Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

segunda-feira, novembro 03, 2008

pela minha família, vá lá

Pois. Assim vai ser a minha vida nos próximos meses. A tentar animar um Bola deprimido, com cara de enterro e a olhar para a janela, pensativo. Tenho de prestar atencao para o caso de ele deixar de fazer a barba ou passar as manhas na cama. Por essa razao é que hoje nao me importei que ele me fosse levar ao trabalho, mesmo tendo ficado quinze minutos plantada à espera dele e ter quase desatado aos gritos por ele ir taaaaaaoooo devagar e parar nos semáforos todos. Eu já conheco os semáforos todos, ONZE, que me desafiam a viagem todos os dias de manha. E já sei como os fintar, sei que entre tres seguidos, nao preciso de parar nunca nos tres. Isto quando sou eu a conduzir. A ouvir os hits do Lionel Richie na rádio às oito e meia da manha.
Mas a verdade é que até eu perdi a fome e hoje nem fiz cocó. Quando nao faco cocó, é porque estou tao triste que o meu intestino diz que assim nao pode ser. Também nao bebi café o dia inteiro. Estava tao fora de mim que até comi strudel de couve-de-bruxelas, portanto posso nao ter feito cocó hoje, mas com couve-de-bruxelas, quando fizer, vai ser pela semana toda.
- Bola, podias ter escorregado à porta de casa e caído duma forma que te deixasse paralítico, ou podias ter uma doenca tao grave em que nem quatro semanas de vida te davam, ou podias ficar de rastos por eu te dizer que ja nao gostava de ti e que ia fugir com o Sven da oficina das biciletas...ou com a Janine da padaria. (qual preferias?) Bola, há tantas coisas bem mais horríveis do que perder um emprego de que nao se gosta!
Tento pensar em coisas assim horríveis, mas ele já nao está a achar muita piada. Diz que precisa de tempo para se habituar à ideia.
- Bola, no meio dessa melancolia vai mandando algumas candidaturas. Pela minha Mae e pelos meus irmaos, vá lá...eles imploram!
- A tua Mae, os teus irmaos...?
- Sim, Bola, é que agora que foste despedido eles vao ter de fechar o meu Pai à chave na casa-de-banho, pois ele já tem mais uma razao para passar o dia em torno dos males do mundo, do capitalismo, da crise, e qualquer dia compra uma casa de colmo em Cuba e tenta arrastar toda a gente para perto do Fidel.
Tudo vale para o fazer rir. Ele merece.
Quanto mais nao seja por todas as outras vezes em que tambem se esforca para me fazer chorar.

domingo, novembro 02, 2008

Temos de falar

É uma daquelas frases. Sexta-feira, tinha dois mails na minha caixa de correio do Bola e duas chamadas nao atendidas. Como até hoje, a única vez que em que ele disse temos de falar, foi quando ele me disse que tínhamos de nos livrar dos gatinhos que eu havia recolhido numa quinta e levado para casa, eu vi logo que o assunto se anunciava sério.
- Fui despedido - diz-me quando lhe ligo de imediato.
Depois do porque, como, quando, quem, lá me acalmei. No início, tambem algo me parecia nao estar a encaixar bem. A empresa onde ele está nao estava com dificuldades financeiras, estao contentes com o trabalho dele, etc. Se há alguem com vontade se de despedir é ele próprio, mas nao convidarem-no a sair. Nao fazia muito sentido. Mas, há coisas que realmente podem mudar com uma rapidez enorme e depois do murro no estomago, é preciso algum tempo para digerir.
- Bola, nao fiques triste. Estás longe de casa, já nao gostas do teu trabalho há imenso tempo e ainda te dao uma indemnizacao para saíres. Nao é assim tao mau, vais ver... além disso, ficas com tempo para pensares na tua vida, leres, ires ao ginasio e ao cinema e fazer o que todos os desempregados neste país em determinada altura do desemprego fazem: encostar-se à sombra da bananeira que é o estado alemao.
De modo que o meu fim-de-semana tem sido a procurar anuncios de emprego às escondidas e a tentar provar por A+B que há males que veem por bem e ser despedido nesta altura pode nao ser razao para rejubilar de alegria, mas há mudancas que comecam mal mas acabam bem.

quarta-feira, outubro 29, 2008

férias forçadas

Quem é que disse que comprar voos com muita antecedencia compensava? No meu caso, parece-me que nao. Comprei um bilhete para ir secretamente passar o Natal a Portugal. 139 € custou a passagem, como dizem as minhas colegas brasileiras. Ora, esta semana, devido à crise e aos vários feriados - 24, 25, 26, 31, 1, 6 - , a empresa onde eu trabalho decidiu fechar tres semanas durante os feriados da época natalícia/fim de ano. E eis que me vejo obrigada a tirar férias, ou melhor, a usar as minhas horas extra, que devem ser cerca de setenta. O problema é que a minha tarifa é tao especial, tao especial, entenda-se tao tao barata, que a ida a 17 de Dezembro nem posso alterar. Nao há vagas dentro da tarifa especial. Para o regresso, só há 1 lugar, com regresso num dia triste de Janeiro. UM lugar. Que eu ainda nao posso marcar, pois só amanha é que se vai decidir oficialmente se alguém é nomeado bombeiro, ou seja, ir trabalhar caso haja um fogo, entenda-se um grande pedido com um total na casa dos milhoes.
Marcar voos com antecendia nao é para mim Desisto.

domingo, outubro 26, 2008

Ensaio sobre a Cegueira, o Filme

Nao sei o que Saramago achou do filme, mas eu gostei. Achei que explora a natureza humana de uma forma violenta e que me deixou o estomago muito apertado em algumas partes, mas um filme que vale definitivamente a pena ser visto. Mostra como em situacoes de igual desvantagem, há sempre os mesmos chicos-espertos que reclamam autoridade, assim porque sim. Mostra as mulheres no papel do sexo forte. Será que o Lauro António dá as cinco estrelas?

dentes de coelho tao fofinhos

roupa suja

Entretanto, uma semana depois de a máquina de lavar ter avariado e de eu ter comecado a ter que recorrer a roupa interior que já nao usava há mais de um ano, voltei a poder lavar roupa. Quando a luzinha se acendeu, até senti uma ligeira emocao daquelas que até se fazem sentir no estomago. Testemunhas oculares mencionam a presenca de lágrimas.
A reparacao custou 150 € e o Sr. Frank que veio cá a casa compo-la, disse que valia sempre a pena mandar reparar estas máquinas, especialmente os modelos mais antigos é que lavam melhor, sabe? Estes modelos novos sao todos virados para o ambiente, a poupar água e isso tudo, mas nao lavam tao bem. A menina vai ter é de passar a usar menos detergente, que aquilo que ali estava era um horror. - assim disse o Sr. Frank e assim eu faco.
- Bola, se ficasses sem boxers, eras capaz de por umas cuequinhas minhas? Assim se tivesses a certeza que ninguem te apanhava no urinol lá no trabalho?
- ... ... .... ....
- Diz lááááááá... nao acredito que nao sintas curiosidade. Há alguns homens que volta e meia sao apanhados pelas mulheres com os sapatos de salto delas ou soutiens e tal...! Diz lá o que te causa mais curiosidade!! Pensinhos? Ou rímel?
- ... .... .. .. ... . . . .. . . . . ..
Assim vai a nossa comunicacao. Com reticencias. Muitas.

Depois vi-te no indústria

...a dancar ao som de Prince e senti-me devorado pelo teu olhar de lince.
Alguém se lembra de onde vem esta rima maravilhosa, ou seja forcadíssima? Pois, estávamos no ano de 1994 e o Verao foi todo ao som de Pedro Abrunhosa. E hoje nao sei porque passei o dia a cantarolar o Socorro, estou a apaixonar-me. Talvez por me ter apaixonado mais um pouco pela cidade onde estive este fim-de-semana. Ouvi várias vezes portugueses na rua e reconheci-os pela pinta, eles pelos freebies de bancos ou universidades portuguesas, elas pela pinta de betas e os cabelos escadeados como só se veem em Portugal. Quando fui comprar os bilhetes para o cinema, ouvi como um portugues como eu pedia os bilhetes num alemao de principiante e deu-me vontade de ter a idade dele e estar ali provavelmente no seu ano Erasmus.
Heidelberg é provavelmente a cidade mais bonita da Alemanha, muito cosmopolita e um melting pot que faz lembrar Londres. Tem ruas como que desenhadas a esquadro, com casas que me fazem lembrar as casas vitorianas, imponentes, nas quais dá vontade de entrar para constatar se a beleza continua por dentro. É uma cidade de estudantes, onde nao falta nada. Claro que há mais bicicletas do que automóveis e muitos mais bares do que restaurantes. É fácil viver-se em Heidelberg e ser-se lá feliz, presumo. Especialmente no Outono.

Eu fui lá feliz este fim-de-semana. Andei a pé com o Bola pela universidade, a relembrar quando éramos nós, a caminhar pelo chao cheio de folhas num Outono muito parecido, há sete anos atrás. Na cantina havia posters por todo o lado a anunciar a festa de boas-vindas aos Erasmus e eu confesso que nunca quis tanto que o tempo voltasse para trás.
Demos vários passeios ao longo do rio Neckar e eu sentei-me em várias esplanadas, enrolada numa manta polar enquanto observava o fluxo das massas, rua acima rua abaixo. Gosto de me concentrar no ruído da multidao e tentar diferenciar todas as diferentes línguas que se fazem ouvir.
Quem conhece a Alemanha e nunca foi a Heidelberg, é criminoso. Praga, Praga quem? Nao, vao a Heidelberg e depois conversamos. Vao voces e todos aqueles que foram e me tiraram a vaga no ano em que eu quis que fosse esse o meu destino para estudar. Humpf.

terça-feira, outubro 21, 2008

ler, jardinagem e meditacao.

