Ao fim de quase seis meses, acho que ja me posso a atrever a escrever um post daqui da minha secretária. Sao cinco e meia da tarde de sexta-feira e sou a unica no escritório, o que na Alemanha nao é nada de anormal. A sexta-feira à tarde é um mau dia para quem quer resolver questoes de carácter burocrático. Mesmo esta empresa, há uns anos atras, tinha horario flexivel à sexta, ou seja, a malta à uma da tarde dava de frosques. Mas depois os alemaes devem ter percebido que estamos na Uniao europeia e se a siesta nao é um fenómeno europeu, eles tambem nao podiam impor o sistema da balda da sexta-feira. Além disso, nunca se sabe quando é necessário outro Wirtschaftswunder e para isso há que estarmos preparados! Viva a identidade nacional, que até já falo dos alemaes na primeira pessoa do plural. Como eu ia a dizer...E vai daí, pronto, acabou-se a mama e passaram-se às 40 horas semanais de agora em vez das maravilhosas 35. Estava a pensar em fazer uma to-do list para o fim-de-semana. Normalmente nunca cumpro, mas dá-me um certo conforto saber que tenho uma to-do list, que posso sacar a qualquer momento do bolso, quando estiver por exemplo a pensar no que me aptece fazer.
--> procurar o edredon de Inverno para substituir pelo de Verao;
--> comparar precos para uma nova máquina digital, a actual já nao funciona;
--> arejar e lavar cobertores bolorentos do Invero passado.
--> fazer doce de manga;
--> mandar um mail à Universidade de Göttingen a perguntar porque é que logo agoro que eu ja nao estudo lá é que passaram a universidade de Elite. Aha, eu sou importante.
--> mandar um mail è Telekom a insultá-los e a dizer que vou passar para a Kabel Deutschland.
--> comprar uma daquelas cenas fixes que há nas bombas de gasolina para lavar os vidros. Daquelas que teem esponja dum lado e uma barra de borracha na outra para puxar a água.
--> lavar camisolas à mao e para isso comprar sabao em pó para lavar à mao. Ou procurar o pedaco de Clarim (lava mais branco) que trouxe de PT depois do Natal.
--> dar início à declaracao do IRS.
--> dar um ponto nas meias pretas para distinguir as minhas das do Jo, nao tem sido fácil.
--> tentar fazer um Streuselkuchen (bolo alemao com fruta em cima e Streusel, que é nada mais nada menos do que manteiga e acucar)
É melhor desistir. Um fim-de-semana nunca chega e como eu nao sei escolher, acho melhor virar-me para a espontaneidade.
Relatos de uma Minhoca de sandália e meia branca
sábado, outubro 20, 2007
quinta-feira, outubro 18, 2007
gomas... alguém?
Comi uma sopa instantanea e apesar de nao ser maravilhosa, era mesmo o que me estava a apetecer hoje. O dia de hoje fica marcado pelo facto de ter visto um dos meus alunos de ingles a segurar na sua mangueira, enquanto urinava na casa-de-banho. Eu ia a subir as escadas e por acaso alguém entrou na casa-de-banho. Como eu estava a olhar nessa direccao, pois fica mesmo à frente de quem vai a subir as escadas, reparei que quando o outro tipo abriu a porta, por detrás dele estava o meu aluno virado para o urinol e com as maos na posicao certa, foi aí que os nossos olhares se cruzaram. Agora digam-me, como vou eu tirar da minha cabeca esta imagem do meu aluno Andreas virado para o urinol - aqui docemente apelidado de pissoir - a agarrar no seu pénis e com a sua mochila azul pequenina às costas, com um urso amarelo das gomas haribo? Alguem me diga, pois eu acho que nunca mais me atrevo a recolher os TPC dele. Nem a comer gomas Haribo.Haribo macht Kinder froh und Erwachsene ebenso...
quarta-feira, outubro 17, 2007
should i stay or should i go?
No fim de semana estive no aniversário duma tia do Bola. Cheguei à conclusao que o maior problema da moda dos alemaes se concentra na faixa etária a partir do final dos cinquenta. Estas pessoas desafiam as leis da moda, sao atrevidas mesmo. Há uma grande tendencia para uma obscenidade de cores, que eu nem sei por onde comecar a explicar. Fico com a boca aberta e só me sai aaaah....ahhhhh....aaaahhhh. A mistura verde-alface/turquesa/laranja pode nao ferir o vosso sentido de estética, mas fere o meu. A meia branca é um clássico e nos dias que correm quase que nos podemos referir a isso como CULTO. É o cunho, a marca deles, é a identidade cultural quando vao de férias, por exemplo. E como eles estao por todo o lado, haverá momentos em que nos podemos referir à conspiracao da meia branca.
Outra tendencia dos alemaes nesta faixa etária é a paixao pelo vinho, aaaah o líquido mágico que faz tao bem ao coracao, que liberta neles aquelas piadas tao secas que até já viraram pó, mas com a particularidade de se perderem de riso. E nós rimos também, pois claro. Afinal somos os únicos ainda a rondar os trinta. Nao nos rirmos duma piada dum idoso além de cruel, faz-nos sentir snobes.
Portanto, foi um fim-de-semana enriquecedor, por exemplo no que toca a padroes de gravatas visto-ninguem-acredita.
Mas nao foi a pensar na moda (cof cof) por cá que eu dei início a mais um post. Foi para vos contar que tenho uma entrevista para emprego em Regensburgo na próxima semana. Como preciso de saber até que ponto quero um emprego novo, há que pesar muito bem as vantagens e desvantagens.
Vantagens:
- mudarmo-nos para uma cidade fixe (eventualmente);
- emprego semelhante ao que tenho agora (parece);
- mais bem pago;
Desvantagens:
- gosto muito do meu emprego de agora e dos meus colegas;
- tenho uma secretária enorme, com um pc high tech À JANELA;
- já me habituei às pessoas e elas a mim ---> temo que se me for embora vai tudo desatar aos gritos e a chorar a implorarem-me para eu nao partir.
- ainda nem há seis meses estou ali.
- trabalhar num ambiente marcadamente masculino e deixar de ter as atencoes sobre mim quando entro em ambientes onde sou a unica com maminhas.
De maneiras que é isto. Ando em introspeccao e tal. Calada, pensativa mas a borbulhar por dentro. O Bola tambem anda calada e introspectivo, mas eu pu-lo à vontade, querida que só eu: Bola, hoje nao podes comigo, se eu voltar a falar na minha entrevista fechas-me no sotao e só me abres a porta para eu amanha ir trabalhar. Mas eu entendo-te. Eu tambem me iria sentir, se tu tivesses arranjado dois empregos fixes num espaco de 6 meses e eu nenhum. Pronto. Nao te sintas culpado por hoje nao gostares tanto de mim, dá cá uma beijoca.
Outra tendencia dos alemaes nesta faixa etária é a paixao pelo vinho, aaaah o líquido mágico que faz tao bem ao coracao, que liberta neles aquelas piadas tao secas que até já viraram pó, mas com a particularidade de se perderem de riso. E nós rimos também, pois claro. Afinal somos os únicos ainda a rondar os trinta. Nao nos rirmos duma piada dum idoso além de cruel, faz-nos sentir snobes.
Portanto, foi um fim-de-semana enriquecedor, por exemplo no que toca a padroes de gravatas visto-ninguem-acredita.
Mas nao foi a pensar na moda (cof cof) por cá que eu dei início a mais um post. Foi para vos contar que tenho uma entrevista para emprego em Regensburgo na próxima semana. Como preciso de saber até que ponto quero um emprego novo, há que pesar muito bem as vantagens e desvantagens.
Vantagens:
- mudarmo-nos para uma cidade fixe (eventualmente);
- emprego semelhante ao que tenho agora (parece);
- mais bem pago;
Desvantagens:
- gosto muito do meu emprego de agora e dos meus colegas;
- tenho uma secretária enorme, com um pc high tech À JANELA;
- já me habituei às pessoas e elas a mim ---> temo que se me for embora vai tudo desatar aos gritos e a chorar a implorarem-me para eu nao partir.
- ainda nem há seis meses estou ali.
- trabalhar num ambiente marcadamente masculino e deixar de ter as atencoes sobre mim quando entro em ambientes onde sou a unica com maminhas.
De maneiras que é isto. Ando em introspeccao e tal. Calada, pensativa mas a borbulhar por dentro. O Bola tambem anda calada e introspectivo, mas eu pu-lo à vontade, querida que só eu: Bola, hoje nao podes comigo, se eu voltar a falar na minha entrevista fechas-me no sotao e só me abres a porta para eu amanha ir trabalhar. Mas eu entendo-te. Eu tambem me iria sentir, se tu tivesses arranjado dois empregos fixes num espaco de 6 meses e eu nenhum. Pronto. Nao te sintas culpado por hoje nao gostares tanto de mim, dá cá uma beijoca.
ah pois neva
Diz que sexta-feira chega a primeira neve. Se eu fosse um urso hibernava, juro que hibernava. Detesto estes tres meses de neve. No mínimo. Se tivesse muito dinheiro e um marido com o seu que de aventureiro, nesta altura fugia para as Caraíbas. E a neve estraga os meus planos de ir de carro trabalhar. Sem ABS, com imensa neblina de manha e com pouco tempo de reaccao. Acho que se os palhacos dos maquinistas se deixarem desta treta da greve que nunca mais acaba, vou passar a ser malta do passe. A estacao do comboio fica a 5 minutos de minha casa e a viagem sao 5 minutos e 46 segundos exactamente. Depois chegada à estacao da localidade de sonho onde eu trabalho, tenho mais uns 5 minutos a pé até ao trabalho. Ora, estas caminhadas pelo ar fresco da manha só me podem fazer bem, nao é? E assim acaba-e o medo de assassinar a fauna que me pode atravessar a estrada um dia destes e cujos pedacos de corpinho vou encontrando um ou outro dia na estrada. Esquilos, coelhos, ouricos cacheiros ou mesmo uma gazela. Eles andam aí e só nos aparecem no meio da estrada quando menos contamos. Nao há manha em que eu nao pense nos animais. Nao me ia perdoar.
Portanto a partir da semana que vem temos MINHOCA PENDULAR ON THE BLOCK!
Portanto a partir da semana que vem temos MINHOCA PENDULAR ON THE BLOCK!
and so it is
Hoje passei a noite a ouvir aquelas músicas deprimentes do Damien Rice. Mas quando precisamos de sentimentos fortes, porque nao ouvir o Blower's Daughter com os baixos bem fortes? É bom! Eu acho que o Damien deve ser um gajo triste. Como é que ele arranca estas musicas lá do fundo da garganta e da guitarra sem ser um gajo triste? É que a páginas tantas de ouvir o Sleep don't Weep (que é aliás, a minha divisa), achei que era uma boa altura para saltar da varanda. (ia a passar um gajo aqui da minha rua lá em baixo de quem nao gosto muito)
Fui interrompida pelo Bola:
- Está a falar o árbitro de quem tu tanto gostas!
- O Urs? (Urs Meier, goglem isso e vejam)
E pronto, volto a por as pernas do lado de fora da varanda, desligo o Damien no ipod e passo para o Urs, que fala com sotaque suíco, que eu adoro.
O Bola é um marido moderno, chama a minha atencao para olhar para os outros, que potencialmente lhe podem fazer concorrencia. Um árbitro, vejamos. Qualquer dia, nao me vou espantar se formos na rua e ele me disser Olha ali, um rapaz com um rabo tao giro, saca daí a tua máquina e tira uma foto para pores no teu blog. A gente deve esperar tudo, estamos constantemente a ser surpreendidos. Por exemplo, há muitas pessoas que ficam surpreendidas pela negativa quando eu digo que acho o David Bisbal sexy. (porque é que ele já nao namora com a Chenoa, eram tao perfeitos?) Há pessoas que ficam surpreendidas quando eu faco o pino. Adiante. Alguém que diga ao Bola que vá dormir que eu quero ver a Betty Feia. Nos dias que correm só mesmo a telly para me animar.
Fui interrompida pelo Bola:
- Está a falar o árbitro de quem tu tanto gostas!
- O Urs? (Urs Meier, goglem isso e vejam)
E pronto, volto a por as pernas do lado de fora da varanda, desligo o Damien no ipod e passo para o Urs, que fala com sotaque suíco, que eu adoro.
O Bola é um marido moderno, chama a minha atencao para olhar para os outros, que potencialmente lhe podem fazer concorrencia. Um árbitro, vejamos. Qualquer dia, nao me vou espantar se formos na rua e ele me disser Olha ali, um rapaz com um rabo tao giro, saca daí a tua máquina e tira uma foto para pores no teu blog. A gente deve esperar tudo, estamos constantemente a ser surpreendidos. Por exemplo, há muitas pessoas que ficam surpreendidas pela negativa quando eu digo que acho o David Bisbal sexy. (porque é que ele já nao namora com a Chenoa, eram tao perfeitos?) Há pessoas que ficam surpreendidas quando eu faco o pino. Adiante. Alguém que diga ao Bola que vá dormir que eu quero ver a Betty Feia. Nos dias que correm só mesmo a telly para me animar.
segunda-feira, outubro 15, 2007
ventos de mudanca, parte 2
Depois de um fds prolongado, eis-me de volta. Depois de ter estado numa das cidades mais bonitas da Alemanha - Heidelberg - é de esperar que se eu nos próximos dias nao der o ar da minha graca, é porque caí numa depressao profunda, só tratável com químicos ou fui encontrada na casa-de-banho a cortar os pulsos com a minha Vénus cor-de-rosa Vibrance (com pilhas) por nao querer aceitar que estou condenada a passar o resto dos meus dias nesta parvónia que é Weiden. De modos que é isto. Ando a tentar entreter-me e a passar o mais tempo possível em casa. Pois os nativos aqui da Oberpfalz deprimem-me. Eu estive em Estugarda, Heidelberg e Nurembega. Como lidar com o regresso? Enfiando a cabeca na areia como as avestruzes (o o Bola quando o mando ao lixo)?
Bom, ando a desenvolver um plano secreto para sair daqui. Escrevi uma carta de candidatura brilhante e enviei-a à unica empresa nos arredores que me pode salvar daqui e deixar-me ir morar para Regensburgo. Já fiz vários esquemas, com a complexidade dos esquemas que o Kevin fez no Sozinho em Casa 1, para apanhar os assaltantes. Acho que já dá para ficarem com uma ideia. Por isso, quando o Bola pensa que eu vou para a casa-de-banho ler, engana-se pois eu estou é a preparar a minha escapadela daqui, alias, a nossa. Precisamos de ar fresco e de pessoas à nossa volta para além de atrasados mentais. Acho muito bem que na Alemanha se testem os fármacos e aceito que só em ratazanas nao chega. Agora que mandem os resultados falhados dessas experiencias todos para a cidade onde eu moro, isso é que nao! Quem está mal muda-se e eu podia estar pior, mas acho que tres anos e meio aqui já chegam.
