seventies

Uma das coisas que aprecio no meu trabalho é ser variado o suficiente. Ora, umas vezes há que interpretar um layout, outras analisar rótulos e garrafas e claro, ligar para mais de cem pessoas num dia a pedir ou a dar informacoes. Falo regularmente com pessoas que nunca vi, ou pelo menos, nunca associei ao nome. Depois há aquelas pessoas que sorriem para mim na cantina e eu nao sei se é por saberem quem eu sou, ou pelo padrao dos meus collants. Mas, é engracado quando depois de falar quinhentas vezes com uma pessoa, lhe chego finalmente a ver a fronha. É interessante. Foi assim que conheci aquele meu colega com cara dos anos setenta. Agora que ele me conhece, sempre que lhe ligo, nao me deixa acabar e diz-me Frau Minhoca, eu passo aí agora. E ainda nao terminei de cantar You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen, Dancing queen, feel the beat from the tambourine... lá está ele, totally seveties a movimentar-se na minha direccao, com o seu penteado totally seventies, os seus óculos tambem totally seventies e franja. Fico totalmente hipnotizada e recomeco a cantar aquela parte inicial do aaaaah aaaah aaaaah. Apercebo-me que ele vai soltando frases que oico bem longe precisamos da confirmacao do cliente para este transportador pneumático. aaaaahh aaaaah aaaaah E ele precisa de dizer se somos nós ou o fornecedor que providencia o motor redutor... aaaah aaaaah aaaaah Quando ele olha para mim, só me ocorre dizer the winner takes it all.
Eu nasci na década errada. Definitivamente. Esta é para ti, Jürgen!


terça-feira, março 24, 2009

saudades

Eu devo o meu lado romantico talvez aos genes, mas em grande parte ao Chris de Burgh. Ou ao contrário? Em grande parte aos genes, mas tambem ao Chris, esse ganda pao dos anos 80? Lembro-me de com sete ou oito anos passar pela loja de discos perto da minha rua e ver a fotografia do Chris, com franjinha, ao lado disco de vinyl, com um ar cool e mangas arregacadas. Sempre que a música passava na televisao, com aquela mulher de vestido vermelho, eu ficava colada ao ecran. Ainda hoje vibro quando oico esta música. Será que um dia vou arranjar um gajo como o Chris só para mim, será que lhe vou poder fazer festas naquela franja? Se nao for no Chris, entao o Kenny Rogers... sonhava little Minhoca. Depois vários anos passados, um namorado introduziu-me o Through the Years e eu achei que só podia ser um sinal.

Outra música que hoje me fez vibrar e me deixou hoje especialmente triste é a próxima. Sim, que eu hoje estou musical. Lembra-me tanto o meu Avo paterno. Nao sei bem porque, quando na verdade a letra parece indicar o tom de amor homem/mulher. Mas mesmo assim, como parte dela assenta bem, esta música consegue sempre emocionar-me. Sei que ao sábado, quando ele vinha jantar a nossa casa, calhava esta música passar na televisao. E sempre associei esta música ao facto de ele estar a chegar e a pendurar o casaco no bangaleiro. Ao cheirinho dele a Old Spice. Já lá vao treze anos. Hoje.

