Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca

terça-feira, março 24, 2009

Milano




Confissao: quando passei pela estacao central, fui ao local onde o Clive esteve só para poder sentir que já estive no mesmo metro quadrado do que ele. Nao contem a ninguem.

quarta-feira, março 18, 2009

medo

No sábado à noite, estávamos eu e o Bola deitados na nossa caminha na casa do Avo dele, no quartinho das águas-furtadas, sem sono, e à falta de melhor programa, porque somos conscientes da fronteira que o pijama de cada um representa, ficámos na conversa. Naquela posicao que sempre me fez sonhar nos meus tempos de teenager, pensando que um dia iria por a minha cabecinha no abdomen do homem com quem partilharia o leito e teríamos grandes conversas com a luz apagada.A dada altura, o Bola solta mesmo muitas, várias palavras em portugues, quase descontroladamente, deixando-me intrigada. Acendo o candeeiro. Sem pensar, avanco num tom acusador e provavelmente aterrorizado
- Pá, andas a ler o meu blog??
Ao que ele responde que nao (em portugues), mas após um longo silencio.
- Iu nao conieco tu blog, diz-me ele.
A verdade é que algumas das frases pré-primárias que ele proferiu incluem termos incluídos recentemente neste espaco à beira de fechar as suas portas. Agora que preciso de dinheiro para o dental care, preciso que o Bola pague as contas da casa, e nao dava jeito que ele se chateasse comigo por causa de meia dúzia de posts, nao é verdade?
Depois de um brainstorming na Língua de Camoes, ele terminou com 'Vai...' Eu bem esperei pela continuacao do vai... vai onde? Mas nao fui a lado nenhum, ele adormeceu. Eu adormeci também, mas depois de uma nota mental para apagar os cookies e o cache assim que chegasse a casa.

é tanto ar que acho que vou levantar voo

A dois dias de partir para Milao, estou com uma crise de flatulencia como nunca antes. Tudo o que eu sei é que em torno do meu umbigo estou a produzir muitos sons, quase tao altos que tenho medo que os meus colegas no trabalho se apercebam. Mesmo assim, nao foi isso que me afastou do frasco da manteiga de amendoim. Se calhar, nao devia. Mas pronto, é desta que vou por em pratica um dos meus maiores medos, que é ir a correr com as calcas na mao para a casa-de-banho minúscula do aviao, que até hoje consegui sempre evitar. Mas ficar a conhecer a casa-de-banho do aviao pode ter o seu que de divertido.
Divertido foi hoje outro momento no trabalho. Estava eu animada ao telefone a discutir com o Bola quem vai buscar o carro à oficina, mas eu tenho muito trabalho, mas eu tenho um simpósio, mas eu trabalho mais longe da oficina, mas quem anda com o carro és tu, mas tu és mulher e eles olham sempre para as tuas pernas, quando me dou conta que um vulto, aliás um colega, atrás de mim aguardava, com um sorriso, que eu terminasse o meu telefonema. At first I was afraid, I was petrified. Fecho a boca e tento disfarcar o meu horror. O meu colega parecia saído da capa de um disco de vinyl dos anos setenta. Cabelo à Bee Gees, bigodinho piroso à filme pornográfico barato e uns óculos que deviam estar num museu. Daqueles óculos que vemos nas fotografias dos nossos pais e vamos, lavadas em lágrimas de tanto rir, perguntar aos mesmos por que carga de água é que se lembraram se usar umas coisas tao pirosas como aquelas, na altura já saíriam brindes destes nas caixas dos corn flakes...? Eu confesso que nao ouvi nada do que ele me disse, pus o meu sorriso 14, que é aquele que uso para parecer simpática mas nao prestando a mínima atencao. Eu só me imaginava com este caramelo a cantar com os Abba, eu com uma fita na testa e uma poupa com gel à frente, ele de sapato branco com aquele cabelo pirosérrimo. Ou entao, nós os dois, no vídeo Penso em Ti, da Adelaide Ferreira.
Foi, de facto, surreal. God save the seventies.

Entretanto, depois da minha primeira ida ao dentista no país das salsichas, descobri que ou abro mesmo muito a carteira, ou um dia destes ando por aí desdentada, a nao me poder rir para ninguem se assustar com as minhas gengivas. E ainda bem que já tinha a viagem para Milao marcada, porque da forma como isto leva a crer, todas as minhas poupancas vao ser enterradas no dental care alemao. Ah, e vejo que temos aí um bocadito de paradontitis, mas nao faca essa cara, a culpa nao é sua. A escova de dentes nao chega a todo o lado, sabe?
Anormal. Estúpido. Eu odeio dentistas. E as minhocas, tanto quanto eu sei, nao teem dentes.

quinta-feira, março 12, 2009

de se lhe tirar o chapéu


Lolita - 1997
É um dos meus livros favoritos. O filme também. Vejo várias vezes, sem nunca me cansar. Aborda a pedofilia de uma forma crua, com a representacao brilhante tanto dela como dele.
O sex appeal da Dominique Swain com quinze anos, é soberbo.

Aqui fica a melhor cena do filme.

media markt, eu é que nao sou parva *

Há um mes atrás, na sexta-feira treze de Fevereiro, espetei o carro contra o muro que separa a oficina do Sven aqui da zona do Mcdonalds. Quando contei aos meus colegas, que estava distraída porque àquela hora (oito da manha) apetece-me sempre tanto um hamburguer, eles acreditaram.
Hoje, volvido um mes, esta sexta-feira fica marcada pelo dia em que M&M - Minhoca Maria, portanto - comprou o seu primeiro creme anti-rugas. Ah pois. A um ano de entrar nos trinta, há que comecar, nao vá a minha cara de repente, sem que eu me aperceba, ficar parecida com as azeitonas que comi ao jantar naquela foccacia de tomate e mozzarella. E como eu até aprecio alguns dos conselhos da minha sogra, optei pelo ácido hialurónico, que aparentemente promete milagres. Ela prometeu. Também passei a tomar silício organico, porque promete pele e cabelos mais bonitos. Quando a minha sogra promete, normalmente costuma ser para levar a sério. Isto se excluirmos aquela fase em que ela queria que eu tomasse ferro, porque ninguém podia dormir tanto como eu sem falta de ferro.
Sonho com o dia em que alguem me encontra na rua com o Bola e pergunta se eu sou a filha dele. Ou a amante nova. Ou a irma mais nova. Porque nao? Assim há nao tanto tempo como isso, e depois de uns copos de vinho, concluímos os dois que nao somos assim tao diferentes fisicamente. Ao fim da noite, ele deu-me um daqueles abracos de urso e disse anda cá ao mano.Ele até disse que tinha inveja dos meus gémeos. Eu ofereci para trocar de coxa com ele. E de abdomen.
Para mim, hoje já é sexta-feira. Amanha nao vou trabalhar. Tirei o dia para ir visitar as minhas colegas do antigo trabalho. Tenho saudades delas e já lá vai mais de um ano. Para nao dar este ar de fraca saudosa, disse aos meus actuais colegas que tirei o dia porque nao aguento mais que metade da empresa me ligue Ó Minhoca, tu es portuguesa, nao és... epá, ganda coça que voces levaram anteontem...
Além disso, de tarde tenho de estar em casa porque vem cá um empregado do Media Markt entregar a máquina de lavar loica nova. Já ali pus de parte a roupa malandra com que o vou receber. Quando ele chegar, com o seu macacao azul, vou convidá-lo a entrar e oferecer-lhe um café... sabe, só pra termos alguma loica suja para lavar depois, dá jeito, nao é... eu ja tenho isto tudo estudado.
Depois da máquina estar a trabalhar, convido-o para irmos ali para a marquise jogar à patela. Eu adoro a patela!

* nao é este o slogan piroso que teem em Portugal?

quarta-feira, março 11, 2009

acamada


Eu ontem estava no ponto alto da minha constipacao. Espirrava a cada dez minutos, tinha a cara toda encolhida, a caminhar para o desfigurado e depois de sair a correr da minha aula de ingles para ir para Munique, lá no fundo, eu sabia que só ia porque tinha bilhete, porque era um disparate dos grandes.
Mas realmente, quem o diz tem toda a razao, assistir a um jogo num estádio, tem qualquer coisa de mágico. Assim que entrei na Allianz Arena e vi toda a luz que reflectia do campo, entendi . No entanto, há que assistir ao jogo com um vínculo emocional, porque ir ver um jogo no qual tanto me dá quem venca, nao interessa. Nao me interpretem mal, quem me dera que o Sporting tivesse ganho, mas as expectativas nao era muitas. Ontem o resultado já se adivinhava feio. A juventude leonina marcou presenca em forca, mas nem assim. Na segunda parte apercebi-me de que tinha fans atrás de mim a torcer pelo Sporting, nao pude ignorar a direccao de onde vinham tantos caralhos. Ouvir um caralho na Alemanha também tem o seu que de mágico. Passo meses sem ouvir, mas quando oico, o que sinto é quase carinho e saudade. Entao, a combinacao caralho, fodasse, é um pérola e aproveitei para dar uma licao de semantica ao Bola, explicando que se é para dizer asneiras, entao há que dize-las juntas.
Mas essa foi mais uma das minhas intervencoes que lhe passaram ao lado, pois a cada poucos minutos, o Bola levantava-se e comecava aos gritos. Hoje está sem voz. Eu, por outro lado, estou com voz e bem máscula. Quando ele me telefonou, tentei assumir o papel de jovem marota das linhas telefónicas malandras, para ver se ele notava algo familiar, mas ele nao achou muita piada. Respondeu secamente sei lá se te pareces com elas, eu nunca ligo para esses números.
Estou estou em casa. Doi-me tudo e tenho frio. Ontem, nem de manta enrolada à volta do corpo o frio deixava de entrar. Um grau, com a pior combinacao meteorologica possivel, vento, chuva e frio. Passei mesmo frio.
Como já aqui disse, ficar em casa doente dá-me para o masoquismo, por isso estou a ver a Praca de Alegria e a perguntar-me porque é que deram um tiro no John Lennon e em outras figuras públicas tao preciosas e o Manuel Luís Goucha ainda continua por aí. Ele, a Maya e outros que tal. Porque?