Bom, ando a desenvolver um plano secreto para sair daqui. Escrevi uma carta de candidatura brilhante e enviei-a à unica empresa nos arredores que me pode salvar daqui e deixar-me ir morar para Regensburgo. Já fiz vários esquemas, com a complexidade dos esquemas que o Kevin fez no Sozinho em Casa 1, para apanhar os assaltantes. Acho que já dá para ficarem com uma ideia. Por isso, quando o Bola pensa que eu vou para a casa-de-banho ler, engana-se pois eu estou é a preparar a minha escapadela daqui, alias, a nossa. Precisamos de ar fresco e de pessoas à nossa volta para além de atrasados mentais. Acho muito bem que na Alemanha se testem os fármacos e aceito que só em ratazanas nao chega. Agora que mandem os resultados falhados dessas experiencias todos para a cidade onde eu moro, isso é que nao! Quem está mal muda-se e eu podia estar pior, mas acho que tres anos e meio aqui já chegam.
terça-feira, outubro 09, 2007
nao como mais cheeseburgers
Fomos comprar um cheesebuger para cada um ao mcdonalds para nos aquecer a mao e o estomago, enquanto passearíamos pela rua já quase vazia, mas cheia de encanto outonal. Este cheiro fresco das folhas no chao é maravilhoso, tenho andado sempre na rua.
Saídos do Mcdonalds, peco-lhe algum dinheiro do troco, pois estava com o porta-moedas vazio. Ele havia pago com uma nota de 50€ e quando me abre a mao para eu tirar uma nota de 20€, vejo o troco com duas notas de 20, uma de 5 e , grande surpresa, uma de 50. Olho para o Bola com ar de caso e também ele fica baralhado por uns segundos.
- Vamos voltar atrás, anda lá.
- Podes crer que nao vou. É a primeira vez que me acontece uma coisa destas! (cara de véspera de Natal)
- Bola, vai-lhe sair do salário. Vao descontar-lhe e ela ja ganha tao pouco.
- Nao lhe vao descontar nada. Isto nunca me acontece. Ainda pra mais num franchise americano.
Calo-me. Vamos pela rua fora e depois de falarmos de outras trivialidades...sem deixar de pensar no mesmo.
- Bola, tu ainda nao sabes mas quando devolveres a nota, vais-te sentir tao contente por teres feito alguem feliz hoje... diz-me lá, qual é a probabilidade de uma coisa destas acontecer hoje em dia?
- Lá está, ninguem espera que isso aconteca. Garanto-te que nao lhe vai sair do bolso.
- Bolinhaaaaa, anda lá, vamos devolver a nota. O meu Pai quando fazia caixa e lhe faltava dinheiro ao fim do dia, tinha de por. É uma frustracao enorme.
O que é certo é que a certa altura me calei e aceitei que ele nao quisesse ir devolver a nota. Talvez eu me sentisse frustrada se fosse lá eu devolver depois, pois estas pequenas alegrias de nos vir parar dinheiro à mao assim sem estarmos a contar nao acontecem muitas vezes. Mas se isso representar prejudicar terceiros, já nao me interessa. Acima de tudo, hoje em dia já ninguem espera que estas coisas acontecam e isso foi o que me deixou hesitante hoje. Eu quero acreditar na honestidade, em pessoas que devolvem o excesso no troco. Como os meus pais me ensinaram. Nunca me vou esquecer do dia em que fui almocar à cantina e quando ia a chegar ao edificio, um carro pára ao meu lado e alguém me diz Olhe que deixou cair uma nota de 5€ lá atrás, mais ou menos a 200 metros daqui. Ainda la deve estar. E estava mesmo, embrulhada em tres, como eu faco sempre que enfio uma nota no bolso das calcas. O facto de alguem me ter vindo dizer que a 200 metros estava dinheiro meu, intocado, proporcionou-me uma alegria imenso, inexplicável. Estas coisas nao acontecem muito nos dias que correm.Por causa de pessoas como eu. Eu nao sou melhor que o Bola. Podia-o ter convencido mais. Num dia bom, eu consigo que ele faca quase tudo o que eu quero. Hoje optei por nao insistir. E agora estou triste.
Fomos comprar um cheesebuger para cada um ao mcdonalds para nos aquecer a mao e o estomago, mas quente só ficou mesmo a carteira. Ah. E a consciencia.
Aditamento: Prometo já já fazer-vos rir outra vez. É a nostalgia do Outono que me está a deixar lamechas. Isto trata-se já com um par de estalos, pois nao ha nada que a auto-flagelacao nao resolva.
compostos por aglutinacao
Quando os nossos pais adoecem, a sensacao deve ser parecida com aquela quando um filho pequeno adoece. Os pais porque nao vao ficando mais novos nem mais resistentes. Os filhos pequenos porque ainda nao sao grandes q.b. para fazer frente a complicacoes com a saude. Por isso é que me deprimo quando os meus pais ficam doentes. Deprimo-me pelos dois, independentemente de qual for o debilitado, pois no meu mundo pequenino e cor-de-rosa, os meus pais nao existem um sem o outro. Sao sempre um agregado de dois, compostos por aglutinacao. Como couveflor. A certa altura, quando eles me contam se os exames correram bem ou nao, etc. rematam com um nao te preocupes, denunciando quase que quem está doente pareco ser eu.
Pais nao deviam ficar doentes nunca. Diz que é a natureza. Eu cá nao acho. Desde que me conheco que os tenho cá e só a ideia de uma vida sem a presenca deles recria em mim a sensacao de nao ser a minha vida. Por isso, vou assinar e passar ao próximo o abaixo assinado para acabar com as doencas nos pais. Desta vez o governo vai ter de ceder.
Pais nao deviam ficar doentes nunca. Diz que é a natureza. Eu cá nao acho. Desde que me conheco que os tenho cá e só a ideia de uma vida sem a presenca deles recria em mim a sensacao de nao ser a minha vida. Por isso, vou assinar e passar ao próximo o abaixo assinado para acabar com as doencas nos pais. Desta vez o governo vai ter de ceder.
quinta-feira, outubro 04, 2007
forca belenenses...
Se o Bayern joga hoje contra o Belenenses, é mais do que claro que a entrada na sala nos próximos noventa minutos (mais meia hora de comentários) ser-me-á barrada. Nao propositadamente, mas quando nao me posso esticar no sofa a fazer zapping pelos programas que eu gosto e em vez disso, tenho de partilhar a sala com dois fanáticos do futebol, sendo que um acha que futebol se diz soccer, entao é mesmo melhor afastar-me e só voltar depois da tempestade passar. Além disso, vou provando os doces novos que se passeiam pela gaveta das guloseimas. Para acabar adormecida abracada aos novos reeses.
quarta-feira, outubro 03, 2007
partilhas
Quando se partilha a vida com alguém, deve-se partilhar quase tudo, por essa razao é que nao percebo como se pode criar uma situacao de nojo, só por mencionar a palavra cocó, que é tao natural como aquilo que representa. As palavras sao signos, assim nos ensinam. O Bola fica furioso quando eu digo para ele esperar, porque vou à casinha. Mas eu gosto de especificar, que é para ele saber quantos minutos vou demorar. É que uma ida à casinha pode ter mil e um significados. Posso ir chorar, por as lentes, tirar as lentes, lavar os dentes, (tirar os dentes, ainda nao) ver-me ao espelho, ligar a maquina da roupa, carregar a máquina da roupa, lavar roupa à mao, falar ao telefone, ler, etc. Por isso é que acho mal fundamentado quando ele faz aquele esgar de nojo e quase me proibe de lhe dar informacao extra sobre o que lá vou fazer. É que, quer dizer... nós partilhamos, a vida, a casa, os lencóis. E, claro está, os rolos de papel higiénico. Se nao lhe posso dizer a ele estas coisas, vou dizer a quem? A alguém tem de ser.
Mas ainda bem que hoje é feriado e fiquei em casa. Pois o gratinado de batata, couveflor e bróculos está a mostrar-se um desafio para os meus intestinos. Por isso é que convem ter papel higiénico...., chamemos-lhe de entretenimento.
Os feriados a meio da semana sabem, eu até diria, melhor do que aqueles colados ao fim-de-semana. Faz-se uma pausa mesmo a meio e quando regressamos ao trabalho, falta pouco para já ser fim-de-semana outra vez. Sábado vamos a Munique ao concerto de Feist e à festa da cerveja. Depois de ler que nos relatórios de higiene, foram encontradas repetidamente bactérias - estreptococos - nas canecas de cerveja, claro que fico um bocado de pé atrás. Mas na verdade, acho que se muitos restaurantes fossem intensivamente verificados no que toca a higiene, também nao sei se nao se passaria algo parecido. E de qualquer forma, numa volksfest que depois de uma semana registava 3.5 milhoes de visitantes, também nao se pode esperar que seja tudo esterilizado. Bom, como podem ver, estou a arranjar desculpas para mim mesma, para combater a nojice que me deixou hesitante. É isso e os 8 euros pela Maß, vulgo caneca de litro. Mas como é uma vez por ano, a malta até se esquece e tenta beber mais um bocado para nao pensar no preco. Inteligente, huh?
Ora, hoje é aquela tarde clássica em que arrumo as blusas, saias e toda a parafernalia de linho, para substituituir pela família das las, fleeces e afins. As minhas botas ainda nao as encontrei e estou a tentar afastar os pensamentos tentadores de que mais uma vez o Bola deu à cruz vermelha os sacos errados. Porque a mim? Já nao bastou daquela vez em que ele deitou no lixo todas as coisas que eu tinha no armário da casa-de-banho? E depois sao as gajas que nao ouvem...
Vou ali ver aquele filme trágico Sweet November e chorar um bocado, já que preciso de me livrar de tanto ranho.
Mas ainda bem que hoje é feriado e fiquei em casa. Pois o gratinado de batata, couveflor e bróculos está a mostrar-se um desafio para os meus intestinos. Por isso é que convem ter papel higiénico...., chamemos-lhe de entretenimento.Os feriados a meio da semana sabem, eu até diria, melhor do que aqueles colados ao fim-de-semana. Faz-se uma pausa mesmo a meio e quando regressamos ao trabalho, falta pouco para já ser fim-de-semana outra vez. Sábado vamos a Munique ao concerto de Feist e à festa da cerveja. Depois de ler que nos relatórios de higiene, foram encontradas repetidamente bactérias - estreptococos - nas canecas de cerveja, claro que fico um bocado de pé atrás. Mas na verdade, acho que se muitos restaurantes fossem intensivamente verificados no que toca a higiene, também nao sei se nao se passaria algo parecido. E de qualquer forma, numa volksfest que depois de uma semana registava 3.5 milhoes de visitantes, também nao se pode esperar que seja tudo esterilizado. Bom, como podem ver, estou a arranjar desculpas para mim mesma, para combater a nojice que me deixou hesitante. É isso e os 8 euros pela Maß, vulgo caneca de litro. Mas como é uma vez por ano, a malta até se esquece e tenta beber mais um bocado para nao pensar no preco. Inteligente, huh?
Ora, hoje é aquela tarde clássica em que arrumo as blusas, saias e toda a parafernalia de linho, para substituituir pela família das las, fleeces e afins. As minhas botas ainda nao as encontrei e estou a tentar afastar os pensamentos tentadores de que mais uma vez o Bola deu à cruz vermelha os sacos errados. Porque a mim? Já nao bastou daquela vez em que ele deitou no lixo todas as coisas que eu tinha no armário da casa-de-banho? E depois sao as gajas que nao ouvem...
Vou ali ver aquele filme trágico Sweet November e chorar um bocado, já que preciso de me livrar de tanto ranho.
segunda-feira, outubro 01, 2007
assim se motiva o pessoal
Hoje ao actualizar a minha caixa de emails, reparo num mail vindo do responsável dos recursos humanos, que ignorei ou li e esqueci (pouco provável) ou simplesmente acabei por passar sem ler.
Avisam-se todos os trabalhadores que a partir do dia 1 de Outubro, a venda de cerveja na cantina passará a ser feita em quantidades moderadas.
O Bola foi falar com o chefe dele sobre a desmotivacao do pessoal que trabalha com ele, por cujo trabalho/prestacao ele se responsabiliza. A páginas tantas, diz o chefe:
- Também nao podemos ser pessimistas, todos temos maus dias. Amanha compras-lhes uma bola de Berlim a cada um ou um ovo kinder e vais ver que já comecam o dia de outra maneira.
(nao era uma piada)
O Bola agora sabe que tem de sair daquela empresa. Eu já saí, agora estou à espera que ele se faca à vidinha.
Avisam-se todos os trabalhadores que a partir do dia 1 de Outubro, a venda de cerveja na cantina passará a ser feita em quantidades moderadas.
O Bola foi falar com o chefe dele sobre a desmotivacao do pessoal que trabalha com ele, por cujo trabalho/prestacao ele se responsabiliza. A páginas tantas, diz o chefe:
- Também nao podemos ser pessimistas, todos temos maus dias. Amanha compras-lhes uma bola de Berlim a cada um ou um ovo kinder e vais ver que já comecam o dia de outra maneira.
(nao era uma piada)
O Bola agora sabe que tem de sair daquela empresa. Eu já saí, agora estou à espera que ele se faca à vidinha.
o 5 de outubro era capaz de dar mais jeito
entretanto, como fiz um bolo, estava a pensar levar uma fatia aos colegas com quem me dou melhor e com quem partilho a mesa. Quer dizer, cada um tem a sua mesa mas temos as 4 todas juntas, que formam uma grande mesa. E pensei tambem no meu amigo checo.
- Bola, estava a pensar levar tambem uma fatia ao Checo, mas nao sei se ele vai gostar.
- Nao acho boa ideia. Sabes, para quem nao está habituado, é um pouco estranho receber assim bolo sem mais nem menos. A tua intencao é boa, mas ainda o vais baralhar. Ele pode-te interpretar mal.
(minhoca com o queixo para baixo e a tentar, atraves da associacao de ideias, chegar à conclusao)
- Interpretar mal? Tipo... toma lá uma fatia de bolo, olha...e já agora, se quiseres aparecer na casa-de-banho dentro de dez minutos, estarei lá a ajeitar o meu cinto de ligas e o chicote? É isso que queres dizer, Bola?
Bom, nao era isto que ele queria dizer. O Bola é exímio na arte de me dar as mais variadas respostas atraves do silencio. Agora percebem o país estranho onde eu moro. Nao convem oferecer uma fatia de bolo aos colegas. Para nao desencadear problemas. Ou paixoes avassaladoras. É que é algo a que tive de me habituar com o passar dos anos. A cada semana que passa, lá tenho mais um gajo apaixonado por mim. A gravidade neste caso, é a falta de comunicacao. Eu já mencionei que sou casada, mas como ele nao entende a palavra married, eu passei para outras faces do léxico da língua inglesa, tao ou mais interessantes.
Mas o mais engracado é quando o Checo me encontra na cantina e me fala - esteja a que distancia estiver - no ingles mais fofinho, baralhando as pessoas com quem me encontro. Já houve alturas em que me ia engasgando quando oico alguem aos berros no fim da fila HELLO!YOU FORGET ME? - queria ele perguntar se eu ja me tinha esquecido dele. Interessante, nao? Do sixpack nao me esqueco eu de certeza.
É pena nao ser politicamente correcto oferecer-se bolo aos colegas, porque significa que eu e o Bolinha vamos andar a comer chiffon de laranja durante a semana toda. Até podíamos fazer um concurso e ver quem come mais. Devido à textura esponjosa, acredito em verdadeiros momentos de diversao. Mas só depois do jogo dos bróculos e da couveflor.
