Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

sábado, janeiro 24, 2009

criatividade a todos os níveis

Realmente nao me tenho chegado muito perto da cozinha nestes últimos dias, mas o que interessa é que quando chego, faco algo digno de bater palmas. Portanto, hoje, depois desta minha salada inventada, parei a olhar para o prato e comecei a bater palmas a mim mesma.
Pode, na verdade, parecer um pouco murcha, porque o Bola chegou a tempo de a tentar afogar em azeite e vinagre balsamico, mas só vos digo que a combinacao anda muito perto da perfeicao.
Ingredientes: alface, alcachofra, salame, mozzarella, azeitonas, tomate-cereja.
Para acompanhar: bruschetta em ciabatta de azeitonas, bem regadinha com azeite, tomate cortado aos cubinhos e, depois de vir crocante do forne, embelezada com lascas de parmesao e rúcola. Um copinho de tinto e nao me digam mais nada. O Jamie Oliver se visse isto, convidava-me já para colaborar no programa dele.

na seccao da fruta no supermercado

tirada por mim. Num supermercado assim é que dá gosto comprar.
Entretanto, hoje o Bola ofereceu-me um espremedor de citrinos elétrico. Dizendo, claro, que agora aos fins-de-semana eu estou responsável pelo sumo. Claro, mas depois do meio-dia.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

a melhor definicao é o título



roubado doutro blog.

love is...

- Bola, obrigada pelo espremedor de citrinos novo!
- O que? Esprem....#*!!$

- Sim, bola, e a máquina de fazer pipocas que comprei depois do fato de fada para o Carnaval.

- Pip...
fada ou fod...*#*&%$?!?!?!?!?!?!?
- Bola, e pelo bule do Snoopy cor-de-rosa. O casamento é isto mesmo e ainda bem que percebeste. O gajo ceder amigavelmente os seus dados do cartao de credito ao seu amor. Um bem-hajas. Estou agora a ver se encontro umas cuecas com 'Obama forever' estampado. Também queres? É que com a libra tao baixa, isto tem mesmo de ser.

terça-feira, janeiro 20, 2009

obamar, esse verbo

Estou sozinha em casa esta semana. Pois, agora já deve fazer sentido para muitos porque é que me fui ontem enfiar no ginásio. Hoje fui-me enfiar na aula de terca. Tenho lá um gajo no curso, que todas as semanas provoca em mim um sentimento constante e repetido: olho para a cabeca dele, assim grande e quadrada como a do Johnny Bravo e depois olho para o apagador do quadro. E apetece-me fazer pontaria. Gajo chato. Cada vez que fala, engole metade das sílabas e o resto eu que me arranje e descubra o que ele está a tentar dizer. Quando eu lhe dou a explicacao daquilo que acho que foi a pergunta, ele deve chegar à conclusao que nao era nada disso, fecha o livro, cruza os bracos e incha as bochechas. Palerma. Qualquer dia, espero que a aula acabe e quando ele já for lá fora, atiro-lhe mesmo com o apagador. Tenho a certeza que depois disso, eu até vou dormir melhor.
Até me ir deitar, tenho várias opcoes. Comer a minha sopa de ervilhas de estalar, assim devagar enquando folheio a publicidade dos supermercados que me empurram para dentro da caixa do correio quase dia sim, dia nao. Posso fazer compras online e usar os dados do cartao de crédito do Bola, que ele me deu ontem por telefone. Acho que ia ser giro ele receber o extracto e ver lá máquina de fazer pipocas e máquina automática de espremer citrinos. Acho quze até o gajo com menos humor à face da terra ia achar piada. Posso ver o Tubarao IV, de 1987, a passar agora no canal Hollywood, pois adivinha-se bom. Em 1987 tinha eu 7 anos, de certeza que nao me deixaram ver. Devia ser por causa daquela parte em que a namorada do filho da protagonista, deitada na cama, tira as cuecas e depois faz com elas uma fisga e atira para a cara do jovem. Ver coisas destas com 7 anos pode ser perigoso. Depois uma pessoa atinge a maioridade e a coisa descamba. Posso vir pra net os vídeos da tomada de posse do Obama, e por falar em posse, ali está um homem capaz de possuir muita coisa. Tao giro, pá. E nao há nada mais sexy num homem que sabe projectar a voz, eloquente, que nao deixa ninguem fazer os seus discursos fazendo-os ele próprio, a lápis de carvao. Posso fazer o meu saco de água quente e refastelar-me so sofá a ver televisao, a rir-me com os alertas vermelhos que sao dados a conhecer nos telejornais portugueses. Posso fazer uma composicao numa folha A4, com o tema 'A Crise'. Sim, porque a Crise ganhou há pouco tempo o C maiúsculo. Há uns meses, nao tinha, nao sei se repararam. Ou talvez vá para o quarto, agarrar na almofada do Bola e abraca-la, como se lhe dissesse que sinto saudades dele, mesmo que sendo só por uns dias e que é estranho estar em casa e nao sentir aquela sensacao que estou a quebrar alguma regra ou a fazer um disparate. Até a manta do sofá eu dobro, janto à mesa e nao ando de botas em casa. Só para o caso de ele aparecer assim de surpresa. E neste registo muito cheesy e deprimente, me faco ao caminho para o sofá.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

um pouco de desporto

Quem é que comprou bilhetes para o jogo de futebol do FC Bayern contra o Sporting Clube de Portugal? Isso mesmo. No dia 10 de Marco vou gritar até os pulmoes me saltarem pela boca fora Spooooooooorting, espero nao levar porrada. Se eu depois desta data nunca mais postar, é porque me apercebi tarde demais que estava na claque errada. Recordem-me com carinho e envolvida em verde.
E já que estamos na temática desportiva, deixem que conte que hoje fui novamente ao ginásio e reparei que ir a um ginásio na Alemanha faz festinhas ao meu ego. Eu, gorda? Quando? Como? Gordas sao aquelas que lá estao no balneário, que acabam por parecer mais gordas, por causa da juba que teem abaixo do ventre, se é que me estao a entender. Sao gajas nas quais a gente se confunde, pois nao sabe se a púbis é em cima e o cabelo em baixo ou o contrário. Contive-me a tempo e nao gritei. Até porque num balneário alemao, nao ha grande espaco para a expressao de emocoes.
Agora, o que me chateia mesmo sao aquelas gajas, que tendo todo o espaco do mundo, decidem abanar os seus corpos a uma distancia pouco aceitável. Ou seja, enquanto eu hoje apertava os atacadores, tinha o rabo duma quase a esfregar-se na minha cara. E confesso que isto me incomodou, especialmente pela posicao em que ela estava. E, convenhamos, para quem precisa de animo para ir ao ginasio como eu, nao pode passar por estas situacoes nas primeiras vezes.
Depois, como esta aventura no ginásio é repleta de momentos lúdicos, eu confesso que nem sei bem por onde comecar! Pelo gajo que - sem exagero, isto é real - estava a fazer musculacao de PIJAMA!!! Nao é exagero meu. Aquilo era um pijama. De facto. Depois, a gaja que estava ao meu lado numa máquina que nao é para correr nem para andar, mas algo no meio, de camisola de mangas compridas e GOLA ALTA. Eu juro-vos que eu achava que estava no filme errado. E como fui sozinha hoje, no meio destes sustos todos, nem pude partilhar isto com ninguem. Mas cheguei à conclusao que preciso de um ai pode, ai pode? Ah pois pode, e é o mais rápido possível. Especialmente para eu enfiar os auscultadores pelos tímpanos adentro e nao ter de ouvir as respiracoes ofegantes dos palhacos que se sentam na máquina ao lado da minha, a hiperventilar, armados em Rambos. E depois senti que o gajo-pijama andava sempre perto de mim, o que causa em mim sentimentos estranhos, num ginásio. Comeco a procurar mantas e situacoes de sono.
Ora bem, se foi tudo más experiencias hoje? Nao. Como tirei a alianca para ela nao escorregar (eheh), parece que a minha t-shirt a fazer alusao à escravidao humana, chamou a atencao de alguns amigos. E descobri que sim, o ginásio é um local de engate. Há de tudo. Há aqueles muito metidinhos na sua vida, que até exercitam de olhos fechados, com mais pesos do que podem aguentar, há aqueles que se colocam estrategicamente para poderem galar tudo o que tem mamocas saltitantes, e há daqueles que vivem no ginásio porque viram na televisao que as gajas gostam de gajos duros, para quando os abracarem à noite, antes de adormecerem, esmagarem as maçãs do rosto.
Para terminar este post, que hoje ninguem me pára, antes de perguntarem o que é que se passou para eu ter decidido inscrever-me no ginásio, eu conto. Foi no dia da minha primeira aula deste semestre. Quando comecei a apontar no quadro os trabalhos de casa, senti pela primeira vez, as minhas nádegas a abanar enquanto escrevia. Foi um drama. E verídico.Hoje quando me lembrei (tinha de me agarrar a algo!!), até me vieram as lágrimas aos olhos. Este rabo já foi tao durinho. Que nem um melao. Chuif.

domingo, janeiro 18, 2009

à minha janela

Esta foto foi tirada da janela do meu quarto. Tem sido a vista que me dá os bons-dias desde que cheguei. Alguem pronto para troca de casa, de vida?