segunda-feira, março 09, 2009

já tive melhores dias

Constipada até aos ossos. A minha cara fechou-se, os meus olhos parecem duas azeitonas brilhantes, daquelas já sem caroço, assim pró murcho. O meu nariz está vermelho e ressequido nos lados, em baixo húmido como o dos caes e com a ameaça constante de que é desta que os meus pingos chegam ao teclado, sem eu ter podido ser mais rápida que a própria sombra, como o Lucky Luke . Por essa razao, fiz dois tampoes de papel higiénico e enfiei-os pelo nariz acima, para prevenir esse mal, para proteger o teclado do computador, o livro, o Bola, o telecomando, enfim...
Como ficar assim frouxa me dá para ser masoquista, deixei em paz o Niels do karaoke que tenho vindo a postar aí em baixo e fui atrás do original Penso em ti, da Adelaide Ferreira. PAra descobrir um maravilhoso videoclip filmado na ilha de S. Miguel. Ora, venham daí ver comigo.
Entao, os meus comentários. O coro 'penso em ti, penso em ti' é fantástico. A Adelaide Ferreira nao sabia andar a cavalo em 1985. Eu também nao sei. Atrever-me-ia a dizer que nas gravacoes, ela caiu do cavalo, mas claro que essa parte nao teve direito a entrar no videoclip. As botas por cima das calcas já eram moda nos anos 80. É o que eu digo, a moda persegue-nos. Esperem pelos suspensórios, ando a falar neles há anos. No minuto1:30, quando a Adelaide entra pela porta do quarto adentro, confesso que sustive a respiracao. E pensei naquela mulher de branco que existia na telenovela Tieta. Nao consegui chegar à conclusao do que era mais horrível, os tres frascos de laca no cabelo dela ou os enchumaços, a tornar o corpo feminino quadradíssimo. Esse é um dos horrores dos anos 80. Eu nunca tive enchumaços, mas se hoje em dia voltassem a ser moda, punha-os no rabo, que é onde mais preciso deles. Ou pensam que as calcas da Salsa prometem alguma coisa?Nao se iludam, amigas. Antes de ficarem setenta euros mais pobres, comprem um rolo de papel higiénico do bom e almofadem o rabo. Mas tem de ser do bom!Porque só o bom é que nao deixa o nariz vermelho em tempos de constipacoes.

domingo, março 08, 2009

meu trauma ou dele?

Estávamos no Outono de 2003. Eu tinha vindo a Munique visitar o Bola, pouco tempo depois de ele ter chegado à conclusao de que nao podia viver sem mim. E eu, pronto, aceitei. Talvez ele tenha razao e nao esteja a exagerar, pensei para mim. Vim visitá-lo pela primeira vez no seu habitat. Conheci os pais dele e os irmaos, que aparentemente estavam muito curiosos em relacao à minha pessoa. E agradecidos. E surpresos. Passaram meses a questionar-se como seria eu.
Depois de uns dias muito bem passados, a passear, a andar a pé quilómetros, a ter um Bola sempre muito cuidadoso comigo, a vestir-me o casaco sempre que saímos para algum lado, por outro lado a despir-me o casaco sempre que... esqueci-me. Depois de uma semana em cheio, na véspera de eu me ir embora, fomos sair à noite com uns amigos dele. Como estávamos num Irish pub, em noite de karaoke, eu com a minha chantagem de que me ia embora e queria levar a recordacao dele a cantar para mim, quase o consegui convencer a cantar-me qualquer coisa. Os temas que eu queria nao lhe agradaram muito, ele nao estava virado para romantismo. Vai daí, já quase no final da noite, eu esgueirei-me ao palco para dar uma palavrinha ao mestre do karaoke. E foi assim que sem eu saber que me estava a preparar para viver o primeiro trauma dele comigo, ouvimos chamar no meio da multidao o nosso próximo artista é o Bola que vai cantar para a sua namorada que está de partida amanha, de regresso a Portugal. O Bola estava-se a rir lá num canto do balcao, à espera que lhe servissem mais uma cerveja, nem percebeu que era para ele. Quando o comecaram a empurrar para o palco, ele só perguntava alto eu? qual musica?eu sei a letra?eu nao sei a letra!!!! ponham lá isso, pronto. Nunca mais volto cá.
O que saiu dali foi um misto de horroroso com hilariante.
Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take
Ill be watching you...............
Só sei que há algures uma foto que eu perdi, da minha cara na altura do oh cant you seeeeeeeee, you belong to meeeeeeee... normalmente a foto explica tudo. Foi aí que eu percebi que ele nao tinha ritmo, que quando canta, o faz sempre num tom acima ou abaixo. HO RRI VEL. Amoroso, ao mesmo tempo. Só me ocorre, Meu Deus, ele nao sabe mesmo cantar. Este gajo nunca teria sobrevivido a catequese. E é algo que nao melhora com o tempo. Num concerto do Ben Harper, há 2 ou 3 anos, ele cantava-me ao ouvido uma das músicas e eu estava a ver que era desta que fazia xixi pelas pernas abaixo, por tanto ter de controlar os risos e os espasmos provocados por ele.

E desde o dia 7 de Outubro de 2003 que nunca mais ousei levá-lo ao karaoke. Pronto.

haja alegria

Na sexta-feira fui jantar com os meus sogros e eles ficaram todos a roçar o embriagado, excepto eu. Quer dizer, ainda está para chegar o dia em que me vou embriagar com sake. Tenho para mim que embriagar-me com bebidas quentes só traz desgraças, daquelas com um day after muito mau. Tenho um passado que fala por si. Glühwein e tal, blergggh, um nojo. Eu nao tenho pedal para os alemaes, confesso. Eles bebem como eu nunca vi. Quando a menina do restaurante apareceu com mais uma garrafa de nao sei o que, no final do jantar, era ver os olhos deles todos a reluzir, perante a curiosidade e excitacao de mais álcool e algo NOVO.
Entretanto, como eu sou uma nora porreira, tinha levado a minha sogra e cunhada de carro para o restaurante porque choviscava. O regresso, com elas as duas alegres, foi um bocado difícil.
- Nao precisas de esperar que o semáforo passe para verde! Anda lá, vamos ser umas fora-da-lei...
Especialmente porque a minha sogra, com um copito, fica assim pró alegre, muito engracada, até. Há um episódio recente, no qual ela conseguiu, à meia-noite, conduzir um automóvel com uma daquelas luzes azuis da polícia, ambulancias, etc, em cima do carro, com a estrada toda cortada só para ela. Mas isto é matéria confidencial. Mostra que talvez haja um pouco de verdade nisso de alguns homens procurarem no amor, uma parceira que tinha semelhancas com a Mae. A minha sogra com menos trinta anos, tinha grandes chances de ser a minha Marigreice.
Chegadas a casa, ainda liguei o computador e mostrei-lhes o Niels do vídeo do post anterior a este, e comecei a argumentar que se o amor do Bola por mim era assim tao grande, ele tambem me podia cantar uns temas em portugues, assim parecido com o Niels. Elas apoiaram, até porque naquele estado de euforia, comigo a encher-lhes mais um shot de schnapps, eles apoiariam qualquer coisa, até a minha sugestao para saltarmos da varanda ou de passearmos de gatas pelo quarteirao.
O Bola é que nao estava bebedolas q.b. para me proporcionar tamanha alegria.

Vai daí, decidi perseguir o Niels. E ja nao consigo viver sem ele.

sexta-feira, março 06, 2009

alemao canta em portugues, ah, valente!