Quarta-feira é feriado aqui. Dia em que se comemora a reunificacao alema. Dava-me mais jeito o 5 de Outubro, mas tento nao me queixar muito, pois neste país há feriados para todo o gosto. Pelo menos, este ano nao tem sido nada mau. Quarta-feira festeja-se aquele momento, que na cabeca dos meus filhos será certamente longínquo, em que as duas partes da Alemanha se juntaram, voltando a ser uma só. Nao me esquecerei nunca das imagens que a televisao nao se cansa de repetir, das pessoas a saltar o muro e aos abracos, emocionadas.
- Bola, estava a pensar levar tambem uma fatia ao Checo, mas nao sei se ele vai gostar.
- Nao acho boa ideia. Sabes, para quem nao está habituado, é um pouco estranho receber assim bolo sem mais nem menos. A tua intencao é boa, mas ainda o vais baralhar. Ele pode-te interpretar mal.
(minhoca com o queixo para baixo e a tentar, atraves da associacao de ideias, chegar à conclusao)
- Interpretar mal? Tipo... toma lá uma fatia de bolo, olha...e já agora, se quiseres aparecer na casa-de-banho dentro de dez minutos, estarei lá a ajeitar o meu cinto de ligas e o chicote? É isso que queres dizer, Bola?
Bom, nao era isto que ele queria dizer. O Bola é exímio na arte de me dar as mais variadas respostas atraves do silencio. Agora percebem o país estranho onde eu moro. Nao convem oferecer uma fatia de bolo aos colegas. Para nao desencadear problemas. Ou paixoes avassaladoras. É que é algo a que tive de me habituar com o passar dos anos. A cada semana que passa, lá tenho mais um gajo apaixonado por mim. A gravidade neste caso, é a falta de comunicacao. Eu já mencionei que sou casada, mas como ele nao entende a palavra married, eu passei para outras faces do léxico da língua inglesa, tao ou mais interessantes.
Mas o mais engracado é quando o Checo me encontra na cantina e me fala - esteja a que distancia estiver - no ingles mais fofinho, baralhando as pessoas com quem me encontro. Já houve alturas em que me ia engasgando quando oico alguem aos berros no fim da fila HELLO!YOU FORGET ME? - queria ele perguntar se eu ja me tinha esquecido dele. Interessante, nao? Do sixpack nao me esqueco eu de certeza.
É pena nao ser politicamente correcto oferecer-se bolo aos colegas, porque significa que eu e o Bolinha vamos andar a comer chiffon de laranja durante a semana toda. Até podíamos fazer um concurso e ver quem come mais. Devido à textura esponjosa, acredito em verdadeiros momentos de diversao. Mas só depois do jogo dos bróculos e da couveflor.
Quarta-feira é feriado aqui. Dia em que se comemora a reunificacao alema. Dava-me mais jeito o 5 de Outubro, mas tento nao me queixar muito, pois neste país há feriados para todo o gosto. Pelo menos, este ano nao tem sido nada mau. Quarta-feira festeja-se aquele momento, que na cabeca dos meus filhos será certamente longínquo, em que as duas partes da Alemanha se juntaram, voltando a ser uma só. Nao me esquecerei nunca das imagens que a televisao nao se cansa de repetir, das pessoas a saltar o muro e aos abracos, emocionadas.
couveflor para brincar ao debaixo-dos-cobertores
Hoje a noite comeca mais cedo, o que é de admirar pois passei hora e meia na cozinha, a fazer um bolo e um gratinado de batata, bróculos e couve-flor.
- Bola, guardei ali numa caixa de plastico no frigo o resto da couveflor, para amanha temperares. Depois, como na quarta é feriado, se andarmos à rasca dos intestinos, podemos ir pra debaixo dos cobertores fazer uma festa!
O Bola faz um tempero na couveflor inigualável... qualquer coisa avinagrada. Eu até lhe perguntava daqui aos berros, para ele ir ditando e eu escrevendo, mas está a dar a Lara Croft no Hollywood e ele já ficou com os olhos colados na televisao. E eu respeito, claro, pois se eu nao estivesse aqui, também estava a ver a Lara com o seu lábio sexy inferior a fazer fole.
Hoje esteve um bonito dia de Outono. Acho que já aqui expressei vezes sem conta a minha adoracao pela melhor estacao no país das Salsichas. Ainda hoje vinha do trabalho e a reparar nas tonalidades das árvores por que ia passando a caminho de casa. É que em Portugal acho que nao sao tantas as árvores a ganhar os tons de vermelho vivo como aqui. Será por termos menos árvores?
Ontem fui buscar o Bola à estacao e como vi que o comboio estava atrasado, entreti-me a ler os folhetos do supermercado. A luz era parca mas chegava para ver que o lombo de porco vai estar em promocao esta semana. Entretanto,a páginas tantas (do folheto, claro) vejo o Bola a iluminar-me o espelho retrovisor, aproximando-se do carro. Saio e dou-lhe um daqueles abracos apertados, como se já nao o visse há tres meses e nao tres dias. Até que ele me devolve ao chao docemente e depois grita tao alto que toda a estacao deve ter ouvido SCHEISSE!!, desatando a correr de seguida. As pessoas em redor olharam-me de lado e eu senti-me na obrigacao de dizer que era inocente. Pois. Esqueceu-se do seu casaco de 300 euros no comboio, que continuou caminho. Afinal, os comboios nao esperam por gente apaixonada que sai do comboio disparada atrás do seu amor moribundo, que já nao saía de casa há tres dias.
Felizmente, como este é um país ainda civilizado, bastou um telefonema para receber o saco de volta no comboio da meia-noite. É maldade dizer que se fosse em Portugal, ele já se podia ter despedido do casaco? É mal-dizer de emigrante? Pouco realista? Se for, desculpem, sim? A distancia torna-me desfasada da realidade do meu país.
- Bola, guardei ali numa caixa de plastico no frigo o resto da couveflor, para amanha temperares. Depois, como na quarta é feriado, se andarmos à rasca dos intestinos, podemos ir pra debaixo dos cobertores fazer uma festa!
O Bola faz um tempero na couveflor inigualável... qualquer coisa avinagrada. Eu até lhe perguntava daqui aos berros, para ele ir ditando e eu escrevendo, mas está a dar a Lara Croft no Hollywood e ele já ficou com os olhos colados na televisao. E eu respeito, claro, pois se eu nao estivesse aqui, também estava a ver a Lara com o seu lábio sexy inferior a fazer fole.
Hoje esteve um bonito dia de Outono. Acho que já aqui expressei vezes sem conta a minha adoracao pela melhor estacao no país das Salsichas. Ainda hoje vinha do trabalho e a reparar nas tonalidades das árvores por que ia passando a caminho de casa. É que em Portugal acho que nao sao tantas as árvores a ganhar os tons de vermelho vivo como aqui. Será por termos menos árvores?
Ontem fui buscar o Bola à estacao e como vi que o comboio estava atrasado, entreti-me a ler os folhetos do supermercado. A luz era parca mas chegava para ver que o lombo de porco vai estar em promocao esta semana. Entretanto,a páginas tantas (do folheto, claro) vejo o Bola a iluminar-me o espelho retrovisor, aproximando-se do carro. Saio e dou-lhe um daqueles abracos apertados, como se já nao o visse há tres meses e nao tres dias. Até que ele me devolve ao chao docemente e depois grita tao alto que toda a estacao deve ter ouvido SCHEISSE!!, desatando a correr de seguida. As pessoas em redor olharam-me de lado e eu senti-me na obrigacao de dizer que era inocente. Pois. Esqueceu-se do seu casaco de 300 euros no comboio, que continuou caminho. Afinal, os comboios nao esperam por gente apaixonada que sai do comboio disparada atrás do seu amor moribundo, que já nao saía de casa há tres dias.
Felizmente, como este é um país ainda civilizado, bastou um telefonema para receber o saco de volta no comboio da meia-noite. É maldade dizer que se fosse em Portugal, ele já se podia ter despedido do casaco? É mal-dizer de emigrante? Pouco realista? Se for, desculpem, sim? A distancia torna-me desfasada da realidade do meu país.
sábado, setembro 29, 2007
náuseas e caprichos
Quando ontem eu já me estava a sentir melhor, lá para o fim do dia, liga o Bola, que foi passar o fin de semaine a Munique:
B - Olá! Estás melhor ou nem por isso?
M - Hmm...ähhhh... para me sentir melhor, só se tivesse aqui um gajo a cozinhar para mim algo exquisite, digno de cuisine asiática. E outro a massajar-me enquanto outro me lia histórias obscenas... (quando o Bola fica muito tempo em silencio, costumo calar-me depressa)
B - Comprei um casaco!!
M - Ai sim? Onde?
B - Aquele que tínhamos visto há dois meses na Wormland.
M - oohhh...
Foi aí que deixei de sentir melhoras, muito pelo contrário. Ora, que fique registado que o Bola - GAJO - comprou um casaco que custa quase tanto como a nossa renda da casa. Nao sei se rie. Nao sei se chore. Mas realmente triste e constipada já nao era divertido. Agora, para juntar ao rol das desgracas, vou passar o mes de Outubro a maizena e a pao de forma de compra.
Isto para sustentar um capricho do gajo com quem casei. E ainda falam de mulheres e sapatos... pff. Estou-me mesmo a sentir mal. E já me esquecia daquela parte em que o gajo da loja - homossexual assumido (que eu já conheco) - se fez a ele descaradamente, sugerindo um encontro depois da transaccao. O Bola nunca mais vai sozinho comprar roupa. Alias, o Bola nunca mais vai comprar roupa. Vou mandá-lo numa missao para Africa. Ou para o Tibete, para junto dos monges. Vaidade masculina em demasia é muito feio. Nao há nada que me deixe mais desinteressada do que a vaidade masculina. Mas é um casaco que dura para a vida! ---> este argumento faz-me agarrar na almofada mais próxima para abafar os meus gritos. Mas quem é que hoje em dia compra roupa prá vida??
B - Olá! Estás melhor ou nem por isso?
M - Hmm...ähhhh... para me sentir melhor, só se tivesse aqui um gajo a cozinhar para mim algo exquisite, digno de cuisine asiática. E outro a massajar-me enquanto outro me lia histórias obscenas... (quando o Bola fica muito tempo em silencio, costumo calar-me depressa)
B - Comprei um casaco!!
M - Ai sim? Onde?
B - Aquele que tínhamos visto há dois meses na Wormland.
M - oohhh...
Foi aí que deixei de sentir melhoras, muito pelo contrário. Ora, que fique registado que o Bola - GAJO - comprou um casaco que custa quase tanto como a nossa renda da casa. Nao sei se rie. Nao sei se chore. Mas realmente triste e constipada já nao era divertido. Agora, para juntar ao rol das desgracas, vou passar o mes de Outubro a maizena e a pao de forma de compra.
Isto para sustentar um capricho do gajo com quem casei. E ainda falam de mulheres e sapatos... pff. Estou-me mesmo a sentir mal. E já me esquecia daquela parte em que o gajo da loja - homossexual assumido (que eu já conheco) - se fez a ele descaradamente, sugerindo um encontro depois da transaccao. O Bola nunca mais vai sozinho comprar roupa. Alias, o Bola nunca mais vai comprar roupa. Vou mandá-lo numa missao para Africa. Ou para o Tibete, para junto dos monges. Vaidade masculina em demasia é muito feio. Nao há nada que me deixe mais desinteressada do que a vaidade masculina. Mas é um casaco que dura para a vida! ---> este argumento faz-me agarrar na almofada mais próxima para abafar os meus gritos. Mas quem é que hoje em dia compra roupa prá vida??
sexta-feira, setembro 28, 2007
assim se vai
Em meu redor, temos duas chávenas de chá, um pacote de rebucados para a tosse de cereja e mel (pois, pensei... mas nao sao bons), uma caixa de lencos de papel e outros tantos usados, que entretanto foram parar ao chao. O aspecto do meu nariz podia meter-me em sarilhos perante uma acusacao de snifar cola ou coisas piores. A sorte é a probabilidade de alguem me acusar de tal coisa ser bastante reduzida. Nula quase. Pois. Fiquei em casa, hoje. Nao fui trabalhar. Ontem de manha ainda me contrariei e fui, mas passei o dia com arrepios, a espirrar e a baralhar os meus colegas que me viam de dez em dez minutos com os mamilos a apontar na direccao deles. Mas hoje, acordei um pouco pior e decidi ficar de molho. Eu e os meus olhos pequeninos, com tres mangas e tapada com outros tres cobertores. E o aquecimento.Há quem diga que o nosso corpo se torna um alvo mais fácil a doencas e/ou infeccoes, quando nos sentimos mais para baixo. Pode ser disso. Passei a semana um pouco tristonha a colocar-me questoes como o que é que eu estou aqui a fazer quando as pessoas de quem gosto e com quem quero estar todos os dias moram longe daqui, ou (tomemos o molde frasico)
O que é que estou aqui a fazer quando estes gajos nao sabem fazer bom pao?
O que é que bla.... , longe de uma boa feijoada?
O que..... , sem ter amigos? (ok, já me estou a repetir)
Quando vim para cá, era o Bola. Agora é o Bola e o emprego. O Bola é quase portátil, nao fosse o seu speech impediment, no que toca à língua portuguesa. Estas férias, a dada altura deixei de ser a esposa querida e amorosa, sempre a traduzir tudo para ele nao perder pitada. Para que facilitar tanto? Para, de todas as vezes que lá vamos, falar um bocadinho de ingles com este e tal, e depois afinal, nem ser mesmo preciso falar ingles, porque há sempre uma pacovia (eu) que lhe traduz tudo? Há que lidar com a dificuldade. Esta é a minha nova divisa. Desta vez apercebi-me que nao vou querer morar aqui o resto dos meus dias. A dada altura, quero regressar. E é urgente que ele se comece a dedicar a sério ao portugues. O meu humor fantástico ultrapassa-me hoje. Alias, é o meu humor e o ranho, vou é afastar o teclado daqui e aterrar no sofá a sonhar que vivo em Beverly Hills e sou cheerleader.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Alexandermannsblog - em alemao
Um alemao a viver em Lisboa. Um post sobre os contrastes Lisboa - Munique.
em fase de negacao
Ontem aterrei em Munique às tres da tarde. Bastou entrar nas instalacoes do aeroporto para me dar conta que estava outra vez no País das Salsichas. Indicadores de que já nao estou em Portugal:- quando vamos recolher as malas, muitas vezes, elas já lá chegaram antes de nós.
- ninguém desata a falar ao telemovel, muito menos a ligá-lo logo quando o aviao ainda nao estacionou.
- o silencio em meu redor é sepulcral.
Tudo se desenrola muito smooth, demasiado ordenado, demasiado metódico. Sem confusao. Sem a confusao que me faz tanta falta, apesar de me baralhar tanto no primeiro dia em que entro nela. Na Alemanha, as pessoas falam menos. Nao falam por tudo e por nada. Nao encetam conversa com a pessoa que se encontra na mesma paragem de autocarro, depois de perguntar as horas. Nao perguntam as horas, sequer. Nao dao um abraco de felicidade ao senhor do quiosque quando veem que a Planeta Agostini lancou finalmente os DVDS da Ana dos Cabelos Ruivos (outra alegria destas ferias). Se calhar nem os portugueses fazem isto, pronto. Mas eu emocionei-me.