é azul mas nao mata

- Entao, estás finalmente a comer as tuas coisas bolorentas?
Isto diz-me o Bola, com um sorriso malicioso, ao mesmo tempo que eu me preparo para levar à boca uma garfada da alheira de Mirandela, que está há uma semana à minha espera do frigorífico. Conta o nosso passado que uma vez, o Bola colocou o nosso casamento em risco, ao deitar fora dois pedacos de queijo amanteigado, só porque tinham um pouco de bolor! Desde essa altura que ele sabe que o frigorífico pode ficar com bolor nas prateleiras todas e até na porta, mas a última coisa que ele vai fazer é atirar fora a minha comida-conforto, que veio com tanto carinho de Portugal.
Ao fim da tarde, foi-se por uns minutos atrás de mim na cozinha enquanto eu descascava o bolor que ameacava o meu queijo, até que eu dou um salto, assustada quando ele diz alto VAIS MESMO COMER ISSO? O Bola fica enojadíssimo com bolor e já me tentou convencer que mesmo que eu retire a casca de fora, a comida já nao está boa, que só pertence a um lugar, ao lixo. Mas eu nao quero saber. Se for comida de cá, vai logo fora. Mas a minha comida-conforto é para ser debicada até ao último bocadinho.
A alheira nao estava com bolor, mas estava com um aspecto a caminhar para o doente. O Bola quando viu a alheira a abrir-se toda na frigedeira durante o processo da fritura, ficou ainda mais enjoado e nem depois de eu repetir onze vezes que nesta vida devemos provar de tudo e bla bla bla bla (ou quase) , ele acedeu a provar. Portanto, comi eu a minha alheira, com batata cozida regada com azeite e feijao verde. É comida que me alegra.

pensando alto

Na semana passada pediram-me para marcar a cor, num calendário, quando pretendo tirar os meus dias de férias em 2009. Isto pressupoe um cálculo antecipado de quem quer dias quando, para assim chegarmos a acordo no nosso departamento quem pode tirar férias quando. Ora bem, sao 30 dias úteis. Isso mesmo, nao me odeiem mas na Alemanha seis semanas é absolutamente normal. Como vou eu distribuir até ao fim do mes 30 dias úteis pelo ano todo, quando ainda nao sei nada relativamente a férias...? Por outro lado, eu e o Bola casámos em 2006 e desde essa altura que andamos a dizer que vamos à Índia. Como eu, entretando, mudei duas vezes de emprego e agora foi ele, a verdade é que temos os dois os pés demasiado colados à terra para nos pormos a fazer férias grandes e longas, perante a incerteza de manter o emprego. A ideia é irmos em Fevereiro de 2010, mas nao sei se deva falar muito nisso, pois esta pode ser inatingível, a tal viagem que queremos fazer mas nunca fazemos. Como a ida dos meus pais a Mocambique.
Bom, a única coisa que sei é que iremos 4 dias a Edimburgo, entre Marco e Abril. Um fim-de-semana prolongado, portanto. Depois deixo sempre dias de férias em aberto para as visitas que veem conhecer o País das Salsichas. Portanto, contando com duas semanas de férias de praia em Julho, já fico com metade das férias marcadas. Acho que me vou atrever a transformar duas semanas de praia em tres, já que este ano ninguem lá no trabalho pode tirar o mes de Setembro...
Isto nao dá para mim. Chegada de férias e apanhada no deprimente Inverno alemao, a ter de pensar em férias que só vao acontecer daqui a meses, é estranho. Portanto, decidi agarrar num calendário e abrir ao calhas, e assim marco as minhas férias.

sábado, janeiro 17, 2009

o último antes dos 30


O bolo andou um pouco aos encontroes no carro, mas chegou à mesa ainda antes de eu me levantar.
Só me ocorreu uma coisa: em que parte estao os ovos moles, ...dentro?
Estou a pensar seriamente em sextas-feiras próximas experimentar colocar soporífero na comida do Bola, a ver se pelo menos assim, ele me deixa dormir até ao meio-dia de sábado. É impressionante como de hora a hora faz qualquer barulhinho ou comeca a falar sozinho, para ver se eu acordo. Quando lhe pergunto, ainda com o cabelo desgrenhado e olhos remelados, se é pedir assim tanto que me deixe dormir uma vez por semana até à hora que eu quiser, respondeu-me que assim é como viver sozinho. ENTAO QUE VIVA SOZINHO! Nem no meu dia de anos.. pá, prá próxima, leva com o bolo na tromba. Quando me perguntou o que é que eu queria fazer hoje, por vinganca respondi que quero ir ao Ikea, a um sábado, ehehehhe.. e só lhe vou dizer que era uma brincadeira quando la chegarmos à porta.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Emigrante em Coimbra

baixem la as pedras

Só queria que ficasse registado que eu faco parte daquele grupo, provavelmente pequeno, que conseguiu ver alguma normalidade nas palavras do cardeal D. José Policarpo. Nao havia mais notícias interessantes para discutir, as pessoas, como querem um bode expiatório para poderem atacar na conversa de café, armam-se agora muito ofendidas, como se elas próprias, pensando um bocadinho, nao conseguissem ver que a intencao dele era uma que podia vir de qualquer um de nós.
O problema é que ele tem a posicao que tem e disse-o para os meios de comunicacao. Pronto.
Se eu tivesse uma amiga minha prestes a casar com um muculmano, talvez conversasse com ela. O politicamente correto aqui nao é a solucao. E como tudo é passageiro, amanha ou depois já aparece um escandalo qualquer com os amores da Elsa Raposo ou imagens do Carlos Cruz a ameacar que salta da ponte se nao for absolvido e ja ninguem se lembra desta história.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

vergonha é roubar e ser apanhado

Tenho bolor nas paredes de casa. Pronto, pronto! Já disse. Nao ha que ter vergonha de ter bolor num quarto da casa. Da mesma forma que nao há que ter vergonha quando se vai à farmácia comprar canesten, alias porque caso nos passe pela cabeca ter vergonha, a senhora da farmácia ja nos colocou no saquinho um grande panfleto da marca, cujo slogan diz NAO É PARA TER VERGONHA. Eu atirei-lhe aquele olhar vergonha do que, ó minha pastelona? É que eu desenvolvi olhares para todas as situacoes. Eu consigo dizer frases só com os olhos. Especialmente nos restaurantes, a pedir o meu prato e tal.
Portanto, eu hoje decidi falar de coisas das quais se pode eventualmente ter vergonha. O Bola, por exemplo, tem vergonha de andar com um carro velho. Eu ando com o carro velho, eu que tenho de percorrer 11km e sair da cidade, para que ele possa levar o nosso outro carro para o trabalho a 1 km de casa, e colocá-lo no parque onde se encontra com os colegas.
Eu tenho vergonha de aterrar em Munique e ser da mesma nacionalidade dos quatro azeiteiros anormais, que vieram o voo todo e durante o percurso desde a saída do aviao até à recolha da bagagem, a vomitar o seu repertório de ordinarices de homens das obras.
Eu tenho vergonha de ter ido jantar a casa de uns amigos que conheci através de outros amigos e de nunca mais ter falado com eles ou retribuído o convite, por eles serem imensamente chatos e uma companhia que me dá sono. Ora bem, tenho um sofá novo e um marido, lá preciso de mais alguma coisa para ter sono? Pois, perceberam, nao é?

so much love will kill me

Hoje dizia-me uma colega minha que tem pena de nao compreender o meu humor sempre, porque sente que às vezes parece que eu estou a dizer algo com piada, mas que ela nao apanha. Voces vejam bem com que pessoas eu tenho de trabalhar, ha... eu ainda estive para lhe dizer que eu tambem sofro, porque há comida que eu nao consigo apreciar que provavelmente é muito boa, rematando com aquela cara que se costumava fazer como que a dizer que chatice, nao posso mesmo fazer nada, que duma forma popular, eu gosto de chamar cara de prisao-de-ventre.
A minha colega mais fixe abandonou-me. Foi promovida. Fiquei com colegas mesmo ao meu lado com quem nao tenho muito a ver. A crise na indústria alema já viveu realmente tempos prósperos, nao será grande surpresa se na empresa onde eu trabalho forem tomadas medidas no sentido de cortar horas de trabalho. Ouvi falar nisso hoje pela primeira vez. Basicamente, passa-se a trabalhar menos, podendo chegar a dois dias inteiros de fare niente, o empregador paga metade do meu salário e o estado 25%. Claro que nao é uma situacao ideal, mas há que tentar procurar aquele bright side of life. E neste caso, eu acho que consigo. Aguardemos...
Entretanto, amanha comeca um bloco de aulas de conversacao, que me perguntaram se eu nao me importava de dar. Claro que nao. Falar é o meu forte. A conversation vai ser toda minha. E como os meus actuais alunos parecem amar-me com todas as suas forcas, alguns dos que tenho no outro curso, decidiram ir a correr inscrever-se neste para me poderem ver pelo menos mais uma vez por semana. So much love will kill me. Uma das frases mais ouvidas do Bola.

um bem-hajas à imperial

Algo me diz que ando um pouco descompensada, talvez se deva ao facto de estar na semana pós-regresso, naquela semana que, como eu explicava há uns posts atrás, obriga à readaptacao ao País onde moro, do qual me ausentei tres felizes semanas. Depois ontem passou na RTP 2 um programa sobre o primeiro chimpanzé (e único?) enviado ao espaco na década de 60 e passei o programa todo com a lágrima no canto do olho. Tenho pensado várias vezes por dia quem posso cravar para passar a ser meu supplier de chocolate Regina com sabor a fruta. Aqueles pacotinhos que trazem tres chocolates Regina, de laranja, morango e ananás tem-me proporcionado conforto emocional como mais nada consegue, nem chourico, nem queijo, nem bolacha maria. O chocolatinho Regina tem-me salvo o dia ao longo desta semana que ainda vai a meio. Outra coisa que dava jeito eram aqueles iogurtes de aromas dos mais simples possíveis, sem pedacos e sem nada. Cá nao há nada disso. Deve ser por causa daquela camada de 10 cm de gordura que todos temos que desenvolver para estes lados, para aguentarmos o frio. E meus amigos, nao falem do frio, quando nao sabem o que estao a dizer. A minha definicao de frio fica aqui, pois hoje alguem quis saber e ouviu atentamente a minha resposta: Frio é andar na rua e sentir a mesma temperatura na cara que sinto quando abro o congelador e me aproximo. É que nao há diferenca. A única diferenca é que na rua nao me posso dar ao luxo de tirar uma caixa de Häagen dazs assim do gelo.

veggy

Tento respeitar os vegetarianos, acho que já estive mais longe de os compreender, mas este post saíu-me da alma. É uma seca todos aqueles que o sao e partem do princípio que os outros teem sempre de se lembrar da sua sensibilidade, nao lhes pondo o bife de novilho suculento no prato. Bravo para a Pipoca aqui.