Um grande beijinho para quem me deixou este vídeo na caixa dos comentários. É de rir às lágrimas. E de ter fantasias eróticas, a imaginar que um dia o Bola vai cantar assim para mim. Se a nossa história de karaoke nao contasse já com um trauma dele... mas a esperanca, essa, está lá!
Bom fim-de-semana. O meu já comecou em beleza, a tentar livrar-me em contra-relógio de todo o cotao acumulado esta semana, até à chegada da minha sogra.

quarta-feira, março 04, 2009

the international, o filme

Eu nunca achei muita piada as caras larocas que na minha juventude faziam as malucas da minha idade subir pelas paredes. Fazer-me subir pelas paredes, ou melhor dizendo, subir o meu beliche, era mesmo o Michael Jackson, quando eu tinha treze anos, e a minha cama forrada com fotografias dele e do nariz dele. Sim, porque neste blog, eu também exponho as minhas fraquezas. E tantas que sao elas.
A verdade é que é ridículo, com quase trinta anos, ir ao cinema pelo prazer de ver o Clive Owen com a sua voz verdadeira e em grande plano. Como acho que sei ser bastante crítica de mim mesma, foi assim que me dei conta da minha cara de anormal assim que o Clive apareceu do outro lado da rua, no ecran, em frente à Hauptbahnhof em Berlim. Um sorriso idiota - o meu - apoderou-se da minha cara e assim fiquei por um bocado, até me dar conta da parvoíce de me estar a derrerter perante algo que nem é real, que é ficcao e que estamos a falar dum homem que muito provavelmente dá puns e arrota que nem os outros. Depois pensei para mim: Minhoca da conceicao, se tu visses o Clive a fazer cocó com uma revista de automóveis no colo, nao ias gostar tanto dele. Mas nem assim.
Ele desconcerta-me. O Clive é a minha fraqueza. O David Fonseca ao pé disto é um menino.


Se o filme é bom? Epá, nao me perguntem, mas deve ter sido.

domingo, março 01, 2009

onde ficar no Gerês?

Apesar de ouvir os passarinhos de manha, enquanto ainda estou deitada na cama a pensar em tudo o que me espera no dia que ainda mal comecou, falta-me aquele ar morno que cheira a Primavera. O ar está menos frio, mas nao cheira a nada. Cheira ao café Senseo, que o Bola acabou de fazer, com muita espuma em cima. A máquinas Senseo aqui pegaram moda como o Nespresso pegou moda em Portugal, parece-me. Eu decidi que nao compensa comprar para nós, porque nós nao bebemos café espresso todos os dias. Eu habituei-me ao café longo dos alemaes, que mantenho na chávena para me aquecer as maos, habituei-me a jantar às seis e meia da tarde, a comer salsicha, a tirar os sapatos na minha casa e na dos outros, habituei-me a nao almocar de faca e garfo aos fins-de-semana e habituei-me ao típico brunch. Habituei-me a nao poder dormir até tarde aos fins-de-semana e a rematar aos jantares pesados com um schnapps de pêra. No meio de tanta habituacao (desejada e indesejada), ontem habituei-me a fazer a declaracao de impostos sozinha, porque eu bem sei o quanto me sairam do bolso os 200km por dia que percorri entre Fevereiro e Julho do ano passado. Vai daí, juntei-me ao rebanho, comprei o CD na internet que torna o suplício da declaracao de impostos em algo suportável e - deixem-me dizer - é afinal, relativamente simples. Fiz a minha declaracao e fiz a dele, concluindo que o próprio programa foi feito de uma forma conservadora, colocando o nome da primeira pessoa que faz em 'marido' e a segunda pessoa 'esposa'. A minha esposa, é portanto, o Bola. Espero que a pessoa chata das financas nao veja aí um problema.

Como estou num fim-de-semana em que a temática parece ser organizar, planear, etc, precisava de conselhos em relacao ao Parque Nacional da Peneda Gerês, onde pretendo ir passar uns dias em Junho. Onde ficar? Onde é lindo? Ajudem aí que eu, em contrapartida, deixo aqui ficar o endereco de muitos Bed & Breakfast lindos em Amsterdao.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Vende-se

bilhete para o jogo FC Bayern X Sporting, na Allianz Arena em Munique, dia 10 de Marco.
Depois dos cinco golos a zero do FCB o que é que eu vou fazer ao estádio no dia 10? Ficar rouca e rapar frio?

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

integracao

Confesso que uma vez por ano, dá-me uma vontade incontrolável de comer isto e aí ninguem me pára.
Seis salsichas acompanhadas de Sauerkraut, com mostarda. Garanto que sabe melhor do que aparenta.

nao irritem um brasileiro

Minhoca: Pois é, Maricleide, em Maio vou a Amsterdão , já te tinha dito?
M: Amsterdãoooo ?? Ai minina, voce só me faz dar risada! Amsterdão soa muito engracado. Isso só podia vir mesmo de um portugues... é Amsterdã que se fala!
Minhoca: Ah, mas antes disso ainda vou a Milã, cheguei-te a contar?
M: Mil
ã é Milão?
Minhoca: Não sei!! Diz-me tu. Queres um bocado do meu pã? Que horas sã? Entã?

A minha amiga Maricleide é um doce. Ela nao se chama Maricleide, eu apenas achei que para o post ter mais originalidade, devia ser com um nome mesmo brasileiro. Ou era esse ou Greice. Ou Wanderley. Estao no meu top 5. E com isto, arrisco-me a mais uns comentários de ódio de leitores brasileiros.

A Maricleide é a minha grande amiga no país das Salsichas. Daquelas amigas com quem rir, que nunca ficam chateadas, com quem dá vontade de estar. Quando eu quero irritar a Maricleide, comeco a falar muito rápido, a carregar nos 'ches', até que ela diz 'oi?' e eu respondo 'Oi, tudo bem?'. Em dias bons, isro repete-se umas vinte vezes.
Se a Maricleide fosse alema, nunca mais me falava.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

mail ao departamento, fresquinho

Queridos Colegas,

Ao longo de várias semanas, tenho vindo a reparar que alguns de voces (ou algum, pois um cacho inteiro pode pertencer a uma pessoa só - com alguma falta de magnésio) deixam as vossas bananas dias a fio no frigorífico. Ao fim de duas semanas estranhei; ao fim de tres contemplei esquecimento; a partir das cinco semanas passei a acreditar tratar-se de uma experiencia. Tipo o pé de feijao, que todos tivemos de acarinhar na segunda-classe, antes de nos prepararmos para treinar mais meia hora a perninha do B maiúsculo, em cadernos de duas linhas.
Por essa razao, ocorreu-me, num acto de solidariedade, escrever este email a relatar que eu própria também já fiz traquinices destas em casa, e muitas foram as bananas que sem o ser de origem (cof cof) acabaram por ser tornar pretas. Dias, semanas, meses. E a verdade é triste: de dentro da casca mole e malcheiroso nunca sai nada susceptível de emitir sons, com vida, portanto. Apenas matéria bananosa morta.
E eu nao gosto de estragar os sonhos de ninguém, muito menos quando estes se comprometem a ciencia, mas achei que talvez voces pudessem deixar as vossas bananas apodrecer em paz, longe das duas maiores prateleiras do nosso comum frigorífico. Ah, e metam a vossa loica na máquina. A vossa Mae nao trabalha aqui, pois nao?

Um grande abraco aqui do lado A vossa Minhoca

************** este email foi patrocinado pela Chiquita*********************

me truly madly deeply loves germans

Isto de encontrar alojamento em Amsterdão (ou já dizemos também Amsterdã?) nao está fácil. O meu limite dos 75€ por quarto já foi há muito esquecido. Por esse preco, só dava para dormir na rua, com direito a um jornal e um chá quente para me aquecer. Sem charrinho incluído.
Milão é mais fácil, é assim mais pró baratinho. Deve ser para a malta depois ter mais de sobra para gastar nos óculos de sol e nas Balenciagas.
Entretanto, vivi ontem um momento de grande polimento ao meu ego. Os meus alunos fizeram um discurso lindo de levar qualquer minhoca à beira-lágrima. Que gostam muito de mim, que sentiram que comigo aprenderam muito, gostam do meu estilo*, que teem muita pena que eu nao possa continuar a leccionar o nível deles e que é uma pena, mas que eu telefone, mande mail ou o pombo-correio, que faca até fumo mas que os avise quando eles poderem voltar a correr para os meus bracos. E um grande abraco me deram, e uma garrafa de champanhe para eu me embebedar um dia destes sozinha ao frio, lá fora, com este tempo de se me fazer enregelar o rabo. Para rematar tao belo momento, ofereceram-me algo que eu acho que sem fotografia nao vou conseguir descrever. Uma mini-lápide, portanto. Uma placa em vidro com uma frase bonita, com uma rosa gravada do lado. Em baixo duas velinhas coladas. A minha cara de tacho ao ver a prenda mais kitsch do mundo foi do mais falso que desta boca já saiu. E depois, os meus nervos em estar desperada por gritar aos risos histéricos ena pa, a minha lápide em maquete, quando eu ainda nao morri. Obrigada!
Acreditem. Custou a valer. Cheguei a casa e nem conseguia falar. Eles foram tao queridos e eu sem conseguir ver a beleza da prenda deles. Uma lágrima pediu para sair, nao de alegria, nao de tristeza, mas de histeria. Eu estava a viver um momento hilariante, mas tinha de me manter controlada. Tipo em funerais nao nos podermos rir.
Daqui a dois dias temos foto no blog, que isto assim escrito apenas, nao chega. Entretanto, o mote do blog continua. O meu amor pelos alemaes, porque eles sao queridos para mim.

* po-los a cantar o If I were a boy da Beyoncé para aprenderem as If-clauses, foi de mestre.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

e as férias

Depois de planear umas escapadelas curtas, patrocinadas pela generosidade mentirosa da Lufthansa no dia dos namorados, estou à caca de hotel simpático, em Milãao e Amsterdão*, até 75€ por quarto duplo. Alguém tem sugestoes? Nao estou interessada em hosteis povoados de gente com metade da minha idade que partilham o seu ar, puns e roncos numa camarata com 30 camas.