Sempre que regresso de Portugal, passo uns dias em negacao. A fazer-me as perguntas do costume. Se é pra aqui que fico, porque nao desisto, porque e porque e porque... portanto, para nao pensar tanto, pelo menos por agora, vou ver o primeiro episódio da Ana.
somos como os cogumelos
Desta vez, precavi-me e depois de chegada das férias, só fui trabalhar de tarde neste primeiro dia tao violento. O que, claro, torna o impacto muito menos doloroso, pois quando olhamos para o relógio, já é tempo de voltar para casa. Felizmente e para grande surpresa minha, está um óptimo tempo por cá. Que consta que acaba hoje. Ontem quando cheguei, estavam 21 graus à noite. Hoje o sol brilhou o dia todo. Conto com mais um belo Outono.
Cheguei ao trabalho e as minhas coisas estavam no lugar onde me sento a partir de agora. À janela, como eu queria. Com os colegas fixes do meu escritório. Bastou abrir o mail para me esquecer depressa do lugar maravilhoso onde agora está a minha secretária. Mas também nao me chateei muito, já há algum tempo que perdi aquela urgencia em querer resolver tudo no momento. Fiquei até às seis da tarde e depois vim buscar o Bola para irmos às compras, pois estávamos com o frigorífico vazio.
O momento alto do dia foi quando eu estava na seccao dos desodorizantes, no supermercado, e a certa altura, comeco a ouvir vozes. O que é de facto, uma surpresa enorme num supermercado. As vozes que eu ouvi falavam em portugues. Estou a viver aqui há mais de tres anos e NUNCA até à data me apercebi da existencia de portugueses aqui, que nao aqueles que me veem visitar. Hoje foi o abencoado dia. Especialmente num dia em que ainda estou de ressaca sentimental, com aquela tristeza da emigrante que deixou para trás a sua terra do galo de Barcelos, esse ícono piroso do nosso kitsch. Claro que os dois desgracados que andavam às compras nao escaparam. Agarrei no meu nivea roll on for men e devagarinho, como quem se movimenta sem ser vista, fui atrás dos dois, examinando o carrinho de compras, caras e pinta. Dez decibéis acima, pergunto, estridente:
- VOCES SAO PORTUGUESES?
Até deram um salto, pois nao sabiam que eu estava atrás deles. Depois de me contarem a sua breve história e de eu quase me ter oferecido para ir fazer o resto das compras com eles, apontei o meu número de telefone e o meu email numa folha do bloquinho da Barbie e disse-lhes para me telefonarem, se tiverem algum problema. Ajudar é a minha divisa. E fiquei tao contente por ter conhecido portugueses aqui no supermercado... parece que me apagou parte da tristeza. O Bola é que insiste que quando eu disse telefonem-me!! num tom quase assustador, ele conseguiu ver medo nas caras deles. Mas vou esperar pelo telefonema. Sentada, mas à espera.
Cheguei ao trabalho e as minhas coisas estavam no lugar onde me sento a partir de agora. À janela, como eu queria. Com os colegas fixes do meu escritório. Bastou abrir o mail para me esquecer depressa do lugar maravilhoso onde agora está a minha secretária. Mas também nao me chateei muito, já há algum tempo que perdi aquela urgencia em querer resolver tudo no momento. Fiquei até às seis da tarde e depois vim buscar o Bola para irmos às compras, pois estávamos com o frigorífico vazio.
O momento alto do dia foi quando eu estava na seccao dos desodorizantes, no supermercado, e a certa altura, comeco a ouvir vozes. O que é de facto, uma surpresa enorme num supermercado. As vozes que eu ouvi falavam em portugues. Estou a viver aqui há mais de tres anos e NUNCA até à data me apercebi da existencia de portugueses aqui, que nao aqueles que me veem visitar. Hoje foi o abencoado dia. Especialmente num dia em que ainda estou de ressaca sentimental, com aquela tristeza da emigrante que deixou para trás a sua terra do galo de Barcelos, esse ícono piroso do nosso kitsch. Claro que os dois desgracados que andavam às compras nao escaparam. Agarrei no meu nivea roll on for men e devagarinho, como quem se movimenta sem ser vista, fui atrás dos dois, examinando o carrinho de compras, caras e pinta. Dez decibéis acima, pergunto, estridente:
- VOCES SAO PORTUGUESES?
Até deram um salto, pois nao sabiam que eu estava atrás deles. Depois de me contarem a sua breve história e de eu quase me ter oferecido para ir fazer o resto das compras com eles, apontei o meu número de telefone e o meu email numa folha do bloquinho da Barbie e disse-lhes para me telefonarem, se tiverem algum problema. Ajudar é a minha divisa. E fiquei tao contente por ter conhecido portugueses aqui no supermercado... parece que me apagou parte da tristeza. O Bola é que insiste que quando eu disse telefonem-me!! num tom quase assustador, ele conseguiu ver medo nas caras deles. Mas vou esperar pelo telefonema. Sentada, mas à espera.
terça-feira, setembro 18, 2007
assim se vai, de férias
Já tomei vários cafés e tenho comido a comida saudável do nosso país, refiro-me claro aos ovos moles, travesseiros e tudo o que me encaminhe mais depressa para as doenças cardio-vasculares. Cardio-vascular é uma daquelas palavras feias, que só foi inventada para nos criar problemas. Sim, tá bem, nós vamos todos barrar o pão com Becel e beber um Danacol por dia. Chatos, pá.
O Bola está a curtir Portugal. Especialmente as estradas portuguesas. Acho que neste fim-de-semana, em que estivemos num encontro de família que se realiza de dois em em dois anos, ele viu pela primeira vez as vantagens de não perceber português.
Quarta-feira vamos a Aveiro, depois Coimbra, depois praia, depois Lisboa. E depois voltamos à nossa simple life nas salsichas, após um inadiável encontro com o kispo de penas.
Quarta-feira vamos a Aveiro, depois Coimbra, depois praia, depois Lisboa. E depois voltamos à nossa simple life nas salsichas, após um inadiável encontro com o kispo de penas.
quarta-feira, setembro 12, 2007
era samsonite mas ja nao é
Bastou o tempo ter ficado frio, para a minha rotina se alterar e me ter tornado ainda mais preguicosa. Talvez seja difícil imaginar que dois países mais para a direita já está um frio de rachar. Mas é verdade. Neste momento tenho tres mangas, sendo que a ultima é de malha polar. Ao meu colo tenho uma manta onde escondo a minha foca, com o saco de agua quente por dentro. As maos estao frias. O Bola convenceu-me a ligarmos o aquecimento depois de regressarmos de Portugal, razao pela qual nestas ultimas duas semanas, ainda nao sao nove e meia da noite e eu ja estou na cama. A ler, ao telefone, fazer to-do lists, unhas, sobrancelhas, etc. Quando o frio chega e os dias parecem muito mais curtos, sinto mesmo que a rotina inclui demasiadas horas de trabalho. Passo o dia sentada à minha secretária. É tanto o tempo que lá passo que nao posso deixar de pensar naquele episódio do Nip Tuck, em que aquele médico bonzinho (o sentimental) foi tentar safar uma senhora que estava há tres anos sentada no mesmo sofa sem nunca mais se ter levantado. As bactérias eram tantas devido às fibras do sofá, necessidades e restos de comida que se foram acumulando por baixo dela e em seu redor, que ela ficou literalmente colada ao sofa. Foi um episódio um bocado nojento. Com medo que isto me aconteca, tento levantar-me todas as horas e ir fazer um chá de ervas. É que na série, a gaja morre.
Hoje fui comprar uma mala. Nem todas somos lindas de suza, que fazemos uma de cartao. A minha mala enorme, preta e muito dura estragou-se. Enorme... preta... e dura... pois, a mala. Como foi o meu Pai que ma comprou antes de eu vir de vez para cá, claro que me custou que ela se tivesse partido exactamente naquela parte onde fecha com o código, tornando-a inutilizável.
É incrível como estas pessoas que trabalham nestas loja de carteiras e malas teem um ar incrivelmente secante. Tao secante que fico com medo de as fitar nos olhos, nao vá eu ficar entendiante também. O tipo contou-nos basicamente a história da Samsonite desde os primórdios, depois passou para os novos materiais com que se fazem as malas hoje em dia e da passagem samsonite-american tourister, que é uma história que nos pode mesmo por a dormir, num dia de semana, depois de várias horas de trabalho. O Bola que costuma ser muito delicado, hoje nem esbocou o seu sorriso diplomático habitual, mas interrompeu a história da samsonite várias vezes, nao deixando o homem embarcar em mais um delírio com malas. Nao há nada mais bonito do que se fazer e falar daquilo de que se gosta tanto. Embora tanto entusiasmo possa meter medo. Meter medo mete o facto de ele me fazer lembrar o personagem da noiva do Tim Burton. Sim, eu própria tambem me espanto com as minhas analogias, mas aquele ar de magrinho assustado era mesmo igual. Estou a pensar passar lá na loja daqui a uns dias e perguntar-lhe como corre a vendas das mochilas. Eu gosto de dar uma alegria a estas pessoas. Fui escuteira.
Já tenho mala, bilhetes de aviao e passaporte. Portugal, me aguarda, vai. Sexta-feira espero aterrar no calorzinho. Já engomei a roupa de Verao com amor.
Pergunta para reflexao: Porque malas american tourister? Nao é um nome incrivelmente parvo?
Hoje fui comprar uma mala. Nem todas somos lindas de suza, que fazemos uma de cartao. A minha mala enorme, preta e muito dura estragou-se. Enorme... preta... e dura... pois, a mala. Como foi o meu Pai que ma comprou antes de eu vir de vez para cá, claro que me custou que ela se tivesse partido exactamente naquela parte onde fecha com o código, tornando-a inutilizável.
É incrível como estas pessoas que trabalham nestas loja de carteiras e malas teem um ar incrivelmente secante. Tao secante que fico com medo de as fitar nos olhos, nao vá eu ficar entendiante também. O tipo contou-nos basicamente a história da Samsonite desde os primórdios, depois passou para os novos materiais com que se fazem as malas hoje em dia e da passagem samsonite-american tourister, que é uma história que nos pode mesmo por a dormir, num dia de semana, depois de várias horas de trabalho. O Bola que costuma ser muito delicado, hoje nem esbocou o seu sorriso diplomático habitual, mas interrompeu a história da samsonite várias vezes, nao deixando o homem embarcar em mais um delírio com malas. Nao há nada mais bonito do que se fazer e falar daquilo de que se gosta tanto. Embora tanto entusiasmo possa meter medo. Meter medo mete o facto de ele me fazer lembrar o personagem da noiva do Tim Burton. Sim, eu própria tambem me espanto com as minhas analogias, mas aquele ar de magrinho assustado era mesmo igual. Estou a pensar passar lá na loja daqui a uns dias e perguntar-lhe como corre a vendas das mochilas. Eu gosto de dar uma alegria a estas pessoas. Fui escuteira.
Já tenho mala, bilhetes de aviao e passaporte. Portugal, me aguarda, vai. Sexta-feira espero aterrar no calorzinho. Já engomei a roupa de Verao com amor.
Pergunta para reflexao: Porque malas american tourister? Nao é um nome incrivelmente parvo?
domingo, setembro 09, 2007
sábado, setembro 08, 2007
é dos óculos
Entao diz que a gripe das aves chegou à Oberpfalz - onde eu moro. Yupie?? Yupie!!!
Eu bem que há umas duas semanas atrás vi um pássaro caído lá num canteiro ao pé do sítio onde eu trabalho e comentei com alguem, que talvez fosse boa ideia remover e verificar. Estava com um ar de quem podia ter gripe das aves, eu até percebo do assunto e tal. Pronto.
Mas claro que hoje no jornal local essa notícia foi completamente abafada pela da mae da Maddie. Ora a Sic e a Tvi já teem mais novidades para mastigar. Ontem tive oportunidade de ver a mae da Maddie a entrar e sair da Policia Judiciária umas 75 vezes. (eu estava a engomar e nao sabia do comando)
Hoje tá de chuva. Já anda tudo de botas altas na rua e cachecol. Diz que em Portugal tá quente e recomenda-se. E ainda bem que assim é, pois sexta-feira também lá vou estar. Eu com a carteira cheia de pastéis de nata e bacalhau. Pronto, bacalhau talvez nao.
Este fds é um fds de Outono, mas mesmo assim ainda vamos passear às terras do Wagner, o compositor. Antes de sair, tenho de enfiar a roupa do meu cunhado na máquina, coisa que convém ser eu a fazer, pois da última vez que ele decidiu lavar a roupa dele aqui, retirou da máquina tudo o que eu já lá tinha posto, que por acaso era a minha roupa interior de uma semana. E eu gosto muito do meu cunhado, mas a ideia de ele andar a mexer nas minhas cuecas nao é propriamente hilariante.
Tenho um look novo, pois enquanto as minhas lentes de contacto nao chegam, ando com os meus óculos novos violeta, que me dao aquele ar de secretária marota. Já agora, verifiquem se as lentes também vos ficam mais baratas aqui do que na loja, a mim ficam. Tenho de por aqui uma foto, assim com o meu dedo indicador no queixo e a morder um lápis, para ter o ar maroto a 100%. Tenho andado, portanto, de óculos para todo o lado. Sinto-me outra, agora até já vejo as caras das pessoas como elas sao. Tenho colegas tao bonitos! E por falar em colegas bonitos, fiz um amigo checo lá no trabalho. Ele fez formacao comigo há umas semanas e nao fala alemao. O ingles dele é fraco e eu tento ajudá-lo, sem lhe olhar para os biceps. Ele tem um óptimo coracao, parece demasiado inocente para a idade , e para além destes atributos, tambem tem um bom six-pack (adivinho). É mais jeitoso que os palhacos dos manos Guedes. E as minhas colegas de departamento ficam em pulgas quando o veem aparecer junto da minha secretária. Ele arranja-me filmes e eu explico-lhe a gramática de ingles. Mando-lhe emails sobre o tempo, sobre o que fiz no fds.
Querido Penfriend,
Entao hoje vais sair para alguma intervencao ou ficas cá? Estás bom?
Até logo,
Minhoca
E ele responde, coisas como:
tudo bem. Eu hoje ficar cá, nao ter intervencao. Eu hoje ficar no costume, debaixo de ti.
Pois, as minhas colegas ficaram aos gritinhos com um email tao inocente. Debaixo de mim é no piso imediatamente debaixo do meu, na direccao da minha secretária. As minhas colegas nao se absteem de comentarios maliciosos quando ele passa, perante os quais ele se ri pois nao percebe. Se o checo tem malícia (tem de ter), esconde-a bem e isso é o mais precioso (para alem dos filmes que me arranja) nele. Ser jeitoso mas inseguro e extremameeeeeente prestável. E bonzinho, sempre a sorrir, a expor a sua fila colgate e a causar suspiros por onde passa. Assim tipo aquele Jered Smith, namorado da Samantha Jones do Sexo e cidade. A minha amizade com o checo é boazinha, sem intencoes, eu sou mesmo amiga dele. Nao posso ser amiga dum gajo onde todas querem fazer umas festinhas? Se elas querem fotos dele em roupa interior, nao vou ser eu a arranjar. Mas gostava de ver. A minha marotice é só dos óculos, sou assim uma variante de Clark Kent, sendo que a mim os óculos me poem a marotice.