Hoje vim para casa. Passei a manha na casa de banho do trabalho. Estou com uma infeccao urinária. Sempre ouvi falar de colegas, amigas, etc., que estavam em alguma fase da vida com uma infeccao urinaria. Nunca pensei muito bem no que tal seria, até ontem de manha ter sentido um ardor horroroso que quase nao me deixava arredar do tampo da sanita. Mas bebi água, afinal só pode ajudar. A partir do momento em que o que urino se assemelha a ice tea de limao, há que ir ao médico, coisa que fiz. Mas porque é que ninguém me avisou que além de fazer xixi para um copinho, também tenho de me deitar numa marquesa em cuecas porque é preciso fazer ecografia aos rins? Pois, ninguem me avisou nem me ocorreu, esta manha, enquanto vestia as minhas cuecas vermelhas Disco Fever. Vermelhas, com alcas fininhas, e disco fever em letras brilhantes (sao tao confortaveis!). O médico era uma brasa daquelas, que a gente imagina que foi para medicina porque trabalhar como modelo da Calvin Klein era aborrecido. Alto, olhoes azuis e umas maos daquelas que se nos segurassem a cabeca para nos dar um beijo à Clark Gable, fechariam a fechariam totalmente com as palmas. Quando ele entrou na salinha com a maquineta da ecografia, já eu estava deitadinha de barriga para cima, com uma toalha de papel a cobrir-me o ventre. Já tinha tido tempo para pensar no dia em que me farao uma ecografia ao útero e me informarao que o que eu carrego nao é nada que se assemelhe a um feto normal. Ou entao que vou ter trigémeos e que cesariana nao é uma opcao.
Pensei que talvez tivesse sorte e ele nao mexesse muito na forma estratégica com que eu havia tapado a disco fever. Mas nao, depois de me andar a carregar nos rins, levanta-me a toalha de papel e mete metade dela dentro das minhas cuecas para me examinar a bexiga. Acho que a minha temperatura aí subiu. E agora respirar fundo. E agora segurar a respiracao. Segui as instrucoes. No final, diz-me com um sorriso:
- A sua suspeita estava certa, vai ter de tomar antibiótico. Nao é nada de grave, relativamente normal em mulheres jovens como voce, com uma vida sexual activa.
Vida que?! Ainda estive para lhe dizer que estava redondamente enganado, que eu apesar de ter umas cuecas disco fever, detestava discotecas e que, sou casada, e com o meu marido nós é mais hobbies tipo ler, jardinagem e meditacao. E ao domingo, faco renda.
O Bola foi para o estádio Allianz em Munique ver o FC Bayern, mas nao lhe tenciono falar quando ele regressar. Entretanto, vou-me afogando em ora água, ora chá. Vou bater o record do maior numero de litros ingeridos num dia.

domingo, outubro 19, 2008

pequena crise familiar

Bom, as boas notícias sao que consegui salvar as minhas cuecas de segunda a sábado, do tambor da máquina de lavar. Gracas à internet, descobri o anelinho onde se pode apertar, mesmo ao lado do filtro e taa-raaan, como que por magia, a porta da máquina abriu e eu retirei toda a minha roupa interior, com a alegria de quem encontrou algo precioso que havia perdido. Realmente, ainda bem que assim foi, pois caso alguem que nao eu abrisse a máquina e se deparasse com a mescla que é a minha roupa interior, nao ia entender. Como pode a cueca da avó (branca e grande) , a cueca sexy de rendinha intimissimi e a cueca com a cara da estrunfina na parte do rabo pertencerem à mesma pessoa? Ah pois. Nem o Bola ia entender e ia pensar que eu tinha misturado a nossa roupa com a roupa da vizinha. Pois essa cueca da avó nem ele sabe que existe, senao acho que este casamento já estava nas maos de algum advogado, desses que sobrevivem exclusivamente à custa dos amores fracos.
Este dia foi marcado pela vitoria perante a máquina de lavar e pela novela mexicana que a família do Bola hoje me proporcionou. Foram varios telefonemas assim Bola-irma, irmao-Bola, irmao-pais do Bola, pais do Bola-Bola, etc, sendo o Bola o elemento comum ao drama. Tudo por a irma do Bola hoje nao ter aparecido para almocar com o irmao em casa dele, (ela está há pouco tempo na mesma cidade a estudar) como planeado e nem respondia aos telefonemas nem à campainha de casa. Eu assisti aos telefonemas sorridente, por estar do lado de fora e ver o grande exagero em que tudo se tornou, especialmente quando envolveu os pais dele, a ligarem para cá de Moscovo. Quando me dirigia para o micro-ondas com o saco de milho na mao, foi quando a grande crise acabou e me dei conta que ja nao havia razao para pipocas. Que pena eu nao estar perto da minha família para podermos criar estes dramas em vários segmentos telefónicos.

quero as minhas cuecas de volta

Entretanto, a máquina de lavar morreu. Já tinha morrido há tres meses a máquina da loica, agora foi a de lavar roupa. Ora, se sem a da loica até se passa bem, sem a da roupa, a coisa já muda de figura. O problema das máquinas de lavar Miele, e quem tem uma sabe do que falo, é que quando a porta fecha (electronicamente), só abre com a máquina ligada. Ou seja, tenho a máquina carregadinha de roupa suja, as minhas cuecas todas da semana passada lá dentro e eu sem a conseguir abrir. É que ter a máquina estragada já é mau, mas saber que vai ser aberta na minha ausencia por um artista, dá-me vontade de fazer o que fiz ontem quando o Bola ja tinha virado costas, dar-lhe uns pontapés em cima (na máquina) e umas sapatadas de lado, a ver se ela acorda.
O meu problema é imaginar que na Alemanha enviar alguem cá a casa para a compor me fique provavelmente mais caro do que comprar uma nova. Eu até gosto de ver estes técnicos de cá, com aquele macacao azul e entrarem-me pela casa adentro com a caixinha das ferramentas, só fico com vontade de lhes bater quando depois mandam a fatura.
Para que conste, há uma forma de abrir a porta das máquinas de lavar que funcionam como esta. É um dispositivo mecanico, dizem, lá algures do lado direito. O problema é encontrá-lo.

quando a frontalidade nao pode

Na quinta-feira, depois de ter passado horas a pensar em como me esquivar de nao ir ao encontro com a tia do Bola, ligo-lhe e explico-lhe que nao iria estar por cá. Ao que ela responde que sendo assim , talvez quiséssemos ir na sexta-feira, pois era quando comecava. Ora bem, eu nao sou contra este tipo de eventos. Simplesmente agora nao é a fase ideal para eu participar neles. A tia dele nao me estava a dar chance de eu lhe dar um fora. Liguei-lhe mais tarde e como ela nao atendeu, deixei uma mensagem de voz no atendedor de chamadas. Como mais tarde, me pareceu ter sido fácil de mais, assim como que meio à socapa, liguei ao Bola:
- Olá, como está o correr o teu dia? Bem, nao é? Entao, e se me fizesses um favor? Fazes, nao fazes, óptimo. Liga la por favor à tua tia, inventa que eu estou numa formacao, mas que nao queria deixar de lhe dizer que hoje nao posso/quero ir com ela. Por favor... prometo ir no fim-de-semana ver o Hellboy contigo ao cinema. Além de que a tia é tua.
Como eu sei que ele queria ir muito ver o Hellboy, tive de me servir disso para que ele ligasse à tia, pois com ele, ela nao ia tentar uma terceira alternativa. Chantagear ou fazer criar este tipo de condicionantes numa relacao é algo de que nao me gabo, por favor nao experimentem isto nas vossas casas. Porque por exemplo, voces pensam que ele se esqueceu do Hellboy, acham que vao passar um domingo maravilhoso em pijama a comer tacinhas de mousse de bolacha-maria no sofá, a ver os DVDs novos... até que ele diz O Hellboy é hoje às cinco. E com o hellboy, transforma-se tudo numa hellafternoon.

quarta-feira, outubro 15, 2008

casa com piscina

Estava aqui eu tao envolvida no Kenny Rogers e a rejubilar com mais um bonito tema, quando o Bola me aparece aqui ao lado, com a tia dele ao telefone que queria falar comigo. Pois, parece que vai haver um encontro só com mulheres no sábado, da igreja onde o marido dela era pastor quando eles moravam aqui. E agora, digam-me lá, o que é que eu vou fazer a um encontro com 100 mulheres, provavelmente todas housewives alemaes, ou seja, que nao trabalham e ocupam o tempo entre cursos de biscoitos de Natal e jardinagem, para abordar o tema a vida e os desejos nao preenchidos??? Enquanto a tia dele ia falando no quao maravilhosos sao estes encontros, eu dava-me pequenas estaladas e olhava para o espelho a perguntar-me a mim própria em silencio porque é que eu nao sou capaz de atirar um nao às pessoas e alinho nestas coisas que nao quero.
Os meus motivos sao simples, a minha igreja nao é a protestante, quando vejo grupos de mulheres assim organizados e sem pinta de testosterona dá-me medo, eu tenho horror a feministas. Houve uma fase em que até andava com alhos e crucifixos na carteira, caso me aparecesse alguma. Porque vampiros nao existem. Outro motivo é que eu detesto que me planeiem os fins-de-semana, gosto de os passar de forma espontanea, sem NADA planeado.
É uma questao de fases da vida. Eu ainda nao estou na fase de ir a encontros de 100 mulheres para falar dos meus desejos que ficaram por preencher. Nao me apetece. Passo a semana a trabalhar quase dez horas por dia. Porque é que eu ia querer passar o serao de sábado e aturar 100 mulheres em midlife crisis?
... e depois vai haver uma pequena palestra... e toda a gente leva um bolo....
Oico estas frases e a primeira coisa que me vem à cabeca é que nunca na vida essa palestra vai ser pequena e está-me a cheirar que já me estou a sentir empurrada para a cozinha.
Diz-me, meu Deus, és tu a testar-me? Achas que tenho falta de fé? Isto acontece-me tantas vezes, a empurrarem-me para fretes e eu sem saber como dizer um NAO daqueles enormes e com apenas um ponto final na frente, que só me resta desejar o que está no título do post. Pois há quem diga que gritar debaixo de água ajuda a eliminar frustracoes.

how the oldies save one's day

Hoje ouvi o Kenny Rogers na rádio. Sim, isso mesmo, o Kenny Rogers. E acho que isto já dá para ficarem com uma pequena ideia do que realmente faz vibrar as rádios alemas.E o meu carro. Porque quando passa pela enésima vez, o True Colours da Cindy Lauper (que ainda está nos tops alemaes desde há vinte e tres anos), eu abro o vidro e comeco aos gritos, na esperanca que alguém me salve. E entao hoje, com o Kenny Rogers, cantámos em uníssono a parte do ladyyyy youu love is the only love i need and insiiiiiiiiiide me is where i want you to beeeee.... Bem, esta música deixou-me tao histérica logo às oito da manha que eu fiquei mesmo fora de mim. Até decidi comprar o CD dele na amazon. Vejam bem o meu estado de delírio. Para quem nos quiser acompanhar, a mim e ao Ken, entao clique aí no play e puxe até mais ou menos dois minutos e trinta e cinco. Essa é a parte em que eu e o Ken entramos melhor em conjunto. Foi delirante. Eu ja nem queria ir trabalhar.