* só podiam ser destinos terminados em 'ão'.

sexta-feira 13

A neve voltou em forca, depois de nos ter dado uns largos dias de tréguas. E sai a Minhoca feliz e contente na sexta-feira para o trabalho, tentando fintar os semáforos, sem se lembrar que conduzir num solo com neve e gelo implica esquecer usar tanto os travoes, mesmo a 30km/h. E vai daí, naquela de fintar o semáforo, meto por atalho que coincide com a entrada dum mcdonalds, mas cujo chao esta literalmente escondido de gelo. E pronto. Ao fazer a curva, carro foge e antes que Minhoca pudesse abrir o vidro e gritar aos quatro ventos, ALGUEM QUE ME AJUDE QUE ESTOU A TER UM ACIDENTE, o acidente já tinha acontecido. A roda e a jante um pouco destruídas e o coracao a bater desalmadamente. Deixo o carro deslizar e saio, hesitante, para ver o resultado da minha azelhice. Grito algumas asneiradas em portugues, dou vários saltos no chao de fúria e mando um chuto no muro onde o carro acabou por bater. Depois apanho um táxi para ir ao encontro do Bola, para lhe arrancar o carro dele das maos. E a palavra arrancar foi mesmo a palavra verificada. A lógica do Bola é deste cabo to teu carro, agora vais esborrachar o meu.
Se fosse agora, talvez me tivesse sentado no Mcdonalds a tomar um café e a comer um cheeseburger primeiro. Mesmo antes das nove da manha. Humpf.

quem me manda um queijo?

Acabou-se a comida conforto, que é como dizer que acabou o queijo portugues. Cinco semanas (só?) após o meu regresso. Chuif. Ontem abocanhei com carinho pela última vez o ultimo mimo que preparei com Roggenbrot (pao de centeio), marmelada e queijo. Saboreei cada dentada. No final, o Bola viu-me tao triste, que me perguntou naquele tom bruto e à homem O QUÉ Q' S'PASSA. Ao que eu respondi, muito emocionada, Posso escolher agora o segundo nome do nosso filho que algum dia podemos vir a ter?
O Bola disse que sim, eu disse-lhe com o melhor sorriso de domingo: LIMIANO!!!!! Ou preferes
Rabaçal?

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Your bubblegum tongue

Há quinze anos atrás, tinha eu mais ou menos metade da idade que tenho hoje. Menos um, portanto. Saí de manha para a escola, provavelmente atrasada. Encontrei-o à minha espera no local habitual, onde me esperava regularmente desde há poucas semanas, com uma mochila com um tamanho desapropriado à idade. Eu nao usava mochila, porque no oitavo ano, eu era cool e andava com os livros na mao.
Mas hoje era diferente. Hoje ele aguardava que eu lhe respondesse a uma pergunta que me havia colocado no início da semana. Chegámos ao ponto divergente da rua, em que cada um segue rumo à sua escola. Eu para a minha, ele para a dele. E foi um daqueles momentos, no qual eu na altura já sabia que volvidos 15 anos por exemplo, eu nao me iria lembrar de muita coisa. Apenas do facto de ele continuar a falar comigo, mas eu estar perdida nos meus pensamentos, nao o ouvia, só via o sorriso dele e a boca a mexer-se, a adivinhar o momento que se seguia.Mal eu sabia que o chao estava prestes a desaparecer por debaixo das minhas Allstar vermelhas. Eu disse agora mesmo que sim, que gostava de ser namorada dele, ele agora vai-me querer dar um beijo, que nojo, porque, para que lado eu tenho mesmo de me virar, na catequese nao me ensinaram isto, eu devia ler a Bravo mais vezes, porque é que as minhas pernas nao páram de tremer, e fecho os meus olhos, claro que nao, tenho de ver se ele vai olhar para mim tambem.
Recordo que fechei os olhos e foi uma sensacao indescritível, eu devo ter levitado. Foi um belo primeiro beijo, dum rapaz por quem eu estava perdida de amor e que também parecia gostar de mim, que me fazia ficar com as palmas das maos escorregadias e sonhar com músicas parecidas com esta aqui*. Um braco em torno da minha cintura, o outro a segurar-me suavamente a nuca, com o polegar perto do lóbulo da minha orelha. Foi um beijo perfeito, suave, em nada endoscópico, com a duracao perfeita. Depois disso segui para a escola na minha charrete de nuvens cor-de-rosa aos lacinhos.

Acho que nao passou até hoje um 10 de Fevereiro no qual eu nao me lembrasse daquele beijo. E a verdade é que 15 anos depois, se me disserem que o Bola é parecido com ele, eu vou sempre dizer que nao, sabendo que é uma engracada coincidencia.
Nada substitui a candura do primeiro beijo. Nichts. A sério.

* adoro a parte do I'll use my hands e swim in a deep sea of blankets. Se me cantassem isto, eu ja nao estava aqui, garanto.

marmelada com queijo

Já havia vários factores que determinavam o meu triste destino todos os dias ao fim da tarde, em casa. Era o futebol, o sofá novo, o televisor novo. Enfim, o Bola tem tido o seu tao perfeitinho traseiro colado no sofá, estilo lapa. Entao, quando coloca ao seu alcance, comida, o telemóvel, a sua cerveja e o comando, aí o efeito lapa é desvastador. Ele nao sai dali. Um dia destes simulei um ataque epiléptico na cozinha e ele nao veio em meu socorro.
Mas quando a gente acha que a coisa nao pode piorar, é porque nao temos imaginacao suficiente, já assim diz o outro. E vai daí, depois de na semana passada, me ter mandado um mail assim:

- Nao achas um desperdício ter um Porsche e só poder andar com ele numa zona de 30km/h?

...Bolinha apareceu em casa , nao com um Porsche, mas sim com um leitor blu-ray debaixo do braco. Lá está, porque existe um documento por escrito, anexado à nossa papelada do cartório, que o proíbe de comprar uma playstation no seio deste casamento. Este email nao deixaria em nada adivinhar que tal situacao aconteceria, ou seja, a compra do leitor blu-ray. Além de que metáforas nao sao o forte do Bola. Nem metáforas nem outro tipo de recursos de estilo. Uma gaja costuma gostar duns eufemismos de vez em quando, da repeticao, da parábola e da elipse. Nada. Dali nao sai nada, só metáforas foleiras.
Portanto, companheiros, com o blu-ray player, ele comprou os dvds do PLANET EARTH da BBC, tambem blu-ray, que sao realmente maravilhosos, a imagem é um espanto e ele fica vidrado no televisor como se acreditasse por um momento que estivesse a nadar no meio dos peixinhos, a cacar com os crocodilos ou mesmo a rebolar neve abaixo com os ursos polares baby.
Eu é que me lixo. Como só consigo ver documentários ao fim de semana, faco o meu pao integral com marmelada e queijo (guloseima do momento) e venho-me aqui sentar a ler. A mensalidade da Tvcabo que vá pelo cano.

estilo que veio pra ficar

Os meus alunos curtem-me. Recebi um mail da coordenadora de cursos de línguas, a dar-me os parabens, por os meus alunos, tao fieis e preocupados por nao me poderem ter no próximo semestre, terem ligado para a escola na semana passada, a perguntar o que era preciso acontecer para que eles continuassem a ser meus alunos.
Realmente, há que dizer que tenho tido sorte com os grupos que me calham. Entendo-me muito bem com a malta toda, faco-os rir e eles já acham que sem mim nao podem mais viver. Mesmo tendo eu os meus ataques de riso incontroláveis de vez em quando, com a pronúncia deles.
O Bola tambem se tem portado bem. Nao tem comunicado comigo durante as manhas, pelo que posso depreender que ele assimilou cada palavra do meu discurso de tal forma, que quase fizemos história e transformámos isto num reflexo pavloviano.
Entretanto, esta semana está a ser difícil. A mesma colega parolona que nao sabe interpretar smileys, apareceu ontem com pestanas posticas. Ora, quando algo deste género acontece só num dia, a gente nao se pode precipitar. Estamos quase no Carnaval, quem sabe nao vai haver uma festa e ela decidiu vir mascarada de sevilhana malandra, ou algum dress code do qual ninguem me avisou? Mas hoje, terca-feira, tendo-me deparado com o equipamento dela digno de hipnose para quem a olha nos olhos, concluí que ela nao tem a nocao do ridículo. Mas o pior foi eu nao conseguir falar com ela sem pestanejar com forca. Entao, sempre que a dita cuja falava comigo, os meus olhos comecavam a pestanajar feitos doidos, assim com forca, como se eu fosse a Emília do Sítio do Picacau Amarelo. Foi superior a mim. Eu bem queria parar, mas nao consegui.Agora estou indecisa do que será mais piroso, se as pestanas ou os apliques de cabelo loiro. E acreditem, ainda a procissao vai no adro. Isto é a ponta dum grande e piroso iceberg. Tenho medo.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