Minhoca countryside ou banheira para tres

segunda-feira, janeiro 12, 2009

tentativa de homicício

Hoje de manha, saí de casa com a reconfortante ideia que assim que chegasse a casa esta tarde, ia ao frigorífico atacar a minha comida-conforto que trouxe de Portugal e me sentava no sofá e embalar séries e porcarias, junk tv portanto. Cheguei na quinta-feira à noite e na sexta de manha, ainda mal tinha tido tempo de me sentir em casa, já tinha o Bola a ligar-me de hora a hora, a perguntar se eu já tinha tudo pronto para sairmos para os Alpes. Coitadinho, ele nem sonhava que à uma da tarde eu ainda dormia. Acabámos por sair com a minha mochila mal feita e sem que eu tivesse tomado o pequeno-almoco. Chegados ao destino, foi tudo muito romantico e muito fofinho, porque eu ainda nao sabia dos planos do Bola para sábado. Os planos dele eram matar-me, pois só isso justifica ter-me levado para uma montanha de quase tres mil metros, com neve para dar e vender, para fazermos um agradável passeio a dois. A pique. Tipo uma inclinacao de 80%. Com onze graus negativos ao sol. Já sem ar, com a garganta a doer, após os primeiros cinquenta metros e num estado muito perto do que clinicamente se designa por hiperventilacao:
- Bola, tu só podes estar a gozar comigo!!
- O que foi??? Podias-me ter avisado que era para procurar os caminhos para séniores!
- Achas que é assim, desta forma violenta que me poes em forma?!!?
- .... ... . . . .. . .. . . .. .. . . . .. . . . . . .. . . . .
- A minha ideia de um sábado bem passado é caminhar numa superfície plana, enquanto vamos conversando. Assim nao consigo falar respirar, quanto mais falar!
Pois. Apanhei-o. A ideia era mesmo essa.
Claro que hoje mal me consigo mexer, dói-me tudo. Andámos 12 quilómetros, sendo que uns 4 foram assim, a pique. Ele a chegar a determinados pontos e a sentar-se à minha espera. Humpf. Quando foi hora de virmos para casa e ele se meteu no carro, eu fiquei admirada pois já tinha o meu cajado com a trouxa no fundo, para vir a pé.
Quando a dura realidade me bateu hoje, juntamente com o toque do despertador às sete da manha, ainda rezei por uns segundos para que fosse um daqueles dias em que acordo num sábado e por momentos me esqueco que nao tenho de ir trabalhar. O meu corpo comportou-se de forma hilariante em cima dos saltos altos que já nao punha há quase um mes. O que as minhas pernas bamboleiam, devo estar apaixonada e nao sei... ah nao. Foi o meu marido que achou que precisava de um bocado de accao para terminar as minhas férias.
Por isso é que agora me sentei no sofá com a comida-conforto, queijo, pao e tres chocolates Regina com sabor a morango, ananas e laranja, e nao vou arredar de lá enquanto nao me sentir revitalizada. E para rematar, alguém que me diga a este gajo que eu nao sou gaja de montanhas nem nunca vou ser! Me hates mountains!!!!!!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

derrapando pelas Salsichas

De volta. Sabe bem. Lá fora, apesar dos dez graus negativos, o sol brilha e o céu tem um aspecto gélido e azul. A casa estava arrumadinha, o Bola disciplinado e a olhar para mim como aquele gato do Shrek, pestenajando muito querido. Neste momento, tomo o meu café e já sinto aquela sensacao que o Bola poe em mim, de ter de andar a correr. Já ligou duas vezes para saber se estou pronta, de mala feita, para irmos para a neve, para o nosso fim-de-semana romantico. Eu disse que a mala estava feita, o que nao foi mentir, pois é a mala que trouxe ontem de Portugal, que ao contrário dele, nunca desfaco no primeiro dia.
A Rita Redshoes ecoa pela sala e dá-me animo. Ajuda-me a entrar na rotina.
Bom fim-de-semana a todos. Domingo estarei de volta, tenho de vos contar como é desembarcar no silencio que desta vez nao foi silencio, porque vinham quatro senhores portugueses da construcao civil que me fizeram morrer de vergonha por serem do meu País.

terça-feira, janeiro 06, 2009

quase de volta

Hoje dizia-me o Bola que lhe dava imenso jeito se eu na sexta-feira acordasse às sete e meia para o ir levar ao trabalho. Desatei-me a rir. Só porque ele durante a sua fase de desempregado me levou ao trabalho quase todos os dias, não significa que eu corresponda com a mesma abnegação. Que me peça para não me sentar na sanita enquanto ele toma banho, para não lhe bloquear a televisão num dia em que joga o Bayern ou mesmo para que não me ria quando ele fala de assuntos sérios. Mas que não interfira com o meu sono, logo naquele dia de depressão que costuma ser o dia que se segue ao meu regresso, no qual eu não quero abdicar de dormir, normalmente um elixir contra a tristeza.
O que me deixa com problemas de consciência é saber que ele me vai buscar de carro ao aeroporto às onze da noite, tendo que trabalhar no dia seguinte. Tentei lembrar-lhe que indo de bicicleta, recebe 5 cêntimos por km, e como devem ser cerca de 2 km, estamos a falar de boa condição física e 10 cêntimos a mais na carteira. E foi aí que a conversa não continuou, pois ele relembrou-me as temperaturas que se têm feito sentir nas Salsichas, que se traduz numa tendência abaixo dos zero graus, diariamente, de noite e durante o dia. Ou seja, a palavra FRIO assume contornos mais sérios do que os conhecidos por aqui, neste país à beira-mar plantado, onde as pessoas começam a falar de frio assim que entram num café e os óculos ficam embaciados.
Além das temperaturas assustadoras no País das salsichas (País escreve-se com letra maiúscula, informa o meu Pai. E Pai também se escreve com letra maiúscula...resta-nos uma questão: e Salsicha?), suicidou-se hoje um milionário que aparentemente perdeu a sua fortuna com a crise; o fornecimento de gás da Rússia foi interrompido devido às quezílias com a Ucrânia e o programa de cinema na cidade parece aborrecido. Afinal, não me apetece assim tanto regressar.

- Se não me fores levar ao trabalho, deixa lá, não tem mal. Mas trazes-me uma manga e uma papaia?
Para o Bola, Portugal é tropical.

o que o bom emigrante leva na mala




... ou melhor dizendo, aquilo que eu nunca me esqueço de levar na minha.

















sábado, janeiro 03, 2009

la la la la la

Hoje liguei ao Bola e cantei-lhe isto a capella. Acho que ele gostou. Ficou sem palavras.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

confusões

Hoje dizia-me alguém em tom de troça, que esta mocinha simpática da foto da esquerda é a mesma bimba da foto da direita, que faz aquele programa da Lucy para homens que gostam de se levantar cedo ao domingo de manhã. Claro que não acreditei. O produto Floribella está protegido com direitos copyright e outros que não contemplam o factor libidinoso-barato.
Só porque uma pessoa não anda a par da imprensa cor-de-rosa, não quer dizer que acredite em tudo.

mamilos exibicionistas

Hoje tive a oportunidade de visitar um desses estabelecimentos que já não estou habituada a ver nas Salsichas (não os há), que vendem um pouco de tudo, ora aí está, um Bazar Chinês. Essas casas comerciais malandras que se multiplicam como cogumelos. Quando alguém diz ah, ali, era um banco, mas fechou e acho que agora vão abrir ali... eu atropelo a pessoa e completo a frase UM BAZAR CHINÊS!!!!! Depois a pessoa, assustada, pelo meu timbre de voz, diz baixinho, epá não, vão abrir um café ou uma pastelaria. Pronto.
Entrei no bazar chinês porquê? Não precisava de pilhas nem de baterias para o telemóvel, nem de meias de descanso, nem de uns apliques loiros ou ruivos para o meu cabelo... Ora bem, estava à espera da minha Mãe, que me tinha dito que ia demorar vinte minutos dos portugueses que, como todos sabemos, se podem comprar ao tema anos de animais/anos de humanos. Uma hora, portanto. Olhei em meu redor e como já estava há meia hora parada a contemplar o Douro e os barcos rabelos, achei que estava na hora de me fazer ao caminho por uma daquelas ruas tão portuguesas, com pequenas mercearias com os bacalhaus pendurados na montra, com talhos que exibem orgulhosamente grandes nacos de carne também pendurados nas montras, com os preços assinalados ao lado em cartolinas neón com preciosidades como Muelas a 4,99/ Kg!!!!!!!!! Depois de ter apreciado o encanto da pequena mercearia mercadinho Savannah, enfiei o nariz à porta só para uma snifadela daquele odor tão característico que eu gosto imenso e do qual saudades tenho, que é aquela mistura de champô com bacalhau, com fiambre acabado de cortar e o inconfundível cheiro a fruta.
Seguidamente deixei-me seduzir pelas luzinhas e pela criatividade da montra do bazar chinês, que exibia manequins com roupa de passagem de ano capaz de cegar alguém com óculos de sol, respirei fundo e entrei. E este mundo do bazar chinês é um mundo variado, onde não falta nada, desde bibelots até flores de plástico, roupa, passando por artigos de higiene, cozinha, bijuteria, jardim, etc. You name it. Cedo sempre à tentação de ir perguntar ao dono da loja se não tem, por exemplo presunto ou gel de banho íntimo, para depois da resposta negativa replicar Aaaah, tá bem, é que como tem aqui quase tudo...pensei.
A minha atenção hoje foi especialmente para a parafernália de artigos com o galo de Barcelos com Recordação de Portugal impressos e depois fixei-me numas ventosas que não eram uns apetrechos para fixar panos de cozinha sem furar a parede, como eu pensava MAS tratava-se sim de algo denominado na embalagem por nipple enhancer. As meninas conhecem a sensação de frio, que muitas vezes deixam os mamilos marcados por debaixo de duas ou até três camadas de roupa. Ora, os nipple enhancers são exactamente para quem não tem frio e pretende o efeito contrário, ou seja, que os seus mamilos estejam sempre presentes e à vista, sem camisolas que os atropelem. Como aqueles confeitos de açúcar. Tipo um em cada mamilo. Surreal?
Para não dizerem que neste blog não se aprende nada. Tomem lá.