massa, pizza e gelados

Milao é uma cidade engracada para ir passear um fim-de-semana. Tem um centro fantástico, com ruas imponentes, que exibem uma arquitectura maravilhosa que nos remonta aos livros de história do sétimo ano, tantas sao as colunas jónicas, dóricas e coríntias plantadas ao longo da cidade.
As italianas morrem de fome. (pronto, lá comeca ela a generalizar, nao admira que as visitas do blog decrescam com a mesma rapidez da bolsa de valores) Mas elas devem passar fome para se poderem passear pela cidade com o seu corpo de modelo tamanho 34. Por causa delas comecei a chamar o Bola de gordo, porque realmente se ele achava que era magro, deu-se conta em Milao que é um balofo. E até as italianas devem ter olhado para ele de lado a pensar que ele passa os dias a encher o bucho de mozzarella. Elas passeiam-se com o seu ar arrogante, que tentam esconder por detrás dos óculos de sol gigantes que se lhes fecham a cara, balancando na mao os seus carrier bags Gucci, Dior e Prada, claro. Eu também teria passeado o meu saquinho minúsculo Prada pelas ruas da catedral, se o Bola me tivesse oferecido a sua prenda após a compra da mesma e nao colocado debaixo da almofada, vindo eu a descobrir o saquinho já depois de alguma tequila. A fada dos dentes nao é imaginacao minha.
Bom, um contraste que dá que pensar é ver os pedintes, muitos deles sem pernas e sem bracos, a pedir esmola e ao lado a passarem as modelos italianas ainda mais magras que os coitados, estas esqueléticas por opcao (algumas, pronto).
Os homens italianos nao sao o meu género. Há os dois tipos, ambos bem longe do meu singelo gosto. Temos os metrossexuais, a exibir uma vaidade escandalosa, que só dá vontade de desatar à chapada pela rua fora. Eles é malas, lencinhos de seda ao pescoco e um ar tao afectado que eu ia jurar que eles acabaram de inalar um mau cheiro com travo de cebola. Vi vários Zé Castelo-Brancos, aos molhos, devia haver uma festa de primos e ninguém disse nada. E homens a usar blush? Porque é que ninguem me informa destas coisas...! Fui para Milao tao mal preparada. Ontem fiquei de tal forma estupefacta a olhar para um... acho que era um homem, mas deformado, assim com um ar muito frágil, com uma mala super D&G, com o cabelo todo lambido para o lado esquerdo, que só acordei deste momento de delírio quando a bola do meu gelado se comecou a derreter para cima da minha mao. Ocorreu-me que era o Bruno Nogueira em versao afectada, metrossexual ao quadrado. Como ver para crer nao chegava e porque eu quis desafiar aquele falso ar fragilzinho dele, criei uma situacao na qual eu pudesse ir contra ele, para poder sentir que aquele esqueleto fashion era mesmo real. Sentir-lhe os ossos, chegar-me perto q.b. para sentir o cheiro do after-shave dele, apesar daquela cara aparentar nao saber o que é barba. Desculpei-me com um perfeito scusi e acho que lhe toquei ao de leve na perna. Acho. Este é um dos tipos de italianos que se veem em Milao. Dos que morreriam na tropa naquelas horas de treino mais difíceis, tipo engraxar as botas

O outro tipo é o tipo que eu sempre abominei, que sao aqueles italianos baixos, (eu disse paleolítico?) com muito cabelo (olha ela de novo a generalizar), todo penteado duma forma rebelde, golas levantadas para cima, suícas que percorrem atrevidamente o seu caminho das orelhas à boca, mangas arregacadas até ao cotovelo e botoes da camisa abertos até a quantidade de pelos a bordo nos faca pensar no King Kong com carinho. Este é o italiano que se acha macho, que leu nas revistas que as mulheres adoram machos latinos e este é o seu perfil de macho latino, porque todos os outros amigalhcos com quem ele vai passear de vespa, teem este mesmo ar e diz que teem as miúdas todas lá da rua deles.
É preciso chegar quase aos trinta para constatar que a teoria que os homens italianos sao bonitos, é tao verdade quanto o Pai-Natal.
Acho que eu sou uma mocinha assim que gosta mais dos olhos transparentes, do ar pálido e das sandálias com meias por baixo. O meu lugar nao é em Itália.
Mas Milao é muito bom para se ir comer. E com duas palavras em italiano, consegui sempre construir frases bonitas e fazer-me entender. Especialmente depois da tequila.

p.s. Algo me diz que apesar de toda esta liberdade de expressao deste século, vou ter o clube de fans do Marco Di Camillis a cair-me em cima.

Milano




Confissao: quando passei pela estacao central, fui ao local onde o Clive esteve só para poder sentir que já estive no mesmo metro quadrado do que ele. Nao contem a ninguem.