Já que estamos numa de Kenny Rogers assim de forma tao espontanea, tomem lá o meu hit que noutros tempos me fazia dancar com a vassoura. E, atencao, sei a letra de cor ainda. Fantastico.

terça-feira, outubro 14, 2008

bday

Como o Bola fazia anos, achei que ele devia escolher o programa para a tarde de hoje, após uma reaccao um pouco agressiva à minha sugestao de irmos passear ate ao Ikea. Achou escandaloso eu sugerir passar a tarde de aniversario dele no ikea, coisa que eu nao acho assim tao ridículo, afinal juntávamos o útil ao agradável: víamos os precos dos sofas, tomávamos um café à borla por conta do cartao Ikea Family e ainda comíamos uma fatia de apfelstrudel, com direito a molho de baunilha à descricao, que é como eu gosto. Um pedaco de oito centimetros de tarde inundado em meio litro de molho. A comida no País das Salsichas é toda uma #§$%&, portanto quando há algo de que eu gosto, entao como com prazer, ou seja, à alarve.
Bom, o plano ikea nao colou, acima de tudo, porqueo Bola ficou ainda mais indignado por eu usar as palavras ikea e passear na mesma frase, mas tambem porque eu trabalho a cinco minutos do maravilhoso armazem que só me tem dado dissabores, podendo la ir passear na minha hora do almoco. O Bola logo encontrou plano alternativo.
- Vamos ao cinema ver o Wall.e e depois jantar ao Meiers.
Apesar de ser perigoso ir ao cinema depois do trabalho, sem sequer uma meia hora de intervalo, concordei, afinal era o dia de aniversário dele e ultimamente, ele tem cedido a quase tudo o que eu peco. Concordou, por exemplo, para grande surpresa minha, em me ler numa de bedtime story, ou seja, eu escolho o livro e ele le para mim todas as noites um capítulo. (infelizmente, nao faz vozes, mas estou a trabalhar nesse sentido). Hoje no cinema foi perigoso, pois o Walle é muito giro, mas um pouco parado em alguns momentos, confesso que fechei os olhos naquela parte em que ele foi atras do seu amor. Mas foi por pouco tempo. Alguem me tinha dito que o Walle se despia e eu fiquei atenta.
E foi muito bonito, vimos o Walle na matiné, numa sala com mais 9 criancas e uma pessoa tetraplégica. Depois fomos jantar e viemos felizes para casa, com o Bola a dizer que os aniversários dele sao muito mais lindos desde que ele os partilha comigo. Bom, ele nao disse, mas pensou. Eu senti.

peso no coracao

Quando somos mais pequenos, nao nos interessamos muito pelas pessoas de idade, que cruelmente chamamos de velhos. Nas festas de aniversário, entao, nem nos interessa se elas lá estao. Queremos os amigos, as prendas e jogar às escondidas. No entanto, o que em tenra idade nao nos é ainda consciente, é o facto de essas pessoas de idade que nos povoam a casa em dia de festa, nos proporcionam uma infancia doce e nos preechem de uma tranquilidade e um bem-estar inexplicável, bem-estar esse que desaparece juntamente com elas, quando se vao sem nao mais voltar e nos damos conta do quao dói a sua ausencia.
Quando hoje os meus pais ligaram e deram os parabéns ao Bola, insistindo em lhe cantar os parabéns ao telefone, ainda o dueto deles nao ia a meio e eu já tinha os olhos inundados de lágrimas, por me parecer estar a ouvir a minha Tia Belmira e do meu Tio David, que em todos os aniversários me entravam pela casa adentro e cantavam afinadinhos os parabéns a voce. Noutra idade, ria-me, é que eles ficavam mesmo casticos enquanto cantavam, mais tarde já achava engracado e agora, que já cá nao os tenho e tanta falta me fazem, pergunto-me se algum dia noutra vida que nao esta, os voltarei a ouvir cantar os parabens a voce. Porque gostava mesmo muito. E cada vez que me lembro deles, pesa-me assim o coracao.

domingo, outubro 12, 2008

deixem a britney em paz

Vá, só para rir um pouco. Aqui. (nao consigo dormir, dá-me para isto)

sábado, outubro 11, 2008

kirschblueten

Pois bem, o meu trabalho não me tem proporcionado muito tempo para a vida pessoal durante a semana. Saio tarde e quando chego a casa, normalmente divido o meu tempo entre a cama, o sofá e a cozinha. Hoje passei a manhã a limpar a casa, enquanto fazendo papel de vítima ía dizendo ao Bola que se tivessemos uma empregada que só viesse uma vez por semana, talvez eu pudesse aproveitar melhor o fim-de-semana, em vez de andar de aspirador e esfregona na mão. Ora, em Portugal não é preciso ser-se rico para se ter uma empregada, ou no meu caso, mulher-a-dias (palavra que, aqui entre nós, sempre achei andar perto da prostituição). Aqui na Alemanha não se limpa por menos de dez euros à hora, quer-me parecer, e isso dá que pensar duas vezes. Portanto, parece-me que este assunto ainda tem de fermentar.
O que é facto, é que hoje assim que me livrei da esfregona, fui dar à perna, pois durante o Outono adoro andar na rua. O chão coberto de folhas, a paisagem transformada numa verdadeira aguarela do Bob Ross e as esplanadas cheias de gente enrolada nas mantas que hoje em dia todos os cafés vão colocando à disposição. Regensburg está muito perto de ser a cidade perfeita.
E por falar em perfeito, para os leitores que dominam o alemão, aqui fica a dica de um filme muito bom para ver ainda este Outono. Até o Lauro António daria cinco estrelas.

terça-feira, outubro 07, 2008

e assim foi

...quando dei por mim, estava-me a inscrever no ginásio. Eu e o Bola lá fomos no domingo para saber se hoje podíamos ir experimentar as máquinas. E hoje, lá andei a brincar nas maquinetas, agora um bocado os bracos, depois as pernas, agora andar de bicicleta e tal, que giro. Quando saí da bicicleta, tinha as pernas de tal forma dormentes que me ia espatifando no chao. Mas como uma lady que sou, recompus-me e lá fui com no meu melhor caminhar catwalk de volta para o balneário. O Michael, o meu personal trainer que me acompanhou hoje, é um gajo assim um bocado para o morcao, daqueles cuja massa cerebral nao foi pra cabeca mas sim para os biceps. Mas ficou todo contente quando se deu conta que em cinco minutos tinha fechado dois contratos de 250 € para treze meses. No início perguntava-me porque razao é que eu tinha decidido ir para o ginásio.
- Porque o meu partner quis vir e a mim nao me interessa nada que ela venha olhar para as miúdas encharcadas em suor enquanto fazem abdominais. Vai daí pensei, Minhoca, todos sabem do teu corpo de sereia, mas nao vás pela estética, vai pela saúde. E pronto, eis-me aqui.
O Michael faz o seu sorriso neutro, nao sabe mesmo se eu estou a falar a sério. Foi com esse mesmo sorriso que ele respondeu à minha pergunta posso mesmo ir para o solário nua?
Quem me conhece, sabe que eu nunca na vida entrarei num solário, mas é para andar informada.
Agora falta-me experimentar a aula de yoga e pilates. Ninguém me agarra.

sexta-feira, outubro 03, 2008

gomas para todos?

Isto de agora eu estalar a cada movimento que faço não dá muito jeito. E se eu quiser aparecer por trás do Bola, para lhe tapar os olhos e lhe dizer adivinha quem éééééé...., ao mesmo tempo que lhe esburaco os olhos como os meus dedos todos, como é? Ele vai-me ouvir chegar ainda antes de eu lhe ter tapado os olhos, de tal forma estalam os meus ossos. As minhas articulações. Ando com vontade de me atirar para o chão de propósito para ver o que acontece. Sinto-me como o Samuel L. Jackson no papel de Elijah Price no Unbreakable.