fim-de-semana romântico em Berchtesgaden








- Bola, se estás com saudades minhas, não queres aproveitar para sairmos no fim-de-semana em que eu chego às Salsichas e irmos passear? Imagino que esta solidão em casa, de aspirador e esfregona em punho te deixe um pouco cansado, não? Tens brincado com os legos, lavado roupa, bebido cerveja e arrotado alto?

E assim foi. Bola escolheu o destino mais previsível para eu levar com neve por todos os lados, como que para me ambientar à temperatura, assim de choque. Mas, eu não me importo. Três semanas sem mim está a ser violento. Bola needs me.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

A todos os leitores do Minhoca


UM FELIZ 2009, carregado risos, salsichas e resoluções que não serão cumpridas!

domingo, dezembro 28, 2008

Revelhon

- Onde vais passar a passagem de ano?
Pronto, logo a pergunta é foleira, porque passar uma passagem é um pleonasmo e os pleonasmos são de facto recursos de estilo, mas há uns mais bonitos do que outros.
A verdade é que eu não sou uma miúda de Reveillón. Não sou e acho que nunca fui. O facto de o dia 31 ser o dia de aniversário do meu Pai a partir de certa altura, passou a ser a desculpa para eu não fazer nada na passagem de ano. Não acho graça nenhuma. No ano passado, festejei pela primeira vez na Alemanha e confesso que gostei imenso, porque ver grandes grupos de pessoas na rua a atirar fogo de artifício à meia-noite foi um belo espectáculo e ao mesmo tempo, uma surpresa, pois eu não sabia como os alemães festejavam a entrada no novo ano. Além disso, foi nesse dia que regressei, depois de ter estado quase duas semanas sem o Bola e nesse dia ele estava particularmente receptivo à minha presença e às minhas piadas.
A verdade é que o meu cenário de passagem de ano perfeito é em frente à lareira, enrolada no sofá, de pijama, a ver televisao. E é engraçado que eu repito isto todos os anos a toda a gente, mas por alguma razão que eu desconheço, as pessoas que realmente me conhecem, parecem esquecer-se ou achar que eu não estou a falar a sério. Algo recorrente.
Portanto, para quem ainda não me perguntou, aqui vai. Vou passar no sofá, com os meus pais e irmãs, a ver televisão e a sonhar que sou a filha solteirona deles que não casou e nunca teve um namorado. Depois quando forem onze horas cá e meia-noite nas Salsichas, deixo-me de ficção e ligo ao Bola, que vai estar alcoolizado, e digo-lhe que lhe desejo tudo de bom em 2009, incluindo a encomenda da Minhoca baby para eu poder escrever um baby-blog. Quero tanto.

catsitting

É a primeira vez que posto de uma casa-de-banho. Estou sentada em cima da sanita, sendo que esta está fechada e estou aqui com uma missão. Vigiar as gatinhas da minha irmã, de oito meses cada uma, que aparentemente estão na fase do cio. Ou uma, pelo menos. Esfrega-se no chão, mia desalmadamente e corre de uma forma selvagem pela casa fora. A minha Mãe veio dar com elas sentadas na janela da casa de banho, do lado de dentro, com o focinho pousado na rede da janela que não permite a entrada de quaisquer insectos, e nem a saída delas, espero eu. E me parece com isto, que encontraram o lugar preferido aqui em casa. Estão fascinadas com o mundo desconhecido do lado de fora, no qual nunca estiveram, assim no countryside. Pararam de miar e de se enroscar no chão e estão as duas muito atentas a observar os passarinhos e a seguir cada som estranho do qual elas nunca estiveram tão perto. Eu também estou a ter um dia novo, pois nunca estive sentada na sanita no escuro, com o computador no colo. Eu é mais livros de culinária ou da disney.

sábado, dezembro 27, 2008

Factos relacionados com o Natal

- tenho a impressão que só como, de cada vez que me dou conta, já estou sentada novamente à mesa, com uma quantidade de comida abismal em meu redor. Que não posso ignorar.
- se na minha família, ao serão, somos 6 pessoas e 3 pessoas estão sentadas com um computador portátil no colo e uma com uma playstation, pode-se afirmar que a minha família é anti-social? Evita-me? Está viciada em compras online?
- a minha irmã mais nova comeu as fantasias todas de Natal, que rapinou descaradamente da árvore, antes de o dia de Natal ter chegado ao fim. Uma afronta. Ainda para mais, porque parece que as fantasias da imperial parecem estar com problemas em chegar ao Norte do país. É a chamada escassez de bens de consumo de primeira necessidade de que tanto se fala.
- passo os dias a comer e não me tenho mexido muito. Hoje perguntei ao Bola ao telefone qual o seu sentimento por texugos. Ele disse que não estava a perceber. Eu tentei com castor, para não usar o hipopótamo. Ele perguntou-me se o castor era esse com os dentes grandes e depois terminámos numa discussão estúpida do porquê dos castores construirem diques. Alguém lhes pediu?!
- guardar a compra das prendas de Natal para o dia 23 compensa. Há saldos.
- a Catarina Furtado irrita-me quando fala alto, ela não tem o timbre de voz para falar alto, fica com voz grossa, além disso, é chato se cair alguma coisa ao chão enquanto ela está em palco, pois com o tamanho da saia, vamos todos ver-lhe as cuecas.
- se na caixa dum supermercado, nós, na altura em que estamos a pagar 50 coisas e com 50 pessoas atrás de nós com mais 50 coisas cada uma, nos lembrarmos que nos esquecemos de qualquer coisa, podemos ir atrás buscar que ninguém reclama. Da mesma forma que se formos a correr todos gulosos, quando abrirem outra caixa, quando havia pessoas à nossa frente na caixa onde estávamos, também ninguém leva a mal.
- estou viciada em ovos-moles. Só penso em ovos-moles.
Não tenho planos para as próximas duas semanas e isso é fantástico.

Adenda

Correcção de um post recente: expludo e não explodo.
Eu não sabia.

praga dos baby-blogs

Se há coisa que prova que muitas pessoas ficam infantilizadas depois de se tornarem pais, é o facto de criarem blogs no qual o narrador são eles mesmos, mas fingem escrever como se fossem o seu rebento, com um ano, dois ou três. Ou mais. E pior: a escrita é também adaptada a uma criança, coitada que nem sabe que o Pai/Mãe anda a escrever em seu nome. É de querer dar bofetadas a mim mesma por ter ido parar a tal site.
Nota mental para pseudo-resoluções para 2009: tornar-me mais tolerante.