quarta-feira, março 18, 2009

medo

No sábado à noite, estávamos eu e o Bola deitados na nossa caminha na casa do Avo dele, no quartinho das águas-furtadas, sem sono, e à falta de melhor programa, porque somos conscientes da fronteira que o pijama de cada um representa, ficámos na conversa. Naquela posicao que sempre me fez sonhar nos meus tempos de teenager, pensando que um dia iria por a minha cabecinha no abdomen do homem com quem partilharia o leito e teríamos grandes conversas com a luz apagada.A dada altura, o Bola solta mesmo muitas, várias palavras em portugues, quase descontroladamente, deixando-me intrigada. Acendo o candeeiro. Sem pensar, avanco num tom acusador e provavelmente aterrorizado
- Pá, andas a ler o meu blog??
Ao que ele responde que nao (em portugues), mas após um longo silencio.
- Iu nao conieco tu blog, diz-me ele.
A verdade é que algumas das frases pré-primárias que ele proferiu incluem termos incluídos recentemente neste espaco à beira de fechar as suas portas. Agora que preciso de dinheiro para o dental care, preciso que o Bola pague as contas da casa, e nao dava jeito que ele se chateasse comigo por causa de meia dúzia de posts, nao é verdade?
Depois de um brainstorming na Língua de Camoes, ele terminou com 'Vai...' Eu bem esperei pela continuacao do vai... vai onde? Mas nao fui a lado nenhum, ele adormeceu. Eu adormeci também, mas depois de uma nota mental para apagar os cookies e o cache assim que chegasse a casa.

é tanto ar que acho que vou levantar voo

A dois dias de partir para Milao, estou com uma crise de flatulencia como nunca antes. Tudo o que eu sei é que em torno do meu umbigo estou a produzir muitos sons, quase tao altos que tenho medo que os meus colegas no trabalho se apercebam. Mesmo assim, nao foi isso que me afastou do frasco da manteiga de amendoim. Se calhar, nao devia. Mas pronto, é desta que vou por em pratica um dos meus maiores medos, que é ir a correr com as calcas na mao para a casa-de-banho minúscula do aviao, que até hoje consegui sempre evitar. Mas ficar a conhecer a casa-de-banho do aviao pode ter o seu que de divertido.
Divertido foi hoje outro momento no trabalho. Estava eu animada ao telefone a discutir com o Bola quem vai buscar o carro à oficina, mas eu tenho muito trabalho, mas eu tenho um simpósio, mas eu trabalho mais longe da oficina, mas quem anda com o carro és tu, mas tu és mulher e eles olham sempre para as tuas pernas, quando me dou conta que um vulto, aliás um colega, atrás de mim aguardava, com um sorriso, que eu terminasse o meu telefonema. At first I was afraid, I was petrified. Fecho a boca e tento disfarcar o meu horror. O meu colega parecia saído da capa de um disco de vinyl dos anos setenta. Cabelo à Bee Gees, bigodinho piroso à filme pornográfico barato e uns óculos que deviam estar num museu. Daqueles óculos que vemos nas fotografias dos nossos pais e vamos, lavadas em lágrimas de tanto rir, perguntar aos mesmos por que carga de água é que se lembraram se usar umas coisas tao pirosas como aquelas, na altura já saíriam brindes destes nas caixas dos corn flakes...? Eu confesso que nao ouvi nada do que ele me disse, pus o meu sorriso 14, que é aquele que uso para parecer simpática mas nao prestando a mínima atencao. Eu só me imaginava com este caramelo a cantar com os Abba, eu com uma fita na testa e uma poupa com gel à frente, ele de sapato branco com aquele cabelo pirosérrimo. Ou entao, nós os dois, no vídeo Penso em Ti, da Adelaide Ferreira.
Foi, de facto, surreal. God save the seventies.

Entretanto, depois da minha primeira ida ao dentista no país das salsichas, descobri que ou abro mesmo muito a carteira, ou um dia destes ando por aí desdentada, a nao me poder rir para ninguem se assustar com as minhas gengivas. E ainda bem que já tinha a viagem para Milao marcada, porque da forma como isto leva a crer, todas as minhas poupancas vao ser enterradas no dental care alemao. Ah, e vejo que temos aí um bocadito de paradontitis, mas nao faca essa cara, a culpa nao é sua. A escova de dentes nao chega a todo o lado, sabe?
Anormal. Estúpido. Eu odeio dentistas. E as minhocas, tanto quanto eu sei, nao teem dentes.

quinta-feira, março 12, 2009

de se lhe tirar o chapéu


Lolita - 1997
É um dos meus livros favoritos. O filme também. Vejo várias vezes, sem nunca me cansar. Aborda a pedofilia de uma forma crua, com a representacao brilhante tanto dela como dele.
O sex appeal da Dominique Swain com quinze anos, é soberbo.