Eu bem que há umas duas semanas atrás vi um pássaro caído lá num canteiro ao pé do sítio onde eu trabalho e comentei com alguem, que talvez fosse boa ideia remover e verificar. Estava com um ar de quem podia ter gripe das aves, eu até percebo do assunto e tal. Pronto.
Mas claro que hoje no jornal local essa notícia foi completamente abafada pela da mae da Maddie. Ora a Sic e a Tvi já teem mais novidades para mastigar. Ontem tive oportunidade de ver a mae da Maddie a entrar e sair da Policia Judiciária umas 75 vezes. (eu estava a engomar e nao sabia do comando)
Hoje tá de chuva. Já anda tudo de botas altas na rua e cachecol. Diz que em Portugal tá quente e recomenda-se. E ainda bem que assim é, pois sexta-feira também lá vou estar. Eu com a carteira cheia de pastéis de nata e bacalhau. Pronto, bacalhau talvez nao.
Este fds é um fds de Outono, mas mesmo assim ainda vamos passear às terras do Wagner, o compositor. Antes de sair, tenho de enfiar a roupa do meu cunhado na máquina, coisa que convém ser eu a fazer, pois da última vez que ele decidiu lavar a roupa dele aqui, retirou da máquina tudo o que eu já lá tinha posto, que por acaso era a minha roupa interior de uma semana. E eu gosto muito do meu cunhado, mas a ideia de ele andar a mexer nas minhas cuecas nao é propriamente hilariante.
Tenho um look novo, pois enquanto as minhas lentes de contacto nao chegam, ando com os meus óculos novos violeta, que me dao aquele ar de secretária marota. Já agora, verifiquem se as lentes também vos ficam mais baratas aqui do que na loja, a mim ficam. Tenho de por aqui uma foto, assim com o meu dedo indicador no queixo e a morder um lápis, para ter o ar maroto a 100%. Tenho andado, portanto, de óculos para todo o lado. Sinto-me outra, agora até já vejo as caras das pessoas como elas sao. Tenho colegas tao bonitos! E por falar em colegas bonitos, fiz um amigo checo lá no trabalho. Ele fez formacao comigo há umas semanas e nao fala alemao. O ingles dele é fraco e eu tento ajudá-lo, sem lhe olhar para os biceps. Ele tem um óptimo coracao, parece demasiado inocente para a idade , e para além destes atributos, tambem tem um bom six-pack (adivinho). É mais jeitoso que os palhacos dos manos Guedes. E as minhas colegas de departamento ficam em pulgas quando o veem aparecer junto da minha secretária. Ele arranja-me filmes e eu explico-lhe a gramática de ingles. Mando-lhe emails sobre o tempo, sobre o que fiz no fds.
Querido Penfriend,
Entao hoje vais sair para alguma intervencao ou ficas cá? Estás bom?
Até logo,
Minhoca
E ele responde, coisas como:
tudo bem. Eu hoje ficar cá, nao ter intervencao. Eu hoje ficar no costume, debaixo de ti.
Pois, as minhas colegas ficaram aos gritinhos com um email tao inocente. Debaixo de mim é no piso imediatamente debaixo do meu, na direccao da minha secretária. As minhas colegas nao se absteem de comentarios maliciosos quando ele passa, perante os quais ele se ri pois nao percebe. Se o checo tem malícia (tem de ter), esconde-a bem e isso é o mais precioso (para alem dos filmes que me arranja) nele. Ser jeitoso mas inseguro e extremameeeeeente prestável. E bonzinho, sempre a sorrir, a expor a sua fila colgate e a causar suspiros por onde passa. Assim tipo aquele Jered Smith, namorado da Samantha Jones do Sexo e cidade. A minha amizade com o checo é boazinha, sem intencoes, eu sou mesmo amiga dele. Nao posso ser amiga dum gajo onde todas querem fazer umas festinhas? Se elas querem fotos dele em roupa interior, nao vou ser eu a arranjar. Mas gostava de ver. A minha marotice é só dos óculos, sou assim uma variante de Clark Kent, sendo que a mim os óculos me poem a marotice.
terça-feira, setembro 04, 2007
oficial: chegou o frio
Dou conta do frio quando entro na casa-de-banho e fico mais tempo do que o necessário debaixo da água quente. Tipo hoje. Tenho de convencer o Bola que vamos precisar de aquecimento antes do final de Outubro, como ele dizia ontem. Ou será que estava a gozar, com o seu humor alemao...? Acabaram-se sandálias, sapatos sem meias e as mangas curtas. Já posso arrumar tudo no fundo do armario até ao ano que quem.
Bonito por cá costuma ser o Outono, quando nao chove muito. É a estacao mais bonita na Alemanha. Da primeira vez que cá cheguei era Outubro e fiquei encantada com a paisagem. Na altura, tinha o pé em gesso e chegava a casa sempre com o pé enrolado em folhas. A certa altura, tive de passar a dormir com um saco plastico amarrado no pé. O gesso era inviável, pois nao dava para tirar sempre que me apetecia, tendo que me deitar na cama com algo que ja nem era bem gesso mas uma mistura nojenta de qualquer coisa. Nunca mais me esqueco da quantidade de gente que veio ver o meu pé lá na clínica universitária, quando me retiraram aquela porcaria. Nao consegui perceber bem se o fascínio era pela minha perna nao depilada há tres meses, ou se pelo gesso que, segundo um deles já nao viamos disso desde os anos setenta. Na altura, os meus conhecimento de alemao nao eram vastos, pelo que nao entendi a importancia da fisioterapia, que nao fiz. No dia em que vi o meu pé novamente como eu o sempre conhecera, o que eu quis foi andar até nao poder mais. Devo ter corrido mais que o Forrest Gump. As sequelas de tal comportamento sinto-as ainda hoje. Por essa razao, é que passo os sacos das compras para o Bola, para nao me cansar, por exemplo.
Hoje passei o dia com sono, apareceu-me uma borbulha feia no queixo e tive um bad hair day. Vou-me sentar no sofá com uma taca de iogurte natural, nozes picadas e mel. Para me animar. Como só a comida consegue fazer.
Bonito por cá costuma ser o Outono, quando nao chove muito. É a estacao mais bonita na Alemanha. Da primeira vez que cá cheguei era Outubro e fiquei encantada com a paisagem. Na altura, tinha o pé em gesso e chegava a casa sempre com o pé enrolado em folhas. A certa altura, tive de passar a dormir com um saco plastico amarrado no pé. O gesso era inviável, pois nao dava para tirar sempre que me apetecia, tendo que me deitar na cama com algo que ja nem era bem gesso mas uma mistura nojenta de qualquer coisa. Nunca mais me esqueco da quantidade de gente que veio ver o meu pé lá na clínica universitária, quando me retiraram aquela porcaria. Nao consegui perceber bem se o fascínio era pela minha perna nao depilada há tres meses, ou se pelo gesso que, segundo um deles já nao viamos disso desde os anos setenta. Na altura, os meus conhecimento de alemao nao eram vastos, pelo que nao entendi a importancia da fisioterapia, que nao fiz. No dia em que vi o meu pé novamente como eu o sempre conhecera, o que eu quis foi andar até nao poder mais. Devo ter corrido mais que o Forrest Gump. As sequelas de tal comportamento sinto-as ainda hoje. Por essa razao, é que passo os sacos das compras para o Bola, para nao me cansar, por exemplo.
Hoje passei o dia com sono, apareceu-me uma borbulha feia no queixo e tive um bad hair day. Vou-me sentar no sofá com uma taca de iogurte natural, nozes picadas e mel. Para me animar. Como só a comida consegue fazer.
sábado, setembro 01, 2007
cabines telefonicas?
O meu irmao está por uns meses em Madrid em trabalho e para além dos restaurantes que diz que sao óptimos, ele nao recomenda por exemplo o museu do prado, mas algumas lojas que diz serem MUITO ENGRACADAS. E como este blog nao se centra apenas na minha melancólica e mundana vida, acho que devo aproveitar dicas úteis e dar-lhes continuidade. Afinal, Madrid é já ali e quando menos esperamos, estamos a passar por lá.
Sao umas lojas onde diz que ele entrou há uns dias, pra ser mais precisa, uns compartimentos na loja, onde ele pos uma moeda de um euro e assim do nada, aparece uma jovem a despir-se MUITO DEPRESSA, sorrindo para ele. Sao apenas 60 segundos de euforia, mas uma experiencia muito engracada, nao é normal ver-se uma mulher a despir-se tao depressa e ainda para cima a sorrir para nós como se fossemos mesmo uns borrachos. (citar é mais fácil) Consta que lá ao lado tem um baldinho, que eu presumo ser para quem quiser vomitar. Deve haver muita gente que nao sabe ao que vai e depois apanha um valente susto. E se for depois do jantar, é natural que o estomago resmungue. 

chá, manta e sorna
Pois bem. Outono, que sejas bem-vindo. Com tardes destas, de chuva sem fim, quase que dá para arrastar o Bola para o sofá, de manta e urso de peluche debaixo do braco pra irmos ver um filme. Em portugues, nao há palavra que exprima o maravilhoso KUSCHELN em alemao ou o CUDDLE em ingles. Que é que a malta faz quando esta no sofa de manta, esteja alguem connosco ou nao.
Depois um de nós levanta-se e vai à cozinha fazer uns miminhos para comermos. Normalmente tudo coisas muito saudáveis, o Bola é assim, sempre preocupado em comer todos os nutrientes essenciais, evitando acucares e gordura. Ele é mais folhas de alface e copo de água. E quando eu lhe digo que quero uns cubos de queijo com as minhas uvas seedless, ele olha-me com desdém e diz-me que o meu plano Weight Watchers nao contempla queijo com mais de 40% de gordura. 

E aproveita para perguntar É engracado, mas porque é que os portugueses, quando vao visitar alguem ou quando veem de Portugal, trazem sempre um queijo? Ou queijo ou aquele peixe esquisito, cinzento e seco... porque? Esse peixe tem tanto de saboroso como de aspecto?
Tao querido, o meu Bola. Ainda nao o mergulhei a sério na cultura gastronómica da minha pátria, coisa que tenciono fazer agora daqui a duas semanas. Aliás, quero lá eu saber das pessoas. Desta vez, vou mais pela comida. Ando decontrolada. Só penso em comida. Em ovos moles, travesseiros, feijoada, pastéis de Belém, bola de vinha d'alhos, queijadas de Coimbra, pastéis de Tentúgal, you name it. Estou praticamente em greve de fome. Sendo que nao em protesto. Deixa de ser greve por isso?
Hoje pretendo passar o serao a ver o The Contract, que é um filme que só trouxe pelos actores. Nao sei nada da história. Gosto tanto dum como do outro. Depois vou engomar, dormir, procurar coisas que perdi pela casa fora e que preciso de encontrar. O bom-senso, esse, nao encontro jamais.
quinta-feira, agosto 30, 2007
atendimento ao cliente é amigo
E a luz regressa. Com a Tvcabo, claro. Claro que enquanto esperei que me atendessem a chamada, tive de tempo de fazer xixi, lavar as maos, carregar a maquina da roupa, por o leite no micro-ondas, atirar pra la os cereais, comecar a come-los e brindar a pessoa que me atendeu com um som CRUNCH. Um beijinho para a Snowgaze, que me deu a dica. Fatalista que só eu, achava que cartao desactivado é algo irreversível. Mas os senhores da tvcabo sao uns porreiros e activaram logo o cartao antigo enquanto eu estava ainda ao telefone. Vai daí, como que num passe de mágica, aparece a cara daquele espantalho que dá pelo nome de Rita Ferro Rodrigues e eu tive de explicar a senhora da tvcabo que se era pra aparecer a parvinha da Rita, era preferivel continuar com o cartao bloqueado. Mas contive-me a tempo.
Porque é que a Rita que era uma sonsa, agora num programa que dá à tarde, tem a mania que conhece todos como se fossem ali os vizinhos da esquina, e revela tiques de tipa parva? Nao me recordo de nenhum evento televisivo que justifique a transformacao de sonsa para chata. E um evento televisivo que agarre nas Chiquitias e as envie para Peniche, para a antiga Prisao de Sao Baptista? Isso é que era.
Agora com a Tv já posso passar a tarde a engomar os 56kilos de roupa que deixei a acumular.
É preciso dar as boas-vindas ao Outono, que ele tá já aí.
Porque é que a Rita que era uma sonsa, agora num programa que dá à tarde, tem a mania que conhece todos como se fossem ali os vizinhos da esquina, e revela tiques de tipa parva? Nao me recordo de nenhum evento televisivo que justifique a transformacao de sonsa para chata. E um evento televisivo que agarre nas Chiquitias e as envie para Peniche, para a antiga Prisao de Sao Baptista? Isso é que era.
Agora com a Tv já posso passar a tarde a engomar os 56kilos de roupa que deixei a acumular.
É preciso dar as boas-vindas ao Outono, que ele tá já aí.
quarta-feira, agosto 29, 2007
a vida sem smartcard
Hoje tive de me mentalizar que há vida para alem da Tvcabo. Chego a casa. Pouso os sacos com as coisas importantes para comprar hoje:
- t-shirts brancas para o Bola
- filtros de café
, faco tres tostas com queijo, despejo umas bolinhas de cereais nesquick, daqueles que parecem cocó de um animal pequeno qualquer, e vou aos saltinhos para a sala sentindo aquilo que os alemaes chamam de Vorfreude. A alegria anteripor à algria. Ajeito as minhas almofadas preferidas no sofá, ponho o telemovel e o telefone em cima da mesa e está tudo a postos para umas duas horas de processo vegetativo. Em que como, sou embalada pela tv (o que está a passar, é quase irrelevante), depois como outra vez, volto a adormecer. Como veem, sou uma miuda de gostos simples, que fica feliz com tao pouco. Tostas, almofadas, ronha. Mal eu sabia.
A minha mao agarra no telecomando e é aí que a minha cara congela e a minha mao comeca a tremelicar. O SEU CARTAO FOI BLOQUEADO, PARA MAIS INFORMACOES CONTACTAR BLA BLA BLA. Nao há muitas coisas que me facam largar a comida e sair de casa disparada. Mas ainda há algumas.
Chego aos correios, deixando o carro estacionado de forma escandalosa e, ainda a arfar e com a faca ruborizada de fúria, tentando nao saltar para o lado de dentro do balcao, digo, tentando manter as minhas emocoes controladas (muito dificil,mas o Bola anda-me a ensinar):
- Eu estou com um problema gravissimo!! Estou à espera de uma carta há uma semana, que contém um cartao muito importante. Sábado de manha, estava eu na ronha a sonhar com as pastelarias portuguesas, quando oico o carteiro tocar à campainha. Nem abri os olhos, pois sei que voces costumam deixar um talao para eu vir levantar a carta. Ora, eu nao tenho talao, mas sei que VOCES TEEM AÍ UMA CARTA PRA MIM, e é bom que a vá buscar, caso contrário parto isto tudo e vou pra comunicacao social. (palavra magica na Alemanha: Bild Zeitung - o jornal com maior tirada e menos conteúdo)
O funcionário dos correios, expedito que só ele, disse que ia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance, o que eu achei pouco, mas sempre ouvi dizer que somos mais felizes se nos contentarmos com pouco. Depois de me perguntar tres vezes como eu me chamo (Minhoca nao é fácil de se pronunicar em alemao, ali aquele 'nh' deixa os alemaes sempre a pensar em caipirinha,que leem caipirinia, mas nem assim), lá foi procurar um envelope que nao chegou a aparecer.