not-a-morning person

- Bola, tenho de te dizer uma Coisa. (com C grande) Como já deves ter percebido, ao longo dos últimos cinco anos, eu nao sou uma pessoa muito feliz de manha cedo. Digo-te mais, porque imagino que ainda nao tenhas dado conta, quando me levanto, ainda nao abri os olhos, sou como um recém-nascido que se recusa a despedir do útero materno após o parto. Entao, dirijo-me para a casa-de-banho, de olhos fechados, faco xixi, lavo as maos, vou à cozinha tomar o meu Euthyrox e regresso para tomar banho, tudo de olhos fechados. Se tiver de abrir uma garrafa de água, ou seja, desenroscar a tampa, há dias em que nao consigo, pois de manha nunca tenho forca nem nas maos, nem nas pernas, nem em nada. Toda a minha forca está na cama. Tipo o Sansao e o cabelo antes de a Dalila lho ter cortado, sabes? Sinto-me doente por ter de acordar. Custa-me, pronto. Portanto, eu peco-te, ou melhor, eu ordeno-te que desistas de qualquer tentativa de comunicacao comigo durante essa fase difícil do meu dia. Isso significa que a partir de hoje, nao irás, jamais, enfiar a tua mao pelo meu edredon adentro em busca de calor humano. Nao vais falar comigo, vais ignorar que partilhamos a mesma cama. Vais-me deixar dormir até ao meu limite. Nao vais invadir o lado de dentro do meu pijama, nem mesmo se tiver caído qualquer coisa lá para dentro, moedas, lencos de papel ou migalhas do pao. Vais aceitar se eu comecar aos gritos e a insultar-te e nao irás questionar nada, muito menos o porque de eu nao cumprir as minhas obrigacoes matrimoniais. Porque de manha eu sou um vegetal, quero continuar a se-lo e nao havera sentimentos de culpa a pairar no ar. Porque a esta hora matutina, a única coisa forte suficiente para pairar no ar sao gases.
Podes ir em paz. Amen.

Hoje foi o dia. Já vinha a ameacar há várias semanas, para nao dizer meses.
Sem abrir os olhos e deitada de barriga para cima, às sete da manha, sai-me o seguinte belo e muito aplaudido (por mim mesma) discurso. Destes, nao faz o Obama (discursos, entenda-se... cof cof)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

... e o slip do vizinho

Isto de ser casada com um gajo que papa tudo o que é futebol, é realmente chato. Eu devia ter pensado nisto antes de ter pronunciado o meu sim. Se forem dias em que jogam equipas menos importantes, pronto, ainda dá para mudar de canal no intervalo, falar com ele sobre o que vamos fazer amanha e mesmo deitar o meu encéfalo no seu colinho. Agora, em dias em que joga o FC Bayern, especialmente quando está a perder, é impensável eu penetrar uma área que comporte menos de dez metros do sofá. O Bola assiste, com os olhos raiados ao jogo, insulta a televisao, grita, esperneia, arranha a cara, salta, enfim, é um drama do qual convém eu manter-me afastada. Já aconteceu eu estar ao telefone com alguem, num outro quarto, e o meu interlocutor achar que o Bola me estava a bater. Só para verem.
E depois ainda empurro o cestinho da roupa que recolhi do estendal e digo assim a medo, a gaguejar
- Pod...dias pelo me...menos dobrar umas meias ou umas cu..cuecas... até que ele desata a gritar de novo e eu concluo que dobrar 50 meias pretas todas iguais e as minhas cuecas, é algo que o Bola quando faz, faz obrigado, portanto em dias de futebol sugerir que ele se pode entreter assim é o equivalente a sugerir que no próximo fds podíamos ir a Marte. Mas nunca mencionem isto de ele dobrar roupa interior em frente ao televisor, tenho pra mim que é algo de que ele se envergonha. Um dia destes, tocou o vizinho de cima à porta - que é um pao e nao usa boxers, mas sim slip - e quando eu o convidei para entrar, estava o Bola sentadinho no sofá com tres montinhos de cuecas minhas mal e porcamente dobradas, mas o que conta é a intencao. Foi hilariante ve-lo empurrar os montinhos para debaixo das almofadas e depois por o cesto ao meu lado, como que a mostrar que quem dobra roupa sou eu. Ele é muito homem.
Portanto, digam-me, companheiros, voltando ao tema inicial de queixume, de que me adianta ter um televisor moderno, quando o futebol me anula as noites em que poderia aninar nas almofadas e emocionar-me com o Dr. Phil, e além disso, tenho um televisor que oferece uma qualidade estupenda, à qual o sinal da tv cabo por satélite nao corresponde. De que adianta? Full HD para que? 42 polegadas para que? 100 megahertz para que?

Um dia destes conto como descobri que o meu vizinho usa slip, um cuecao cinzento e tao fininho que de certeza que já o usa desde a escola primária. O que me faz pensar. Mas nao espalhem por aí, ninguem sabe que eu sei. ssshhhhh.

bricolage

Foi a primeira vez que preguei um prego, passo o pleonasmo, portanto acho que este momento deve ficar registado. Peguei no martelo, pus o prego, montei o relógio e fiz a minha cozinha muito mais feliz. Até porque em dias de futebol, tenho de me entreter com alguma coisa...

disto nunca se tem muito


Esta foto é dedicada à Amante Portuguesa. Sempre que olho para a confusao que reina no meu armário dos tamparoleres*, lembro-me dela, e da minha boca aberta e a salivar quando ela contava acerca daquela noite, em que nao conseguia dormir e assim, vai daí, decide ir arrumar o seu armário dos tamparoleres* às tantas da manha, cada um com a sua tampa. Nao foi querida?
Como eu sei que ela nao estava a gozar, primeiro fiquei incrédula, mas depois preocupada.
Ora, quando vejo o meu armário neste estado, em que até tenho medo de tirar uma tampa, nao vá o meu castelo de cartas cair todo, penso nela. Com carinho. Especialmente às quatro da madrugada.

* depois de uma pesquisa efectuada em 48 pessoas, concluo que apenas 8 souberam escrever a palavra tupperware de forma acertada. Quatro dessas pessoas tinham conhecimentos de alemao. O resto nao andou muito longe disto.

terça-feira, janeiro 27, 2009

único momento lúdico de hoje

Durante a manha, na cozinha, encontro-me com uma colega que estava cortar fruta aos quadradinhos. Eu, a fazer o meu chá Tetley 'mais energia'.
Ela: Entao, tá tudo?
Eu: Epá, mais ou menos, estou mesmo a precisar dum chazinho para ver se acalmo. Sabes, esta manha, nao tinha leite no frigorífico, agarrei na única coisa que tinha à mao para beber, que era vinho branco. Sinto-me um bocado a levitar...

A cara dela. A boca aberta. E os meus risos com roncos.Estas sao as pequenas coisas que justificam a alegria de ter um emprego. Os colegas e as suas reaccoes.
Entretanto, acho que vou dormir que o meu dia hoje foi desinteressante. E nao consigo ouvir mais o Bola a falar na qualidade dos leitores blue-ray e no porque de os televisores LCD serem melhores que os Plasmas. Acho, aliás, que se agora tivéssemos um filho, a primeira sugestao para o nome ia ser Blue-ray. Blue do processo de nascimento. Ray porque Raimundo é um nome sugestivo.

e pensar que já fui a Leiria por causa dele

A noite passada sonhei com o David Fonseca. É nesta parte que alguns dos visitantes abandonam o blog, pensando, é para esta porcaria que eu aqui venho..., vou voltar para o blog do Pacheco Pereira. Vá, saiam, mas de mansinho para nao perturbar. Entao, o David estava sentado no meu sofá country e estávamos a apertar a ponta do nariz um do outro, a brincar ao o-meu-nariz-é-mais-mole-do-que-o-teu. Para quem nao sabe, a minha cartilagem no nariz dá de si, com o passar dos anos isto vai ficando pior, eu acredito mesmo que daqui a cinco anos será possível pressionar de tal forma o meu nariz, a ponto de este se afundar pela minha cara adentro, passando eu a ter semelhancas com o gajo do homem-elefante.
Eu estava deitada com a minha cabeca no colo dele e ele ia-me fazendo festinhas no cabelo. Aproveito para dizer às meninas que ainda nao encontraram a sua soulmate, para darem especial relevo ao facto de essa soulmate saber festinhas no cabelo. É importante, uma mais-valia. Bom, para terminar esta história que nada tem de picante, o David depois foi embora e disse-me que nos víamos amanha no ginásio (?). Hoje nao fui ao ginásio. Tenho medo das visoes. Em vez disso, saquei um vídeo do David na internet e confesso que ao olhar para aquele nariz, foi mesmo como se ja nos conhecessemos. (suspiro...)

hieróglifos

Hoje, respondi a um email de uma colega de quem nao gosto muito, com um smiley. Ela tinha-me agradecido por qualquer coisa. Ah, por eu respirar, ja sei. Ela veio até à minha mesa perguntar o significado daqueles sinais. Eu nao percebi. Mas afinal quem nao percebeu mesmo foi ela. E sem sarcasmo, sem ironia. Ela nao entendeu isto (depois da seta) ---> :)
Ali estava eu, enterrada na minha cadeira, a combater o sono daquela hora perigosa - entre as duas e as tres - fazendo minhocas com clips, enquanto bebericava o meu cappuccino, quando me aparece esta saloia com a missao de me obrigar a pensar.
Depois de ela se ter ido embora, fiquei a pensar que quando se tem um cérebro do tamanho duma caganita de gaivota, realmente, nao se pode esperar mais. Mas engracado de me fazer chegar quase aos roncos de riso (ultimamente, dá-me para isto, qualquer dia comeco a espumar pela boca de tanto rir), foi quando em tom de agravada irritacao por entretanto muitos dos meus colegas se terem erguido das secretárias, movidos pela incredulidade, ela atira:
- Desculpa lá eu nao dominar esssa linguagem de telemóveis e chats, eu sou uma mulher casada e preocupo-me com cozinhar essas coisas, nao tenho tempo para me dedicar a aprender esses hieróglifos.
Passou-me o sono, juro. Amanha vou baralhá-la, vou-lhe mandar um mais difícil ---> :-)
(com nariz, portanto)
É nestas alturas que penso no que a minha Mae me dizia, que nao se deve brincar com características dos outros, que eles nao podem mudar. Eu sei, Mae, eu sei.