Os meus ossos estalam, os meus gases passeiam-se de forma bem sonora entre o meu peito e a minha bacia. Tornei-me numa pessoa pouco silenciosa.
Será isto um sinal para eu abusar da gelatina e das gomas?

taxi de serviço

Hoje festeja-se o dia da reunificacao alema e ainda bem que assim é. Se era para fazer deste dia um feriado, deviam ter derrubado o muro muito mais cedo. Estou sentada no lapetope, ou será mais apropriado dizer ao laptope, ja que não estou em cima dele...? Não interessa. No sofá, estão os meus sogros sentados a ver um filme. Os filhos deles foram todos para a crazy night e eu, como na verdade me sinto mentalmente mais próxima da idade deles do que da malta nova, fiquei também em casa, não deixando de oferecer porém, os meus serviços de táxi. Eu levo e vou buscar toda a gente. Eu e o Jason Mraz, que vai comigo no carro aos gritos, quanto mais não seja para dentro do meu carro poder fingir que ainda é Verão, para me esquecer dos dez graus (se tanto..) que já se fazem sentir lá fora. Para não acompanhar o grupo de oito pessoas, no qual se encontram namorados de uns e de outros e são tantos namorados, que ja nem sei quem é que é namorado de quem, tentei safar-me com o facto de eu ser preguiçosa e me deprimir quando noto que aqui nos bares, a média das idades ronda os 22 anos.
Como insistiam que os acompanhasse, invoquei tambem flatulencia e aí, como bons alemães que são, mais nada disseram. Olharem para mim constrangidos e dirigiram-se para a porta. Fizeram uma cara que parecia seres eles de repente, com a minha flatulencia, que nao me larga desde que comi aquele gratinado de couveflor há dois dias. Ontem fui buscar a namorada do meu cunhado à estação e sentia-me tão inchada que desapertei dois botões das calças não planeando mais sair do carro, facto de que só depois ter saído para dar aquele abraço alemão à minha cunhada, é que me apercebi.
São assim os alemães, não adianta tentar entender.
Ontem tive uma verdadeira sessão de culinária com a minha sogra. As coisas quer eu aprendi! Existem vários tipos de massa, nem todas as massas sao com farinha, açúcar e ovos. Alto aí. Um tipo de massa para cada necessidade. Fizemos juntas o bolo de aniversário do irmão do Bola, que faz hoje anos. Hoje tivemos uma sessão de decoração e até andámos a arrastar móveis. Mas não são os móveis o que mais despertou a minha atenção. Foram os métodos de fazer bolos da minha sogra. Nunca mais me vou esquecer daquele momento em que eu tentava desfazer os grumos da massa com a batedeira, e ela, olhando por cima dos óculos e com uma cara de quem me estaria a informar de uma doença incurável, me diz acho que não te vais livrar de amassar isso com as tuas mãos. Vai ter de ser. E foi. A minha sogra é o Dr.Oetker.

quarta-feira, outubro 01, 2008

o que me vai valendo é a xixa

Hoje comecei o meu dia a ouvir falar novamente na desgraca que está tudo em Portugal. A frase isto tá muito mau passou directamente para o primeiro lugar do top das frases mais ouvidas dos últimos seis meses. Uma pessoa vai de ferias a Portugal, quer um bocado de descontraccao e pensar no quao bonitas sao as palmeiras, no sabor de uma torrada de pao de forma comida num café, no cheiro maravilhoso da água salgada e pronto, em cada esquina lá vem um pessimista - sendo eu filha do maior deles - falar-me da actual situacao de crise. Epá, nao quero ouvir. Passem-me a seccao dos classificados do jornal ou aquela seccao onde as pessoas enviam propostas de casamento, ler a política ou a desgraca dos bancos americanos e europeus nao me apetece. Ainda na semana passada me preocupei com ja nao sei o que, e trás, lá estava no dia seguinte uma ruga na testa. Eu nao me posso dar ao luxo de me inquietar. Pela minha beleza.
E hoje foi uma das colegas dos escritorios de Portugal, com quem eu nao tenho contacto quase nenhum, pois eu trabalho com o Brasil, mas a colega achou olha, afinal há ali uma portuguesa camuflada, deixa-me lá alertá-la aqui para a situacao deste país à beira-mal plantado que também é o dela.
Portanto, venho pelo presente post declarar a taxa de um euro que cada um de voces vai passar a pagar a partir de AGORA de cada vez que me falar da crise.
A crise actual é nos meus ossos, que estalam por todo o lado e eu nem sei o que hei-de fazer. Se fosse só pele e osso, acho que um dia destes seria de esperar que eu me estatelasse no chao, assim ao caminhar numa passadeira. Ainda bem que sou fofinha.
E para terminar o assunto da crise, só me resta sugerir que procuremos a casa forte do Tio Patinhas. Porque lá que ela existe, existe. E com escadinha e prancha.

visitas recebem-se bem

Estou sozinha em casa. Ainda nao parei. Hoje chegam os meus sogros e o Bola foi esperá-los ao aeroporto. Eu fui às compras, cheguei a casa, pousei os sacos das compras e comecei aos gritos a perguntar-lhe se ele tinha aspirado a casa, como prometido. Fui directa para a cozinha preparar uma tarte para eles terem algo para comer quando chegarem, caso tenham fome, depois fui arranjar as camas onde eles vao dormir, limpei a casa-de-banho, dobrei a roupa, passei a esfregona pelo chao, arrumei o meu quarto e agora sentei-me com o meu copo de leite, em frente ao computador, onde ficarei os proximos quinze minutos. Tenho de receber bem os meus sogros, quanto mais nao seja para compensar a minha sogra pelo facto de há uns dias nas férias em Portugal, me ter desatado a rir à mesa (o Bola diz que eu até ronquei de riso) quando a minha sogra apareceu para o pequeno-almoco, queixando-se de ter dormido mal, ao que o Bola disseque ela de noite ouve tudo, inclusivamente a erva a crescer e os insectos a tossir. Pode parecer sem muita piada, mas para um gajo como o Bola, foi uma grande piada. E eu descontrolei-me. E parece que fui a única a rir assim. Ok, a rir de todo. É que eu tenho uma imaginacao extremamente grafica e a imagem de uma minhoquinha a tossir provocou-me um riso genuíno, daqueles que contribuem para aumentar a esperanca média de vida de todos aqueles que o esbocam.
Bom, agora para terminar a noite em beleza tenho duas opcoes, ou vou ali para a televisao ver um programa sobre lendeas ou vou para a cama matutar no porque de agora as minhas articulacoes todas estalarem a toda a hora e momento. Pronto, uma doenca nova. Chuif.
p.s. Tambem estou a ter uma crise de flatulencia, porque hoje almocei na cantina um gratinado de couve-flor e batata.

domingo, setembro 28, 2008

O messenger já era

Primeiro foi o Netmeeting, depois o mIRC e finalmente o Messenger. Raramente ligo o meu messenger, mas hoje, reparei que dos meus 56 contactos, nem um estava ligado. Digam-me lá, qual é agora o local de encontro?

domingo, setembro 21, 2008

a barriga pede e eu dou

Hoje o meu corpo rejubilou de alegria. Foi o dia em que comi tantas coisas pelas quais o meu corpo gritava há meses, que eu posso jurar que depois de broa de milho com chouriço, bôla de presunto, queijo, sopa de tomate e ovo, dois pastéis de nata e dois iogurtes de aromas Clesa, aproximei a cabeça da minha barriga e ouvi um não muito sonoro mas transparente obrigada!

estava a ser tão bom

Pronto. E diz que as minhas férias chegaram ao fim. Pelo menos, férias como eu as vejo. Amanhã vou para a costa Alentejana ter com o Bola, seus pais e irmãos. Como estar com alemães em Portugal, a morar com eles numa casa, é quase como estar na Alemanha, eu dou por terminadas as minhas férias inoficialmente. Pois, vou deixar de almoçar, de ir ao café, de estar em casas onde se fala muito, e de poder passar horas na praia. Em vez disso, vou acordar às nove da manhã, fazer passeios culturais (?) e jantar às seis da tarde. Como ainda estou um pouco traumatizada só perante a ideia, vou tentar esquecer-me deste tema e vou enterrar a cabeça na areia, como fazem as avestruzes. Aliás, vou pensar no momento em que decidi vir com os meus sogros de férias e fazer como o gajo que quando chega a casa carregado de sacos do Modelo, e vê o folheto do continente na caixa do correio. Marrar com a cabeça na parede, portanto.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Assim me alimento

Sinto-me como se tivesse rebobinado um filme para trás. O meu filme é o Outono e no País das Salsichas, já ia nas primeiras cenas. Vai daí, eu meto-me num avião da Tap, troco o País das Salsichas, pelo país onde o sol brilha sempre e sinto-me a desafiar o tempo. A rir-me dele e tomar-lhe vantagem. Toma lá que as folhas aqui ainda não caem. Aqui ainda nado no mar.
Aqui o Outono ainda não se sente, o sol brilha o dia todo e anda a malta toda ainda de havaianas e t-shirts sem alças. Não sou só eu que me encanto com isto, sou eu e todos os outros alemães que capto com o meu radar interior. Se houver alemães num raio de cem metros, eu apanho-os. Não é só a língua que o meu cérebro reconhece com as palavras mais simples, é a linguagem corporal, são os guias de Portugal na mão, as mochilas Deuter, alguns deles com Birkenstock nos pés mas acima de tudo, as caras de alemães que mais do nunca me são agora muito familiares. Hoje de manha, desci a rua de Cedofeita a arrastar a minha mala, mas com os olhos concetrados no acordar da invicta. Os estudantes a caminho da escola, os cafés a abrir, as senhoras da limpeza a lavarem lojas do lado de fora, o homem da lotaria, as montras das pastelarias já abastecidas com os maravilhosos croissants do Porto, para o dia inteiro. E sim, os melhores croissants do país, comem-se no Porto.
Depois do comprar o meu bilhete para a Régua, sentei-ne nas escadas da estação de S. Bento, uma estação que é uma verdadeira delícia para absorver, ouvir, ver, agora que sei que o meu hobby número 1 em Portugal é andar pelas ruas a observar e ouvir os transeuntes. Sentei-me virada para os táxis, numa das escadas onde eu não podia ser mergulhada ou atropelada pelas multidões que entram e saem da estação. Cruzei as pernas e ouvindo o Music dos the gift como som de fundo, que saía de dentro de um taxi, deixei-me ali estar, inspirada pelas conversas, bocas e vidas dos outros.

coisas de estar em casa

Mesmo sabendo que nao gostavas, enfiei o meu anel de rubi para te levar ao concerto que havia no rivoli... e ouvindo esta cancao, nao me posso sentir mais em Portugal. A menos que me apareca o Saúl Ricardo à frente. Vinha há dois dias no comboio distraída a ler e quando de repente e sem crescendo, a carruagem se enche com o som encantador da gaita de beiços do tu eras aquela, pousei o livro e dediquei-me a saborear as imagens que por uns instantes me povoaram os pensamentos. Umas menos felizes que outras, mas a verdade é que eu nunca consegui ficar triste por tempos indeterminados, percebi que o meu corpo e a minha mente sempre se aliaram para combater momentos mais amargos e passei a usar isso a meu favor, no sentido de apressar estes processos de dissolucao de tristezas por que todos passamos. Portanto, de todas as vezes que sinto uma tristeza asfixiante, que me traz sempre uma certa letargia e me põe a dormir dias sem fim, sei que tem tanto de deprimente como de rápido.
Estar em Portugal apura-me os sentidos. Oico mais, falo mais (?), cheiro mais, como mais. Sinto-me mais acordada. Com energia. Ou não fosse este sol que brilha todos os dias, um verdadeiro sonho.