Vim para casa num berreiro semelhante ao do Ben Stiller quando largou a casa da Mary (do Doidos por Mary, esse classico), depois de ter dito que ela devia era ficar com o Woogie e nao com ele. Só que no caso do Ben, a Mary voltou pra ele eacabou o berreiro. No meu caso, nao há sinal de carta. Sempre que olho para a Tv, os meus olhos inundam-se. Nao há sinal de smartcard da Tvcabo e eu sinto-me vazia. A Tv é a minha amiga quando mais ninguem quer falar comigo, o que realmente acontece muito frequentemente. É em frente à Tv que eu coso buracos nas meias do Bola, engomo a roupa, falo ao telefone, corto e limo as unhas. Todos os momentos mais importantes da minha vida foram passados (?) em frente à Tv. Tanto silencio fez-me ir dormir, tao grande que era a tristeza. Alguém que me abane e diga que isto é um pesadelo.
Ou alguém que me diga que ler é quase a mesma coisa. Mas eu ainda sei ler? Os livros sao fixes... nao?
- t-shirts brancas para o Bola
- filtros de café
, faco tres tostas com queijo, despejo umas bolinhas de cereais nesquick, daqueles que parecem cocó de um animal pequeno qualquer, e vou aos saltinhos para a sala sentindo aquilo que os alemaes chamam de Vorfreude. A alegria anteripor à algria. Ajeito as minhas almofadas preferidas no sofá, ponho o telemovel e o telefone em cima da mesa e está tudo a postos para umas duas horas de processo vegetativo. Em que como, sou embalada pela tv (o que está a passar, é quase irrelevante), depois como outra vez, volto a adormecer. Como veem, sou uma miuda de gostos simples, que fica feliz com tao pouco. Tostas, almofadas, ronha. Mal eu sabia.
A minha mao agarra no telecomando e é aí que a minha cara congela e a minha mao comeca a tremelicar. O SEU CARTAO FOI BLOQUEADO, PARA MAIS INFORMACOES CONTACTAR BLA BLA BLA. Nao há muitas coisas que me facam largar a comida e sair de casa disparada. Mas ainda há algumas.
Chego aos correios, deixando o carro estacionado de forma escandalosa e, ainda a arfar e com a faca ruborizada de fúria, tentando nao saltar para o lado de dentro do balcao, digo, tentando manter as minhas emocoes controladas (muito dificil,mas o Bola anda-me a ensinar):
- Eu estou com um problema gravissimo!! Estou à espera de uma carta há uma semana, que contém um cartao muito importante. Sábado de manha, estava eu na ronha a sonhar com as pastelarias portuguesas, quando oico o carteiro tocar à campainha. Nem abri os olhos, pois sei que voces costumam deixar um talao para eu vir levantar a carta. Ora, eu nao tenho talao, mas sei que VOCES TEEM AÍ UMA CARTA PRA MIM, e é bom que a vá buscar, caso contrário parto isto tudo e vou pra comunicacao social. (palavra magica na Alemanha: Bild Zeitung - o jornal com maior tirada e menos conteúdo)
O funcionário dos correios, expedito que só ele, disse que ia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance, o que eu achei pouco, mas sempre ouvi dizer que somos mais felizes se nos contentarmos com pouco. Depois de me perguntar tres vezes como eu me chamo (Minhoca nao é fácil de se pronunicar em alemao, ali aquele 'nh' deixa os alemaes sempre a pensar em caipirinha,que leem caipirinia, mas nem assim), lá foi procurar um envelope que nao chegou a aparecer.
Vim para casa num berreiro semelhante ao do Ben Stiller quando largou a casa da Mary (do Doidos por Mary, esse classico), depois de ter dito que ela devia era ficar com o Woogie e nao com ele. Só que no caso do Ben, a Mary voltou pra ele eacabou o berreiro. No meu caso, nao há sinal de carta. Sempre que olho para a Tv, os meus olhos inundam-se. Nao há sinal de smartcard da Tvcabo e eu sinto-me vazia. A Tv é a minha amiga quando mais ninguem quer falar comigo, o que realmente acontece muito frequentemente. É em frente à Tv que eu coso buracos nas meias do Bola, engomo a roupa, falo ao telefone, corto e limo as unhas. Todos os momentos mais importantes da minha vida foram passados (?) em frente à Tv. Tanto silencio fez-me ir dormir, tao grande que era a tristeza. Alguém que me abane e diga que isto é um pesadelo.
Ou alguém que me diga que ler é quase a mesma coisa. Mas eu ainda sei ler? Os livros sao fixes... nao?
getting through the day
I love my blog. Juro. Tenho tido uns dias em que só me aguento com uma taca de chá de 0,5l com um saquinho de Lipton yellow label verso americana, ou seja, um sacao para uma família inteira, pois a cafeína é tanta que até a vejo a boiar. Ando a trabalhar sempre a olhar para o relógio. A culpa nao é minha. Preciso mesmo de férias.
O meu trabalho nao é realmente uma seca, uma seca é todo o trabalho de escritório. Verificar por exemplo cem posicoes de um documento de exportacao, se todos os países de origem foram incluidos. Eu tive medo de bater com a cabeca no teclado, ainda tentei colocar o monitor um pouco mais elevado, no caso de por alguma razao inexplicável, me fizesse desparecer o sono, mas nao. Levantei-me de hora a hora, fui esticar as pernas, comi porcarias. Foi um dia de seca. Nunca mais é sábado.
Entretanto, olhem esta pérola, que tem feito furor no youtube. Tentando nao ir por aí, deixem-me dizer que os americanos sao um povo especial. Mas neste blog nao se generaliza. Alem disso, mapas nao sao coisas divertidas.
O meu trabalho nao é realmente uma seca, uma seca é todo o trabalho de escritório. Verificar por exemplo cem posicoes de um documento de exportacao, se todos os países de origem foram incluidos. Eu tive medo de bater com a cabeca no teclado, ainda tentei colocar o monitor um pouco mais elevado, no caso de por alguma razao inexplicável, me fizesse desparecer o sono, mas nao. Levantei-me de hora a hora, fui esticar as pernas, comi porcarias. Foi um dia de seca. Nunca mais é sábado.
Entretanto, olhem esta pérola, que tem feito furor no youtube. Tentando nao ir por aí, deixem-me dizer que os americanos sao um povo especial. Mas neste blog nao se generaliza. Alem disso, mapas nao sao coisas divertidas.
quarta-feira, agosto 22, 2007
hoje é importante - diz ele
- Nao vas, fica aqui, que hoje é importante.
Palavras proferidas pelo Bola enquanto assiste - em estado de tensao pura - ao jogo 'amigável' entre a Alemanha e a Inglaterra. Amigável tem de ter aspas, porque nao existe tal coisa entre alemaes e ingleses, quando se trata de futebol. E sempre que falo em futebol, lembro-me do meu vizinho de baixo, que costuma dizer com o seu ingles americano mastigado football..., you europeans don't know, the name is soccer... (ler 'sáááker') A este comentário/pergunta retórica niguém costuma dar continuidade. É o que fazemos com ele. Gostamos muito dele, se nao pesasse mais do que nós os dois juntos e nao fosse mais velho do que nós, até o adoptávamos. Mas há uma lista de americanices parvas que ele faz, perante as quais só podemos oferecer o nosso silencio. Ou mostrar-lhe a porta da rua.
A Inglaterra marcou o primeiro golo, ouvi na rádio, pois quando estou na cozinha ou no banho, o rádio faz-me companhia. Passados uns minutos, oico um berro prolongado como dos guerreiros nos filmes, quando estao a atacar o inimigo e decido ir à varanda, já com um saco plástico com água, para atirar ao palhaco que estava aos gritos. Pois, nao era lá de fora. Era o Bola. Também palhaco neste caso, mas que nao aceita palhacadas em que eu lhe atiro com uma bomba de água - versao saco plástico. Nestes momentos, retiro-me de fininho, pois se há momento em que o Bola fica falador e exaltado é quando ve a Bola. Qualquer comentário meu pode gerar dramas. E hoje depois do jogo, de certeza que vai haver telefonema para o melhor amigo, para falarem e discutirem as injusticas deste mundo melodramático que é o futebol. A Ex Spice Posh que o diga, o ar dela de coitada mostra mesmo como sofre com a vida da bola que o marido leva.
Passando agora para um tom mais sério, o Bola quando está a ver futebol, de repente, desata aos berros e eu se estiver a menos de dez metros, dou mesmo um assalto. Fico eu numa pilha, quando o resultado nem me interessa. Portanto, prefiro retirar-me e dedicar-me a tarefas mais produtivas, tais como recolher papel espalhado pela casa, cujo destino é o papelao-contentor.
And God save the queen...
Palavras proferidas pelo Bola enquanto assiste - em estado de tensao pura - ao jogo 'amigável' entre a Alemanha e a Inglaterra. Amigável tem de ter aspas, porque nao existe tal coisa entre alemaes e ingleses, quando se trata de futebol. E sempre que falo em futebol, lembro-me do meu vizinho de baixo, que costuma dizer com o seu ingles americano mastigado football..., you europeans don't know, the name is soccer... (ler 'sáááker') A este comentário/pergunta retórica niguém costuma dar continuidade. É o que fazemos com ele. Gostamos muito dele, se nao pesasse mais do que nós os dois juntos e nao fosse mais velho do que nós, até o adoptávamos. Mas há uma lista de americanices parvas que ele faz, perante as quais só podemos oferecer o nosso silencio. Ou mostrar-lhe a porta da rua.
A Inglaterra marcou o primeiro golo, ouvi na rádio, pois quando estou na cozinha ou no banho, o rádio faz-me companhia. Passados uns minutos, oico um berro prolongado como dos guerreiros nos filmes, quando estao a atacar o inimigo e decido ir à varanda, já com um saco plástico com água, para atirar ao palhaco que estava aos gritos. Pois, nao era lá de fora. Era o Bola. Também palhaco neste caso, mas que nao aceita palhacadas em que eu lhe atiro com uma bomba de água - versao saco plástico. Nestes momentos, retiro-me de fininho, pois se há momento em que o Bola fica falador e exaltado é quando ve a Bola. Qualquer comentário meu pode gerar dramas. E hoje depois do jogo, de certeza que vai haver telefonema para o melhor amigo, para falarem e discutirem as injusticas deste mundo melodramático que é o futebol. A Ex Spice Posh que o diga, o ar dela de coitada mostra mesmo como sofre com a vida da bola que o marido leva.
Passando agora para um tom mais sério, o Bola quando está a ver futebol, de repente, desata aos berros e eu se estiver a menos de dez metros, dou mesmo um assalto. Fico eu numa pilha, quando o resultado nem me interessa. Portanto, prefiro retirar-me e dedicar-me a tarefas mais produtivas, tais como recolher papel espalhado pela casa, cujo destino é o papelao-contentor.
And God save the queen...
sábado, agosto 18, 2007
quarta-feira, agosto 15, 2007
feriado passa-se assim
Pois é, eu e o Bola vamos ver Feist no dia 6 de Outubro a Munique. Cravámos o irmao dele, para nos deixar dormir no quarto dele e desandar, pois o bilhete do concerto custa menos do que um quarto em Munique. Sendo que prometemos leva-lo ao concerto.
Esta tarde, entre comprar os bilhetes, fiz muitas mais coisas úteis, nao à Humanidade, mas a mim mesma. Fiz as sobrancelhas, apesar de o Bola me ter informado que na cabeleireira as podia ter arranjadas por 5 euros. Eu fi-lo prometer que nao contava a ninguem que ja fez as sobrancelhas na cabeleireira. Nao queria nada que andassem a duvidar da masculinidade dele! Tenho de esconder os meus sapatos e cremes. Nao excluo completamente a hipótese de os homens terem uma fase depois dos trinta, em que sentem curiosidade pelo fantástico mundo das mulheres, que inclui batons, saltos e todo o tipo de acessórios. Lembro-me de há uns anos, o meu pai colocar as bandoletes da minha mae e continuar sentado à mesa como se nao fosse nada com ele. Mas nunca perguntei à minha mae se alguma vez ela deu por falta da roupa interior dela. A idade faz coisas incríveis às pessoas, nunca se sabe, nao é?
E um dia destes passo na cabeleireira para lhe dar umas estaladas. Homem é suposto ter pelos! Sugestoes como e se fizéssemos as sobrancelhas? parecem uns arbustos... dispensam-se! Qualquer dia aparece cá em casa todo depilado. Argh. Já sei o nome dela. Nicole. Será que tem carro?
O filme do Hugh Grant era daqueles mesmo de domingo à tarde, ou melhor, feriado à tarde. Tem lá umas partes em que o Hugh agita os quadris, que foi quando tive de ir beber água pois vieram-me os calores. Nao há homem mais sedutor em camisa branca do que o Hugh. E depois com aquele sotaque maravilhoso, que parece que tem uma batata quente na boca. Adorável. Eu e a Drew Barrymore temos em comum que eu também afogo as plantas e também falo sozinha. Nesta parte, agarrei-me à almofada e derreti-me e fingi ser eu a Drew.
Depois do filme acabar, pus o POP Goes my heart e fiz a coreografia aqui na sala. Acho que me saí bem. Os meus vizinhos bateram palmas.
Entretanto, o Bola tem ligado quase de hora a hora com uma pergunta diferente. Agora estou na estacao, agora vou fazer uma caminhada, agora vou comer um gelado, que estás a fazer?, que filmes é que trouxeste?, meteste gasolina no carro?, já jantaste? e de todas as vezes, eu respondo a cantar I said I wasn't loose my head but then Pop goes my heart... la la la la... desde que a minha sogra me disse: se te apetece cantar, canta, eu li que muitas pessoas encontram na música uma libertacao para as suas frustracoes, agora ando numa fase muito musical. O Bola é que me corta esta veia artística sempre que pode. Especialmente quando preciso de um segundo artista, que ele faca, por exemplo, uma segunda voz e aí ele como sempre, recusa-se a participar e a brincadeira perde a piada. Mas pronto, tento pensar no episódio Karaoke 2001. O Bola foi-me cantar uma música num irish pub depois de eu lhe pedir muito. Ele ainda nao tinha dito que sim, mas eu ja tinha ido explicar ao tipo lá à frente que o meu namorado me queria cantar uma cancao, pois eu ia-me embora no dia seguinte e estava ainda o Bola entretido com shots no balcao quando ouviu chamar pelo nome dele. Pessoal, foi muito mau. Desafinar tanto parecia impossível. Eu nao conseguia parar de rir. Foi a última vez que estivemos os dois a menos de 50m duma maquina de karaoke. No nosso casamento, era suposto haver e acredito que isso lhe tenha tirado o sono. O Bola é daqueles que se cantar na rua, pode mesmo ir preso.
Acho que vou jantar.