sábado, janeiro 24, 2009

criatividade a todos os níveis

Realmente nao me tenho chegado muito perto da cozinha nestes últimos dias, mas o que interessa é que quando chego, faco algo digno de bater palmas. Portanto, hoje, depois desta minha salada inventada, parei a olhar para o prato e comecei a bater palmas a mim mesma.
Pode, na verdade, parecer um pouco murcha, porque o Bola chegou a tempo de a tentar afogar em azeite e vinagre balsamico, mas só vos digo que a combinacao anda muito perto da perfeicao.
Ingredientes: alface, alcachofra, salame, mozzarella, azeitonas, tomate-cereja.
Para acompanhar: bruschetta em ciabatta de azeitonas, bem regadinha com azeite, tomate cortado aos cubinhos e, depois de vir crocante do forne, embelezada com lascas de parmesao e rúcola. Um copinho de tinto e nao me digam mais nada. O Jamie Oliver se visse isto, convidava-me já para colaborar no programa dele.

na seccao da fruta no supermercado

tirada por mim. Num supermercado assim é que dá gosto comprar.
Entretanto, hoje o Bola ofereceu-me um espremedor de citrinos elétrico. Dizendo, claro, que agora aos fins-de-semana eu estou responsável pelo sumo. Claro, mas depois do meio-dia.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

a melhor definicao é o título



roubado doutro blog.

love is...

- Bola, obrigada pelo espremedor de citrinos novo!
- O que? Esprem....#*!!$

- Sim, bola, e a máquina de fazer pipocas que comprei depois do fato de fada para o Carnaval.

- Pip...
fada ou fod...*#*&%$?!?!?!?!?!?!?
- Bola, e pelo bule do Snoopy cor-de-rosa. O casamento é isto mesmo e ainda bem que percebeste. O gajo ceder amigavelmente os seus dados do cartao de credito ao seu amor. Um bem-hajas. Estou agora a ver se encontro umas cuecas com 'Obama forever' estampado. Também queres? É que com a libra tao baixa, isto tem mesmo de ser.

terça-feira, janeiro 20, 2009

obamar, esse verbo

Estou sozinha em casa esta semana. Pois, agora já deve fazer sentido para muitos porque é que me fui ontem enfiar no ginásio. Hoje fui-me enfiar na aula de terca. Tenho lá um gajo no curso, que todas as semanas provoca em mim um sentimento constante e repetido: olho para a cabeca dele, assim grande e quadrada como a do Johnny Bravo e depois olho para o apagador do quadro. E apetece-me fazer pontaria. Gajo chato. Cada vez que fala, engole metade das sílabas e o resto eu que me arranje e descubra o que ele está a tentar dizer. Quando eu lhe dou a explicacao daquilo que acho que foi a pergunta, ele deve chegar à conclusao que nao era nada disso, fecha o livro, cruza os bracos e incha as bochechas. Palerma. Qualquer dia, espero que a aula acabe e quando ele já for lá fora, atiro-lhe mesmo com o apagador. Tenho a certeza que depois disso, eu até vou dormir melhor.
Até me ir deitar, tenho várias opcoes. Comer a minha sopa de ervilhas de estalar, assim devagar enquando folheio a publicidade dos supermercados que me empurram para dentro da caixa do correio quase dia sim, dia nao. Posso fazer compras online e usar os dados do cartao de crédito do Bola, que ele me deu ontem por telefone. Acho que ia ser giro ele receber o extracto e ver lá máquina de fazer pipocas e máquina automática de espremer citrinos. Acho quze até o gajo com menos humor à face da terra ia achar piada. Posso ver o Tubarao IV, de 1987, a passar agora no canal Hollywood, pois adivinha-se bom. Em 1987 tinha eu 7 anos, de certeza que nao me deixaram ver. Devia ser por causa daquela parte em que a namorada do filho da protagonista, deitada na cama, tira as cuecas e depois faz com elas uma fisga e atira para a cara do jovem. Ver coisas destas com 7 anos pode ser perigoso. Depois uma pessoa atinge a maioridade e a coisa descamba. Posso vir pra net os vídeos da tomada de posse do Obama, e por falar em posse, ali está um homem capaz de possuir muita coisa. Tao giro, pá. E nao há nada mais sexy num homem que sabe projectar a voz, eloquente, que nao deixa ninguem fazer os seus discursos fazendo-os ele próprio, a lápis de carvao. Posso fazer o meu saco de água quente e refastelar-me so sofá a ver televisao, a rir-me com os alertas vermelhos que sao dados a conhecer nos telejornais portugueses. Posso fazer uma composicao numa folha A4, com o tema 'A Crise'. Sim, porque a Crise ganhou há pouco tempo o C maiúsculo. Há uns meses, nao tinha, nao sei se repararam. Ou talvez vá para o quarto, agarrar na almofada do Bola e abraca-la, como se lhe dissesse que sinto saudades dele, mesmo que sendo só por uns dias e que é estranho estar em casa e nao sentir aquela sensacao que estou a quebrar alguma regra ou a fazer um disparate. Até a manta do sofá eu dobro, janto à mesa e nao ando de botas em casa. Só para o caso de ele aparecer assim de surpresa. E neste registo muito cheesy e deprimente, me faco ao caminho para o sofá.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

um pouco de desporto

Quem é que comprou bilhetes para o jogo de futebol do FC Bayern contra o Sporting Clube de Portugal? Isso mesmo. No dia 10 de Marco vou gritar até os pulmoes me saltarem pela boca fora Spooooooooorting, espero nao levar porrada. Se eu depois desta data nunca mais postar, é porque me apercebi tarde demais que estava na claque errada. Recordem-me com carinho e envolvida em verde.
E já que estamos na temática desportiva, deixem que conte que hoje fui novamente ao ginásio e reparei que ir a um ginásio na Alemanha faz festinhas ao meu ego. Eu, gorda? Quando? Como? Gordas sao aquelas que lá estao no balneário, que acabam por parecer mais gordas, por causa da juba que teem abaixo do ventre, se é que me estao a entender. Sao gajas nas quais a gente se confunde, pois nao sabe se a púbis é em cima e o cabelo em baixo ou o contrário. Contive-me a tempo e nao gritei. Até porque num balneário alemao, nao ha grande espaco para a expressao de emocoes.
Agora, o que me chateia mesmo sao aquelas gajas, que tendo todo o espaco do mundo, decidem abanar os seus corpos a uma distancia pouco aceitável. Ou seja, enquanto eu hoje apertava os atacadores, tinha o rabo duma quase a esfregar-se na minha cara. E confesso que isto me incomodou, especialmente pela posicao em que ela estava. E, convenhamos, para quem precisa de animo para ir ao ginasio como eu, nao pode passar por estas situacoes nas primeiras vezes.
Depois, como esta aventura no ginásio é repleta de momentos lúdicos, eu confesso que nem sei bem por onde comecar! Pelo gajo que - sem exagero, isto é real - estava a fazer musculacao de PIJAMA!!! Nao é exagero meu. Aquilo era um pijama. De facto. Depois, a gaja que estava ao meu lado numa máquina que nao é para correr nem para andar, mas algo no meio, de camisola de mangas compridas e GOLA ALTA. Eu juro-vos que eu achava que estava no filme errado. E como fui sozinha hoje, no meio destes sustos todos, nem pude partilhar isto com ninguem. Mas cheguei à conclusao que preciso de um ai pode, ai pode? Ah pois pode, e é o mais rápido possível. Especialmente para eu enfiar os auscultadores pelos tímpanos adentro e nao ter de ouvir as respiracoes ofegantes dos palhacos que se sentam na máquina ao lado da minha, a hiperventilar, armados em Rambos. E depois senti que o gajo-pijama andava sempre perto de mim, o que causa em mim sentimentos estranhos, num ginásio. Comeco a procurar mantas e situacoes de sono.
Ora bem, se foi tudo más experiencias hoje? Nao. Como tirei a alianca para ela nao escorregar (eheh), parece que a minha t-shirt a fazer alusao à escravidao humana, chamou a atencao de alguns amigos. E descobri que sim, o ginásio é um local de engate. Há de tudo. Há aqueles muito metidinhos na sua vida, que até exercitam de olhos fechados, com mais pesos do que podem aguentar, há aqueles que se colocam estrategicamente para poderem galar tudo o que tem mamocas saltitantes, e há daqueles que vivem no ginásio porque viram na televisao que as gajas gostam de gajos duros, para quando os abracarem à noite, antes de adormecerem, esmagarem as maçãs do rosto.
Para terminar este post, que hoje ninguem me pára, antes de perguntarem o que é que se passou para eu ter decidido inscrever-me no ginásio, eu conto. Foi no dia da minha primeira aula deste semestre. Quando comecei a apontar no quadro os trabalhos de casa, senti pela primeira vez, as minhas nádegas a abanar enquanto escrevia. Foi um drama. E verídico.Hoje quando me lembrei (tinha de me agarrar a algo!!), até me vieram as lágrimas aos olhos. Este rabo já foi tao durinho. Que nem um melao. Chuif.

domingo, janeiro 18, 2009

à minha janela

Esta foto foi tirada da janela do meu quarto. Tem sido a vista que me dá os bons-dias desde que cheguei. Alguem pronto para troca de casa, de vida?