terça-feira, dezembro 23, 2008

atirem-me

O ser humano além de influenciável, adapta-se, para o bem e para o mal. Eu estranho chegar ao País das salsichas depois de me ir embora daqui e também estranho quando ao fim de vários meses em convivencia com o povo alemão, chego a Portugal e passo os primeiros vinte minutos a ouvir as conversas IMPORTANTÍSSIMAS de telemóvel das pessoas ao meu lado, na fila para o táxi, à espera da mala, a comprar bilhete para o comboio, no café, etc. Porque chega a minha mala no aeroporto de Munique em 15 minutos e em Lisboa não, penso.
Só porque moro na Alemanha, deixo de ter o direito de fazer a crítica a muitas coisas neste país, Portugal, que é o meu, só porque em muitas coisas, prefiro o outro lado? Deixo de poder dizer que talvez a Alemanha seja um país um pouco mais civilizado, considerando este ou aquele factor? Não devia estar a usar pontos de interrogação, arrisco-me a que a caixa dos comentários exploda, mas perguntas retóricas nunca fizeram mal a ninguém.
Por outro lado, o silêncio ensurdecedor no aeroporto do Munique, que só é interrompido pelos passos dos viajantes a caminho do tapete das malas, também é algo que acho triste e me faz sentir vazia por dentro. Mas nesta constatação de factos acerca de um país e doutro é mais fácil, quando ataco as Salsichas, porque é esse o registo predominante do meu blog. Atacar o inimigo. Como emigrada que sou e venho aqui cuspir neste prato de faiança de qualidade que é o meu país, aí ninguém tolera a minha crítica. Erguem-se as vozes eça queirosianas e apontam-me o dedo, chegando mesmo a colá-lo à ponta do meu nariz dizendo não mancharás a honra do teu país nem o criticarás. Honra empregados de lojas, cafés e todos os taxistas que te saírem na rifa. Não olharás de lado para quem te chamar menina. Não reprovarás sotaques lisboetas ou jargão nortenho. Aliás, faz a a mala e volta para esse país de onde vieste.
Pois.
É difícil exprimir uma opinião, quando me vêm aqui parar sempre meia dúzia - na melhor das hipóteses - de gente que na verdade não quer dizer nada, mas quer deixar um tom amargo na caixa dos comentários, porque no fundo me vê como uma traidora. Como posso eu abandonar a minha terra e depois regressar, fazendo elogios ao estrangeiro, àquilo que nos é estranho e que não tem a nossa marca? Marca essa que todos gostam muito de exprimir, de peito inchado, caracterizada pela nossa hospitalidade e todas aquelas coisas que nos abstraem dos verdadeiros e vários problemas que se vêm arrastando há muito tempo.
Atirem-me pedras se eu gosto dum país organizado, que não me faz esperar meia hora para pagar uma camisola. Um país que também já viveu melhores dias e que apesar de a troco de impostos elevados, garante um nível de vida mais justo para mais pessoas. Um país que, com todas as falhas dum sistema social que não é perfeito, protege e estimula a maternidade. Atirem-me pedras por eu achar que os clientes devem ser tratados com alguma simpatia e profissionalismo. Mais pedras ainda por eu achar que aqui as estradas sao mal sinalizadas e as pessoas conduzem irresponsavelmente. E atirem-me pedras por eu não entender porque é quando vou ao continente comprar dez coisas, me metem tudo em onze sacos. Qual é a ideia???? Ter material q.b. em casa para asfixia? Ontem era o dia mundial do polietileno e ninguém me disse?
Sim, há o perigo de generalizar, o drama dos estereótipos. Bla bla bla bla bla...
Mas atirem-me rosas por aqui eu me sentir verdadeiramente em casa, o ar me cheirar sempre muito mais puro e me alegrar por pagar um café sem ter de receber o troco em silêncio. Já não estou habituada aos olhos dos estranhos, que me olham com vontade de conversar, falar do tempo ou perguntar se hoje não está mais um (são tantos) dia de sol. Atirem-me rosas por, apesar de as modas colarem como lapas, haver coisas muito mais bonitas, roupa, casas, praias, vegetação e sentido de humor apurado.
Quando se emigra, a relação com o país de origem é igual à relação com o país acolhedor. Amor-ódio. Não há como contornar isto. Ganham-se mais hábitos, ou melhor dizendo, outros hábitos. Quando me fui embora de Portugal levava hábitos que foram (tiveram de ser) limados. Quando regresso, esses mesmos que foram limados têm de ser reajustados. Uns custam mais do que outros. Mas esta vida ambivalente, entre duas culturas tão diferentes, que se completam em mim, é algo que considero precioso. Vivo em osmose. O meu coração é português, mas com uma grande simpatia por tudo o que é alemão. Ou quase tudo. Porque foi o país que me acolheu, onde sempre fui bem tratada e onde sou feliz, podendo viver em segurança. E vamos lá a destruir esse mito de que os alemães não são um povo simpático. Não é justo e não é verdade. Sou casada com um e estou disposta e enviá-lo para testes.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

a causar micoses

- as quantidades que os portugueses compram, os shoppings cheios
- o preço escandaloso dos livros, que no país das salsichas custam METADE
- a cara-de-pau das empregadas das lojas, que apesar da confusão, não conseguem manter um sorriso ou qualquer sinal de simpatia - já não estou habituada a isto, a este ar de favor entediante
- a quantidade de miudagem com portáteis e telemóveis novos, nos cafés, no comboio... perco a conta.
- o estilo repetido e mais que visto em todas as miúdas entre os 12 e os 25, tão iguais umas às outras, sem qualquer marca de estilo próprio
- as pandoras e as bimbys (nomes que já dizem tudo)
- os bens de higiene que custam o triplo em relação ao país das salsichas, onde eu pago 45 cêntimos por um tubo de pasta dentagard.

Na Alemanha, uma pequena parte da população recebe 13º mês, como ele é conhecido aqui. A maioria recebe uma percentagem de um ordenado, que no meu caso, corresponde a 25%, subindo com o passar dos anos, mas nunca atingindo mais de 55% do meu salário médio.
Sim, os salários são mais elevados na Alemanha, mas eu pergunto-me mesmo se esta euforia toda se deve ao décimo terceiro ou se anda tudo simplesmente doido. É mesmo preciso atropelarem-me numa loja de roupa interior só para agarrar aquelas cuecas com desconto de 70%???

seita da inditex

A Massimo Dutti prima por ter roupa mais bonita e com qualidade superior à Zara, mas como o preço também é superior, normalmente, só lá entro em época de saldos. Ou entrava, porque cheira-me que tão cedo não volto lá. As empregadas são extremamente antipáticas e criou-se um secretismo em torno das promoções, que confesso me deixar num estado de fúria muito perto de ser mal-educada. Então, mandam sms aos clientes - sms que eu não recebi, mas de cuja existência vim a saber - a avisar que os artigos estão com descontos entre 30% a 40%. Na loja, não se vê nada que dê para desconfiar de saldos, é como se fosse este segredo ridículo entre a loja e os clientes mais fiéis. Devem comunicar com os olhos. Algumas etiquetas têm bolinha feita a marcador, que mais tarde, depois de eu ter perguntado bem alto e claramente ao anormal do empregado, confirmei ser O SINAL de que estas peças não têm desconto. Todas as outras peças SIM. Isto está tudo codificado, é um mundo especial, que não está aberto a todos, com regras e uma simbologia própria de quem pertence a esta seleccionada mailing/sms list. Sim, que isto de grandes saldos com tudo a 70%, ainda para mais antes do Natal, não é para todo o povão como eu. A Massimo Dutti não é Pai-Natal. É sim uma loja com empregadas parvas e antipáticas, que trabalham devagar e ficam chateadas por ter de dobrar mais camisolas nesta quadra, quando durante o resto do ano não dobram mais de 5 camisas o dia inteiro. É que a loja está sempre demasiado arranjadinha com elas tão snobs e com um ar tão aborrecido, que pouca gente se atreve a desdobrar roupa para não lhes causar essa maçada. Ou uma apoplexia. Ficam com cara de quem acabou de apanhar um mau cheiro.
Eficiência essa, não existe. Para quê uma pessoa extra só para fazer embrulhos, quando a senhora que recebe os pagamentos é tao multi-tasking? Além disso, aquela caixa deprimente não encaixa sequer na categoria embrulho, pois não implica cortar papel nem fita-cola... Não, uma fila de 20 pessoas, com uma senhora armada em tia na caixa - chic porque a roupa que dobra é massimo dutti e não da H&M - que trabalha devagar e com uma tromba quase tão grande como a fila, é lá razão para reclamar?
Mas porque eu não queria ser injusta com as generalizações, fui hoje a uma loja noutro ponto do país, com outras pessoas, só para ver se a onda so secretismo e da antipatia era a mesma. Só para chatear!
Agarrei numa camisola que até queria comprar e perguntei à empregada da loja de quanto era o desconto naquela peça. Ela ainda se deu ao trabalho de retirar do bolso uma folha dobrada em quatro e confirmou-me que o desconto era de 40%. Ainda pensei em pedir para ela me tirar uma fotocópia da folha, mas ela logo me informou que os preços só se podem dar a conhecer na caixa. (?) Então, o momento da decisão da compra é só depois de ter esperado meia hora na fila. Ah, ok.
Portanto, agora que aprendi, digo-vos amigos e amigas. Quando forem pagar, digam na caixa bem alto e com os olhos esbugalhados SIM RECEBI A SMS, pois só assim vos farão o merecido e bem escondido desconto. Doutra forma, pagam o preço normal. Porque esta generosidade não é para todos.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

avestruz sem glamour

O boneco animal com quem eu cresci foi o Espinete do Barrio Sesamo, o ouriço gigante e fofinho.
Ora, se o Espinete nunca teve direito a roupa, quem foi o palhaço que se lembrou de este ano por calças de ganga à Leopoldina????
Acho mal.
Qualquer dia aparece vestida de enfermeira, ou de estudante malandra.

o coelhinho vem com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo

Estou sentada no sofá com a televisão ligada, com o computador no colo e uma manta sobre as pernas. Nao tenho planos sobre o que vou fazer daqui a uma ou duas horas. Provavelmente não vou fazer nada. E isso é o melhor de tudo. Não ter de planear. Quase que já nem sei o que isso é.
Já estiquei três vezes o braço à minha direita, para arrancar mais uma fantasia de Natal da árvore, que eu mesma coloquei ontem, enquanto pensava que se quisesse comer fantasias, as ia buscar directamente à caixa e não tirar da árvore. Mas dá tanto jeito. Experimentem abrir uma caixa de fantasias imperial - as melhores do mundo - e inalar o cheirinho maravilhoso do chocolate de qualidade.