Esta tarde, entre comprar os bilhetes, fiz muitas mais coisas úteis, nao à Humanidade, mas a mim mesma. Fiz as sobrancelhas, apesar de o Bola me ter informado que na cabeleireira as podia ter arranjadas por 5 euros. Eu fi-lo prometer que nao contava a ninguem que ja fez as sobrancelhas na cabeleireira. Nao queria nada que andassem a duvidar da masculinidade dele! Tenho de esconder os meus sapatos e cremes. Nao excluo completamente a hipótese de os homens terem uma fase depois dos trinta, em que sentem curiosidade pelo fantástico mundo das mulheres, que inclui batons, saltos e todo o tipo de acessórios. Lembro-me de há uns anos, o meu pai colocar as bandoletes da minha mae e continuar sentado à mesa como se nao fosse nada com ele. Mas nunca perguntei à minha mae se alguma vez ela deu por falta da roupa interior dela. A idade faz coisas incríveis às pessoas, nunca se sabe, nao é?
E um dia destes passo na cabeleireira para lhe dar umas estaladas. Homem é suposto ter pelos! Sugestoes como e se fizéssemos as sobrancelhas? parecem uns arbustos... dispensam-se! Qualquer dia aparece cá em casa todo depilado. Argh. Já sei o nome dela. Nicole. Será que tem carro?
O filme do Hugh Grant era daqueles mesmo de domingo à tarde, ou melhor, feriado à tarde. Tem lá umas partes em que o Hugh agita os quadris, que foi quando tive de ir beber água pois vieram-me os calores. Nao há homem mais sedutor em camisa branca do que o Hugh. E depois com aquele sotaque maravilhoso, que parece que tem uma batata quente na boca. Adorável. Eu e a Drew Barrymore temos em comum que eu também afogo as plantas e também falo sozinha. Nesta parte, agarrei-me à almofada e derreti-me e fingi ser eu a Drew.
Depois do filme acabar, pus o POP Goes my heart e fiz a coreografia aqui na sala. Acho que me saí bem. Os meus vizinhos bateram palmas.
Entretanto, o Bola tem ligado quase de hora a hora com uma pergunta diferente. Agora estou na estacao, agora vou fazer uma caminhada, agora vou comer um gelado, que estás a fazer?, que filmes é que trouxeste?, meteste gasolina no carro?, já jantaste? e de todas as vezes, eu respondo a cantar I said I wasn't loose my head but then Pop goes my heart... la la la la... desde que a minha sogra me disse: se te apetece cantar, canta, eu li que muitas pessoas encontram na música uma libertacao para as suas frustracoes, agora ando numa fase muito musical. O Bola é que me corta esta veia artística sempre que pode. Especialmente quando preciso de um segundo artista, que ele faca, por exemplo, uma segunda voz e aí ele como sempre, recusa-se a participar e a brincadeira perde a piada. Mas pronto, tento pensar no episódio Karaoke 2001. O Bola foi-me cantar uma música num irish pub depois de eu lhe pedir muito. Ele ainda nao tinha dito que sim, mas eu ja tinha ido explicar ao tipo lá à frente que o meu namorado me queria cantar uma cancao, pois eu ia-me embora no dia seguinte e estava ainda o Bola entretido com shots no balcao quando ouviu chamar pelo nome dele. Pessoal, foi muito mau. Desafinar tanto parecia impossível. Eu nao conseguia parar de rir. Foi a última vez que estivemos os dois a menos de 50m duma maquina de karaoke. No nosso casamento, era suposto haver e acredito que isso lhe tenha tirado o sono. O Bola é daqueles que se cantar na rua, pode mesmo ir preso.
Acho que vou jantar.
há uma parola dentro de todas nós, que nunca morre
Sempre que fico uns dias sozinha em casa, as coisas nunca correm como eu quero. A ideia era aterrar no sofa todos os dias depois do trabalho. Na segunda-feira, nao correu muito mal. Comi a minha sopa, sentada no chao, enquanto ouvia as notícias. Lavei roupa, passei, falei ao telefone. E até fiz cocó com a porta da casa de banho aberta. Maior sinal de que estou sozinha nao há. Ainda resolvi alguns emails da conta do trabalho. Fui para a cama com a minha foca e dormi de bracos e pernas esticadas, aproveitando a amplitude da cama no total. E há quem diga que enterrei a minha cabeca na almofada do Bola para cheirar e suspirar, coisas de gaja, nao se riam. Voces fazem todas o mesmo!
Ontem cravaram-me para mais uma daquelas secas, às quais nao dá para dizer que nao. Tive de ir a um jantar com um dos brasileiros que está cá na Alemanha (trabalho), fazer uma vez mais de intérprete. Já nao posso mais com traducoes. Estou num ponto tal de saturacao que se hoje nao fosse feriado para eu poder descomprimir, acho que pedia a algum amigo próximo (?) para me bater com uma cadeira, para eu, em funcao da grave lesao, nao poder traduzir mais até ao fim da semana. Tenho de estar concentradíssima, volta e meia noto que voltei a sonhar nao sei com o que e nao ouvi bem o que foi dito. Vejo cinco caras focadas na minha à espera da trraducao e como nao faco a mínima, opto por improvisar e entao sai-me qualquer coisas como agora fazemos uma pausa para fumar e quem quiser, pode ir beber uma cerveja, podem ir pedir no bar, para voces sao de borla. Por isso é que o pessoal gosta tanto de mim, que algo me diz que vou ter de fazer este triste papel de intérprete mais vezes. Voce é uma gracinha, sabia? Tá gozando de novo, né? Vou contar para voce piada de portugues, quer ouvir? Voce nao tá falando sério? Teem sido as frases lindas que vou ouvindo várias vezes ao longo da semana. Quando chega a hora do almoco - o momento alto do dia - até o menu tenho de traduzir e num grupo de doze pessoas, sou a unica que consegue fazer a passagem portugues-alemao-ingles, pelo que tenho toda a gente a chamar pelo meu nome. Durante a tarde, fico tao moída que falo portugues com o formador e nem dou conta. Só quando ele se ri. Bom, mas lá fui ao jantar, com o cabelo lisinho, muito esticado e escadeado perfeitinho. Quando cheguei a casa da tal colega com quem só falei uma vez e ela me disse que o meu cabelo estava muito giro, eu disse-lhe que nao tinha ido ao cabeleireiro, que tinha parado na estrada e assim DO NADA, saiu um elefante que me lambeu toda. ELA NAO SE RIU. Optei por acreditar que nao percebeu.
Bom, depois do jantar vim para casa, parando no video-clube, onde tinha reservado uma cópia dum
filme que só posso ver sozinha (Music and Lyrics) e quando a tipa do video clube me disse que sim, que tinha lá um para mim, desatei aos gritinhos, histérica, (acho que saltei e gritei yes! cinco vezes) por poder ir para casa com o hugh debaixo do braco e com um snickers na carteira. Pois nao foi assim. Fui dormir com dor de dentes. Corajosa, sem tomar analgésicos. Estou a ali a fazer umas pipocas para ir ser parola um bocado, ver o hugh e cantar com ele o way back into love.
Até já. Bom feriado!
Ontem cravaram-me para mais uma daquelas secas, às quais nao dá para dizer que nao. Tive de ir a um jantar com um dos brasileiros que está cá na Alemanha (trabalho), fazer uma vez mais de intérprete. Já nao posso mais com traducoes. Estou num ponto tal de saturacao que se hoje nao fosse feriado para eu poder descomprimir, acho que pedia a algum amigo próximo (?) para me bater com uma cadeira, para eu, em funcao da grave lesao, nao poder traduzir mais até ao fim da semana. Tenho de estar concentradíssima, volta e meia noto que voltei a sonhar nao sei com o que e nao ouvi bem o que foi dito. Vejo cinco caras focadas na minha à espera da trraducao e como nao faco a mínima, opto por improvisar e entao sai-me qualquer coisas como agora fazemos uma pausa para fumar e quem quiser, pode ir beber uma cerveja, podem ir pedir no bar, para voces sao de borla. Por isso é que o pessoal gosta tanto de mim, que algo me diz que vou ter de fazer este triste papel de intérprete mais vezes. Voce é uma gracinha, sabia? Tá gozando de novo, né? Vou contar para voce piada de portugues, quer ouvir? Voce nao tá falando sério? Teem sido as frases lindas que vou ouvindo várias vezes ao longo da semana. Quando chega a hora do almoco - o momento alto do dia - até o menu tenho de traduzir e num grupo de doze pessoas, sou a unica que consegue fazer a passagem portugues-alemao-ingles, pelo que tenho toda a gente a chamar pelo meu nome. Durante a tarde, fico tao moída que falo portugues com o formador e nem dou conta. Só quando ele se ri. Bom, mas lá fui ao jantar, com o cabelo lisinho, muito esticado e escadeado perfeitinho. Quando cheguei a casa da tal colega com quem só falei uma vez e ela me disse que o meu cabelo estava muito giro, eu disse-lhe que nao tinha ido ao cabeleireiro, que tinha parado na estrada e assim DO NADA, saiu um elefante que me lambeu toda. ELA NAO SE RIU. Optei por acreditar que nao percebeu.
Bom, depois do jantar vim para casa, parando no video-clube, onde tinha reservado uma cópia dum
filme que só posso ver sozinha (Music and Lyrics) e quando a tipa do video clube me disse que sim, que tinha lá um para mim, desatei aos gritinhos, histérica, (acho que saltei e gritei yes! cinco vezes) por poder ir para casa com o hugh debaixo do braco e com um snickers na carteira. Pois nao foi assim. Fui dormir com dor de dentes. Corajosa, sem tomar analgésicos. Estou a ali a fazer umas pipocas para ir ser parola um bocado, ver o hugh e cantar com ele o way back into love.Até já. Bom feriado!
Volta, Gerard
Espero que nao tenhas ficado triste por eu nao ter ido ter à aldeia para onde foste no domingo. Tens-me ligado sete vezes por dia, é óbvio que precisas de mim. Ou serei eu? Achava que ia ficar contente por chegar a casa na terca à noite, atirar os sapatos para o chao da sala, comer na sala a fazer quase tudo na sala, só me movimentando no sentido cozinha-sala-cozinha-quarto. Babando-me em gelado enquanto assistia aos simpsons e ao House.
Isto, sozinha, porque tu nao aprovas este meu comportamento bolorento e sem maneiras. Mas nao. 110 metros quadrados é muito espaco só para mim. E tu sabes, que eu nao gosto de regressar a uma casa escura sozinha, sem luz. E eu até podia escrever agora que se acendesse a luz, continuava escuro, pois a luz que realmente me enche de alegria é a tua, e essa só regressa hoje à noite, mas isso seria uma frase demasiado cheesy para alguém como eu. Em vez de pensar tanto se há luz ou nao, acompanho a Avril aos gritos na MTV....
I always needed time on my own
I never thought I'd need you there when I cry
And the days feel like years when I'm alone
And the bed where you lie
is made up on your side
Desculpa ter-te chamado Gerard Depardieu no outro dia. Nao estava a gozar com a tua penca. Eu gosto dela. Para andar de escorrega. Nao. Ves? Quando eu dou por mim, já saiu outra destas pérolas. Nao tenho mao em mim. Espero que nao tenhas descoberto só agora, ao fim de um ano de casamento. De qualquer forma, quando fizermos praia e nao tivermos guarda-sol, vou adorar ter-te ao meu lado. Consoante a direccao do sol, claro. Mas o que eu te queria mesmo confessar com este post do meu blog que nao les, é que eu sempre achei o Dépardieu sexy, apesar de nao gostar muito de franceses. Pronto. Era isso. Volta, please. Preciso da tua chave para ir ao lixo.
p.s. Comprei os bilhetes para os Feist em Outubro.
segunda-feira, agosto 13, 2007
e que tal algo novo?
Estou-me a preparar para uma aventura daquelas, que pode acabar mal. Vou colocar os meus sedosos cabelos nas maos e na tesoura dum cabeleireiro alemao. Como infelizmente, nao conheco nenhum daqueles cabeleireiros machos fantásticos, assim tipo amigos do Claudio Ramos, que fosse meu amigo e me falasse de coscuvelhices enquanto me cortava o cabelo, tenho mesmo de arriscar e dirigir-me ao estabelecimento que mais confianca me inspirar.
Hoje passei no cabeleireiro que transformou o Bola nao no Vincent da Bela e do Monstro, mas num menino do coro de Santo Amaro de Oeiras, e depois dos catálogos pirosérrimos que estive a desfolhar, por momentos, pensei em desistir. Ou me tornar prostituta profissional à porta dos casinos da Republica Checa. (Nunca fui, nunca vi, nao sei nada, juro. Mas quando há o risco de ficarmos com um ar parecido, há que encarar todas as possibilidades) Os catálogos só tinham penteados ridículos, com umas tipas foleiras até mais nao, com a cara furada de piercings e cores luminosas demais. Nao tenho nada contra pessoas com piercings, mas gosto cada um tem o seu e eu nao gosto. Acho feio. Especialmente na cara. Se é pra isso, entao que agarrem antes num agrafador, é mais barato. Mais estilo tem um cicatriz, assim tipo o Harry Potter, aquele que todos vimos na versao pottinho, mas que se transformou num Pottao. Para as pessoas mais sensíveis (tipo eu), deixem-me que vos avise que neste último filme, o Harry beija uma miúda. Comecei a chorar quando vi isto. É o mesmo que pensarmos no Pinóquio a fazer a barba. Quer dizer, sao personagens com que crescemos e essas personagens, em princípio, NAO crescem. Vejamos os Simpsons. Por acaso, o Bart tem moustache? A Maggie perdeu a chucha? A Lisa ficou com a voz mais grossa?? NAO. Acho que já perceberam onde quero chegar.
Mas adiante, amanha vou cortar o cabelo, pois como disse o palhaco que me atendeu, tenho de dar um jeito. Está simples demais. Antes simples do que com uma cabeca a assemelhar-se a um semáforo, mas pronto, vamos ver o que é que o cabeleireiro tem para me oferecer. Tenho sempre a opcao de enfiar um saco plástico na cabeca. Ou saltar da ponte. Ou ir à guilhotina. Ou...Ou...
Hoje passei no cabeleireiro que transformou o Bola nao no Vincent da Bela e do Monstro, mas num menino do coro de Santo Amaro de Oeiras, e depois dos catálogos pirosérrimos que estive a desfolhar, por momentos, pensei em desistir. Ou me tornar prostituta profissional à porta dos casinos da Republica Checa. (Nunca fui, nunca vi, nao sei nada, juro. Mas quando há o risco de ficarmos com um ar parecido, há que encarar todas as possibilidades) Os catálogos só tinham penteados ridículos, com umas tipas foleiras até mais nao, com a cara furada de piercings e cores luminosas demais. Nao tenho nada contra pessoas com piercings, mas gosto cada um tem o seu e eu nao gosto. Acho feio. Especialmente na cara. Se é pra isso, entao que agarrem antes num agrafador, é mais barato. Mais estilo tem um cicatriz, assim tipo o Harry Potter, aquele que todos vimos na versao pottinho, mas que se transformou num Pottao. Para as pessoas mais sensíveis (tipo eu), deixem-me que vos avise que neste último filme, o Harry beija uma miúda. Comecei a chorar quando vi isto. É o mesmo que pensarmos no Pinóquio a fazer a barba. Quer dizer, sao personagens com que crescemos e essas personagens, em princípio, NAO crescem. Vejamos os Simpsons. Por acaso, o Bart tem moustache? A Maggie perdeu a chucha? A Lisa ficou com a voz mais grossa?? NAO. Acho que já perceberam onde quero chegar.