é azul mas nao mata

- Entao, estás finalmente a comer as tuas coisas bolorentas?
Isto diz-me o Bola, com um sorriso malicioso, ao mesmo tempo que eu me preparo para levar à boca uma garfada da alheira de Mirandela, que está há uma semana à minha espera do frigorífico. Conta o nosso passado que uma vez, o Bola colocou o nosso casamento em risco, ao deitar fora dois pedacos de queijo amanteigado, só porque tinham um pouco de bolor! Desde essa altura que ele sabe que o frigorífico pode ficar com bolor nas prateleiras todas e até na porta, mas a última coisa que ele vai fazer é atirar fora a minha comida-conforto, que veio com tanto carinho de Portugal.
Ao fim da tarde, foi-se por uns minutos atrás de mim na cozinha enquanto eu descascava o bolor que ameacava o meu queijo, até que eu dou um salto, assustada quando ele diz alto VAIS MESMO COMER ISSO? O Bola fica enojadíssimo com bolor e já me tentou convencer que mesmo que eu retire a casca de fora, a comida já nao está boa, que só pertence a um lugar, ao lixo. Mas eu nao quero saber. Se for comida de cá, vai logo fora. Mas a minha comida-conforto é para ser debicada até ao último bocadinho.
A alheira nao estava com bolor, mas estava com um aspecto a caminhar para o doente. O Bola quando viu a alheira a abrir-se toda na frigedeira durante o processo da fritura, ficou ainda mais enjoado e nem depois de eu repetir onze vezes que nesta vida devemos provar de tudo e bla bla bla bla (ou quase) , ele acedeu a provar. Portanto, comi eu a minha alheira, com batata cozida regada com azeite e feijao verde. É comida que me alegra.

pensando alto

Na semana passada pediram-me para marcar a cor, num calendário, quando pretendo tirar os meus dias de férias em 2009. Isto pressupoe um cálculo antecipado de quem quer dias quando, para assim chegarmos a acordo no nosso departamento quem pode tirar férias quando. Ora bem, sao 30 dias úteis. Isso mesmo, nao me odeiem mas na Alemanha seis semanas é absolutamente normal. Como vou eu distribuir até ao fim do mes 30 dias úteis pelo ano todo, quando ainda nao sei nada relativamente a férias...? Por outro lado, eu e o Bola casámos em 2006 e desde essa altura que andamos a dizer que vamos à Índia. Como eu, entretando, mudei duas vezes de emprego e agora foi ele, a verdade é que temos os dois os pés demasiado colados à terra para nos pormos a fazer férias grandes e longas, perante a incerteza de manter o emprego. A ideia é irmos em Fevereiro de 2010, mas nao sei se deva falar muito nisso, pois esta pode ser inatingível, a tal viagem que queremos fazer mas nunca fazemos. Como a ida dos meus pais a Mocambique.
Bom, a única coisa que sei é que iremos 4 dias a Edimburgo, entre Marco e Abril. Um fim-de-semana prolongado, portanto. Depois deixo sempre dias de férias em aberto para as visitas que veem conhecer o País das Salsichas. Portanto, contando com duas semanas de férias de praia em Julho, já fico com metade das férias marcadas. Acho que me vou atrever a transformar duas semanas de praia em tres, já que este ano ninguem lá no trabalho pode tirar o mes de Setembro...
Isto nao dá para mim. Chegada de férias e apanhada no deprimente Inverno alemao, a ter de pensar em férias que só vao acontecer daqui a meses, é estranho. Portanto, decidi agarrar num calendário e abrir ao calhas, e assim marco as minhas férias.

sábado, janeiro 17, 2009

o último antes dos 30


O bolo andou um pouco aos encontroes no carro, mas chegou à mesa ainda antes de eu me levantar.
Só me ocorreu uma coisa: em que parte estao os ovos moles, ...dentro?
Estou a pensar seriamente em sextas-feiras próximas experimentar colocar soporífero na comida do Bola, a ver se pelo menos assim, ele me deixa dormir até ao meio-dia de sábado. É impressionante como de hora a hora faz qualquer barulhinho ou comeca a falar sozinho, para ver se eu acordo. Quando lhe pergunto, ainda com o cabelo desgrenhado e olhos remelados, se é pedir assim tanto que me deixe dormir uma vez por semana até à hora que eu quiser, respondeu-me que assim é como viver sozinho. ENTAO QUE VIVA SOZINHO! Nem no meu dia de anos.. pá, prá próxima, leva com o bolo na tromba. Quando me perguntou o que é que eu queria fazer hoje, por vinganca respondi que quero ir ao Ikea, a um sábado, ehehehhe.. e só lhe vou dizer que era uma brincadeira quando la chegarmos à porta.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Emigrante em Coimbra

baixem la as pedras

Só queria que ficasse registado que eu faco parte daquele grupo, provavelmente pequeno, que conseguiu ver alguma normalidade nas palavras do cardeal D. José Policarpo. Nao havia mais notícias interessantes para discutir, as pessoas, como querem um bode expiatório para poderem atacar na conversa de café, armam-se agora muito ofendidas, como se elas próprias, pensando um bocadinho, nao conseguissem ver que a intencao dele era uma que podia vir de qualquer um de nós.
O problema é que ele tem a posicao que tem e disse-o para os meios de comunicacao. Pronto.
Se eu tivesse uma amiga minha prestes a casar com um muculmano, talvez conversasse com ela. O politicamente correto aqui nao é a solucao. E como tudo é passageiro, amanha ou depois já aparece um escandalo qualquer com os amores da Elsa Raposo ou imagens do Carlos Cruz a ameacar que salta da ponte se nao for absolvido e ja ninguem se lembra desta história.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

vergonha é roubar e ser apanhado

Tenho bolor nas paredes de casa. Pronto, pronto! Já disse. Nao ha que ter vergonha de ter bolor num quarto da casa. Da mesma forma que nao há que ter vergonha quando se vai à farmácia comprar canesten, alias porque caso nos passe pela cabeca ter vergonha, a senhora da farmácia ja nos colocou no saquinho um grande panfleto da marca, cujo slogan diz NAO É PARA TER VERGONHA. Eu atirei-lhe aquele olhar vergonha do que, ó minha pastelona? É que eu desenvolvi olhares para todas as situacoes. Eu consigo dizer frases só com os olhos. Especialmente nos restaurantes, a pedir o meu prato e tal.
Portanto, eu hoje decidi falar de coisas das quais se pode eventualmente ter vergonha. O Bola, por exemplo, tem vergonha de andar com um carro velho. Eu ando com o carro velho, eu que tenho de percorrer 11km e sair da cidade, para que ele possa levar o nosso outro carro para o trabalho a 1 km de casa, e colocá-lo no parque onde se encontra com os colegas.
Eu tenho vergonha de aterrar em Munique e ser da mesma nacionalidade dos quatro azeiteiros anormais, que vieram o voo todo e durante o percurso desde a saída do aviao até à recolha da bagagem, a vomitar o seu repertório de ordinarices de homens das obras.
Eu tenho vergonha de ter ido jantar a casa de uns amigos que conheci através de outros amigos e de nunca mais ter falado com eles ou retribuído o convite, por eles serem imensamente chatos e uma companhia que me dá sono. Ora bem, tenho um sofá novo e um marido, lá preciso de mais alguma coisa para ter sono? Pois, perceberam, nao é?

so much love will kill me

Hoje dizia-me uma colega minha que tem pena de nao compreender o meu humor sempre, porque sente que às vezes parece que eu estou a dizer algo com piada, mas que ela nao apanha. Voces vejam bem com que pessoas eu tenho de trabalhar, ha... eu ainda estive para lhe dizer que eu tambem sofro, porque há comida que eu nao consigo apreciar que provavelmente é muito boa, rematando com aquela cara que se costumava fazer como que a dizer que chatice, nao posso mesmo fazer nada, que duma forma popular, eu gosto de chamar cara de prisao-de-ventre.
A minha colega mais fixe abandonou-me. Foi promovida. Fiquei com colegas mesmo ao meu lado com quem nao tenho muito a ver. A crise na indústria alema já viveu realmente tempos prósperos, nao será grande surpresa se na empresa onde eu trabalho forem tomadas medidas no sentido de cortar horas de trabalho. Ouvi falar nisso hoje pela primeira vez. Basicamente, passa-se a trabalhar menos, podendo chegar a dois dias inteiros de fare niente, o empregador paga metade do meu salário e o estado 25%. Claro que nao é uma situacao ideal, mas há que tentar procurar aquele bright side of life. E neste caso, eu acho que consigo. Aguardemos...
Entretanto, amanha comeca um bloco de aulas de conversacao, que me perguntaram se eu nao me importava de dar. Claro que nao. Falar é o meu forte. A conversation vai ser toda minha. E como os meus actuais alunos parecem amar-me com todas as suas forcas, alguns dos que tenho no outro curso, decidiram ir a correr inscrever-se neste para me poderem ver pelo menos mais uma vez por semana. So much love will kill me. Uma das frases mais ouvidas do Bola.