Voltando à música, o anel de rubi para levar a gaja ao rivoli é uma tentativa um pouco forçada, ou nao? O traiçoeiro mundo das rimas...

quarta-feira, setembro 10, 2008

Teleféricos?

A claustrofobia é a fobia que se caracteriza pela aversão ao confinamento ou a lugares fechados. Pessoas com claustrofobia costumam evitar elevadores, trens ou comboios e aviões. A claustrofobia também pode se manifestar no meio de multidões.

Mas, o que eu achei de facto interessante é que há mesmo muitas fobias. Incluindo a fobia de pessoas estúpidas. E a fobia de fobias. Procurem a vossa.
Aqui ficam as minhas: Biofobia / Blennofobia /
Falacrofobia / Fronemofobia / Geliofobia / Gimnofobia / Homiclofobia / lalofobia / Megalofobia / Quifofobia

Fonte: Wikipedia


mais fobias

No fim-de-semana passado fui com o Bola para Garmisch-Partenkirchen, a sul de Munique, pois os pais dele estavam lá de passagem. Quem conhece, sabe que é uma zona bem bonita, até mesmo para pessoas nada amantes de montanha como eu. A época alta em Garmisch é quando há neve, pois para quem quer fazer ski, é do melhor que a Alemanha tem para oferecer. Portanto, camaradas, se o ski for a vossa onda, deixem-se de Franca ou Áustria e vao até Garmisch.
Mas o episódio que marcou esse fim-de-semana foi o meu ataque de claustrofobia, dentro de um teleférico no qual sofri dez longos minutos. Ora, eu entro no teleférico alienada do que me esperava, a gerir pensamentos assim será que com esta idade também já tenho medo de alturas? Quando o teleférico comecou a subir, comecei a ficar com calor, o sol a bater-me na cara e o teleférico todo fechado, com apenas um palmo aberto no tecto do qual mal entrava ar e que segundo os meus cálculos de pessoa extremamente fora de si, nao chegava para o meu nariz e boca simultaneamente no caso de me me comecar a faltar o ar. Enquanto os meus sogros e o Bola olhavam para baixo e diziam que lindo, que maravilha, que lindas que sao as montanhas, e os prados e as vaquinhas, nós devíamos era ter uma casa na montanha, olha ali ainda uma pontinha de neve..., eu tentava controlar a minha respiracao, de forma a que nenhum deles se apercebesse que eu estava no estado que normalmente, no meu caso, se antecede à hiperventilacao. Nao comecei a rezar, porque imagino que Deus tenha de facto que se preocupar com outros casos mais dramáticos do que o meu. Mas fixei um ponto lá num vale e aí concentrei os meus pensamentos, repetindo numa vozinha que só eu podia ouvir, que se for para morrer, que me mandem para uma camara de gás, mas nao assim. Até que mais ou menos a meio da viagem, decido olhar para cima para tentar descobrir quanto tempo mais ia durar o horror, e aí só me faltou saltar para o pescoco do meu sogro e gritar-lhe para ele fazer alguma coisa. O teleférico comecou a andar devagarinho, muito devagar e o sol a derreter a minha cara com a mesma rapidez com que derreteria um gelado. O controlo do nosso corpo está na mente, sim, tudo bem. Foi isso que me obrigou a recuperar algo que eu nao definiria como calma, mas o mais parecido possível. Entao, a respirar a um ritmo que já nao mais se assemelhava a uma mulher em trabalho de parto, mas talvez a uma mulher autista, perguntei ao Bola se o telemóvel dele tinha rede. Ele respondeu que nao e perguntou-me se eu estava com medo. A minha boca diz que nao, o meu corpo colado à parede do teleférico e os bracos a tocar naquele buraco minúsculo, o único buraco em contacto com o lado de fora. Entretanto chegámos e eu fiz o resto do passeio muito calada, à procura de uma forma de regressar lá baixo de outra forma, uma que nao pusesse em risco a minha ainda bem conservada sanidade mental. A pé. Com o meu pé já tao danificado. Nao tive outra opcao, desci novamente no teleférico a comer uma maçã e na palma da minha mao escrevinhei um numero de telefone para emergencias, que encontrei la assinalado na parede de um palheiro. E sorri várias vezes para as duas pessoas estranhas extra que fizeram connosco a viagem para baixo, já a imaginar que poderia ter de precisar do telemóvel delas.
E acho que um dia vou querer ser cremada, porque este sonho constante de que sou enterrada viva quase acaba comigo. Chuif. Só costumo acordar o chorar quando chega aquela parte em que o Bola diz,já de mao dada com outra lambisgóia: aaaah, eu achava que ela já nao respirava.

segunda-feira, setembro 08, 2008

o roque santeiro é que era

Se tinhas sete anos como eu e passaste dois meses em casa com varicela, sendo que o Roque Santeiro era a tua companhia, estes vídeos sao para ti, com direito a inscricao no clube de fans do Jose Wilker. Vamos lá a trazer esses eighties de volta.



que seja a ultima vez

Só volto a ir de férias em Setembro amarrada. Nao tem graca nenhuma. Já cheira a Outono, a cada dia que passa fica tudo mais castanho e o chao mais estaladico. Se eu ainda morasse em Coimbra, de certeza que o homem das castanhas já lá estava em frente ao Teatro Gil Vicente com o seu carrinho devidamente artilhado de fogareiro e folhas de jornal. Se eu ainda morasse em Coimbra, nesta altura estava com as trombas enfiadas nos livros, o que tendo em conta esta vida de responsabilidade que se seguiu aessa fase, talvez nao fosse assim tao mau. Na verdade, nao me importava muito de voltar atrás do tempo e ter algumas tardes a estudar no café, no parque ou na paragem de autocarro. O início das aulas sempre foi a minha altura do ano favorita. Bom, na segunda-feira vou a Coimbra matar saudades e uma destas vezes, vou mesmo a uma aula num dos anfiteatros, só por ir. Apetece-me tanto. E levantar a mao, participar muito.
A verdade é que o mes de Setembro é como que um mes para repor a euforia do Verao, para nos prepararmos física e mentalmente para a chegada dos meses frios. Setembro é para nos despedirmos devagar - nuns anos mais depressa do que noutros - dos meses de calor e para comecarmos a pensar em tardes no sofá, muito chazinho, meias grossas de la e pijamas forrados de malha polar. Setembro nao é para ir de férias. Setembro é para chegar de férias. Duma forma ou doutra, tenho sido empurrada para Setembro. E confesso que nao gosto. Setembro é o mes da separacao, é um mes de antecipacao do frio, no qual já sabe bem estar em casa. Em pantufas e a chorar baba e ranho a ver filmes da Danielle Steel ou aquele do doce Novembro, para o ranho ser muito. A comer os primeiros doces de Natal, já a abarrotar nos supermercados. Especialmente quando o Natal vai ser longe de casa pela primeira vez. Dá para trocar duas semanas de férias em Setembro por uma em Dezembro. Se for preciso, tambem dou uns cromos do Baywatch. Humpf.
E como esta vida sem música nao é nada, aqui fica um tema dedicado a esta nova estacao que chegou sem eu deixar. Para ouvir alto, com bons baixos e facam o favor de se deprimirem, que é mesmo para isso.

vem andar de elevador comigo

Apesar de as visitas ao meu blog terem descido desde que coloquei os maravilhosos videos da cris nicolotti, nao pensem voces que é caso para eu me deprimir. Sao estas cancoes libertadoras que me permitem trabalhar debaixo de um nível de stress imenso, com um sorriso candido, cantando. Stress ou estresse, pois parece que cada vez mais temos de nos render aos nossos irmaos. Eu rendo. Tanto rendo que para nao confundir as minhas colegas, quando vou fazer xixi, digo que vou ao banheiro.
O meu colega novo que tem pinta de nao fazer mais nada do que andar no engate, fala muito pouco portugues, mas o pouco que fala é portugues europeu e nao o brasileiro, o que me faz vibrar de alegria e deixa as minhas minhas colegas desconsoladas. Eu sorrio de lado, assim caladinha, pois nao quero dar azo para grandes confiancas com o marmelo, nao vá um dia destes ele abocanhar-me no elevador, e o meu rol de grandes beijos à socapa em elevadores nao é propriamente pequeno. Aliás, agora que tocámos neste tema que tanto faz saltar o meu coracao de minhoca, este casamento feliz no qual eu vivo desde há poucos anos, comecou assim tambem num elevador. Eu e o Bola descíamos várias vezes de elevador, morávamos numa residencia enorme de estudantes, com vários andares, razao pela qual nao era divertido nem animador ir pelas escadas. Além do mais, eu estava de pé engessado e há torturas melhores e mais eficazes do que andar com canadianos escada por escada.
Uma vez, calhou ir só eu e o Bola, a olharmos para os botoes dos vários andares, a falar provavelmente do tempo, e eis que ele num dos seus melhores momentos até hoje me deu um daqueles beijos estilo ventosa que ficam para a história e que poem o Clark Gable lá num canto. Eu já nao saí daquele elevador a mesma pessoa. Depois criou-se uma tradicao de ele me abocanhar sempre que iamos so os dois no elevador. Até ao andar em que entrasse mais alguém. A partir dessa altura passei a andar muito mais de elevador. Especialmente depois do dia em que numa aula, alguem me disse que eu tinha qualquer coisa escrita no gesso.