Aqui fica a melhor cena do filme.

media markt, eu é que nao sou parva *

Há um mes atrás, na sexta-feira treze de Fevereiro, espetei o carro contra o muro que separa a oficina do Sven aqui da zona do Mcdonalds. Quando contei aos meus colegas, que estava distraída porque àquela hora (oito da manha) apetece-me sempre tanto um hamburguer, eles acreditaram.
Hoje, volvido um mes, esta sexta-feira fica marcada pelo dia em que M&M - Minhoca Maria, portanto - comprou o seu primeiro creme anti-rugas. Ah pois. A um ano de entrar nos trinta, há que comecar, nao vá a minha cara de repente, sem que eu me aperceba, ficar parecida com as azeitonas que comi ao jantar naquela foccacia de tomate e mozzarella. E como eu até aprecio alguns dos conselhos da minha sogra, optei pelo ácido hialurónico, que aparentemente promete milagres. Ela prometeu. Também passei a tomar silício organico, porque promete pele e cabelos mais bonitos. Quando a minha sogra promete, normalmente costuma ser para levar a sério. Isto se excluirmos aquela fase em que ela queria que eu tomasse ferro, porque ninguém podia dormir tanto como eu sem falta de ferro.
Sonho com o dia em que alguem me encontra na rua com o Bola e pergunta se eu sou a filha dele. Ou a amante nova. Ou a irma mais nova. Porque nao? Assim há nao tanto tempo como isso, e depois de uns copos de vinho, concluímos os dois que nao somos assim tao diferentes fisicamente. Ao fim da noite, ele deu-me um daqueles abracos de urso e disse anda cá ao mano.Ele até disse que tinha inveja dos meus gémeos. Eu ofereci para trocar de coxa com ele. E de abdomen.
Para mim, hoje já é sexta-feira. Amanha nao vou trabalhar. Tirei o dia para ir visitar as minhas colegas do antigo trabalho. Tenho saudades delas e já lá vai mais de um ano. Para nao dar este ar de fraca saudosa, disse aos meus actuais colegas que tirei o dia porque nao aguento mais que metade da empresa me ligue Ó Minhoca, tu es portuguesa, nao és... epá, ganda coça que voces levaram anteontem...
Além disso, de tarde tenho de estar em casa porque vem cá um empregado do Media Markt entregar a máquina de lavar loica nova. Já ali pus de parte a roupa malandra com que o vou receber. Quando ele chegar, com o seu macacao azul, vou convidá-lo a entrar e oferecer-lhe um café... sabe, só pra termos alguma loica suja para lavar depois, dá jeito, nao é... eu ja tenho isto tudo estudado.
Depois da máquina estar a trabalhar, convido-o para irmos ali para a marquise jogar à patela. Eu adoro a patela!

* nao é este o slogan piroso que teem em Portugal?

quarta-feira, março 11, 2009

acamada


Eu ontem estava no ponto alto da minha constipacao. Espirrava a cada dez minutos, tinha a cara toda encolhida, a caminhar para o desfigurado e depois de sair a correr da minha aula de ingles para ir para Munique, lá no fundo, eu sabia que só ia porque tinha bilhete, porque era um disparate dos grandes.
Mas realmente, quem o diz tem toda a razao, assistir a um jogo num estádio, tem qualquer coisa de mágico. Assim que entrei na Allianz Arena e vi toda a luz que reflectia do campo, entendi . No entanto, há que assistir ao jogo com um vínculo emocional, porque ir ver um jogo no qual tanto me dá quem venca, nao interessa. Nao me interpretem mal, quem me dera que o Sporting tivesse ganho, mas as expectativas nao era muitas. Ontem o resultado já se adivinhava feio. A juventude leonina marcou presenca em forca, mas nem assim. Na segunda parte apercebi-me de que tinha fans atrás de mim a torcer pelo Sporting, nao pude ignorar a direccao de onde vinham tantos caralhos. Ouvir um caralho na Alemanha também tem o seu que de mágico. Passo meses sem ouvir, mas quando oico, o que sinto é quase carinho e saudade. Entao, a combinacao caralho, fodasse, é um pérola e aproveitei para dar uma licao de semantica ao Bola, explicando que se é para dizer asneiras, entao há que dize-las juntas.
Mas essa foi mais uma das minhas intervencoes que lhe passaram ao lado, pois a cada poucos minutos, o Bola levantava-se e comecava aos gritos. Hoje está sem voz. Eu, por outro lado, estou com voz e bem máscula. Quando ele me telefonou, tentei assumir o papel de jovem marota das linhas telefónicas malandras, para ver se ele notava algo familiar, mas ele nao achou muita piada. Respondeu secamente sei lá se te pareces com elas, eu nunca ligo para esses números.
Estou estou em casa. Doi-me tudo e tenho frio. Ontem, nem de manta enrolada à volta do corpo o frio deixava de entrar. Um grau, com a pior combinacao meteorologica possivel, vento, chuva e frio. Passei mesmo frio.
Como já aqui disse, ficar em casa doente dá-me para o masoquismo, por isso estou a ver a Praca de Alegria e a perguntar-me porque é que deram um tiro no John Lennon e em outras figuras públicas tao preciosas e o Manuel Luís Goucha ainda continua por aí. Ele, a Maya e outros que tal. Porque?