Comparem:


A única coisa que falha neste quadro de perfeição de férias no lar, é o facto de o Meo nao disponilibilzar os canais de eleição que eu tenho na Alemanha através da Tvcabo. Isso é que é pena. Agora é que eu queria papar a série Alias do princípio ao fim, sem perder pitada.
Fora disso, acho que vou ter uma overdose de queijo, pão, dióspiros, bolas de berlim, rabanadas e todas aquelas coisas pelas quais o meu estômago tanto chora.

não é depilação

Tinham-me contado que para fazer os cachecóis com o pêlo das chinchilas, estas não eram mortas, mas sim depiladas. Pois não são. Andava eu aliviada, com a minha chinchila ao pescoço, a querer convencer-me de que os animais não sofriam, para agora a mesma fonte me revelar que afinal de enganou e sim, as chinchilas são mesmo mortas à paulada.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

À porta do café

Hoje encontrei a minha professora da escola primária, que sabe sempre o meu nome e me dá um grande abraço sempre que me vê. Pensei que talvez desta vez lhe devesse dar o endereço do meu blog, a pensar em como ela contribuiu para o meu gosto de escrever. Vá Minhoca, tão linda a tua composição. Levanta-te e vai lá à frente ler para os teus colegas, por favor. E lá ia eu, subia as meias até ao joelho, compunha o meu totó do cabelo, respirava fundo e começava... A estação mais bonita do ano é a Primavera. Eu gosto da Primavera porque há os passarinhos. E as flores. E os frutos. E as andorinhas, que são passarinhos, como eu escrevi atrás...
A minha professora, desta vez, deu-me um daqueles abraços apertados, como se eu tivesse vindo da guerra ou tivesse passado os últimos anos exilada. Quando eu já a tinha soltado, ela ainda continuava colada a mim. Tão querida. Disse que gostou de me ver e perguntou-me se eu continuo tão boa menina como costumava ser.
Sabe bem estar de volta. Só para ser abraçada pela minha professora primária, à porta do café.

domingo, dezembro 14, 2008

gata borralheira

Hoje acordei as dez da manha com a intencao de limpar a casa (nao se riam de mim, por favor) de uma ponta à outra, pois vou ficar tres semanas fora, a partir de quarta-feira. Além disso, parece que o Bola quer fazer cá uma festarola em casa na passagem de ano, na minha ausencia, e achei que como vao cá dormir algumas pessoas em casa, convinha tudo estar mais ou menos com bom aspecto. Depois, quando já estava a meio das limpezas, a esfregar o chao naqueles sítios onde nem sempre o aspirador chega, lembrei-me que talvez pela razao referida, o ideal fosse mesmo usar essa razao para nao limpar nada. Bom, mas continuei. Só parei quando já no final, reparei que estava a limpar as janelas ainda em pijama, ou seja, em modos pouco apropriados, uma vez que as janelas dao para uma praceta interior, onde passa gente e onde as criancas andam de escorrega. Já estava a imaginar uma vizinha minha que está sempre à janela, e que me irritou um dia por eu estar a tentar apanhar o sinal para a antena parabólica, a afirmar numa reuniao de condomínio, que eu limpo as janelas sem qualquer sentido de decoro, com uma t-shirt semi-transparente que nao deixa adivinhar presenca de soutien. Que por minha causa, as criancas que andam de escorrega, ficaram com medo de andar de baloico.
Eu devia seguir as sugestoes da Triumph e limpar a casa como a Claudia Vieira aparece agora nos anúncios das paragens de autocarro. Só para o caso de haver paparazzis por aí.

sábado, dezembro 13, 2008

madrugando com a amazon

A quatro dias quase da partida para Portugal, onde para alem do Natal, vou passar tambem o fim de Ano e a primeira semana de Janeiro, o Bola decide combinar coisas com amigos. Sim, porque como ja nao está desempregado, agora já quer socializar. Hoje, quando eu ainda tenho tanto para fazer, para limpar, para organizar. Nao há nada que me deixe mais furiosa do que ansiar pelo fim da semana, e já é quase sexta-feira e vou fazer o que me apetecer e la la la, até que ele me diz que já combinou isto e aquilo com nao sei quem. Esta é uma daquelas coisas da vida a dois, porque se eu lhe disser para ir sozinho, ele diz que nao dá. Entretanto, como eu sou uma Minhoca que sabe perdoar (?) e como ele me preparou hoje uma tigela de müsli com fruta cortada por ele, achei que ele já merecia de novo o meu sorriso.
A minha mala está no quarto aberta lá num canto, e já quase cheia, sendo que ainda nao meti la nada de uso pessoal. Nem calcado, nem roupa, nem a minha almofada que vai comigo para todo o lado. E eu hoje ainda queria ir comprar coisas que me faltavam, mas as leis da física sao de facto incontornáveis. Nao adianta eu espremer ali e tentar meter pares de meias dentro das botas. O espaco nao perdoa. E desta vez vou com duas malas, pois encontrei uma mala de mao que tem as medidas máximas do tipo de carga permitida como bagagem de mao. A TAP que me espere. É uma mala versátil, que tem no bolso da frente, um compartimento de plástico transparente, onde, quando a comprei, estava uma bandeira alema grande em cartao. O Bola reagiu alergicamente ao facto de eu querer comprar uma mala com a bandeira alema. Bola, tens de te libertar da vossa história negra, dizia eu. Quase que me pedia para assinar os papéis do divorcio. Até que descobriu que debaixo desse cartao com a bandeira alema, vinham mais umas bandeiras mais amigáveis, como a da Suécia, Espanha, Grécia e Jamaica. Portanto, se para a semana me apetecer ser espanhola, hostia, vou ser mesmo!
E se me apetecer, da próxima vez, mandar um par de estalos no palhaco do carteiro que vem com um pacote da Amazon às 8:14 dum sábado, sim, tambem vou mandar. Só porque a amazon promete entregas em 20 horas. Ok, já acredito.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

rir

Sim, nao leio muitos blogs, mas quando o faco dou preferencia aos blogs que me facam rir. Sou assim, nao sei. Por isso, agora gosto de ler este.

o teu serao é melhor que o meu

Eu gosto muito da voz do James Morrison, a sério que gosto. Por isso é que vou fingir que nao fui googlar a fotografia dele e que nao sei que ele nao é giro. Pronto. Assim. Autista.
Hoje fui vítima de mais um ataque de hipocondríase, no qual desta vez senti a cabeca dormente e fiquei calmamente com a cabeca no colo do Bola, para o caso de ter um AVC, morrer ali mesmo, no sítio mais bonito possível de imaginar. Entretanto, nao tive o AVC, mas o Bola parecia estar perto disso, pois o FC Bayern estava a jogar contra Lyon e ele tinha convulsoes sentado no sofá, de pulsos cerrados e dentes sobre o lábio inferior, convulsoes essa que faziam a minha cabeca saltar do seu colo e quase dar uma marrada na garrafa de cerveja imediatamente em cima da mesa. Achei que era uma forma triste e em sinal de pouco respeito àqueles que poderiam ser os últimos minutos da minha vida, portanto levantei-me para ir comer um pudium de semolina e seguidamente limpar a casa-de-banho.
Ha seroes fantásticos, nao há?

Vamos lá a criar um bocadinho de ambiente desta quadra tao bela, que isto de ser sempre eu sozinha no carro a cantar nao é a mesma coisa se nao for partilhado. E saia um grande beijo para o Chris Rea, que no vídeo está muy sexy. Sim, porque um homem com a idade do meu Pai pode ser sim sexy, porque nao?

domingo, dezembro 07, 2008

razao número dezassete

Depois de passar o fim-de-semana a passear-me pelas ruas de Heidelberg com as minhas 4 ou 5 chinchilas em torno do pescoco, sem ninguem ter desatado a atirar-me tomates ou ovos podres em gritos alarmantes com ameacas de telefonemas para a PETA, posso-me considerar feliz.
Andar nas ruas do comércio nesta altura do ano é um desespero. Eu gosto dos mercados de Natal, aliás, se me perguntarem, esse era um dos tópicos da minha lista de 2004 'razoes para ir morar para o país das salsichas'. Era a razao nr. 17. Ou seja, alguns números acima do Bola. Há lá coisa mais romantica, do que estar a enregelar na rua à merce dos dois ou tres graus negativos, sobrevivendo apenas por, colada às minhas maos, estar uma caneca com o chamado vinho quente, que no meu caso é mais ponche para criancas. Porque, amigos, nunca apanhem uma bebedeira com Glühwein, porque se o fizeram, ficam como eu, a detestar para sempre o dito cujo. Ainda que perante a sempre presente e doce recordacao de assim há nao tantos anos atrás, pouco antes de me abracar à sanita para me despedir do vinho, o Bola me ter dado aquele que viria a ser o nosso primeiro beijo (deve ter sido o unico, pois já nao me lembra).
Adiante...o Kinderpunsch ainda me arrasta para o mercado, se houver a promessa de que me vai cair um crepe de nutella nas maos. Assim por acaso e sem estar a contar. Olha, ali vai a minhoca a passear e... pumba! Lá cai um crepe nas maos dela, assim sem saber bem de onde. Nem de quem. Nem porque. Assim mesmo é que eu gosto. E ponham aí uns moranguinhos, seus sovinas, que sabem maravilhosamente, lá vindos das estufas nao sei de onde, carregadinhos de químicos.
Quem nunca visitou um mercado de Natal alemao, devia ter vergonha e sair já deste blog. Depois de quatro anos a repetir sempre a mesma ladaínha, já nao se admite que ainda nao tenham cá vindo espreitar. Se nao querem vir pelos crepes, venham pelas salsichas. Ou pelo carrossel. Ou pelo engate. Ou pelas bombocas. Ou... ou....

sexta-feira, dezembro 05, 2008

chinchila

Amigos, eu nao sou vegetariana. Como pouca carne, é um facto. Mas nos dias em que há assado na cantina, tambem nao lhe viro as costas. Ora, a minha sogra ofereceu-me hoje a minha prenda de Natal, que é algo que eu nunca me teria atrevido a comprar. É um cachecol, que é basicamente a pele de um animal chamado chinchilla. É a coisa mais fofa e mais suave em que os meus dedos de minhoca já tocaram nesta vida. Ter a chinchila enrolada no pescoco é um sonho, o problema foi quando eu decidi pesquisar como é uma chinchilla. E sao uns animais tao fofinhos e queridos, que eu nao consigo aceitar que alguem matou um, ou melhor dizendo, uns tres ou quatro, para eu hoje poder ter esta coisa maravilhosa no meu pescoco.
Diz a Wikipedia que a pelagem da chinchila é cerca de 30 vezes mais suave que o cabelo humano e muito densa, com 20,000 pêlos por centímetro quadrado. Diz tambem que as chinchilas são muito sociáveis e por isso não devem ter uma vida solitária.