terça-feira, setembro 02, 2008

e chegou Setembro

Para meu horror, o Outono já chegou e só ontem é que dei por ele. Como dei por ele? Pois bem, vinha do video clube, onde fui entregar o DVD Amor em Tempos de Cólera, que foi uma grande desilusao e ao meter o troco na carteira, caiu-me uma moeda de um euro, que já só fui encontrar escondida debaixo de um manto de folhas secas, castanhas e estaladicas. Mais tarde, fui sacudir a toalha do jantar à janela e cheirou-me de novo a Outono. E eu sei muito bem a que cheiram as estacoes, eu até cheiro a neve.
Ora, nao me interpretem mal, eu adoro o Outono e opino que é a estacao mais bonita e mais romatica no País das Salsichas. Mas eu ainda nem tive as minhas férias do Verao, nao posso estar já a ver as folhas cair e a ir buscar as camisolas de la ao baú de Inverno, sem antes ter molhado os pés no mar! No trabalho, já recomecou a temporada do chá e quando regresso a casa, os carros já circulam com as luzes ligadas às seis da tarde. Deprimente.

De sexta a oito dias vou para Portugal, portanto será pedir muito para que o tempo espere por mim?

pequenas alegrias duma hipocondriaca

Esta sexta-feira vou de novo ao ortopedista, reviver aquela experiencia fantástica que foi ter um estranho másculo do sexo oposto, a massjar-me a planta do pé. Desta vez vou preparada, vou pintar as unhas dos pés de rosa choque e por perto do tornozelo uma daquelas tatuagens de tres dias que saem nas chiclas. Estou indecisa entre o Rei Leao e a puka. Claro que toda esta preparacao cai por terra e se verifica em vao, caso ele me volte a dizer que nao está a gostar do que está a ver, entenda-se do resultado do meu exame enfiada quase dentro de um tubo na clínica de radiologia.
Uma das coisas que me deixou a pensar foi o facto de ele ter tentado empurrar os meus dedos do pé para trás e como eles nao cederam grande coisa, ele ter dito que isso é um sinal de que o meu pé nao está bem. Facto é que o outro apresenta exactamente o mesmo resultado. Ontem à noite, tentei fazer isso aos pés de palhaco do Bola de tamanho 47 e ele tambem me disse que os pés dele nao faziam esse movimento. Das duas uma, ou para além de termos o mesmo anel na mao esquerda (tambem lhe saiu num ovo kinder), somos realmente almas gémeas, com os mesmos problemas físicos, ou entao, este ortopedista é um grande sonso, e entao quero lá eu saber que já tratou dos pés do Agassi, eu dou sim de frosques atrás de outro mais meigo e que se possível, me massaje os dois pés ao mesmo tempo.
Entretanto, a única questao que ainda está em aberto é a escolha do calcado para o dia da consulta. Chulé poderia estragar toda a química dum momento destes, em que o meu pé se transforma em massa de biscoitos e o médico vai amassando para por no tabuleiro.

radar ligado

Decidi usar o portátil do Bola, por ser aquele que estava ligado, mas está-me a parecer que com todas as mariquices que estou a ver por aqui, quase que mais valia deixar de ser preguicosa e ir pegar no meu. Alguem conhece uma mensagem do windows 'por favor nao faca tanta forca nas teclas'? Parece uma daquelas animacoes que recebemos por email, mas nao é. Até olhei para os lados, nao fosse alguem aqui a testar-me. Estou-me a preparar para daqui a pouco aparecer 'nao olhe tao fixamente para o monitor'. Ou 'faca uma pausa e vá buscar um magnum de amendoas ao congelador', 'desista dessa sua vida mundana e vá ajudar os países de terceiro mundo', etc. Isto hoje em dia é melhor a gente desconfiar de tudo. Eu nem gomas dos meus colegas aceito. E por falar em colegas...
Tenho um colega de trabalho novo. A minha colega de quem mais gosto vai embora e chegou ontem a pessoa que a vai substituir. Um marmelo de 26 anos, com ar de surfista e de quem nao faz mais nada do que andar na noite. Cabelo loiro puxado para trás à engatatao, olhos azuis cristalinos e uma boca que quando se rasga para mais um sorriso forcado, mostra uma impecável linha de dentes brancos, sem manchas nem defeitos daqueles que se adquirem na fase de crescimento. Ele é, de facto, muito simpático e como é simpático e giro, a combinacao dá para desconfiar. Ora, o James Blunt (é parecidíssimo, mas em giro) vai ter uma posicao superior à minha, mas apesar de nao ser o meu chefe, vai ser alguem com quem eu terei de trabalhar directamente. Há qualquer coisa de estranho nele. Eu tenho um radar implantado por detrás da orelha esquerda, que vibra quando é preciso tomar cuidado com alguem. Por essa razao, nao me incomoda mesmo nada que até agora eu seja a unica que ainda só lhe dedicou duas frases, sendo a primeira 'é um prazer' e a segunda 'podes por a tua comida no frigo, mas se nao queres que as tuas coisas desaparecam, nao comas o que nao é teu'.
Nao se pode confiar em gajos loiros e de olhos azuis. Essa licao ja eu aprendi há muito. Estou a pensar em amanha despenteá-lo todo para ver como ele reage.

vao ver a charlize



Nao consigo dormir, portanto estou numa de falar de cinema. Nas últimas semanas, vi alguns filmes dos quais recomendo o Hancock, por ser um bom filme de entretenimento, mas acima de tudo, para se poder apreciar a beleza da Charlize. Que foi o que eu fiz o filme quase todo, fixei os olhos na Charlize e nas maminhas dela e concluí uma vez mais que este mundo é muito injusto. Quando perguntei ao Bola se ela nao a acha quase sobrenatural, ele diz que ela é banal. Tao querido.
Depois tambem vi o KungFu Panda que nao tem a Charlize, mas que é igualmente bom. E vi, na semana passada o novo filme do Batman, que é fantástico.

Agora numa base mais cultural e porque a vida nao é só entretenimento, recomendo tambem todos os sketches to Ali G e do Borat que vi este fim-de-semana assim de uma só vez. Foi brutal, mas sinto-me menos ignorante.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Momento minhoca featuring baixaria - para cantar no trabalho

Partilho com voces o vídeo comigo irmaos, que ajuda a descarregar frustracoes e a transformar energia negativa em positiva. Foram as minhas colegas brasileiras que me apresentaram esta artista. Cantemos todos juntos!

p.s. eu era capaz de apostar dinheiro em como a artista é a Ágata, undercover.

*************************************************************************

RETOMAR AS RÉDEAS DA SUA VIDA NAS SUAS MAOS!

Este outro é um vídeo, talvez mais focado nas necessidades de todos nós, mais nuns dias que noutros, para quem está neste momento debaixo de um stress imenso e precisa de ajuda. Para todos vós, que nao se conseguem exprimir desta forma porque a vossa educacao de casa foi boa demais para tal, experimentem a versao nao mais edificante, mas mais melódica.
Aqui.

quarta-feira, agosto 27, 2008

ao que isto chegou

A noite passada sonhei com o Chris Martin. Eu dizia-lhe no sonho que a música nova deles, Coldplay, me lembrava o Natal, por causa do som dos sinos. Tenho um fraco por fotos destas, em que um gajo giro aparece a empurrar um carrinho ou com uma fralda ao ombro cheia de bolsado.
Tenho um fraco por fotos destas, pronto. A partir de agora é uma desgraca, babo-me a olhar para os bebés dos outros nas esplanadas. Que horror! Um par de estalos, alguem?


desportista

Ainda no tema da ressonancia magnética, deixem que vos conte algo engracado. Para quebrar um pouco a habitual onda de tristeza no blog. Ontem novamente, o médico que me analisou os resultados da ressonancia, perguntou-me, nao se pratico desporto, mas sim qual o desporto que eu pratico, o que me fez pensar. Passar a esfregona no chao conta? Já o ortopedista me tinha perguntado que tipo de desporto eu praticava, justificando depois que um tornozelo deste calibre só fica neste estado em pessoas que praticam desportos violentos. Ah, e nao do sexo feminino.
Falando no geral, claro.
Portanto vou preparar a minha resposta para a próxima vez. Estou indecisa entre ballet e futebol americano. Já treinei ontem em frente ao espelho a forma como vou perguntar ao médico, de lágrimas nos olhos, se com os anos posso perder a capacidade de fazer o pliet, e o que acha ele da espargata, que ainda é a única posicao na qual me encontro com o meu eu.
Outra coisa que aprendi com o exame de ontem é que nao nos devemos deixar intimidar por posters nos consultórios de médicos, clínicas, etc. com a palavra tumor em todas as suas variantes e escrita a letras grandes, especialmente quando estamos vulneráveis, só com metade da roupa vestida e sem os acessórios que normalmente determinam para estranhos que tipo de pessoas somos. Cinto, brincos, carteira, sapatos, etc. Pensem no Ali G, por exemplo. O Ali G sem o fato de treino amarelo, bijuteria e óculos de sol é um gajo como outro qualquer. Bem jeitoso, mas sem aquele je ne sais quois.

terça-feira, agosto 26, 2008

assim como que cruzados


Só me apetecia dizer mais duas coisas, que nao estao propriamente interligadas. Espero que nao haja problema. A primeira é que ando um bocado farta que me perguntem quantas medalhas ganhou Portugal nos Jogos Olímpicos. A segunda é o que é que eu achei dos jogos olímpicos. E ocorreu-me recentemente que tenho saudades da Luluzinha e do Richie Rich. Porque é que só se ressucitam os cartoons que nao teem piada nenhuma? E o Babar, qué dele?