segunda-feira, março 09, 2009

já tive melhores dias

Constipada até aos ossos. A minha cara fechou-se, os meus olhos parecem duas azeitonas brilhantes, daquelas já sem caroço, assim pró murcho. O meu nariz está vermelho e ressequido nos lados, em baixo húmido como o dos caes e com a ameaça constante de que é desta que os meus pingos chegam ao teclado, sem eu ter podido ser mais rápida que a própria sombra, como o Lucky Luke . Por essa razao, fiz dois tampoes de papel higiénico e enfiei-os pelo nariz acima, para prevenir esse mal, para proteger o teclado do computador, o livro, o Bola, o telecomando, enfim...
Como ficar assim frouxa me dá para ser masoquista, deixei em paz o Niels do karaoke que tenho vindo a postar aí em baixo e fui atrás do original Penso em ti, da Adelaide Ferreira. PAra descobrir um maravilhoso videoclip filmado na ilha de S. Miguel. Ora, venham daí ver comigo.
Entao, os meus comentários. O coro 'penso em ti, penso em ti' é fantástico. A Adelaide Ferreira nao sabia andar a cavalo em 1985. Eu também nao sei. Atrever-me-ia a dizer que nas gravacoes, ela caiu do cavalo, mas claro que essa parte nao teve direito a entrar no videoclip. As botas por cima das calcas já eram moda nos anos 80. É o que eu digo, a moda persegue-nos. Esperem pelos suspensórios, ando a falar neles há anos. No minuto1:30, quando a Adelaide entra pela porta do quarto adentro, confesso que sustive a respiracao. E pensei naquela mulher de branco que existia na telenovela Tieta. Nao consegui chegar à conclusao do que era mais horrível, os tres frascos de laca no cabelo dela ou os enchumaços, a tornar o corpo feminino quadradíssimo. Esse é um dos horrores dos anos 80. Eu nunca tive enchumaços, mas se hoje em dia voltassem a ser moda, punha-os no rabo, que é onde mais preciso deles. Ou pensam que as calcas da Salsa prometem alguma coisa?Nao se iludam, amigas. Antes de ficarem setenta euros mais pobres, comprem um rolo de papel higiénico do bom e almofadem o rabo. Mas tem de ser do bom!Porque só o bom é que nao deixa o nariz vermelho em tempos de constipacoes.

domingo, março 08, 2009

meu trauma ou dele?