Nao sei o que sentir. Chinchilla, perdoa-me. Mas o Inverno aqui é taoooo frio....

domingo, novembro 30, 2008

por cima do meu cadáver

Hoje de manha, o Bola cortava a sua pera aos quadradinhos para a sua taca de muesli, enquanto eu, porque tinha sonhado que já era natal, fritava duas rabanadas para o meu dia comecar em cheio. Estávamos os dois tao bem, silenciosos, cada um a preparar a sua comida. O silencio nao precisava de ser quebrado.
B. - Sabes, cada vez mais cresce em mim a ideia de ter uma playstation!
M. - Bolinha... acho fantástico que crescam coisas em ti. Mas que sejam as acertadas. Eu nao vou querer uma playstation NUNCA.

Bola nao disse mais nada. Entretanto, foi para a internet fazer umas pesquisas, para depois me comunicar que daqui a duas semanas vamos fazer ski. Ele sabe que eu nao sei fazer ski. E frases como entao fazes snowboard, nao sao propriamente encorajadoras. Mas nao quero ser a eterna desmacha-prazeres. Logo agora que ele arranjou emprego e anda tao feliz.

sábado, novembro 29, 2008

diálogos no tema prendas

- Bola, pensa bem, antes de ofereceres uma gravata ao teu Pai este Natal, mais uma vez. O teu Pai vai-se reformar já no ano que vem.
- Mas mesmo depois de reformado, eu acredito que ele continue a usar gravata...
- Sim, mas um pouco de criatividade nao te fazia mal nenhum. Por essa lógica, eu tambem podia oferecer lactacyd às minhas irmas de prenda...
- E nao vais?
- VOU!!

mais perto do urinol

Os meus alunos de ingles deste semestre estavam com a mania que eram espertinhos. As primeiras aulas foram faceis e até eu própria reconheco, pois eu nao via qualquer dificuldade da parte deles. Ontem fiz o habitual jogo dos papelinhos, que consiste em cada um retirar um papelinho, no qual está uma palavra que eles teem de descrever em ingles, sem usar determinados termos, também indicados no papel. Ontem foi só vocabulário relacionado com comida e cozinha e claro que se espalharam ao comprido, o que foi maravilhoso, pois é o meu jogo favorito, que me ocupou mais de metade da aula. Ai nao sabem como se diz talheres?? Mas assim, nao sei o que é que estao a fazer neste nível...
Antes da aula, ainda tive o prazer de encontrar um dos meus alunos a caminho do urinol, pois como na escola onde eu dou aulas nao há WC para meninas, tenho sempre de tomar de assalto os WCs masculinos, saindo sempre sorrateiramente para nao ser apanhada. Ontem, como se ja nao bastasse, o autoclismo nao ter funcionado e ter deixado clandestinamente a minha urina para o próximo, ainda me chapei com um dos meus alunos, um desses que cora quando lhe pergunto quais sao os seus hobbies, que ficou um pouco surpreso por ali me ver. A cara dele é a mesma que eu fazia naquela parte da rua sésamo, em que aparece um jogo difícil, no qual se deve eliminar o que ali nao pertence, uma banana, uma pera, uma laranja e um prego. O prego está pra fruta, como eu para o urinol.

domingo, novembro 23, 2008

french

Hoje a manha soube-me maravilhosamente a Natal. Fui tomar o pequeno-almoco fora de casa, já que há 176 cafezinhos ainda na lista de espera, no meu breakfast round que pretendo fazer aos domingos. O Bola pediu uma french toast e eu aproveitei para lhe explicar que essa french toast sao as rabanadas que se comem em Portugal por altura do Natal. E aproveitei para lhe dizer que se ele já tinha comido ovos mexidos, talvez nao fosse má ideia passar metade da toast para mim, por causa do colesterol e tal.
De tarde, decidi que este ano é que ia ser, tambem eu iria embarcar na onda de fazer biscoitos de Natal. Se moro cá, em certas coisas, tenho de me deixar aculturar. Qualquer dia, até vou para Portugal no Verao de sandália e meia, porque nao?
Depois da primeira fornada e de a massa amanteigada se ter colado ao rolo da massa que nem lapas, eu concluo que realmente biscoitos de Natal é bom, mas come-los e nao faze-los. O Bola ainda quis dar o seu contributo e apareceu na cozinha para me mostrar como se formam os Vanillekipferl, que na altura me fez lembrar o pénis dum recém-nascido. Corri-o para fora da cozinha, pois ele estava a estragar a minha boa vibracao, que normalmente obtenho atraves da preparacao de coisas doces que envolvam forno.
Decidimos ver o DVD dum documentário maravilhoso que fui ver há uns meses ao cinema, que por alguma razao muito estranha, nao foi editado em Portugal. LOVE EARTH. Narrado pelo Sean Connery.

sábado, novembro 22, 2008

(sem título)

Ontem o final da tarde foi todo decidido por mim, razao pela qual foi maravilhoso. Primeiro, porque o Bola se calou e nao implicou com nenhuma das minhas sugestoes. Fomos dar um passeio pelo centro da cidade, enquanto os floquinhos de neve caíam sobre as nossas cabecas. Sentámo-nos num café escolhido por mim, ou melhor dizendo, uma casa de chá, porque aqui cafés no sentido de café, nao há. Bebemos um chocolate quente, daqueles com natas por cima e comemos biscoitos de Natal. Depois fomos ver montras e comprar desentupidor para a banheira (esta é a parte que eu nao sugeri, é óbvio que nao combina com o meu plano de uma tarde maravilhosa). Rematámos com a passagem pelo clube de vídeo, onde alugámos um DVD e depois fomos comer uma pizza. Com a crise, na empresa, ninguem pode fazer horas extraordinárias (sao por lei, pagas), ou seja, toda a gente tem de se por a andar depois de sete horas de servico cumprido. Há desvantagens, mas sair cedo às sextas é uma notória vantagem.

Hoje acordei com demasiada luz a entrar pela casa adentro, facto esse explicado pela quantidade enorme de neve lá fora. O sol brilha na neve e a luz reflecte-se pela casa adentro como se a Nossa Senhora de Fátima tivesse acabado de pousar na azinheira lá fora. Eu detesto neve. Estava tao bom até ontem... comeca o pesadelo dos espalhancos no passeio.

o dilema dos presentes

Acho que já tenho um stock de chocolates tao grande cá em casa, para levar para Portugal no Natal, que comeco a desconfiar que posso ficar presa no aeroporto por suspeita de tráfico. Assim sendo, decidi comprar uns pacotes de gomas para disfarcar. Assim os contents da minha mala rondarao os 70% de chocolate misturado com gomas. eheheheh
Aproveito este post para dizer ao meu irmao, que este ano ele está autorizado a ser ele a dar a prenda preta à nossa Avó. Todos os anos, eu e os meus irmaos trocamos em média cerca de 7 emails e 4 sms em torno da questao o que oferecer à nossa Avó, a quem nao podemos oferecer nada com outras cores, devido ao luto. Portanto, o espectro de possíveis prendas é extremamente limitado. O problema é que o meu irmao antecipa-se e pimba, quando damos por ele, já tem uma manta, pantufas, avental ou meias pretas. E como nao é bonito oferecer tudo com a mesma cor, eu e as minhas irmas ficamos um bocado perdidas. Este ano, eu ja tenho algo que nao é preto, Irmao. E as manas podem-se colar a mim. Pronto, podes sair em busca da prenda da Avó, sem telefonar, mandar mails ou sms. Isto é uma amostra do quao querido eu consigo ser.

terça-feira, novembro 18, 2008

Eu quero é amendoim

Tenho em casa uma caixa de paçoca que está a chegar ao fim. Eu no início, nao gostava, confesso. Os meus colegas traziam do Brasil, punham lá no escritório em sítios estratégicos e eu nem olhava para lá, porque nao achava nada de especial, afinal, amendoim e acúcar...enfim! Mas houve um dia em que o meu corpo pedia desesperadamente por aúcar, deviam ser umas tres da tarde que é a hora a que me dá a fraqueza, e comi tres ou quatro paçoquinhas seguidas para acalmar o desespero. E foi nesse dia que o meu corpo, assim que como que em sinal de gratidao, passou a pedir pacoca. Há fases em que há bastante, pois há muita gente a vir do Brasil, mas agora é uma dessas fases em que ninguem mais trouxe e eu comeco a ficar preocupada.
Tao preocupada que ja nao vou pedir mais livros de quadrinhos nem havaianas. Eu quero é amendoim.