ressonancia

Pois bem. Fui fazer uma ressonancia magnética ao meu pé. Como tenho tido trabalho até ao tutano, nem tive bem tempo de pensar ao que ía. Quando la cheguei, ainda a expirar como se me estivesse a preparar para parir devido à já tao típica corrida contra-relógio, deram-me uma folhinha A4, na qual vinha uma explicacao do que era uma ressonancia e algumas perguntas sobre mim, se estou gravida, se tenho doencas contagiosas, se tenho próteses, se tenho algum pedaco de metal escondido no corpo para alem da tesoura que deixaram na última operacao ao cérebro. Hmmm. Até que chega a pergunta que faz soar o alarme na minha cabeca, se sou claustrofóbica. Sou! Muito! Fiz um X do tamanho da folha em torno de siiiiiiiiiiim e comecei a rezar as oracoes mais longas que conheco para que no meu exame, nao me mandassem para dentro daquele túnel, como os MRI que o Dr. House faz aos seus pacientes para lhes ver os miolos ao milímetro.
Chamaram-me, e quando me sento com a folha na mao a olhar para a rapariga que me atendia, para me certificar que ela se apercebia do meu horror claustrofóbico, reparo que ela segura na mao uma injeccao com um tamanho que eu classificaria de 'para cavalo'. Um cilindro tao gordo como o gelado calipo e nao me perguntem porque pensei agora no calipo - é que nem eu sei. Tiro os meus olhos do meu X na parte de ser claustrofóbica e com o meu ar mais horrorizado e a abracar a minha mala, pergunto em tom de gracinha que se aquilo é para me alimentarem por eu me recusar a comer, nao é preciso. Dois lances de escadas abaixo fica um subway e eu estava a planear ir lá lanchar, depois do pesadelo. Ela explica-me que aquele líquido na seringa era para meinjectar bo braco, para aquilo acusar mais depressa no meu corpo a artrose, no caso de ela existir. Deixei-a picar-me, no entanto enviei logo de seguida e a escrever à velocidade da luz, uma sms ao Bola:
Se nao estiver em casa até seis horas, procura no centro radiologia. É porque me fizeram mal. Podes ficar com as jóias, o carro e a casa, mas não fiques com ele. E até as contas do banco, e a casa de campo, mas não fiques com ele.
(adivinhem o que ele respondeu, isso mesmo: Nada.)
Depois da injeccao letal ter actuado, fui para uma cabine da qual me mandaram sair em cuecas e camisa. Confesso que nao ia gostar de ver fotos minhas desse momento, mas a sorte é que as únicas fotos que se fazem no centro de radiologia sao do interior do nosso corpo e nao do exterior. Depois de a menina me ter garantido que eu só ia entrar no túnel da máquina até meio, larguei a gola dela e deixei-a sair, depois de me ter dito que eu ia ficar 15 minutos sozinha, que nao convinha mexer-me (15 min sem me mexer...ela nao me conhece mesmo) e que como se ia ouvir um som pouco agradável como se estivessemos nas obras nos momentos mais ruidosos, eu devia por uns auscultadores. Ela pos-me os auscultadores e deu-me para a mao uma coisa que eu nao sei bem que forma tinha, mas que me fez lembrar uma bomba que a minha mae tinha para tirar o leite do peito depois de ter tido a minha irma, ou uma pera ou, (cuidado com este) um testiculo fora do normal, assim pró comprido e murcho, e disse-me:
- Isto é uma campaínha, eu vou estar do outro lado, fora da sala a controlar o exame, se precisar de mim, é só apertar aqui que eu venho até aqui e trago-lhe uma taca com häagen dazs e 2 brownies. (nao foi bem isto, mas foi parecido)
Nao há nada como se por uma cruzinha a dizer que se é claustrofóbica, tratam-nos como se tivessemos mesmo um problema. E tenho...
Quando ela me disse isto, eu nao me controlei sem disfarcar bem o riso, perguntei-lhe so dos auscultadores eu ia ouvir as vozes. A cara dela foi o suficiente para eu ter passado o resto do exame animada e a fazer um esforco enorme para evitar as convulsoes do riso, de que eu gosto tanto e que sao uma das melhores coisas nesta vida.
Ao fim de 15 minutos, voltei para a minha cabine em cuecas, para me vestir e colocar no meu corpo todas aquelas coisas de que tive de me livrar antes de ali entrar, brincos, aneis, relogio, cinto... meu Deus, porque é que eu nao vivo na Amazónia, era tao menos simples e sem este metal todo. Depois achei que devia perguntar à mesma menina a quem perguntei pelas vozes, se ela tinha ficado com o meu aparelho dos dentes que nao uso. Mas tambem nao sou assim tao freaky, ok... nao se deve gozar com as pessoas. Especialmente com aquelas que andam com a nossa saúde nas maos.

domingo, agosto 24, 2008

ajudem a minhoca

Amigos, que empresas existem para alem da Hertz, Sixt, Europcar e companhia, que oferecam bons precos para alugar carros em Portugal? Nao há daquelas como aqui, que fazem publicidade no próprio carro, sendo portanto mais barato? Nao seria a primeira vez que eu andaria com um carro com as palavras Durex e prazer em letra grande... há que ter mente aberta!

minhoca goes popular

Ora bem, vamos lá a ver se eu consigo explicar. Hoje acordei com um colar preto com um coracao amarelo florescente pendurado ao pescoco, o cabelo despenteado mas com vestígios de ainda estar amarrado em duas trancas, duas bolinhas vermelhas desenhadas nas macas do rosto e um frasquinho de fazer bolinhas de sabao em cima da minha mesinha de cabeceira. Ao meu lado, na almofada está um pequeno elvis presley de plástico com uma camisa cinzenta, toda aberta. Sento-me na cama e olho para o vulto do lado, a rezar para que seja o Bola, pois com duas trancinhas e esse coracao amarelo ao pescoco, bom, eu ja nao sabia bem o que podia ter acontecido. Venham a uma Volksfest na Alemanha e vejam voces mesmos. Era o Bola, mas nao lhe perguntei nada, porque tive medo do hálito que podia acompanhar a resposta. Sim, porque o Bola ontem até em cima das mesas dancou. E caiu dez vezes, mas isso é um mero detalhe. Teve a sua beleza ve-lo a espatifar-se ao comprido, com o queixo no chao, mas com uma ginástica de bracos fantástica para apanhar a sua caneca de cerveja com o precioso líquido todo lá dentro. Até bati palmas.
Ontem foi uma alegria. Eu adoro festas populares. Aquela anonimidade, centenas de pessoas juntas numa tenda de cerveja a conviverem, a conversar sobre assuntos que nao interessam a ninguem e de que no dia seguinte já ninguém se lembra, mas toda a gente se diverte, canta e danca. E no Verao por aqui, sao festas atrás de festas. A um sábado de manha, basta levantar um pouco o nariz e seguir o rasto do cheiro a salsichas assadas. E fazer-se ao caminho.
É um fascínio para mim ver os alemaes a rir e a falar pelos cotovelos, por isso é que eu nunca perco a oportunidade de ir, mesmo quando tenho de ser eu a conduzir para lá chegarmos. Uma coisa que nao há em Portugal nas festas populares é uma banda que toca e canta, enquanto bebe ceveja e faz pequenos rituais com o público, tipo todos levantam as canecas ao mesmo tempo, dizem umas rezas e depois dois ou tres goles seguidos, isto a cada dez minutos. É engracado. E ao fim de várias horas é normal ver os alemaes todos descontrolados em cima dos bancos e das mesas aos saltos como se lhes tivessem dado à corda. Para eles o espectáculo é a banda, para mim, o espectáculo sao eles, isto intercalado pelas vezes em que o Bola cai ao chao, para trás ou para cima de alguem.
Mas viver na Alemanha e nao ir a festas populares é como ir ao Subway e nao comer um cookie. Ou ir a Portugal e nao comer na Portugália. Ou seja, muito má onda. (a minha onda até ir de férias é muito na base da comida)
Portanto, amigos e amigas do País das salsichas, procurem o calendário das festas e toca a corre-las todas. Vale a pena. Eu para o ano, vou fazer um Volksfest Sprint. Ninguém me vai agarrar.
Depois de um grande brainstorming centrado no meu estado quando me fui deitar, concluí que o coracao amarelo e o colar me saíram numa das barraquinhas de rifas, as bolinhas de sabao foi o premio de consolacao na barraquinha de dar tiros nuns patos de plástico. A irma do Bola diz que eu ainda me tinham calhado duas rosas, mas que as atirei para o palco enquanto gritava, armada em fan histérica, para o vocalista you are so hot (?). Pronto, é possível, nao digo que nao, pois estávamos com americanos. E eu achei-o giro, lá com aquele traje típico.
Só ainda nao consegui descobrir quem em fez as trancas. Estavam tao bonitas. E o pequeno Elvis?
Lembro-me ainda de andar de carrinhos de choque e ter andado a mostrar aos miúdos todos de aparelho nos dentes que lá andavam, como é que se anda de carrinhos de choque. Mas a volksfest valeu a pena pelo menos pelo algodao doce que comi novamente passados dez (?) anos.

sexta-feira, agosto 22, 2008

sábado que nao sabe a sábado

Alguem que me ajude e me esclareca porque é que quando a minha colega me perguntou se eu nao me importava de ir trabalhar amanha, eu nao disse que nao. É sexta-feira mas nem me posso sentir feliz por isso. Daqui a menos de uma hora, mergulho na cama e quando amanha me lembrar que é sábado, mas é como se nao fosse, vou desfazer os lencois às dentadas. E tinha planos tao bons para o dia de amanha... já me estava a ver em frente ao fogao a fazer panna cotta, a abrir a minha primeira vagem de baunilha, a fazer molho com framboesas. Vou trabalhar, porque sou uma pessoa consciente, o facto de o meu chefe regressar na segunda-feira com vontade de fazer muitas perguntas sobre papeis e números tambem tem alguma coisa a ver com isso.
Vou dormir na onda da frustracao, mas antes disso tenho de vos reencaminhar para um post giro, este.