um bem-hajas à imperial

Algo me diz que ando um pouco descompensada, talvez se deva ao facto de estar na semana pós-regresso, naquela semana que, como eu explicava há uns posts atrás, obriga à readaptacao ao País onde moro, do qual me ausentei tres felizes semanas. Depois ontem passou na RTP 2 um programa sobre o primeiro chimpanzé (e único?) enviado ao espaco na década de 60 e passei o programa todo com a lágrima no canto do olho. Tenho pensado várias vezes por dia quem posso cravar para passar a ser meu supplier de chocolate Regina com sabor a fruta. Aqueles pacotinhos que trazem tres chocolates Regina, de laranja, morango e ananás tem-me proporcionado conforto emocional como mais nada consegue, nem chourico, nem queijo, nem bolacha maria. O chocolatinho Regina tem-me salvo o dia ao longo desta semana que ainda vai a meio. Outra coisa que dava jeito eram aqueles iogurtes de aromas dos mais simples possíveis, sem pedacos e sem nada. Cá nao há nada disso. Deve ser por causa daquela camada de 10 cm de gordura que todos temos que desenvolver para estes lados, para aguentarmos o frio. E meus amigos, nao falem do frio, quando nao sabem o que estao a dizer. A minha definicao de frio fica aqui, pois hoje alguem quis saber e ouviu atentamente a minha resposta: Frio é andar na rua e sentir a mesma temperatura na cara que sinto quando abro o congelador e me aproximo. É que nao há diferenca. A única diferenca é que na rua nao me posso dar ao luxo de tirar uma caixa de Häagen dazs assim do gelo.

veggy

Tento respeitar os vegetarianos, acho que já estive mais longe de os compreender, mas este post saíu-me da alma. É uma seca todos aqueles que o sao e partem do princípio que os outros teem sempre de se lembrar da sua sensibilidade, nao lhes pondo o bife de novilho suculento no prato. Bravo para a Pipoca aqui.

Minhoca countryside ou banheira para tres

segunda-feira, janeiro 12, 2009

tentativa de homicício

Hoje de manha, saí de casa com a reconfortante ideia que assim que chegasse a casa esta tarde, ia ao frigorífico atacar a minha comida-conforto que trouxe de Portugal e me sentava no sofá e embalar séries e porcarias, junk tv portanto. Cheguei na quinta-feira à noite e na sexta de manha, ainda mal tinha tido tempo de me sentir em casa, já tinha o Bola a ligar-me de hora a hora, a perguntar se eu já tinha tudo pronto para sairmos para os Alpes. Coitadinho, ele nem sonhava que à uma da tarde eu ainda dormia. Acabámos por sair com a minha mochila mal feita e sem que eu tivesse tomado o pequeno-almoco. Chegados ao destino, foi tudo muito romantico e muito fofinho, porque eu ainda nao sabia dos planos do Bola para sábado. Os planos dele eram matar-me, pois só isso justifica ter-me levado para uma montanha de quase tres mil metros, com neve para dar e vender, para fazermos um agradável passeio a dois. A pique. Tipo uma inclinacao de 80%. Com onze graus negativos ao sol. Já sem ar, com a garganta a doer, após os primeiros cinquenta metros e num estado muito perto do que clinicamente se designa por hiperventilacao:
- Bola, tu só podes estar a gozar comigo!!
- O que foi??? Podias-me ter avisado que era para procurar os caminhos para séniores!
- Achas que é assim, desta forma violenta que me poes em forma?!!?
- .... ... . . . .. . .. . . .. .. . . . .. . . . . . .. . . . .
- A minha ideia de um sábado bem passado é caminhar numa superfície plana, enquanto vamos conversando. Assim nao consigo falar respirar, quanto mais falar!
Pois. Apanhei-o. A ideia era mesmo essa.
Claro que hoje mal me consigo mexer, dói-me tudo. Andámos 12 quilómetros, sendo que uns 4 foram assim, a pique. Ele a chegar a determinados pontos e a sentar-se à minha espera. Humpf. Quando foi hora de virmos para casa e ele se meteu no carro, eu fiquei admirada pois já tinha o meu cajado com a trouxa no fundo, para vir a pé.
Quando a dura realidade me bateu hoje, juntamente com o toque do despertador às sete da manha, ainda rezei por uns segundos para que fosse um daqueles dias em que acordo num sábado e por momentos me esqueco que nao tenho de ir trabalhar. O meu corpo comportou-se de forma hilariante em cima dos saltos altos que já nao punha há quase um mes. O que as minhas pernas bamboleiam, devo estar apaixonada e nao sei... ah nao. Foi o meu marido que achou que precisava de um bocado de accao para terminar as minhas férias.
Por isso é que agora me sentei no sofá com a comida-conforto, queijo, pao e tres chocolates Regina com sabor a morango, ananas e laranja, e nao vou arredar de lá enquanto nao me sentir revitalizada. E para rematar, alguém que me diga a este gajo que eu nao sou gaja de montanhas nem nunca vou ser! Me hates mountains!!!!!!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

derrapando pelas Salsichas

De volta. Sabe bem. Lá fora, apesar dos dez graus negativos, o sol brilha e o céu tem um aspecto gélido e azul. A casa estava arrumadinha, o Bola disciplinado e a olhar para mim como aquele gato do Shrek, pestenajando muito querido. Neste momento, tomo o meu café e já sinto aquela sensacao que o Bola poe em mim, de ter de andar a correr. Já ligou duas vezes para saber se estou pronta, de mala feita, para irmos para a neve, para o nosso fim-de-semana romantico. Eu disse que a mala estava feita, o que nao foi mentir, pois é a mala que trouxe ontem de Portugal, que ao contrário dele, nunca desfaco no primeiro dia.
A Rita Redshoes ecoa pela sala e dá-me animo. Ajuda-me a entrar na rotina.
Bom fim-de-semana a todos. Domingo estarei de volta, tenho de vos contar como é desembarcar no silencio que desta vez nao foi silencio, porque vinham quatro senhores portugueses da construcao civil que me fizeram morrer de vergonha por serem do meu País.

terça-feira, janeiro 06, 2009

quase de volta

Hoje dizia-me o Bola que lhe dava imenso jeito se eu na sexta-feira acordasse às sete e meia para o ir levar ao trabalho. Desatei-me a rir. Só porque ele durante a sua fase de desempregado me levou ao trabalho quase todos os dias, não significa que eu corresponda com a mesma abnegação. Que me peça para não me sentar na sanita enquanto ele toma banho, para não lhe bloquear a televisão num dia em que joga o Bayern ou mesmo para que não me ria quando ele fala de assuntos sérios. Mas que não interfira com o meu sono, logo naquele dia de depressão que costuma ser o dia que se segue ao meu regresso, no qual eu não quero abdicar de dormir, normalmente um elixir contra a tristeza.
O que me deixa com problemas de consciência é saber que ele me vai buscar de carro ao aeroporto às onze da noite, tendo que trabalhar no dia seguinte. Tentei lembrar-lhe que indo de bicicleta, recebe 5 cêntimos por km, e como devem ser cerca de 2 km, estamos a falar de boa condição física e 10 cêntimos a mais na carteira. E foi aí que a conversa não continuou, pois ele relembrou-me as temperaturas que se têm feito sentir nas Salsichas, que se traduz numa tendência abaixo dos zero graus, diariamente, de noite e durante o dia. Ou seja, a palavra FRIO assume contornos mais sérios do que os conhecidos por aqui, neste país à beira-mar plantado, onde as pessoas começam a falar de frio assim que entram num café e os óculos ficam embaciados.
Além das temperaturas assustadoras no País das salsichas (País escreve-se com letra maiúscula, informa o meu Pai. E Pai também se escreve com letra maiúscula...resta-nos uma questão: e Salsicha?), suicidou-se hoje um milionário que aparentemente perdeu a sua fortuna com a crise; o fornecimento de gás da Rússia foi interrompido devido às quezílias com a Ucrânia e o programa de cinema na cidade parece aborrecido. Afinal, não me apetece assim tanto regressar.

- Se não me fores levar ao trabalho, deixa lá, não tem mal. Mas trazes-me uma manga e uma papaia?
Para o Bola, Portugal é tropical.

o que o bom emigrante leva na mala




... ou melhor dizendo, aquilo que eu nunca me esqueço de levar na minha.

















sábado, janeiro 03, 2009

la la la la la

Hoje liguei ao Bola e cantei-lhe isto a capella. Acho que ele gostou. Ficou sem palavras.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

confusões

Hoje dizia-me alguém em tom de troça, que esta mocinha simpática da foto da esquerda é a mesma bimba da foto da direita, que faz aquele programa da Lucy para homens que gostam de se levantar cedo ao domingo de manhã. Claro que não acreditei. O produto Floribella está protegido com direitos copyright e outros que não contemplam o factor libidinoso-barato.
Só porque uma pessoa não anda a par da imprensa cor-de-rosa, não quer dizer que acredite em tudo.