Estávamos no Outono de 2003. Eu tinha vindo a Munique visitar o Bola, pouco tempo depois de ele ter chegado à conclusao de que nao podia viver sem mim. E eu, pronto, aceitei. Talvez ele tenha razao e nao esteja a exagerar, pensei para mim. Vim visitá-lo pela primeira vez no seu habitat. Conheci os pais dele e os irmaos, que aparentemente estavam muito curiosos em relacao à minha pessoa. E agradecidos. E surpresos. Passaram meses a questionar-se como seria eu.
Depois de uns dias muito bem passados, a passear, a andar a pé quilómetros, a ter um Bola sempre muito cuidadoso comigo, a vestir-me o casaco sempre que saímos para algum lado, por outro lado a despir-me o casaco sempre que... esqueci-me. Depois de uma semana em cheio, na véspera de eu me ir embora, fomos sair à noite com uns amigos dele. Como estávamos num Irish pub, em noite de karaoke, eu com a minha chantagem de que me ia embora e queria levar a recordacao dele a cantar para mim, quase o consegui convencer a cantar-me qualquer coisa. Os temas que eu queria nao lhe agradaram muito, ele nao estava virado para romantismo. Vai daí, já quase no final da noite, eu esgueirei-me ao palco para dar uma palavrinha ao mestre do karaoke. E foi assim que sem eu saber que me estava a preparar para viver o primeiro trauma dele comigo, ouvimos chamar no meio da multidao o nosso próximo artista é o Bola que vai cantar para a sua namorada que está de partida amanha, de regresso a Portugal. O Bola estava-se a rir lá num canto do balcao, à espera que lhe servissem mais uma cerveja, nem percebeu que era para ele. Quando o comecaram a empurrar para o palco, ele só perguntava alto eu? qual musica?eu sei a letra?eu nao sei a letra!!!! ponham lá isso, pronto. Nunca mais volto cá.
O que saiu dali foi um misto de horroroso com hilariante.
Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take
Ill be watching you...............
Só sei que há algures uma foto que eu perdi, da minha cara na altura do oh cant you seeeeeeeee, you belong to meeeeeeee... normalmente a foto explica tudo. Foi aí que eu percebi que ele nao tinha ritmo, que quando canta, o faz sempre num tom acima ou abaixo. HO RRI VEL. Amoroso, ao mesmo tempo. Só me ocorre, Meu Deus, ele nao sabe mesmo cantar. Este gajo nunca teria sobrevivido a catequese. E é algo que nao melhora com o tempo. Num concerto do Ben Harper, há 2 ou 3 anos, ele cantava-me ao ouvido uma das músicas e eu estava a ver que era desta que fazia xixi pelas pernas abaixo, por tanto ter de controlar os risos e os espasmos provocados por ele.

E desde o dia 7 de Outubro de 2003 que nunca mais ousei levá-lo ao karaoke. Pronto.

haja alegria

Na sexta-feira fui jantar com os meus sogros e eles ficaram todos a roçar o embriagado, excepto eu. Quer dizer, ainda está para chegar o dia em que me vou embriagar com sake. Tenho para mim que embriagar-me com bebidas quentes só traz desgraças, daquelas com um day after muito mau. Tenho um passado que fala por si. Glühwein e tal, blergggh, um nojo. Eu nao tenho pedal para os alemaes, confesso. Eles bebem como eu nunca vi. Quando a menina do restaurante apareceu com mais uma garrafa de nao sei o que, no final do jantar, era ver os olhos deles todos a reluzir, perante a curiosidade e excitacao de mais álcool e algo NOVO.
Entretanto, como eu sou uma nora porreira, tinha levado a minha sogra e cunhada de carro para o restaurante porque choviscava. O regresso, com elas as duas alegres, foi um bocado difícil.
- Nao precisas de esperar que o semáforo passe para verde! Anda lá, vamos ser umas fora-da-lei...
Especialmente porque a minha sogra, com um copito, fica assim pró alegre, muito engracada, até. Há um episódio recente, no qual ela conseguiu, à meia-noite, conduzir um automóvel com uma daquelas luzes azuis da polícia, ambulancias, etc, em cima do carro, com a estrada toda cortada só para ela. Mas isto é matéria confidencial. Mostra que talvez haja um pouco de verdade nisso de alguns homens procurarem no amor, uma parceira que tinha semelhancas com a Mae. A minha sogra com menos trinta anos, tinha grandes chances de ser a minha Marigreice.
Chegadas a casa, ainda liguei o computador e mostrei-lhes o Niels do vídeo do post anterior a este, e comecei a argumentar que se o amor do Bola por mim era assim tao grande, ele tambem me podia cantar uns temas em portugues, assim parecido com o Niels. Elas apoiaram, até porque naquele estado de euforia, comigo a encher-lhes mais um shot de schnapps, eles apoiariam qualquer coisa, até a minha sugestao para saltarmos da varanda ou de passearmos de gatas pelo quarteirao.
O Bola é que nao estava bebedolas q.b. para me proporcionar tamanha alegria.