Mas adiante, amanha vou cortar o cabelo, pois como disse o palhaco que me atendeu, tenho de dar um jeito. Está simples demais. Antes simples do que com uma cabeca a assemelhar-se a um semáforo, mas pronto, vamos ver o que é que o cabeleireiro tem para me oferecer. Tenho sempre a opcao de enfiar um saco plástico na cabeca. Ou saltar da ponte. Ou ir à guilhotina. Ou...Ou...
domingo, agosto 12, 2007
um ano
Companheiros desta vida de blogs, ausentei-me por uma semana, tive cá os meus pais e a minha irma mais nova, que me vieram visitar às salsichas. Foi uma semana muito gira, só foi pena ter de ir trabalhar, tendo que estar concentradíssima para traduzir todas as explicacoes, perguntas, etc, etc dos clientes brasileiros, que estao a ter formacao lá no trabalho. A única vantagem é mesmo ir almocar ao restaurante e nao ter de pagar. Porque de resto, ter de traduzir a ementa também é algo que nao me apraz assim muito. Passo o dia a papaguear de alemao para portugues e de portugues para alemao, que ao final do dia, ja nem o meu nome sei. Se nao tivesse uma t-shirt que diz Minhoca, nao sei onde estaria a esta hora.

Hoje eu e o Bola festejamos um ano de casamento. Há um ano, a esta hora, andava eu na pista a dar um pezinho de danca, ja sem os sapatos, que tinham um daqueles saltos assassinos. Ontem fomos levar os meus pais e mana ao aeroporto e depois ficámos por Munique para celebrar o nosso primeiro aniversario. Fomos a um restaurante tailandes, onde temos ido sempre, com uma comida maravilhosa, mas umas empregadas parvalhonas que bem tentam sorrir e disfarcar, mas de simpaticas nao teem nada. Quando uma me veio por mais arroz no prato, pedi pra me por menos e fez uma cara de prisao de ventre que só me apeteceu enfiar-lhe um par de estalos. Quando o Bola lhes deu uma gorjeta choruda, senti a minha digestao parar. Juro. Sou contra gorgetas de dez por cento em jantares acima dos 80 euros. Quero lá saber do normal. Para mim, parte do servico ja vai incluido no preco da comida. Especialmente quando o preco por prato ronda o escandaloso e as porcoes sao pequenas.
Hoje acordámos tarde, tomámos um pequeno-almoco farto com direito a ovos, numa esplanada e fomos ver o Harry Potter ao cinema. Chegámos perto das dez da noite a casa, com a sensacao de uma semana muito bem passada. Pena que a próxima comeca já amanha e com a repeticao do meu ingrato papel de intérprete. Amanha espero nao ter de me ir enfiar nas máquinas com os brasileiros, pois na quinta-feira, fomos mesmo lá para dentro e eu claustrofóbica que só eu sei, já nao traduzia coisa com coisa, pois queria era sair dali para fora. Quarta-feira é feriado e dá para desligar um bocado e passar um dia em portugues, sozinha, pois o Bola vai bazar. Ao fim de um ano de casamento, bazar comeca a ser preciso, parece... coitado, nao é facil viver comigo. Especialmente quando eu passo tres horas a implorar-lhe que vista a sua parka nova, mas sem nada por baixo. Mas eu queria tanto! Para tirar fotos e enviar para a Maxmen...
O Bola está muito feliz por termos aguentado este primeiro ano, ele próprio diz nao saber como já me aguenta há tanto tempo. Aliás, quando lhe pergunto se ele nao acha que este primeiro ano foi maravilhoso, ele fica sem palavras. Ficou muito emocional desde que cortou o cabelo.
p.s. dispenso as piadas sobre as minhas meias de noiva. A minha Mae assume que se enganou na compra. Eu, por outro lado, nao pensei nas meias até ao momento em que ela, no próprio dia, me disse UMA NOIVA TEM DE LEVAR MEIAS, e vai daí, ela comprou meias para uma minhoca bronzeada, o que nao era o meu caso. Daí os meus pés teint special.
terça-feira, agosto 07, 2007
Bola muito acima do Paulo Pires
O Bola virou giro. Andávamos há uns dias a falar de que ele já estava com idade para cortar os seus sedosos cabelos loiros. Os crazy twenties já lá vao e se ele quer mesmo encontrar um emprego novo, a verdade é que tem mesmo de ter um ar mais sério. Quando mais nao seja pelas fotografias tipo-passe. Mas eu ainda achava que isto era uma ideia que precisava de tempo para fermentar. Hoje mandou-me uma mensagem a dizer que já tinha marcado a vez num cabeleireiro para senhoras e que se eu quisesse, lhe podia ir agarrar na mao enquanto alguma Dalila estupida cortava as melenas ao meu Sansao.
Como estou a fazer de intérprete esta semana (mas este tema merece um post especial), acabei por sair mais tarde e quando cheguei ao cabeleireiro, depois de verificar que ele era o único macho, descubro-o com uma ordinária por detrás dele, toda inclinada para cima dele, A FAZER-LHE AS SOBRANCELHAS. Até me esqueci de o gozar com as sobrancelhas, quando o vi de cabelo curto. (diz que foi uma ideia da cabeleireira) Giro, mas menino do coro.
Entrei com o meu sorriso árctico e disse bem alto, ENTAO QUEM É ESSE MARICAS AÍ NO CANTO, AMIGO DA PINCA e depois de a miúda retirar metade do seu corpo de cima dele e ele poder associar a minha boca parva à minha cara, ele passa-me para a mao o rabo de cavalo, que lhe cortaram, ainda com o elástico atado. Agarrei naquele bocado de cabelo e confesso que me custou olhar para os cabelos dele, tao lindos, ali amarrados na minha mao. E cheirei-os. E fiquei com alguns cabelos nas narinas, mas pronto, já era de prever. Entretanto, as pessoas que passavam por mim olhavam-me com pena. E como eu adoro fazer de vítima, comecei a solucar. Depois, agarrei num champo Redken e disse ao Bola para pagar, para me animar. Passado um bocado recuperei e quando ele saiu, com o seu look de modelo e no início dos vinte verdes ano, meti-lhe a mao no braco e lá fomos pela rua fora. Tipo mae e filho. Já pus um anuncio nos classificados. Vendo cabelo de boa qualidade, que cheira sempre bem, loiro escuro com algumas nuances claras naturais. Quando foram cortados, tinham sido lavados com pantene com reflexos para cabelos loiros. Chuif.
Como estou a fazer de intérprete esta semana (mas este tema merece um post especial), acabei por sair mais tarde e quando cheguei ao cabeleireiro, depois de verificar que ele era o único macho, descubro-o com uma ordinária por detrás dele, toda inclinada para cima dele, A FAZER-LHE AS SOBRANCELHAS. Até me esqueci de o gozar com as sobrancelhas, quando o vi de cabelo curto. (diz que foi uma ideia da cabeleireira) Giro, mas menino do coro.
Entrei com o meu sorriso árctico e disse bem alto, ENTAO QUEM É ESSE MARICAS AÍ NO CANTO, AMIGO DA PINCA e depois de a miúda retirar metade do seu corpo de cima dele e ele poder associar a minha boca parva à minha cara, ele passa-me para a mao o rabo de cavalo, que lhe cortaram, ainda com o elástico atado. Agarrei naquele bocado de cabelo e confesso que me custou olhar para os cabelos dele, tao lindos, ali amarrados na minha mao. E cheirei-os. E fiquei com alguns cabelos nas narinas, mas pronto, já era de prever. Entretanto, as pessoas que passavam por mim olhavam-me com pena. E como eu adoro fazer de vítima, comecei a solucar. Depois, agarrei num champo Redken e disse ao Bola para pagar, para me animar. Passado um bocado recuperei e quando ele saiu, com o seu look de modelo e no início dos vinte verdes ano, meti-lhe a mao no braco e lá fomos pela rua fora. Tipo mae e filho. Já pus um anuncio nos classificados. Vendo cabelo de boa qualidade, que cheira sempre bem, loiro escuro com algumas nuances claras naturais. Quando foram cortados, tinham sido lavados com pantene com reflexos para cabelos loiros. Chuif.
quarta-feira, agosto 01, 2007
cumplicidade masculina
Entao, diz que a popularidade do Bola desceu drasticamente nestas últimas duas semanas, em virtude da expulsao dos gatos da casa. A popularidade do Bola desceu tanto, tanto que ficou nomeado esta semana para ser expulso. Se quiser que Bola saia da casa, ligue 0676767, se quiser que saia a Minhoca por ser intriguista e falar pelos cotovelos, marca o 0454545.
O assunto do Rambo / Conan ainda nao foi assim esquecido. De vez em quando, digo com uma voz trémula
- Bola, que achas que o Rambo e o Conan estao a fazer agora? Ao frio, la naquela quinta imensa. Será que já morreram?
Aí o Bola faz a sua cara prisao de ventre em estado avancado e eu mudo logo de tema. Expedita que só eu.
Tenho um bolo no forno e as duas máquinas a lavar, a da roupa e a da loica. Sinto-me quase uma mae. Entre as tantas coisas preciosas da minha infancia, estao os sábados ou domingos à tarde, em que a minha mae ligava as máquinas e o cheiro a bolo espalhava-se pela casa. Quando as máquinas de lavar estao ligadas e cheira a bolo, é porque há uma mae por perto. E a minha vale milhoes. Bom, mas eu ainda nao sou mae. Pelo menos oficialmente, porque às vezes olho para o Bola e pergunto-me se entre marido e filho nao existe uma sabida simbiose.
Simplesmente gosto de fazer bolos e a máquina da roupa, por uma questao de amor às cores dos meus trapos, sou sempre eu a programar, ligar, etc. A menos que queira lencois e t-shirts assim com tons cruzados. O Bola é mestre na arte de tingir.
Depois do jantar, estava eu a bater a massa com toda a energia que me restou de hoje, a cansar o meu braco direito, quando me lembrei de pedir ao Nate (meu vizinho, com um ganda capado, deve pesar uns 150kg) para bater a massa, assim tipo com forca. Para eu nao ir buscar a batedeira, pois precisava dela para as claras. Ele lá bateu assim muito à menina, para nao fazer dói-dói na massa, até que o Bola, que como já aqui contei, anda a levantar pesos e até já tem maminhas, tira-lhe o tacho e diz que lhe vai ensinar como é que um homem a sério bate a massa. Mas eles nao estavam no gozo, estavam numa demonstracao de machos a sério. Digno de BBC Wild life. Sendo que eu nao estava a prémio. Estavam tao concentrados que nem notaram o quanto eu me esforcava para abafar o riso no pano da cozinha. Afastei-me para seguir o espectáculo da plateia e meti umas pipocas no micro-ondas. A massa ficou bem batida, disso nao temos dúvidas.
Mas os homens sao tao parvinhos... depois passaram mais de uma hora na varanda a falar excitadamente de desportos radicais, a gesticular com uma mao, a agarrar a garrafa da cerveja com a outra. Entretanto, arrotavam (eu só ouvi por cima...) e eu sentia neles aquela coisa que chamam de cumplicidade masculina. Algo me diz que se o Bola nao tivesse este vizinho com quem pode ser homem A SÉRIO de vez em quando, andava com as minhas roupas e usava a minha maquiagem (e falava comigo sobre nuances e sentimentos). Um contava que skydiving é isto e aquilo, o outro dizia que ele tinha era de experimentar subir a uma montanha. Até que eu decidi interromper só para estragar, com a minha voz de menina caprichosa:
- Bolinha, meu anjo, vem lá aqui dar-me um beijinho que tou com tantas saudadeeeees tuuuuuaaaaaas, anda cá meu marotao! Bola ainda olhou para trás dele, nao fosse eu estar a falar com o meu amigo imaginário, mas depois lá veio a trote com o rabinho entre as pernas.
E assim se acabou a cumplicidade masculina de hoje.
Amanha parece que há mais.
Minhoca 5 points, neighbour 0.
O assunto do Rambo / Conan ainda nao foi assim esquecido. De vez em quando, digo com uma voz trémula
- Bola, que achas que o Rambo e o Conan estao a fazer agora? Ao frio, la naquela quinta imensa. Será que já morreram?
Aí o Bola faz a sua cara prisao de ventre em estado avancado e eu mudo logo de tema. Expedita que só eu.
Tenho um bolo no forno e as duas máquinas a lavar, a da roupa e a da loica. Sinto-me quase uma mae. Entre as tantas coisas preciosas da minha infancia, estao os sábados ou domingos à tarde, em que a minha mae ligava as máquinas e o cheiro a bolo espalhava-se pela casa. Quando as máquinas de lavar estao ligadas e cheira a bolo, é porque há uma mae por perto. E a minha vale milhoes. Bom, mas eu ainda nao sou mae. Pelo menos oficialmente, porque às vezes olho para o Bola e pergunto-me se entre marido e filho nao existe uma sabida simbiose.
Simplesmente gosto de fazer bolos e a máquina da roupa, por uma questao de amor às cores dos meus trapos, sou sempre eu a programar, ligar, etc. A menos que queira lencois e t-shirts assim com tons cruzados. O Bola é mestre na arte de tingir.
Depois do jantar, estava eu a bater a massa com toda a energia que me restou de hoje, a cansar o meu braco direito, quando me lembrei de pedir ao Nate (meu vizinho, com um ganda capado, deve pesar uns 150kg) para bater a massa, assim tipo com forca. Para eu nao ir buscar a batedeira, pois precisava dela para as claras. Ele lá bateu assim muito à menina, para nao fazer dói-dói na massa, até que o Bola, que como já aqui contei, anda a levantar pesos e até já tem maminhas, tira-lhe o tacho e diz que lhe vai ensinar como é que um homem a sério bate a massa. Mas eles nao estavam no gozo, estavam numa demonstracao de machos a sério. Digno de BBC Wild life. Sendo que eu nao estava a prémio. Estavam tao concentrados que nem notaram o quanto eu me esforcava para abafar o riso no pano da cozinha. Afastei-me para seguir o espectáculo da plateia e meti umas pipocas no micro-ondas. A massa ficou bem batida, disso nao temos dúvidas.
Mas os homens sao tao parvinhos... depois passaram mais de uma hora na varanda a falar excitadamente de desportos radicais, a gesticular com uma mao, a agarrar a garrafa da cerveja com a outra. Entretanto, arrotavam (eu só ouvi por cima...) e eu sentia neles aquela coisa que chamam de cumplicidade masculina. Algo me diz que se o Bola nao tivesse este vizinho com quem pode ser homem A SÉRIO de vez em quando, andava com as minhas roupas e usava a minha maquiagem (e falava comigo sobre nuances e sentimentos). Um contava que skydiving é isto e aquilo, o outro dizia que ele tinha era de experimentar subir a uma montanha. Até que eu decidi interromper só para estragar, com a minha voz de menina caprichosa:
- Bolinha, meu anjo, vem lá aqui dar-me um beijinho que tou com tantas saudadeeeees tuuuuuaaaaaas, anda cá meu marotao! Bola ainda olhou para trás dele, nao fosse eu estar a falar com o meu amigo imaginário, mas depois lá veio a trote com o rabinho entre as pernas.
E assim se acabou a cumplicidade masculina de hoje.
Amanha parece que há mais.
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