quarta-feira, agosto 20, 2008

este copinho aqui

Ter de trabalhar no mes de Agosto é uma seca. Metade das pessoas aqui está de férias, mas no Brasil é uma época do ano como outra qualquer, é aliás, Inverno, e temos tanto trabalho como em qualquer outro mes. O meu telefone toca ininterruptamente a ponto de eu nao o atender e o deixar sem som por uma meia hora. Chegam as seis da tarde e eu olho lá para fora, com pena por ainda nao ter bem tudo pronto, para poder sair, ver o sol e vir para casa. Esta semana tem custado mais a passar, pois constipei-me no fim-de-semana e depois dos últimos tres dias, acredito vivamente que o meu corpo produz neste momento mais litros de ranho do que sangue ou H2O. O que me apetece mesmo a certas alturas do dia, é puxar todo o ranho para fora de mim, mas fazer isso é algo que eu só faria se tivesse a certeza que nao há ninguem num raio de 200 metros que me possa ouvir. Além do mais, uma dama nao escarra. Nem pronuncia palavra tao feia.
Durante estes dias, lembrei-me da altura em que eu e o Bola nos conhecemos e lembrei-me já várias vezes dos nossos tempos de companheiros de casa, quando eu fiquei pela primeira vez constipada. Ele trazia-me chazinho ao quarto e da primeira vez, trouxe-me a chávena com um chá que ele fazia sempre sem me dizer o sabor para eu (constipada que nem um peru, ou seja, sem paladar) adivinhar qual era, e um segundo copo vazio. Pos-me esse copo vazio na mesinha de cabeceira e disse-me, a olhar seriamente e se voces conhecessem o Bola daquela altura, saberiam que a frase que ele disse, que vem ja a seguir, nunca poderia ter sido uma piada:
- Este copo é para o ranho, quanto menos ranho o teu corpo tiver de expulsar, melhor, portanto cospe aqui tudo, para teu bem. (só faltou pedir para eu exemplificar na frente dele)
Lembro-me de enrolada nos cobertores e com estes puxados até às orelhas, a cena do copo me ter dado uma vontade enorme de me gregoriar toda. Mas ouvi caladinha, nao emiti um pio e pus umas canetas dentro do copo, para me distrair. E fixei-me nos chazinhos. E ainda hoje ele me traz chazinho à cama, desta feita nao com um copo a acompanhar mas uma caixa de lencos e uma revista intelectual das dele, para ver se é desta que eu me interesso pela política internacional (neverrrrr). Fiquei foi mais interessada em esperar que ele me trouxesse o próximo chá.
Eu preciso é de praia.

é para te comer melhor, minha netinha

Quando eu pensava que ter uma máquina secadora ia ser a solucao para quase todos os meus problemas relacionados com a tarefa doméstica que mais tempo me ocupa, eis que o Bola me mostra esticando os seus bracos, que afinal a secadora nao tem assim tanto de maravilhosa:
- Lavaste a minha sweat a 60 graus? Tá-me curta nos bracos!
Ao que eu respondi que nao, que ele devia ficar contente e nao de trombas, pois era sinal que ainda estava a crescer. E depois comecei a fazer algumas piadas e quase chorava de tanto rir pelo meio delas, tipo Bola, para que é que tens uns bracos tao grandes, é para me veres melhor?, ou a pedir para ele me ir buscar coisas que estao em prateleiras muito altas no supermercado. Depois disse-lhe que nao tinha de ficar complexado por ser braçudo, pois há meninos na escola que teem orelhas de abanador, ou nariz de papagaio, portanto ter bracos grandes nao é assim tao triste. É um dom. Além disso, quando eu tinha dez anos, passava na televisao uma série dum heroi que era o Plastic Man, os bracos dele esticavam e ele conseguia chegar a tudo. E eu achava o plastic man bem fixe. Quando crescesse, queria ser como o plastic man. Assim, tipo um tupperware com pernas.
É com muita alegria que constato que o meu Bola, que antes costumava ficar amuado com as minhas gracolas, desta vez, ouviu, riu-se assim como que a disfarcar e nao amuou como seria de esperar. Pois. Se nao és mais forte, junta-te a eles, já assim se diz, nao é verdade...o Bola agora pertence ao meu bando. Bola rocks.
foto daqui.

sábado, agosto 16, 2008

em planos


Daqui a exactamente meio ano conto estar por aqui. Aquela parte da 'mochila às costas' devia ser o Bola a brincar. Com aquele calorao e humidade e tendo eu um pé calcificado, certamente que era uma piada. Prometo fazer um diário de viajante e anotar com carinho todos os pormenores, inclusamente quantos indianos por dia já terei atirado contra a parede. (por serem chatos, e nao pelo bigode feio)

sexta-feira, agosto 15, 2008

fanhosa

No dia 15 de Agosto e eu com o aquecimento do carro ligado. Mas porque é que eu ainda me admiro? Gosto tanto daquelas noites tórridas de Verao em que abro as janelas todas... por causa destas mudancas de temperatura, estou constipada, com a garganta cheia de visco e a espirrar de vinte em vinte minutos. Como o Bola me tem dito que eu nao devo segurar os espirros porque ele leu na revista Maria, agora espirro em todas as direccoes, deixando o meu visco voar e aterrar onde calha. Algo me diz que este fim-de-semana vai ser passado entre o computador e a cama, mas apesar da garganta dorida, sempre é um fim-de-semana com descanso, sem o stress que tem sido o trabalho neste mes de Agosto.
Daqui a um mes vou passar duas semanas a Portugal, uma das quais será em Odeceixe, numa casa no meio do nada. A imagem romantica da minha pessoa a passar o serao deitada numa rede no jardim, onde só se ouvem os grilos, com uma caixa de pasteis de Belém dum lado e uma de ovos moles do outro, é o que me tem dado alento ao longo desta semana que acabou hoje.
No entanto, como a tosse é alguma e nao convem espirrar para cima do teclado, vou-me enfiar na cama tapada com dois edredóns, assim à homem, para transpirar todo o H2O do meu corpo e amanha acordar com a cama num estado nojento, mas eu fresca que nem uma alface.

segunda-feira, agosto 04, 2008

rúbrica tambem-se-aprende-no-blog

Para as amigas exiladas no país das salsichas... por muito que procurem por cá bom pao ralado, nunca vao encontrar. Portanto, recomenda-se que seja um dos itens a colocar na mala, sempre que regressam de férias da Terra Mae. Especialmente daquele com salsa e alho.
O pao ralado do país das salsichas lembra comida para galinhas, tenham cuidado.

domingo, agosto 03, 2008

deve ser da idade

A semana nao comecou da melhor maneira. Aliás, foi uma semana má, devo dizer. Segunda-feira, diz-me um daqueles médicos chatos - fan da sua própria voz - que eu paralelamente ao meu hipotirodismo, tenho tambem uma doenca chamada doenca de hashimoto. E num monólogo de quase dez minutos, sem pausas (muito longo) alertou-me para todos os males, esfregou-me o pescoco com gel e fotografou-o por dentro, que é algo que me deixa sempre um pouco de pé atrás, pois outra pessoa saber mais acerca do meu interior do que eu, nao me agrada.
Terca-feira, nova fotografia por dentro, mas desta feita do meu pé. Depois de entrar risonha pelo consultório adentro, diz-me o médico com cara de caso, que olhava de perto o meu raio-x, (quase tao perto que eu ir jurar que a penca tocava no monitor) franzindo a sobrancelha para a sua assistente:
- Isto que vi aqui nao me agrada nada, sabe...
É que a mim agrada-me bastante, estive para dizer, mas contive-me e sentei-me ainda risonha, contando ao pormenor o meu mal, sem antes perguntar quao podre está o meu pé por dentro.
- Sabe sotor, caí dum muro (coitadinha) ou será que por ser pra si, convem que eu diga 'saltei'? Pois bem, saltei do muro com os pés desnivelados, esqueci-me que ja nao tinha sete anos, mas quase mais 15 em cima e quando aterrei no chao, senti que uma nova era comecava comigo e com o meu pé. Volvidos sete anos, aqui estou eu, aleijadinha e a precisar da sua ajuda.

Salto para cima da marquesa, descalca, e o médico, que nao era de deitar fora mas que tambem nao entra na minha lista mental dos 10 homens mais belos do planeta para ver jogar volei na praia de fio dental, comeca a esfregar o meu pé direito, a carregar aqui e ali e eis que, depois de nova ecografia que o fez franzir ainda mais a testa, ele fecha o meu pé nas suas duas maos enormes quase como que acariciá-lo, e me diz com um ar tao candido isto provavelmente é para operar. Eu, em estado de transe absoluto e como que hipnotizada, pois até hoje achava eu que ninguem me podia tocar nos pés, respondo com a voz assim que sumida ai ééééé.... Engracado... As coisas que uma pessoa ouve. Só depois de ele me largar o pé, é que caí em mim e histérica perguntei quase no limiar do grito COMO? OPERADA? EU? Deve ser do calor, mas eu nao sou pessoa para ser operada, isso nao é a minha onda. Tenha paciencia, mas assim nao brinco mais. Foi um prazer, gostei da massagem, mas vou ter de me ir embora. Isto foi metade da minha semana. A segunda metade foi pautada pela história de ódio causada pela minha vizinha que me veio dizer à janela que eu nao podia montar a minha antena parabólica. Conto essa história depois de ter decidido como me vou vingar dela, se enchendo a caixa do correia dela de abelhas ou colocando óleo à saída do apartamento dela. Ainda nao consegui pensar em nada mau demais. Mas de certeza que chego lá.