Minhoca de castigo

Tercas-feiras é um dia pesado, man... a partir das quatro da tarde, comeco a olhar para o relogio, a tentar coordenar o trabalho que comeco e posso nao acabar, que me pode deixar pendurada e impedida de sair rumo à escola onde dou ingles. Hoje cheguei mesmo em cima da hora, o que é algo que os meus alunos nao devem compreender, pois por cá os alunos teem a mania de se sentar na sala de aula meia hora antes de a aula comecar. Hoje o tema da aula foram estereótipos, infelizmente o tempo nao foi suficiente para abordarmos melhor os estereótipos dos alemaes, coisa pela qual mal posso esperar na próxima semana. Será que eles sabem das meias brancas e das sandalias? E do mau gosto na moda? Só de imaginar as caras deles de tacho quando eu perguntar se eles sabem se sao conhecidos pelo mau gosto na roupa, sou inundada de uma ansiedade enorme!!
Entretanto cheguei a casa e encontrei o Bola enterrado no sofá a ver um documentário sobre o Pólo Norte. Ah pois, e depois ainda há quem pense que a minha vida é fácil. Saio da casa às oito e chego às oito, nao era justo e maravilhoso eu me poder enrolar na minha manta e ficar a ver toda a trash tv que me apetecesse? Mas hoje isso nao vai acontecer, nao só por causa do Pólo Norte, mas também porque o Bola ainda está chateado comigo por causa de hoje de manha. Eu estava a escovar os dentes na casa-de-banho e ele tinha acabado de tomar banho e estava ainda dentro da banheira, com a cortina fechada, a fazer algo muito tipicamente homem que é sacudir a água do corpo antes de agarrar na toalha. Eu, sempe pronta para a brincadeira apesar das horas matutinas, ao ver o corpo dele a mexer-se movimentando freneticamente a cortina, aproximei-me devagar da cortina, com as maos abertas e de repente, agarro-o por fora da cortina sem ele estar a contar e ele desata aos gritos. Gritos de menina, diriam uns. Quase que escorregou e ficou paralítico, realmente, eu nao penso nas minhas brincadeiras, que malandra que sou. A forma histérica como ele se assustou nao me permitia parar de rir, com a boca toda cheia da espuma da pasta dos dentes. Depois de lhe dizer que dá Deus nozes a quem nao tem dentes, ou seja, dá-me Deus a um gajo que nao aprecia o meu humor, despediu-se de mim de forma azeda, a dizer que nao sabia onde estava a graca. Eu sabia. Estava comigo. Só e apenas. E como o Bola tem memória de elefante, hoje quando me viu entrar em casa, disse-me um frio olá e fez aquele ar que traduzindo significa tentaste assassinar-me na banheira, agora nao ves televisao. Olhem que a minha vida nao é fácil. Já agora alguem que diga ao Bola por favor para nao ocupar a casa de banho de manha, quando eu tenho de sair para ir trabalhar e ele fica refastelado no computador. Alguem, please?

segunda-feira, novembro 17, 2008

daniel craig ou jamie oliver?

Fui ver o novo James Bond, pois nao ha temperaturas lá fora que me impecam de sair de casa para ver e ouvir o Daniel Craig num ecran tao grande como a atraccao que tenho por ele. Confesso que estava à espera de mais. Gostei bem mais do Casino Royale, apesar de o Quantum of Solace ser um bom filme de accao, assim mesmo à gajo, praticamente sem romance. A bondgirl Eva Green teve muito mais pedigree do que a Olga, sinceramente... esta Olga além de um bronze falso, acha que tem de ter o ar de durona que na realidade pertence ao gajo, e nao a ela. Nao gostei.
Para quem quer um bom filme de accao e uma visao do sixpack do Daniel, vale a pena ir ao cinema e pagar os, quanto é que é mesmo por aí.... sete euros e meio? Ah, e o sotaque maravilhosamente british, que lhe vale logo metade do charme.
Para quem nao queira abrir os cordoes à bolsa e sofra de claustrofobia, entao sentem-se no conforto do vosso lar e assistam ao programa do Jamie Oliver. Eu cada vez que o programa comeca, nao consigo tirar os olhos do ecran, nem o sorriso da cara. E parece que nao sou só eu. Neste caso, nada tem a ver com sixpack ou atraccao fatal, mas sim o grande talento que ele tem, só a capacidade de chamar nabos e couves de beautiful é simplesmente contagiante. Depois de assistir ao programa dele, dá-me vontade de ir para a cozinha abracar os legumes e chamá-los marvellous. Pessoas como o Jamie sao felizes, pois nota-se que conseguiram encontrar o rumo para o qual estavam destinados e neste caso, ele encontrou-o na cozinha.

domingo, novembro 16, 2008

brunch girl

Finalmente, depois de tanto tempo a pedir ao Bola que viesse brunchar comigo, eis que ele aceitou, por isso entenda-se, eu reservei uma mesa num café daqueles fofinhos, onde só vao estudantes, avisei uns amigos para aparecerem e ele disse que sim, tá bem, vinha comigo.
Eu sou uma absoluta brunch girl, a ideia de me sentar a um sábado ou domingo de manha a tomar um pequeno-almoco fora de casa é algo que me cativa, com ou sem companhia. Porque se nao houver companhia viva que me acompanhe enquanto barro o meu croissant com doce de mroango, pelo menos o jornal nunca me falha.
E há lá forma melhor de comecar o dia do que com um pequeno-almoco feito por algum que nao nós mesmos e com boa companhia? Quero lé saber do jantar ou do almoco. A minha onda sao pequenos-almocos e lanches. Entao, se for em Portugal é que me perco e quando dou por mim estou sentada numa mesa com uma fatia de bolo de bolacha, um traco de bola, uma torrada e um bolo de arroz, tudo só para mim e com dentadas intercaladas de tudo um pouco. E ai de quem ouse tocar na minha comida.

quinta-feira, novembro 13, 2008

dias que passam devagar

Ter um marido sem emprego deve ser semelhante a ter um filho adolescente. Haverá manuais para o meu caso? Estas mudancas repentinas de humor sao algo a que eu me pretendia sujeitar eventualmente, mas daqui a bastantes anos. E sempre ciente, que no caso de o meu filho adolescente se tornar insuportável, dá-lo para adopcao ou mandá-lo para um colégio interno na Suíca. Ora, o Bola nao simpatiza muito com a Suíca é sempre uma opcao. E sempre achei que essas crises, vindo do sangue do meu sangue, nao seriam tao dificeis de suportar. O Bola tem momentos de euforia em que encontra anuncios que diz nos quais encaixa maravilhosamente. Quando lhe telefonam, ainda mais eufórico fica e tenho de ser eu a puxá-lo à terra e a lembrar-lhe que um telefonema nao é nada, uma entrevista já é melhor, mas certos empregos sao demasiada areia para a camioneta dele, pois pedem vários anos de experiencia na área em que ele tem trabalhado e na qual se tem candidatado.
Entretanto, a título informativo, um litro de gasolina custa aqui 1,23 € e um litro de gasóleo 1,26 €. O mundo anda ao contrário.

sábado, novembro 08, 2008

De telhas percebo eu

Entretanto, depois do choque inicial na semana passada, o Bola acordou para a vida e o seu passatempo número um, depois de me levar ao trabalho diariamente, é enviar candidaturas e currículos, que ele selecciona todas as manhas depois do pequeno-almoco. Manda umas porque quer mesmo e outras por querer fazer festinhas ao ego. Numa dessas festinhas ao ego, ligaram-lhe para o telemóvel a perguntar se ele nao queria ir trabalhar para perto de Frankfurt... ele, a testar a sorte, atirou para o ar um número muito grande do que teria de ganhar num ano para aceitar. Nao lhe disseram logo que nao. Ficaram de falar de novo na segunda-feira.
Bola, tu queres ir para Frankfurt?!
- Nao, mas se me pagarem o que eu lhes disse, valeria a pena investir um ano para poupar algum e ganhar mais experiencia, depois disso eu posso quase concorrer para qualquer lado com muito boas chances...
- Mas Bola.. Frankfurt? Ficas mais perto dos teus irmaos, mas longe de mim?
- Nao te preocupes, agora já tens a Tvcabo, nem te vais dar conta que eu nao estou em casa!

Pois. Apesar de ser uma piada e quase poder ser um diálogo para nova publicidade da Tvcabo, é verdade que ir para um pouco mais longe quando as condicoes sao muito boas, por um ano nao é assim tao mal pensado.
E sim, amigos, a Tvcabo reina de novo no nosso lar. Ontem veio cá a casa um marmelo italiano montar a antena e, quando eu cheguei a casa, disse-me no seu alemao horroroso que já estava tudo pronto, só faltava o cartao dar sinal. Depois passei-lhe para a mao duzentos e cinquenta euros, e antes de largar as notas na mao dele, disse que caso isto amanha ainda nao funcionasse, me ia ter à porta da loja dele, armada. Armada em chata, queria eu dizer. A Tvcabo já funciona, as novelas daTvi sao horrorosas e aqueles diálogos dao-me sono, o que nao é assim tao mau. Nao consegui ouvir nada sem me perguntar a mim mesma há tres meses isto eram assim tao mau, já? O Carlos Pereira continua com aqueles tiques quando fala e a Rita Pereira é muito emocional, mas tudo o que dizem é tao piroso e previsível que sinceramente, dá vontade de nao querer ser mais esta jovem romantica que sou, que adormece com novelas.
Quando perguntei ao Bola como se sentiu por ter estado pela primeira vez sozinho com outro homem no telhado, ele nao se riu, arqueou as sobrancelhas. Nunca mais deixo o Bola sozinho no telhado com outro homem. Primeiro, porque quem deveria ter tido essa experiencia era eu e segundo, porque ele nao se movimenta no telhado com a astúcia com que o Humpty Dumpty se psseia pelo seu muro. Já de telhas, percebo eu.

nunca se é velho demais para o gibi

Será que eu algum dia vou conhecer o Maurício de Sousa? Gostava tanto!
Os meus colegas do Brasil, com quem eu contacto quase todos os dias enviaram-me um 'gibi' da turma da Monica, depois de eu ter pedido umas dez vezes. Foi uma alegria poder voltar a ler novas histórias de quadrinhos com o Chico Bento, a Magali e o Cascao.
O problema é, querido diário, eu leio uma história de cada vez que me sento na sanita por mais de dois minutos. E o gibi tem 15 historinhas de uma página. Já só restam tres.
:(

quarta-feira, novembro 05, 2008

Oba! Oba!

Confesso que gostei muito do discurso do Obama e que senti qualquer coisa inexplicável, mas boa. Ele é uma mistura de Lincoln com Martin Luter King e com mais um nao sei que de Kennedy.
É o típico gajo a pedir para ser alvejado, pá!