Vai daí, decidi perseguir o Niels. E ja nao consigo viver sem ele.

sexta-feira, março 06, 2009

alemao canta em portugues, ah, valente!



Um grande beijinho para quem me deixou este vídeo na caixa dos comentários. É de rir às lágrimas. E de ter fantasias eróticas, a imaginar que um dia o Bola vai cantar assim para mim. Se a nossa história de karaoke nao contasse já com um trauma dele... mas a esperanca, essa, está lá!
Bom fim-de-semana. O meu já comecou em beleza, a tentar livrar-me em contra-relógio de todo o cotao acumulado esta semana, até à chegada da minha sogra.

quarta-feira, março 04, 2009

the international, o filme

Eu nunca achei muita piada as caras larocas que na minha juventude faziam as malucas da minha idade subir pelas paredes. Fazer-me subir pelas paredes, ou melhor dizendo, subir o meu beliche, era mesmo o Michael Jackson, quando eu tinha treze anos, e a minha cama forrada com fotografias dele e do nariz dele. Sim, porque neste blog, eu também exponho as minhas fraquezas. E tantas que sao elas.
A verdade é que é ridículo, com quase trinta anos, ir ao cinema pelo prazer de ver o Clive Owen com a sua voz verdadeira e em grande plano. Como acho que sei ser bastante crítica de mim mesma, foi assim que me dei conta da minha cara de anormal assim que o Clive apareceu do outro lado da rua, no ecran, em frente à Hauptbahnhof em Berlim. Um sorriso idiota - o meu - apoderou-se da minha cara e assim fiquei por um bocado, até me dar conta da parvoíce de me estar a derrerter perante algo que nem é real, que é ficcao e que estamos a falar dum homem que muito provavelmente dá puns e arrota que nem os outros. Depois pensei para mim: Minhoca da conceicao, se tu visses o Clive a fazer cocó com uma revista de automóveis no colo, nao ias gostar tanto dele. Mas nem assim.
Ele desconcerta-me. O Clive é a minha fraqueza. O David Fonseca ao pé disto é um menino.


Se o filme é bom? Epá, nao me perguntem, mas deve ter sido.

domingo, março 01, 2009

onde ficar no Gerês?

Apesar de ouvir os passarinhos de manha, enquanto ainda estou deitada na cama a pensar em tudo o que me espera no dia que ainda mal comecou, falta-me aquele ar morno que cheira a Primavera. O ar está menos frio, mas nao cheira a nada. Cheira ao café Senseo, que o Bola acabou de fazer, com muita espuma em cima. A máquinas Senseo aqui pegaram moda como o Nespresso pegou moda em Portugal, parece-me. Eu decidi que nao compensa comprar para nós, porque nós nao bebemos café espresso todos os dias. Eu habituei-me ao café longo dos alemaes, que mantenho na chávena para me aquecer as maos, habituei-me a jantar às seis e meia da tarde, a comer salsicha, a tirar os sapatos na minha casa e na dos outros, habituei-me a nao almocar de faca e garfo aos fins-de-semana e habituei-me ao típico brunch. Habituei-me a nao poder dormir até tarde aos fins-de-semana e a rematar aos jantares pesados com um schnapps de pêra. No meio de tanta habituacao (desejada e indesejada), ontem habituei-me a fazer a declaracao de impostos sozinha, porque eu bem sei o quanto me sairam do bolso os 200km por dia que percorri entre Fevereiro e Julho do ano passado. Vai daí, juntei-me ao rebanho, comprei o CD na internet que torna o suplício da declaracao de impostos em algo suportável e - deixem-me dizer - é afinal, relativamente simples. Fiz a minha declaracao e fiz a dele, concluindo que o próprio programa foi feito de uma forma conservadora, colocando o nome da primeira pessoa que faz em 'marido' e a segunda pessoa 'esposa'. A minha esposa, é portanto, o Bola. Espero que a pessoa chata das financas nao veja aí um problema.

Como estou num fim-de-semana em que a temática parece ser organizar, planear, etc, precisava de conselhos em relacao ao Parque Nacional da Peneda Gerês, onde pretendo ir passar uns dias em Junho. Onde ficar? Onde é lindo? Ajudem aí que eu, em contrapartida, deixo aqui ficar o endereco de muitos Bed & Breakfast lindos em Amsterdao.